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Postada em 05-24-2006. Acessado 519 vezes.
Título da Postagem:Iraque: Equilíbrio instável
Titular:Manuel Cambeses Júnior
Nome de usuário:Cambeses
Última alteração em 05-24-2006 @ 02:49 pm
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Autor: * Cel Av RR Manuel Cambeses Júnior

Em 1998, o presidente iraquiano Saddam Hussein expulsou os inspetores da Organização das Nações Unidas (ONU) encarregados de investigar seus arsenais bélicos, atendendo a uma medida ordenada pela Organização, após a Guerra do Golfo.

Vários países árabes solicitaram, recentemente, ao Iraque, que aceitasse a retomada dessas inspeções, por parte da ONU e, surpreendentemente, a Turquia também aderiu, prontamente,  a essa petição, advertindo que a nação iraquiana enfrenta “um novo e grande perigo”.

Esta manifestação, ao que parece, leva a crer na possibilidade de que os Estados Unidos desencadeie um ataque massivo contra o Iraque com o objetivo de derrocar Saddam Hussein. O presidente norte-americano George W. Bush tem, freqüentemente, manifestado que a guerra contra o terrorismo poderia estender-se ao Iraque e, recentemente, ante ao Senado estadunidense, o diretor da CIA acusou os iraquianos de apoiarem grupos terroristas, muito embora funcionários dessa Agência informassem que não dispunham de concretas evidências sobre essas ações.

O jornal “Times”, de Londres e a televisão britânica, informaram de um suposto plano norte-americano para destruir o aparelho defensivo iraquiano e instigar um levante de forças reacionárias, com o intuito de remover do poder o presidente Hussein. Um porta-voz de Jack Straw, Ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, afirma, entretanto, que o governo de Tony Blair não apoiaria uma guerra contra o Iraque. Trata-se de uma importante declaração, pois os ingleses colaboram; ativamente, com os Estados Unidos, na vigilância de alguns segmentos do espaço aéreo iraquiano, para evitar que Saddam Hussein ataque os curdos, no norte, e, os xiitas, no sul do país. É sabido, também, que aviões britânicos, sistematicamente, têm atuado contra instalações militares, no Iraque.

Washington não descura do tema e o tem debatido, com maior ênfase, depois dos atentados terroristas perpetrados por fanáticos talibãs, do grupo Al-Qaeda, em 11 de setembro de 2001, às cidades de Washington e Nova York. O governo de Londres sustenta que o Iraque não teve implicação nesses atos. Uma investida militar contra os iraquianos, neste momento, implicaria em assumir uma série de riscos. O presidente Saddam Hussein possui em seu arsenal militar, armas químicas e biológicas e as utilizou contra a população curda, na guerra contra o Irã. Ademais, existem graves obstáculos políticos, internos e externos, a serem contornados. O país carece de unidade étnica e religiosa. Atualmente, existem curdos no nordeste e xiitas no sul, ao passo que o governo é, essencialmente, sunita. Os curdos estão digladiando-se entre si a ponto de, em 1995, enfrentarem-se, em duas facções, de maneira sangrenta, devido a uma abortada operação da CIA que tinha por objetivo iniciar um levante contra Bagdá.

Existe uma organização de iraquianos xiitas em Teherã, denominada “Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque”. Em Londres, opera outra, que tem como objetivo unir os curdos e o Congresso Nacional iraquiano. O presidente George Bush informou, recentemente, que havia suspendido o financiamento outorgado até agora por Washington, devido ao manejo supostamente corrupto desses fundos.

Estas divisões que vem ocorrendo revelam, claramente, o mosaico de culturas, idéias e crenças que estão a permear o seio da sociedade iraquiana. Daí a imperiosa necessidade de instalar-se, em Bagdá, um governo coerente e estável, com capacidade de auscultar os anseios da coletividade de modo a costurar um processo harmônico e sinérgico, objetivando o bem comum do povo iraquiano.

Entretanto, alguns norte-americanos e ingleses, peritos em Oriente Médio, pensam que o país se desintegraria caso Saddam Hussein fosse derrocado do poder. A Turquia teme que um levante dos curdos iraquianos, com aspirações de independência, possa provocar algo similar contra Ankara.  A Arábia Saudita, por seu turno, não deseja que se instale  um governo democrático em Bagdá.

Neste verdadeiro imbróglio geopolítico, a figura carismática de Saddam Hussein desponta como elemento fundamental e imprescindível para a manutenção do “equilíbrio instável” na região. Oxalá prevaleça o bom senso e a paz possa ser atingida, de forma perene, nesta  conturbada, preocupante e explosiva região do planeta.




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