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Postada em 05-23-2006. Acessado 548 vezes.
Título da Postagem:Brasil-China: uma promissora parceria estratégica
Titular:Manuel Cambeses Júnior
Nome de usuário:Cambeses
Última alteração em 05-23-2006 @ 06:42 pm
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Autor: * Cel Av RR Manuel Cambeses Júnior

O conceito de parceria estratégica expressa a profundidade do relacionamento bilateral e a ampla variedade de assuntos em que Brasil e China apresentam convergência de interesses e pontos de vista comuns.

Em sua visita ao Brasil, o presidente chinês Hu Jintao enfatizou que a China iria trabalhar junto com o Brasil para promover uma parceria estratégica e fortalecer as relações bilaterais, acrescentando que isto vem se desenvolvendo desde 1933 e que, no momento, somos o principal parceiro comercial na América Latina.

Da passagem de uma formulação retórica para o estabelecimento de ações estratégicas, muitas questões se impõem. No atual contexto internacional, deve o Brasil priorizar essas relações, a ponto de elevá-las ao nível de uma parceria estratégica? Caso positivo, como dar substância a esse conceito? Serão o Brasil e a China capazes de enfrentar e vencer os desafios e as incertezas do novo século? Que contribuições um relacionamento privilegiado entre ambos é capaz de trazer? Poderão ambos forçar a ruptura dos hegemonismos e tornarem-se eles próprios protagonistas de um mundo multipolar? Como fazer convergir os interesses de duas nações quase antípodas, uma resultante de uma civilização milenar e outra que não existia há quinhentos anos, quando foi descoberta, e que se tornou independente há menos de dois séculos? Por fim, que setores priorizar e que horizonte temporal deve-se estabelecer na construção dessa parceria?

Na confrontação entre os dois países, verifica-se a existência de amplos e profundos contrastes, decorrentes de um enorme rol de diferenças, tanto históricas, estabelecidas por processos peculiares de formação e evolução cultural, como conjunturais, de ordem econômica, política e social.

Há um enorme leque de possibilidades que se oferecem para a construção de um proveitoso relacionamento, que está a exigir persistência, imaginação e visão de longo prazo dos estrategistas brasileiros.

Esses contrastes, contudo, ensejam uma saudável complementaridade, capaz de potencializar as oportunidades decorrentes de não menos importantes coincidências, tais como as bases físicas de dimensões continentais, as enormes populações, os vastos espaços internos a ocupar, desenvolver e integrar, os atrativos dos dois maiores mercados emergentes, a grande capacidade produtiva, os recursos naturais e o lugar que lhes cabe desempenhar no futuro da Humanidade.

Em termos psicológicos, o Brasil conta ainda com a vantagem de não ter participado da história de humilhações sofridas pelos chineses. Tal fato tem um profundo significado no imaginário coletivo da população, que automaticamente associa as nações ocidentais às agressões por elas perpetradas nos séculos XIX e XX, responsáveis, inclusive, pela destruição de parte do patrimônio histórico-cultural, o que foi amplamente explorado pela propaganda do partido comunista durante o período maoista.

As grandes dimensões territoriais, contudo, têm induzido os dois atores a, de certa forma, voltarem-se para dentro, com vistas ao enfrentamento dos enormes desafios internos. Durante quase metade do século passado, embora de forma diferente, seguiram modelos econômicos calcados na idéia força de que, através da autosuficiência, aumentariam a autonomia e a influência internacional, o que contemporaneamente passou a ser buscado por meio da integração ao contexto internacional, em demanda de mercados, tecnologia e recursos para investimento.

A própria fisiografia condicionou essa abertura, pois, além de vastos litorais, delimitam-se, ao longo de extensas fronteiras, com um grande número de países (China com quatorze e o Brasil com dez). Daí a importância das relações internacionais para ambos, pois exercem enorme influência na estabilidade e no desenvolvimento econômico de suas respectivas regiões. Tanto a China como o Brasil têm uma atuação bastante ativa nos foros internacionais, exercendo papel de liderança na articulação de consensos e na busca de soluções.

A distância, que, se por um lado dificulta as interações, por outro permite que, na agenda comum, não ocorra a superposição de áreas de influência regionais, favorecendo, conseqüentemente, a obtenção de um clima sinérgico nas relações bilaterais entre os dois portentosos países emergentes, e a abordagem da conjuntura internacional, no concerto das nações, de uma forma orquestrada, sintônica e consensual.


Autor:   Cel Av RR Manuel Cambeses Júnior

·         Coronel-Aviador da Reserva da Força Aérea

·       Conferencista Especial e membro-correspondente do Centro de Estudos Estratégicos da Escola Superior de Guerra.


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