As opiniões expressas neste artigo e seus comentários não representam a opinião do Portal Militar, das Forças Armadas e Auxiliares, ou de qualquer
outro órgão governamental, mas tão somente a opinião do usuário. Os comentários são moderados pelo usuário.
 
Denuncie | Colaboradores: Todos | Mais novos ] - [ Textos: Novas | Últimas ]

O autor decide se visitantes podem comentar.
 
Postada em 11-02-2010. Acessado 4596 vezes.
Título da Postagem:Causas Gerais da Revolução de 1930
Titular:Roberto Bondarik
Nome de usuário:Bondarik
Última alteração em 11-02-2010 @ 09:51 pm
[ Avise alguém sobre este texto ]
A Revolução desencadeada em outubro de 1930 teve seu impulso principal devido às eleições presidenciais de 1930, sendo que esta pode ser apontada côo sua principal causa uma vez que todas as outras acabaram sendo fundidas a esta. A arrancada do processo revolucionário gravita em torno da sucessão presidencial de 1930, definindo ai suas motivações mais arraigadas e mais visíveis [...] a sucessão não será apenas a expressão genérica do descontentamento de três estados (Minas, Rio Grande do Sul e Paraíba) contra a hegemonia paulista, mas também o reflexo de dissensões que atingem as mais antigas, consagradas e representativas lideranças da Republica Velha (CAMARGO, 1982, p.18). A cisão no acordo oligárquico que dava forma a política do Café-Com-Leite se delineou durante a escolha do candidato oficial a Presidência da República. Para Camargo (1982) este conflito gerado antes, durante e especialmente após as eleições, ocorria no seio das elites políticas que controlavam a República. E também esse desentendimento entre as oligarquias não era, segundo esta autora, algo relativamente inédito na história da República Velha. A esta cisão soma-se a outras quatro causas igualmente importantes e devem levar em conta sempre as questões relacionadas com a eleição presidencial de 1930. A primeira delas listada por Camargo (1982) trata da ofensiva paulista visando manter a sua hegemonia política, fator essencial para estimular sua liderança econômica no país: A ofensiva paulista no sentido de consolidar a almejada hegemonia política no quadro federal e de garantir a continuidade de sua política econômica e administrativa. Para isto, previamente reforça sua aliança com o Rio Grande do Sul, que será beneficiado pelos favores do Governo Federal e com o mais importante ministério: o Ministério da Fazenda, concedido à Getúlio Vargas. O fortalecimento dos laços entre o Rio Grande do Sul e São Paulo prenunciam, sem duvida, a necessidade de neutralizar as esperadas resistências mineiras ao candidato paulista, decorrentes da reorientação do antigo pacto São Paulo-Minas [Pacto de Ouro Fino]. Estes planos serão dificultados pela inesperada resistência gaucha, açodada por Minas, e pela crise internacional que atinge o café, enfraquecendo a liderança oficial diante das forças de oposição paulistas [Partido Democrático]. Tais mudanças quebram, em favor das ultimas, a antiga coesão paulista (CAMARGO, 1982, p.20). O Presidente do Estado do Rio Grande do Sul, Getúlio Vargas, tenta ele mesmo ser indicado como o candidato oficial de Washington Luiz. A ligação de Vargas com Antonio Carlos de Andrada, Presidente do Estado de Minas Gerais, e a inimizade deste com o Presidente da República fez com que esses planos fossem abandonados. A ascensão gaucha, que se confirma desde 1910 e que é bloqueada pela aliança São Paulo-Minas e pela morte de Pinheiro Machado. Após a derrota de 1922, o Rio Grande encontra, em 1929, condições surpreendentemente favoráveis, graças ao êxito da política de frente única empreendida por Vargas no âmbito estadual. De fato, o declínio e a retirada de Borges de Medeiros (chefe regional e eterno governador do estado) abre caminho para o entendimento entre republicanos e libertadores, e permite a ascensão de um novo líder, Vargas, que alem do indispensável respaldo interno, tem livre transito na política federal e a confiança pessoal do Presidente da Republica, a quem poderia sucede. Tendo em seus quadros um nome “presidenciável”, o Rio Grande do Sul postula, em uníssono, tanto quanto o velho sonho de ocupar o cargo, o direito de participar com destaque da definição e do encaminhamento do jogo sucessório. De fato a ambição regional à presidência congrega todas as lideranças gauchas, inclusive aqueles que, como o Secretario de Finanças, Paim Filho, marchavam o candidato dissidente, não pelo programa que ele encampava, “mais por julgar que havia chegado a hora de o Rio Grande influir mais diretamente nos destinos da República”. Outros como Flores da Cunha e Lindolfo Collor, apoiaram Vargas apesar dos mais estreitos vínculos com a política oficial de São Paulo (CAMARGO, 1982, p.20). O rompimento entre o Antonio Carlos de Andrada e Washington Luiz fez com que o acordo firmado pelo Pacto de Ouro Fino fosse também abandonado. Buscando um espaço que julgava pertencer a Minas Gerais, Antonio Carlos aproximou-se de grupos oposicionistas e buscou construir uma candidatura alternativa à Presidência da República, mesmo com um candidato de outro Estado. O descenso mineiro pode ser detectado, a nível menos imediato, por um desvantajoso desequilíbrio regional que acentua relações “neocoloniais de dependência” em favor do eixo Rio-São Paulo. Tais tendências são corroboradas, no plano político, pela visível fragilidade de Minas diante do avanço paulista. O veto de Washington Luís ao nome de Antonio Carlos, potencial candidato, é escorado nas divisões internas de uma fragmentada liderança. A impossibilidade de fornecer nome próprio – sintoma visível de debilidade – tem como contrapartida o empenho consensual dos próceres mineiros em vetar o candidato paulista, substituindo-o por outro, junto ao qual seria maior a influencia de Minas (CAMARGO, 1982, p.20). Por fim Camargo (1982) elenca o papel que coube às oligarquias do Nordeste neste conjunto de eventos. Certo é que a principal oligarquia envolvida com os planos oposicionistas, e que aceitou participar da oposição, era a da Paraíba que enfrentava problemas sérios de rebeliões internas e com o próprio Presidente da República. Os nordestinos buscavam um maior espaço político, um espaço a altura de sua importância pretérita na história do Brasil. A inserção nordestina, representada pela presença da Paraíba na dissidência oligárquica, efetiva-se, não por mera coincidência, através do único estado da região que forneceu nome próprio e eu foi politicamente beneficiado por ela. Por isso mesmo, a presença de Epitácio Pessoa será decisiva nas negociações que precedem o lançamento das candidaturas, nas quais desempenha papel “orientador e consultivo”. Já em 1927, em conversa com José Bonifacio, irmão de Antonio Carlos, sugere que Minas não deveria disputar diretamente a sucessão, “mas que, com essa renuncia, teria em mãos a chave do problema sucessório (CAMARGO, 1982, p.20-21). Após a derrota eleitoral, manipulada pelo Governo Federal e por suas oligarquias estaduais submissas, restou aos oposicionistas de 1930 a luta armada, apesar das tentativas condições de negociar e salvar a honra dos contendores: Os argumentos de Vargas ao moderado Paim Filho revelam bem os motivos da opção revolucionária do governo gaúcho: a convicção de que um eventual esfacelamento da Frente Única, por recuo do governo estadual, seria um sacrifício inútil da autoridade do governador diante das inevitáveis represálias federais. “Somente a satisfação dos interesses coletivos do Rio Grande justificaria uma atitude conciliatória do presidente do estado, que foi candidato da Aliança; mas o sacrifício de ambos não encontraria justificativa honrosa”. Sugestivamente, idêntico diagnóstico move Artur Bernardes naqueles mesmos dias de julho, quando incita o presidente eleito [de Minas Gerais] a comprometer-se com os revolucionários: “devo de antemão declarar-lhe que não vejo saída digna para nós senão pela porta da revolução – única deixada pelo inimigo (CAMARGO, 1982, p.29-30). E assim efetivou-se o conflito, convencionado de Revolução de 1930 e que conduziria novos atores, também outros nem tão novos assim, ao centro das atenções e das decisões no Brasil por pelo menos três décadas. Getúlio Vargas alçado ao poder se perpetuaria no mando nacional por quinze anos, e depois eleito por mais quatro, o Brasil nunca mais seria o mesmo.


Bookmark and Share

Comentários

Visitante em 16-02-2010 às 10:55 am

Senhores! Ha coisas antigas,modernas e eternas e o caminho de outrora se mostra o mais sábio neste momento de militares inglórios,inertes na comodidade do bem estar e da disciplina entregando o Brasil ao fascismo apenas defendem um pedaço de chão no mapa precisamos retirar destes o monopólio das armas e agora com um fascista de comandante.



Comente
Olá Visitante. Este usuário permite que você comente mas antes é necessário informar seu nome e email pessoal válido e ativo.
Você receberá um email de confirmação.
Nome: Obrigatório
Digite seu Email: Obrigatório. Não será divulgado.
Redigite seu Email: Obrigatório. Não será divulgado.
Código de segurança:_YA_SECURITYCODE
Digite o código de segurança:
  [ Voltar ]
Outas colaborações de Bondarik
Veja Mais
Perfil de anonimo
Perfil do Usuário
Junte-se a nós!
Junte-se a nós!