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Postada em 19-04-2012. Acessado 1661 vezes.
Título da Postagem:O que há de comum entre o feedback cibernético e o PDCA da qualidade total
Titular:Lewton Burity Verri
Nome de usuário:Lewton
Última alteração em 19-04-2012 @ 02:24 pm
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O que há de comum entre o feedback cibernético e o PDCA da qualidade total?

Tags: Feedback, retroalimentação, informação, retorno, ajustes, regulagens, desempenho, aprendizagem, automação, autômato, cibernética, Norbert Wiener, Walter Shewhart, Edward Deming, Juse, Japão, engenharia, japonesa, controle, estatístico, qualidade, não-conformidades, defeitos, falhas, repetições, defasagens, correções, ações corretivas, ações preventivas, PDCA, PDC, revolução industrial, máquina, vapor, hardware, software, sistema aberto, sistema fechado, evolução, armazenamento, dados, gigadados
 
A cibernética é uma ciência criada pelo cientista americano Norbert Wiener, entre 1948 e 1953, com uma espetacular antecipação à era da computação, e dos sistemas autônomos, que pela padronização de processos, práticas e procedimentos, permitiram que a engenharia pudesse conceber a moderna automação.
 
Wiener começou seus estudos de cibernética em pesquisas com o sincronizador da máquina a vapor, das antigas locomotivas, por exemplo, que autoregulava a velocidade delas com um dispositivo que liberava “controladamente” a pressão do vapor nos êmbolos impulsionadores das grandes rodas locomotivas, ajustando a velocidade segundo o manete do condutor.
 
Naquela época Wiener já havia sacado a funcionalidade do que ele conceituou de FEEDBACK.
 
Durante a 2ª Grande Guerra Mundial ele prestou serviços às Forças Armadas americanas, no desenvolvimento de miras automatizadas de armamentos. À ocasião ele criou um sistema de mira que foi aperfeiçoado no conceito de feedback. Antes que alcançasse boa condição de acertos, Wiener teve que considerar fatores externos e ambientais, tais como inverno e verão, por exemplo, entre outros.
 
No inverno o mecanismo ajustador da mira não chegava ao posicionamento objetivo do alvo, pelo fato da graxa do sistema de lubrificações ficar densa, e muito viscosa, “prendendo” o movimento do giro do armamento. E no verão a graxa ficava mais fluída e menos viscosa liberando a força de giro do armamento para ajustar a mira no alvo, indo além da marca do alvo.
 
Logo ele criou o conceito de defasagem positiva e defasagem negativa e adaptou uma formulação eletromecânica, na automação da mira do armamento, para compensar estas defasagens de inverno e verão (ou quente e frio, úmido e seco, pouca graxa, muita graxa e etc), que se traduz na retroalimentação da conduta operacional com o desempenho passado do sistema. Nasceu o conceito de feedback.
 
O termostato das geladeiras, dos aparelhos de ar condicionado, e de todos os dispositivos de sensoriamento local ou remoto que retroalimente um sistema para seus ajustes, em função de uma dada “mira, meta ou alvo” previamente estabelecida, trabalham segundo feedback de defasagens (variações em relação “mira, meta ou alvo”) para compensações automáticas e autônomas.    
 
Todas as fontes de vida, no seu desenvolvimento, seguem exatamente uma programação de auto-regulagem e autocontrole que a Engenharia chama de MÁQUINA CIBERNÉTICA.
 
A MÁQUINA CIBERNÉTICA – a maquina de Wiener- é um mecanismo conceitual aplicável em sistemas tecnológicos, orgânicos e inorgânicos com RETROALIMENTAÇÃO - FEEDBACK. Sua característica é de autocontrole e auto-regulagem.
 
Ver esquema geral da máquina cibernética no link ao lado:
 
 
Esse esquema procura fazer uma análise de processos e procedimentos ORGANIZADOS.
 
Na literatura de Norbert Wiener, há outro exemplo, o do TIMONEIRO. E é classicamente usado para explicar o significado de regulagens por retroalimentação.
 
Um barco tem um rumo definido e o timoneiro se coloca a mantê-lo no RUMO, com verificações de posicionamento com a costa, indicação da bússola e outros posicionamentos de navegação.
 
Num dado momento o barco está em outro RUMO, por efeito do jogo do mar, pressão dos ventos e movimento das correntes marinhas. Tendo a indicação do DESVIO o timoneiro faz o giro do timão para compensar o DESVIO. Se o desvio foi para direita ele compensa com um desvio dado para esquerda, em intensidade suficiente para realinhar o barco ao RUMO planejado. E assim a rotina segue em compensações de rumo em “regulagens” POSITIVAS e NEGATIVAS, dependendo da magnitude e do excesso dos desvios.
 
A percepção da perda de RUMO está dentro do programa de navegação e dos parâmetros dos seus instrumentos indicativos. Existem ainda outros parâmetros auxiliares, consumo de combustível, temperatura dos motores, direção do vento, tempo de cruzamento com pontos de referência, tempo total até o momento no curso de navegação, fluxo de correntes e etc.
 
A NATUREZA é um processo organizado, com regulagens por retroalimentação - tem autocontrole e auto-regulagens. Ela possui meios de manter seus limites e faixas de operação e estabilidade variada (os sistemas da natureza estão permanentemente em busca do equilíbrio - mas estão longe do equilíbrio. Por exemplo: se uma reação química encontrar o equilíbrio ela pára de reagir. E se isso acontecer com a Natureza ela pára).
 
Numa infinidade de processos inter-relacionados, tanto na geração de espécies, na formação de um ser, na precipitação das chuvas, na evaporação, na cadeia alimentar, na população de seres, nos ciclos de gestação, nos ciclos térmicos, nas reações químicas, nos eventos físicos, na absorção de energia solar, na liberação das suas energias e etc, a Natureza está em busca do equilíbrio - estabilidade variada.
 
Mais espetacularmente a NATUREZA funciona nos óvulos fecundados e nas sementes das árvores e frutos.
 
Vejamos o caso dos óvulos humanos: O SOFTWARE E O MICRO-HARDWARE no Processo Cibernético:
 
1. Parametrizado, para autocontrole de volume, forma e peso;
 
2. O tempo é sincronizado com as fases de desenvolvimento do óvulo ao feto;
 
3. Há um marco Zero e um marco Fim para cada fase e um seqüenciamento ordenado;
 
4. Uma série de parâmetros e padrões é controlada;
 
5. Tensão superficial, pressão interna, acidez, agregação molecular, catalisadores, inibidores, reações eletro-químicas e etc;
 
6. Percorre a Fita do DNA comandando a estruturação do organismo – características hereditárias e "falhas".   
 
O óvulo é um micro-hardware, com um ALGORÍTIMO que contem todas as instruções da construção orgânica do ser e que o elabora passo a passo da construção de si mesmo. O seu software, ativado pela fecundação, inicia o processo de construção e autocontrole como uma Máquina Cibernética, derivando em músculos, ossos, órgãos, sangue, bile, nervos, matéria cerebral, gorduras e etc, numa seqüência sempre na probabilidade de conformações perfeitas e sem falhas.
 
E Onde fica a Central de Monitoramento de todo este processo? As informações dos parâmetros são valoradas e validadas por qual "inspetor interno"? Vemos que o processo tem autocontrole, mas será que poderemos criar um algoritmo completo, num óvulo por nós criado?
 
Criaremos óvulos e sementes segundo a nossa ciência ou só "manipularemos" esses já criados? O produto final do processamento cibernético do óvulo fecundado é um ser humano, com sua fisiologia, anatomia, características e potencialidades numa normalidade assustadora para quem observa estes fenômenos naturais, sem a intervenção direta do controle humano.
 
Para a gestação bastam cuidados, alimentação e respiração ... E após 9 meses nasce um bebê.
 
A Máquina Cibernética de Wiener “funciona” com dois tipos de INPUTs, tanto interno do resultado do desempenho do seu último ciclo operacional e quanto do externo que vem do ambiente onde ela funciona. Portanto, é um sistema ABERTO se aprimorando com dados externos e se atualizando com dados internos.
 
Na era computação estes ciclos passaram a ser usados com acumulação estatística de dados elevando o número de informações sobre os dados, compondo amostras de em “gigadados”, melhorando as inferências e os cálculos dando mais acertos às previsões, as ajustagens e as regulagens, com mais exatidão e precisão, favorecendo os ciclos de aprendizagens aos autômatos e às análises de desempenhos. 
 
O feedback, então, é capaz de ajudar no ajuste do desempenho futuro com base nas informações do desempenho pretérito. Algo muito parecido com o ciclo de gestão do PDCA da qualidade total japonesa.
 
Segundo a JUSE – União dos engenheiros e cientistas japoneses, desde o início da revolução industrial, a função do supervisor veio sendo aprimorada. Ao princípio a gestão da supervisão ficava entre a execução (D – Do - fazer) e a verificação (C – Check – verificar), ou seja era só DC.
 
A padronização é antiga na humanidade, que foi tratada mais técnica e comercialmente pelo império romano (Século 1 a.C. a século 5 d.C.). E na revolução industrial a padronização alcançou status de disciplina prevalente e mandatória dentro da atuação do supervisor, para se poderem criar as condições básicas da reprodutibilidade de resultados, das quantidades e das qualidades das mercadorias.
 
E antes do início do século 20 a padronização já ganhava status de elemento primordial para controle de custos e de preços.
 
Havia à entrada do século 20 a percepção de que o supervisor tinha um ciclo de gestão baseado em PDC.
 
Nos anos 1920 nos laboratórios da Bell Telephones, EUA, o engenheiro e cientista Walter A. Shewhart criou os gráficos de controle para monitoramento estatístico de processos e o monitoramento de seus resultados, propondo o chamado CEQ – controle estatístico da qualidade.
 
Shewhart conseguia controlar a qualidade dos componentes fabricados para telefones através de verificação da variabilidade de suas características, visualizadas em gráficos de controle na linha do tempo, mostrando tendências para uma boa ou má qualidade, como respostas dos processos de fabricação.
 
Ao se verificar a variabilidade das características da qualidade se obrigaria ao supervisor investigar as fontes das variações (da variabilidade e suas causas), implicando numa AÇÃO CORRETIVA sobre o processo em primeiro, para bloquear a não-conformidade, e, em segundo, voltar ao conjunto de padrões e corrigir com AÇÕES PREVENTIVAS a recorrência através de bloqueio nos padrões. Então, veio o PDCA ...
 
O PDCA é então um ciclo que funciona no “automático” do DC e em casos de não conformidades ele abarca o ciclo todo P’DC’A, como proposto por Shewhart. E que foi popularizado por Edward Deming no Japão – JUSE, após a 2ª Grande Guerra Mundial.
 
Como as AÇÕES Corretivas e Preventivas atuam sobre o momento imediato da não conformidade, pelo supervisor, e depois sobre a base de padrões, se configuram em AÇÔES FEEDBACK. O que indica uma semelhança entre o Feedback Cibernético e o PDCA da qualidade total japonesa.
 
Ver esquema geral da máquina cibernética no link ao lado:
 
 
Porém, o dito “giro do PDCA” nos revela uma representação em sistema FECHADO, que pode ficar girando em torno de si, melhorando permanentemente os resultados do seu desempenho, sem no entanto agregar modificações impostas por INPUTs externos. E é diferente do Feedback Cibernético de Wiener, o qual recebe INPUT externo, e sendo configuradamente um sistema ABERTO.

Abraços,

Lewton




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