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Postada em 08-02-2012. Acessado 1160 vezes.
Título da Postagem:Logo após ter digitado o número errado, a fábrica sumiu do mapa
Titular:Lewton Burity Verri
Nome de usuário:Lewton
Última alteração em 08-02-2012 @ 07:26 pm
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Logo após ter digitado o número errado, a fábrica sumiu do mapa ...

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As Comunicações Operacionais na Fábrica e no Escritório. Quantas vezes já ouvimos: - deixa comigo, qualquer coisa eu comunico ...
 
Pela engenharia japonesa a estrutura de informações operacionais de uma empresa é um dos elos do avançado sistema japonês do ZERO DEFECT. Em todo o seu hardware, software e humanware. O que quer dizer: não só rádios, celulares, displays, TVs, sinalizadores, computadores, mostradores, sirenes, apitos, piscadores luminosos, indicadores, instrumentos, indoors e outdoors, vão garantir boa comunicação operacional.
 
E se o trabalhador for meio cego e/ou meio surdo? Ou se ele for meio analfabeto? E se as caligrafias forem ruins, ou a capacidade expressiva, em termos de concatenação de idéias e conceitos for precária? E se seu “dicionário” mental for incompleto, com uma limitação de palavras rotineiras e de verbetes? E se ele estiver tendo uma indisposição momentânea que “obstrui” o seu entendimento nas comunicações operacionais?
 
Quem não se comunica se trumbica. Quem se comunica errado se trumbica. Quem não sabe ler e nem escrever está trumbicado. E a comunicação operacional irá ser trumbicada e truncada, como ruído de rodas de trens ou como o trombetar de motores sem abafadores.
 
A Comunicação é uma ação de entendimento entre pessoas e a sua mensagem é à base da comunicação. Logo, a comunicação é uma troca de mensagens entre pessoas, através de instrumentos e meios, pela FALA, AUDIÇÃO, a LEITURA e a ESCRITA.
 
Os meios de comunicação: telefone, celular, fax, manual, livro, relatório e instruções faladas e escritas, terminais de computadores, sinalizações, placas, luzes de alertas, visores e etc, atualmente estão num bom estado tecnológico para ações preventivas contra distrações, bobeiras e deficiências temporárias ou permanentes.
 
E a grande importância da Comunicação Operacional é que ela contém mensagens relacionadas aos procedimentos, processos e seus resultados, em atividades de operações simples ou complexas, de baixo ou de alto risco.
 
Logo após ter digitado o número errado a fábrica sumiu do mapa ... E tudo o mais que estava nela!
 
A Comunicação é a junção com significado léxico (fonético e semântico) da Linguagem da Pátria + terminologia técnica + agregados de formalismo + gírias específicas e a ESCOLARIDADE influencia a comunicação. E mais, o cabedal histórico do trabalhador, sua experiência, naquela rotina que requer repetição racional, e não permite improvisos fora de permissões protocolares. Pois, erros poderão provocar acidentes, explosões, colisões, incêndios, envenenamentos, intoxicações, eletrocussão, afogamentos, asfixias e etc.
 
A ESCOLARIDADE influencia a comunicação? Sim, o homem simples domina cerca de 1.500 palavras “tradicionais”, o homem comum médio domina de 1.500 a 2.500 palavras e o homem muito escolarizado e sábio atinge de 2.500 a 5.000 palavras ou mais, no campo normal da engenharia. Mas, a comunicação exige uma linguagem bem simplificada para se emitir mensagens.
 
A linguagem simplificada da engenharia é aquela em que se utilizam palavras de domínio geral, bem estruturada em suas expressões, falada ou escrita, com figuras, croquis ou esquemas de apoio, com mensagens de fácil entendimento. Pois, erros desta natureza poderão provocar acidentes, explosões, colisões, incêndios, envenenamentos, intoxicações, eletrocussão, afogamentos, asfixias e etc.
 
E o surpreendente é que as comunicações transcorrem passo-a-passo a evolução dos eventos de grandes magnitudes, não só em valor econômico, mas em valores humanos, materiais e ambientais.
 
O erro médico mata ou inutiliza um paciente “in loco”, na mesa de operações. O da engenharia pode fazer sumir um quarteirão inteiro, cair um avião, explodir um botijão de gás, incendiar um automóvel, descarrilar um trem, envenenar uma aldeia e afundar um navio ...
 
Assim as mensagens da engenharia são utilizadas para juízo de valor, para decisões e para ações, com a máxima segurança técnica em todos os sentidos.
 
Nas mensagens os erros mais comuns são: escrita alfabética precária, letras malformadas, números que se confundem entre si e com letras, transcrições incompletas ou invertidas, termos mal aplicados, conteúdo duvidoso ou falso, sintaxe e significados incorretos – erros de ENTENDIMENTOS e de INTERPRETAÇÃO.
 
Os erros de ENTENDIMENTO podem produzir: perdas, atrasos, acidentes, falhas, omissões, defeitos, imprevistos, reclamações, danos patrimoniais, humanos e ambientais.
 
O Ciclo da Comunicação Operacional na engenharia segue o I3CR – Informação, Comunicação, Comando, Controle e Registro – I3CR.
 
E é uma praxe, altamente pragmática: O Ciclo da Comunicação Operacional –
 
1. Informação – relatos de dados e fatos,
 
2. Comunicação – transmissão ou repasse,
 
3. Comando – ação condicionada pela comunicação,
 
4. Controle – ajustes e regulagens para correções e
 
5. Registro – armazenamento em banco de dados, para análise e aprendizagens - I3CR, onde:
 
1. Informação – relatos de dados e fatos: numéricos, alfanuméricos, e alfabéticos, eventos: 5W1H – o quê, onde, quando, quem, por que e como;
 
2. Comunicação – transmissão ou repasse – instrumentos, medidores, contadores, atuadores, calculadores, visores, quadros, tabelas e etc.
 
3. Comando – ação condicionada pela comunicação – parar, acelerar, fechar, abrir, apagar, acender, cortar, iluminar, encher, esvaziar, correr, anotar, registrar, gerar, encerrar, começar etc;
 
4. Controle – ajustes e regulagens para correções – aumentar ou diminuir – enquadrar na meta/objetivo.
 
5. Registro – armazenamento em banco de dados, para análise e aprendizagens – na caderneta de anotações, no relatório, no terminal do computador (formulário eletrônico), no painel, no notebook, na prancheta, no inventário do processo e etc;
 
O item 5, Registros Confiáveis – ou Padrão de Registro - forma o histórico das ações e dos eventos da engenharia, para prazos de aprendizagens: curto, médio e longo, em função do número de anos, o número de repetições e o número de dados / escritos- digitados – numéricos, alfabéticos e alfanuméricos.
 
E o Padrão de Registro é a especificação do modo correto de digitação ou anotação dos dados: termos, campo de registro – número de dígitos, unidade de medida - ºC, kg, kwh, psi, litro, metro, área, hora-minuto-segundo e etc, descrição resumida ou detalhada, cálculos e métodos, destaques e prioridades.
 
As atitudes mais importantes para o Elemento de Registro – ou o agente ou pessoa que faz a anotação, o aviso, a digitação e a instrução:
 
1. Evitar palavras difíceis,
 
2. Escrever resumido,
 
3. Concatenar o pensamento e o seu conteúdo,
 
4. Ter E&T - Educação e Treinamento: na terminologia, na gíria e nas expressões técnicas aplicadas,
 
5. Manter atenção e concentração na anotação, leitura ou digitação,
 
6. Evitar erros de TRANSCRIÇÃO E INVERSÃO,
 
7. Ter controle da acuidade visual e auditiva,
 
8. Controle automático de CRÍTICAS para evitar extração ou inserção de dados errados,
 
9. Fazer Checagens.
 
Alguns exemplos de Erros de Transcrição são que produzem confusões do tipo: de “porção de macarrão” para “porrão de macacão”, de “bife de caçarola” para “rifle de caçar rola”, de “6969” para “9696”, de “700100” para “100700”, de “2535” para 3525”, Código de “3B6” para “6B3”, de “subir e descer” para “descer e subir”.
 
A Fatalidade dos Erros nos leva para grandes catástrofes e que podem produzir perdas, atrasos, acidentes, falhas, omissões, defeitos, imprevistos, reclamações, danos patrimoniais, humanos e ambientais. Com conseqüências graves - Prejuízos, perda de empregos, falências, mortes, catástrofes, doenças, mutilações e etc.
 
Na engenharia adotamos as seguintes Propriedades da Comunicação:
 
1. Economizar tempo do leitor/ouvinte;
 
2. Constituir-se de fatos relevantes;
 
3. Adotar a linguagem DIRETA;
 
4. Ser conclusiva e coerente;
 
5. Permitir rastreamentos com os históricos;
 
6. Armazenagem, sigilo e validade.
 
Tipos e Meios de Comunicações:
 
1. Manuais, padrões, normas, apostilas e livros técnicos;
 
2. Avisos, recados, alertas e advertências;
 
3. Ordens de produção, inspeção e ensaios e dados de fornecimentos;
 
4. Relatos de anomalias;
 
5. Relatos de resultados e desempenhos.
 
As Comunicações Interpessoais numa fábrica, ou indústria, se dão em multidireções, multisetores, multifunções e multiinterseções, entre pessoas com graus de escolaridades diferentes, experiências e qualificações diferentes, tendo-se a necessidade de haver um nivelamento técnico-linguístico, capaz de universalizar a terminologia das engenharias aplicáveis aos produtos, processos e modos de administração e controle, sem equívocos e contratempos.
 
As Comunicações Interpessoais mais comuns numa empresa:
 
1. Entre os supervisores;
 
2. Entre os funcionários;
 
3. Entre os supervisores e os funcionários;
 
4. Entre a empresa e os clientes;
 
5. Entre a empresa e os fornecedores;
 
6. Entre as empresas;
 
7. Entre as empresas e o poder público.
 
8. Entre regionalidades: comunicações nacionais e internacionais.
 
Os Meios mais comuns adotados: telefone, celular, fax, e-mails, cartas relatórios e vídeo conferência, computadores, tradutores e interpretes.
 
Quando temos as comunicações regionais as mensagens terão uma outra estrutura mais adequada para evitar equívocos e contratempos, além de evitar OFENSAS (por comentários indevidos), por questões culturais, onde a base da comunicação terá que ter: formalismo do cargo, de país, de educação + linguagem comercial + terminologia e SEM GÍRIAS;
 
A fábrica ou a indústria terá que adotar e protocolar um padrão de Comunicações Emergenciais para situações críticas – perigosas – incêndios, explosões, falhas de operação, contaminações, fumaças, vazamentos, escapamentos, rupturas e rompimentos, choques e descargas, em ocorrências graves que podem desencadear acidentes, perdas e prejuízos:
 
1. Manter a calma,
 
2. Avaliar a criticidade da situação,
 
3. Estabelecer comunicações dentro do protocolo aplicável,
 
4. Avisar imediatamente o supervisor.
 
Em situações críticas EVITAR ERROS DE ENTENDIMENTOS e EVITAR CONFUSÕES DE INICIATIVAS, num momento já de alto desgaste: estresse, exigüidade de tempo, urgência com ações imediatas e corretas.
 
Para se “abortar” a propagação de uma situação crítica evitar o essencial que será a ocorrência de “Falhas de Comunicações”, as quais na maioria das ocorrências produzem o agravamento de um evento “calamitoso”, que por si sós já é perturbador, não introduzindo “falhas” que prejudiquem as comunicações sobre o evento.
 
As falhas mais comuns são:
 
1. Lentidão em transmitir ou repassar;
 
2. Raciocínios incompletos ou incorretos;
 
3. Cálculos e números errados, em suas medidas e unidades de grandezas;
 
4. Palavras incongruentes, mal escritas;
 
5. Erro na dimensão da gravidade/crise.
 
Um segredo da engenharia é o de NUNCA CONFIAR NA MEMÓRIA: não efetivar comunicações com dados ou descrições relevantes “precariamente” memorizados, ou “superficialmente” examinados na situação crítica. Evitando utilizar meios de comunicação sem manutenção e inadequados, para a situação. Uma equipe jamais pode ter falta de treinamento para as situações emergenciais – treinar sempre, até ficar PERFEITO ...
 
Outro forte elemento do ZERO DEFECT são as Comunicações de Anomalias, motivo do artigo no link a seguir:
 
 
Uma Anomalia é a ocorrências de situações, em cujas propagações / desdobramentos existem possibilidades de se atingir situações críticas - incêndios, explosões, falhas de operação, contaminações, fumaças, vazamentos, escapamentos, rupturas e rompimentos, choques e descargas.
 
Como exemplos, de Anomalias, podemos listar: painel quente, eixo trepidando, ruído na engrenagem, cheiro de queimado, vazando óleo, fumaça saindo, aumentando a rachadura, ralo entupido, dando fagulhas, escapando gás, cheio de poeira, fuga de vapor, muita sujeira ...
 
Os efeitos básicos, e visados pela ação do Relato de Anomalias, são:
 
1. Abortar a propagação,
 
2. Agilizar a sua correção,
 
3. Minimizar riscos, perdas e danos;
 
A empresa deve instituir uma Organização de Relato de Anomalias, na regra geral simplificada abaixo:
 
1. Incorporar ações nas normas,
 
2. Monitoramento com sensores e trabalhadores,
 
3. Treinar pessoal,
 
4. Incentivar o relato,
 
5. Acatar o relato,
 
6. Reincorporar ações nas normas.
 
Lembremos que quem Não se comunica se trumbica. Quem se comunica ERRADO se trumbica. Quem NÃO sabe LER e nem ESCREVER está trumbicado na fábrica.
 
Engº Lewton Burity Verri
CREA 74-1-01852-8 UFF – RJ
Copyright © 2010 - Engº Lewton Burity Verri 



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