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Postada em 27-03-2012. Acessado 872 vezes.
Título da Postagem:Evitando decisões precipitadas, as estátuas dos barões, a passarinhada e os 6 po
Titular:Lewton Burity Verri
Nome de usuário:Lewton
Última alteração em 27-03-2012 @ 05:01 pm
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Evitando decisões precipitadas: as estátuas dos barões, a passarinhada e os 6 por quês

Tags: Investigação, falhas, solução, problemas, análise, científica, metodologia, técnica, mental, decisões, Japão, engenharia, japonesa, JUSE, administração, administrativa, abertos, fechados, ações, preventivas, corretivas, causas, efeitos, reação, ação, fundamental, correlação, regressão, pesquisa, fenômenos
 
Num belo parque havia várias estátuas, do nobre baronato do município local, com vastos arvoredos e antigos carvalhos, caminhos relaxantes e inebriantes, bancos e flores, num festim colorido e perfumado, lagos e córregos murmurando o som das águas no burburinho semi-harmônico, junto ao farfalhar das folhagens.
 
E o vento em rasante, rente ao chão, levantava as folhas como confetes florestais de outono ... Soprava leve e suave, fazendo pequenos silvos entre talos e forquilhas.
 
E durante todas as tardes aquelas estátuas ficavam cheias de fezes de pássaros.
 
Era da passarinhada que se recolhia para o anoitecer, afinal passarinho não tem radar e nem visão noturna para voar à noite - só os morcegos - sobrevoando sobre as estátuas, deixando-as tão sujas e capazes de magoar os corações dos descendentes do baronato.
 
Era muita sujeira fecal ... E logo nas cabeças, ombros, barrigas e nos traseiros dos nobres senhores da antiga aristocracia.
 
Sob os últimos raios de sol havia uma revoada repentina, numa rede emaranhada de vôos “zigzaguiantes” espalhando vultos voadores, como nuvens escurecidas de esquadrilhas mis, de passarinhos em algazarra comum, e repleta de alaridos.
 
Uma festa magistral, que nenhum ambientalista deixaria de se apaixonar.
 
Só quem não gostava daquelas festas era o zelador do parque e sua equipe que cuidavam todo dia, pela manhã, da lavagem das estátuas. E lá iam sabão, escovas, água e escovação, e toda aquela pasta encharcada e de excrementos era removida para as margens do ribeirão ...
 
O baronato contribuía com a poluição do ribeirão, até depois de falecidos ...
 
As estátuas estavam se desgastando pelo excesso de lavagens e escovações. Seu escultor já havia falecido há uns 50 anos, e, portanto, se fosse recuperar o perfil e a silhueta das estátuas teria que ser somente pelos restauradores.
 
E o parque não tinha verbas suficientes para uma recuperação plena das estátuas, a menos que as famílias do baronato, fizessem doações para tal finalidade. E a conta da água estava ficando cada vez mais cara, o sabão estava agredindo, com sua soda cáustica, a saúde dos operários e levando acidez para as águas do ribeirão.
 
As escovas se desgastavam, também, e a piaçava estava ficando rara e inflacionada no seu preço. E era necessário se pensar em resolver de vez o problema.
 
Seguindo uma base de questionamento foram tentando fazer as perguntas certas para tentarem identificar a fonte causadora do problema. Certamente, disseram:
 
1º Eram as escovas de piaçava muito rígidas, que forçavam o desgaste das estátuas na escovação;
 
2º Era o tipo de sabão, com muita soda cáustica por ter que lavar fezes de pássaros, combinado com a rigidez das cerdas de piaçava das escovas;
 
Resolveram trocar de escovas e de sabão ... Mas, ai piorou o procedimento de limpeza e as mãos do pessoal passaram a ter uma espécie de “micose” das fezes, pois tiraram quase toda a soda cáustica, com o novo sabão, mesmo que alguns usando luvas.
 
3º Eram os passarinhos que sobrevoavam as estátuas e defecavam sobre elas; Esta nos parece uma boa aproximação da causa fundamental, que era a revoada com defecação sobre as estátuas. Lavar e escovar as estátuas eram pura AÇÃO CORRETIVA, para a limpeza da sujeira.
 
Logo disseram que deveriam cortar as árvores próximas das estátuas, para os pássaros fazerem seus sobrevôos de pousada, para o pernoite nas árvores mais distantes ... Mandaram motosserras nas galhadas e nas árvores das imediações das estátuas.
 
Foi um “assassinato verde” generalizado.
 
Que nada pessoal, mesmo abrindo uma grande clareira no largo da praça das estátuas do baronato os passarinhos faziam as revoadas ao entardecer sobre as estátuas. E lá iam fezes na dignidade do baronato.
 
Logo disseram vamos exterminar os passarinhos com sementes venenosas, destruição de ninhos e tiros de chumbeiras ... Mandaram ver num extermínio venenoso, sangrento e chumboso. Um crime contra a fauna, não bastasse o crime anterior contra e flora e a floresta.
 
Que nada pessoal, mesmo exterminando um grande número de pássaros e com a clareira aberta no largo da praça, das estátuas do baronato, os passarinhos faziam as revoadas ao entardecer sobre as estátuas. E lá iam fezes na dignidade do baronato.
 
E chamaram o passarinheiro-mestre do município, o maior especialista em passarinhos, para analisar o problema. Então ele, por três dias seguidos ficou de plantão ao entardecer para examinar a questão.
 
No primeiro dia ele sentou-se num dos bancos em frente ao “baronato” e se pôs a observar, antes da tarde acontecer em sua plenitude. Certa hora, lá pelo início do crepúsculo, veio o zelador e acendeu as luzes do largo da praça do “baronato”.
 
Até aquele momento o passarinheiro havia observado poucos sobrevôos nas estátuas. Porém quando as luzes foram acesas, ele começou a perceber uma nuvem de insetos do crepúsculo e da transição dia-noite a voar em torno das lâmpadas acesas. E eram em milhares ...
 
Ele então inferiu que os insetos, aranhas, mariposas, vaga-lumes, mosquitos e outros se adensaram sobre os focos das luzes acesas. Ora, ele pensou o 4º por que?: Os insetos eram atraídos pelas luzes, então eles terminavam por atrair os passarinhos.
 
4º Eram os insetos que as luzes atraiam, que atraíam os passarinhos para a última CEIA do dia antes de se recolherem.
 
Ele comentou, no fim desta primeira observação, com o zelador e sua equipe. E estes últimos resolveram espargir DDT sobre a clareira aberta no largo da praça, das estátuas do baronato, e nas estátuas. Quase 3 deles morreram de intoxicação e mataram milhões de insetos.
 
Que nada pessoal, mesmo exterminando um grande número de insetos (que são milhões de milhões) os passarinhos faziam as revoadas ao entardecer sobre as estátuas, abrindo os bicos em V para engolirem dezenas e centenas de insetos. E lá iam fezes na dignidade do baronato.
 
5º Era a “fisiologia passarinheira” do “entra um, sai um”! Entra um bolo de proteínas e sai um bolo de cocô.
 
Então, após o segundo dia o passarinheiro disse, que passarinho chega a comer o equivalente ao seu peso por dia. E nesta ceia deles de final de crepúsculo, na revoada para engolirem insetos o organismo dos pequenos “empenados”, funciona com um sistema de “entra um, sai um”, assim ao engolirem mais insetos eles “automaticamente” defecam por necessidade da “fisiologia passarinheira” ... “Entra um, sai um”! Entra um bolo de proteínas e sai um bolo de cocô.
 
Mas, mesmo assim, o passarinheiro tinha suspeita de um procedimento que estava provocando as questões do problema: - O que de fato, está fazendo aparecer os insetos, não era quando se acendiam as luzes do largo do “baronato”?
 
No terceiro dia ele planejou esta observação. E Eureka! Na mira! Quando o zelador acendeu as luzes do largo das estátuas vieram todas as nuvens: a dos insetos e quase 2 minutos depois, veio a dos passarinhos. Logo, o 6º por que, é, os insetos surgem por que se acendem as luzes?
 
Entretanto, o passarinheiro como sabe que os pássaros se recolhem antes da noite plena, afinal passarinho não tem radar e nem visão noturna para voar à noite, ao acenderem as luzes se garante a eles alguns “minutos” de ceia antes da pousada, já que elas são acesas cerca de quase uma hora antes do total por do sol.
 
6º Era por que se acendiam as luzes do largo do baronato, uma hora antes do pleno por do sol, o que dava origem a todo o fenômeno analisado.
 
Só evitaremos decisões precipitadas, se analisarmos os problemas com as perguntas corretas, em busca das causas fundamentais. Na engenharia japonesa nada é decidido antes de se ter a certeza de que se formulou “corretamente” o “6º por que?”.
 
Na nossa estória exemplificamos várias decisões precipitadas que incorreram em desastres e calamidades, sem que se viesse a solucionar o problema de uma vez por todas.
 
Outro modo de se conseguir a busca dos “6 por quês” é através do mecanismo da Estratificação, que é uma seqüência de “chegada” do nosso foco, como num binóculo olhando a floresta, na procura da fonte de erro, de falha, do defeito, do problema.
 
Estratificação: Numa fábrica de automóveis ...
 
1º Qual floresta? Uma divisão;
 
2º Qual árvore? De automóveis;
 
3º Qual tronco? O sistema elétrico;
 
4º Qual galho? O painel;
 
5º Qual ramo? Os instrumentos;
 
6º Qual folha? O Velocímetro.
 
E na política podemos aplicar os 10 por quês?
 
Se você está sem esperanças, desanimado e revoltado? Procure uma saída ...
 
Saia das trevas ... Tente colocar estes “10 por quês” na ordem lógica ...
 
1. Por que os políticos são corruptos, roubam e não são presos?
 
2. Por que seus Planos de Governo dão errado?
 
3. Por que o Economicismo impede o crescimento do Brasil?
 
4. Por que pessoas desqualificadas assumem cargos públicos?
 
5. Por que as Leis Eleitorais favorecem os políticos tradicionais?
 
6. Por que a Justiça é CEGA, SURDA e MUDA para a impunidade?
 
7. Por que os políticos odeiam a DITADURA MILITAR?
 
8. Por que surgem QUADRILHAS na Administração Pública?
 
9. Por que os funcionários públicos ineficientes gostam do anarquismo?
 
10. Por que você continua VOTANDO neste caótico estado de coisas?

Abraços,

Lewton




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