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Postada em 09-25-2009. Acessado 429 vezes.
Título da Postagem:Artigo Jornal do Brasil - DEMOCRACIA COM RESPONSABILIDADE
Titular:GTMelo
Nome de usuário:GrupoGuararapes
Última alteração em 09-25-2009 @ 10:34 pm
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DEMOCRACIA COM RESPONSABILIDADE

Aristóteles Drummond

Uma questão delicada que tem de ser logo encarada: a democracia brasileira precisa ser reavaliada. Não se trata de condená-la, mas de examiná-la, visando seu aperfeiçoamento e, principalmente, o apreço da sociedade.
Não resta a menor dúvida, até pelos números que não mentem, que, com o fim do regime autoritário militar, as atividades ligadas aos três poderes da Nação passaram a custar mais e a servir menos. Depois do processo de abertura comandado pelo presidente João Figueiredo, que para os jovens é bom lembrar que governou sem AI-5 e sem censura na imprensa, a qualidade gerencial do país caiu em eficiência e em responsabilidade.
A diferença entre os orçamentos de investimento e custeio aumentou demais.  Os militares eram austeros na política salarial e na de contratações para o serviço público, mas até audaciosos em promoverem o progresso e o desenvolvimento, com os notáveis investimentos na infraestrutura do país. Não seríamos nada hoje, se, nos 21 anos de regime, tivéssemos investido o mesmo que nos 21 posteriores em obras fundamentais na habitação, saneamento, energia e nos transportes. Só para ficarmos nos mais evidentes. No saneamento, então, estaríamos em patamares de atendimento comparáveis aos mais pobres da América Central ou da África.
O desgaste maior vem se dando na qualidade dos políticos e no que custam ao Erário. A começar pelas câmaras municipais que eram vigiadas pela legislação, sendo que, nos municípios menores, os vereadores só podiam ganhar um salário mínimo, como ajuda de custo. Hoje, os orçamentos dos legislativos batem os itens mais importantes, a começar pela saúde, que ficou praticamente com os recursos repassados pelo SUS. Daí a repercussão do desabafo do senador Jarbas Vasconcellos.
O Judiciário aparelhou-se melhor, mas não reformou seus códigos a ponto de atender com mais agilidade e razoabilidade aos reclamos por uma Justiça que puna efetivamente quem prevarica. Os processos se arrastam, numa estranha cumplicidade com os mecanismos que tornam as causas mais importantes intermináveis. Alem de preocupante tendência liberal em relação aos infratores. E o aumento nos quadros de pessoal, na remuneração e benefícios foram significativos.
No Executivo, a gastança com ONGs, muitas sob suspeição, e contratações aos milhares, ampliou demais as folhas de pagamento. Abriu torneiras para verdadeiras doações de caráter político-ideológico e retirou uma certa isonomia que existia entre os chamados altos funcionários. Os militares, por exemplo, foram mesquinhamente prejudicados, em especial nos oito anos dos tucanos, ficando com soldos de final de carreira e os proventos na reserva bem inferiores aos praticados para altos funcionários do Legislativo, do Judiciário e do próprio Executivo, ferindo uma tradição histórica.
Não bastasse, a democracia vem sendo ultrajada na medida em que o poder público, em nome de teses ultrapassadas e que nunca foram democráticas, deixa correr solto movimentos que inquietam trabalhadores e empresários. Entre os exemplos, a agitação no campo que está presente em todo território nacional, criações intempestivas como a questão dos quilombolas, que beiram o ridículo, o mau uso do solo urbano e nas margens das estradas, nos dando um panorama visual cada vez mais subdesenvolvido. Esta cumplicidade com o radicalismo e a violência chega a beneficiar ou prejudicar estrangeiros, como os conhecidos casos do abrigo a condenados na Itália e na Colômbia e a devolução, na calada da noite, em avião fretado, de dois atletas que queriam fugir de Cuba. E que depois foram resgatados, pela solidariedade de organismos internacionais ou mesmo dos EUA que lutam pelos direitos humanos de fato.
Vamos ser mais democratas, cultivando a ordem, apressando a Justiça, gastando com austeridade, contendo abusos que fazem dos que estão sob a cobertura do Erário, formados pelos impostos pagos por todos, privilegiados acima das crises e dos desconfortos causados pela má gestão pública. Na saúde, a maioria dos órgãos federais por não acreditar no atendimento oficial já fornece planos privados a seus funcionários. Na educação, as universidades publicas estão degradadas e com crescente absenteísmo de professores, em desrespeito ao estudante, que já é obrigado a conviver com  instalações abandonadas e mal tratadas.
Sem uma reforma política realista, gradual na implantação, rigor na lei de inelegibilidades, setores do Judiciário encarregados de tratar com urgência os casos que envolvem recursos públicos ou delitos de qualquer espécie praticados por parlamentares ou altos funcionários, não vamos construir a democracia social e justa tão proclamada, mas cada vez mais distante.
O que se passa na nossa vizinhança não parece ser modelo a ser seguido .




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