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Postada em 08-08-2011. Acessado 1950 vezes.
Título da Postagem:Os militares e Jobim
Titular:Marcos Rangel
Nome de usuário:topgan
Última alteração em 08-08-2011 @ 06:21 pm
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 REPASSANDO PARA REFLEXÃO

Os militares e Jobim

( Denis Rosenfield – 5 de agosto de 2011 )

 

Contexto. A propósito da substituição do Jobim pelo Amorim, falei com interlocutores de distintas forças, que, por razões evidentes, ficarão no anonimato. Eis a seguir o teor das conversas, nem sempre seguindo a mesma ótica e avaliação. O fato de serem de Forças distintas também contribui para essa diferença de perspectiva.

 

Saída. A saída de Jobim é vista como voluntária, pois a sucessão de suas declarações foi uma espécie de adeus a funções que não mais queria exercer. Houve uma clara queda de prestígio seu na passagem do governo Lula para o governo Dilma. De cada 10 reuniões que Jobim tinha com Lula, 8 eram para tratar de assuntos políticos, que não diziam respeito à pasta da Defesa, segundo um dos interlocutores. No embate sobre a questão dos Direitos Humanos, no PNDH-3 ele conseguiu ganhar, derrotando, neste episódio, o ministro Gilberto Carvalho. Estava prestigiado. Com Dilma, esse prestígio se evaporou, o que fez com que pedisse, na verdade, para sair, para ser exonerado.

 

Hierarquia. Um dos interlocutores insistiu muito na hierarquia que continuará a ser seguida. E, dentro dela, destacou o fato de a Presidente Dilma, que é a Chefe Suprema das Forças Armadas, ter chamado os Comandantes militares para dar ciência da substituição de Jobim  por Amorim. Segunda essa perspectiva, a consulta teria reafirmado a relação direta dela com os chefes militares, deixando o Ministro da Defesa numa posição secundária. Ela teria sido “muito hábil” neste sentido. Ou ainda, Amorim ficará numa posição intermediária e secundária. Hierarquicamente, a situação seria tranqüila.

 

Defesa e Itamaraty. Havia uma espécie de acordo, não escrito, mas observado na visão dos militares, de que o Ministro da Defesa não poderia ser um militar, nem um diplomata. Militar, porque terminaria sempre por privilegiar o uso da força. Diplomata, porque terminaria por privilegiar a recusa, por princípio, do mesmo uso da força. Ora, esse acordo não teria sido seguido, colocando a Defesa em um tipo de subordinação aos “diplomatas”, algo que, no passado, já causou muitos problemas. Por exemplo, a assinatura pelo Itamaraty da Convenção 169 da OIT sobre nações indígenas no país, em um claro desrespeito à soberania nacional. Naquela ocasião, a Defesa não foi sequer consultada.

 

Esquerdista rançoso. Esse traço da diplomacia brasileira teria sido ainda reforçado pelo fato de Amorim ser um “esquerdista rançoso”, anti-americano por princípio, que se aproximou durante sua gestão no Itamaraty de figuras como Fidel Castro, Hugo Chávez e Ahmadinejad, do Irã. Ou seja, o novo ministro da Defesa já surge como uma figura ideologicamente carimbada, em um claro confronto com as tradições, valores e idéias das Forças Armadas. Também dever ser aqui salientado que não lutará por reaparelhar as Forças Armadas, trabalho que vinha sendo feito, com percalços no governo Dilma, pelo ex-Ministro Jobim.

 

Estupefação. Segundo outro interlocutor, a indicação da Amorim foi recebida com “estupefação”, sendo uma péssima escolha. Há um viés claramente esquerdista nessa opção, seguindo, neste sentido, orientações ideológicas do PT. Sob essa ótica, não poderia deixar de se inferir que há algo de provocação nessa escolha, pois não havia nenhuma necessidade de Dilma ter feito essa opção. Mais precisamente, essa escolha por Amorim não seria precisamente dela, mas teria seguido Lula, do qual o novo ministro seria uma espécie de “capacho”. Sem papas na língua, a escolha por Amorim seria “uma merda”.

 

Incoerência. Também foi expresso o que é considerado como uma espécie de incoerência na escolha de um diplomata para a pasta da Defesa, na medida em que, mesmo por formação, tal escolha não corresponderia a uma opção de Estado, que deveria guardar as duas esferas, Defesa e Diplomacia, como distintas, embora complementares. No caso, estaríamos diante de um desequilíbrio, prejudicial, enquanto tal, para o Estado brasileiro. Foi igualmente ressaltado que a diplomacia esquerdista, conduzida por Amorim como Ministro das Relações exteriores, está em franco desacordo com as posições das Forças Armadas. As aproximações com Fidel Castro e Hugo Chávez foram particularmente citadas.

 

Outras opções. Outras opções, mais palatáveis para os militares, estavam à mão da Presidente Dilma. Eis algumas que foram consideradas nesses dias: a) deputado Aldo Rebelo. Ele é visto, apesar de suas posições comunistas, como uma boa opção por sua seriedade pessoal e por seu nacionalismo. Os oficiais da reserva teriam sérias restrições ao seu nome, porém os da ativa tenderiam a acolhê-lo. Conforme um interlocutor: “é o comunista mais conservador que conheço”; b) Moreira Franco seria aceitável não por suas virtudes, mas por sua fraqueza, na medida em que seria um ministro sem força nenhuma, que simplesmente seguiria as diretrizes dos Comandantes militares; c) Mangabeira Unger, que teria estado com a Presidente, é considerado um “belicoso”, no sentido militar do termo, com opção claro pelo uso da força e, mesmo, partidário da bomba atômica. De positivo, seria um fervoroso partidário do reaparelhamento das Forças Armadas. No processo de regularização fundiária da Amazônia teve um papel importante, embora seja considerado, por suas idéias, meio maluco, apesar de inteligente.




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