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Postada em 05-23-2006. Acessado 759 vezes.
Título da Postagem:A intricada geopolítica do oriente médio
Titular:Manuel Cambeses Júnior
Nome de usuário:Cambeses
Última alteração em 05-23-2006 @ 06:03 pm
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Autor: * Cel Av RR Manuel Cambeses Júnior 

 

 

Inegavelmente, o Oriente Médio constitui, na atualidade, a região mais instável e complicada do planeta. O longo e desgastante conflito entre Israel e a Palestina e o triunfo do radicalismo do Hamas, complicam, sensivelmente, o processo de negociações entre os dois Estados. O assassinato do ex-primeiro-ministro Hariri, no Líbano, e a possível conexão deste fato com a Síria, ademais da atitude beligerante do Hezbolah, são ingredientes apimentados neste fervente caldeirão.

De maneira análoga, a expressiva atuação dos talibãs desestabiliza governos monárquicos como Arábia Saudita e Marrocos e, também, republicanos e laicos como a Argélia, o Egito e Túnis. O mais grave, entretanto, é o processo de “vietnamização” da Guerra do Iraque e o atual labirinto nuclear em que adentrou o Irã, em seu persistente intento de obter armas atômicas.

 Nas últimas três décadas, graves conflitos eclodiram no espaço geopolítico do Oriente Médio: a guerra entre o Irã e o Iraque (1980-1988), a invasão do Kuwait pelo Iraque (1990-1991) e a segunda guerra contra o Iraque, em abril de 2003, desencadeada por uma coalizão de países, capitaneados pelos Estados Unidos, ao arrepio do Conselho de Segurança da ONU e da opinião pública mundial.

Pode parecer, à primeira vista, ser mais grave a confrontação pela crise nuclear iraniana, o que implicaria todo o sistema mundial, envolvendo a Organização Internacional de Energia Atômica. O conflito Irã-Ocidente tem expressões do denominado “choque de civilizações”, porém com ingredientes altamente explosivos como o petróleo e o domínio da energia nuclear para fins bélicos. Ademais, expressa as rivalidades hegemônicas nessa região, porque aí uma dupla fronteira atravessa o Golfo e a Mesopotâmia, fronteira política entre dois povos diferentes, o Irã indo-europeu e o mundo árabe semita, igualmente evidenciando expressiva divisão religiosa dos crentes do Corão entre sunitas e xiitas que, na realidade, só faz acirrar o antagonismo histórico entre árabes e persas.

Na antiga Pérsia, que desde 1935 se chama Irã, a dinastia dos Pahlevi se estabeleceu depois da Primeira Guerra Mundial, em 1925, com um projeto de converter o Irã em uma grande potência regional, mas com vinculação ao Ocidente, no engendrado  critério de transformá-lo no Japão do Oriente Médio. Com a revolução islâmica e a chegada ao poder do ayatolá Khomeiny, em 1978, o Irã manteve esta linha de poderio regional, enfrentando, sistematicamente, os Estados Unidos e a Europa.

Esta revolução islâmica, desde o princípio, manteve a oposição ideológica entre o Islamismo e o Arabismo. Entretanto, Saddam Hussein se equivocou imaginando que o Irã, em virtude de sua revolução, havia se debilitado militarmente e invadiu esse país em 22 de setembro de 1980, com o apoio do Ocidente e da maior parte dos governos árabes. Nessa contenda, o Irã saiu fortalecido, chegando às portas de Basora e controlando a circulação no Estreito de Ormuz.

Isto obrigou o Governo iraquiano a buscar novos recursos econômicos no pequeno Emirado do Kuwait, desbordando, conseqüentemente, em guerra. O Kuwait representava 10% das reservas mundiais de petróleo, enquanto Bagdá detinha 20%, o que era inaceitável para a Europa e os Estados Unidos. Essa guerra teve justificativa econômica, porém, contou com a aprovação das Nações Unidas e as petro-monarquias do Golfo ajudaram o Iraque frente ao temor da ameaça da propagação da revolução iraniana. Com o desaparecimento do governo de Saddam e o preocupante potencial iraniano, o equilíbrio geopolítico do Oriente Médio se rompeu. Conseqüentemente, abriu-se uma nova era, onde o Irã, não se submetendo aos cânones do Direito Internacional e à Organização Internacional de Energia Atômica, passa a constituir, na visão das grandes potências, uma ameaça global. Por esse motivo, para o Oriente Médio se dirige toda a atenção de Washington contando com o decidido apoio do triângulo: Israel, Egito e Arábia Saudita. O regime de Teherã, agora com o líder ultra conservador Mahmoud Ahmadinejad e sua agressiva política externa, como na época do Xá Reza Pahlevi, continua com a ambição da Grande Pérsia e sonhando em poder manter uma atitude de Estado gendarme do Oriente Médio.


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