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Postada em 09-07-2012. Acessado 1014 vezes.
Título da Postagem:A América, a Qualidade Total, a Sustentabilidade e a exuberância irracional
Titular:Lewton Burity Verri
Nome de usuário:Lewton
Última alteração em 09-07-2012 @ 12:00 pm
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A América, a Qualidade Total, a Sustentabilidade e a exuberância irracional

Tags: Crise, financeira, qualidade total, sustentabilidade, Scott Adams, Dilbert, automação, fim dos empregos, reengenharia, programas, tecnologia, administração, engenharia, RH, recursos humanos, métodos, metodologia, demissões em massa, consultores, consultorias, Rio+20, Obama, EUA, América, exuberância, irracional, Japão, japonesa
 
Há vários anos temos lido diversos livros de negócios sobre administração da qualidade nas empresas. Eu mesmo já escrevi mais de 50 deles, como brasileiro especializado no Japão.
 
Nos últimos 12 anos desanimamos quanto à busca de algo novo. A mesmice do assunto, Qualidade Total, parece ter chegado ao fim como a "História dos 540 livros sobre elefantes", escritos na Inglaterra, desde o início dos apoteóticos safáris na recém explorada região africana. Mal acabada a era da Qualidade Total estamos entrando na era da SUSTENTABILIDADE e levando para as operações empresariais os mesmos males raízes da Qualidade Total ...
 
Nos 540 livros sobre elefantes vários exaltavam a beleza daquele grande animal, outros suas orelhas, outros seus poderosos pés, outros sua tromba, outros suas presas de marfim e assim por diante. Eram livros especializados em partes de elefantes. Criou-se a ciência especializada em elefantes. Mas, toda fragmentada e sem entendimento integralizado.
 
Hoje em dia a Qualidade Total tem sido vista como "um elefante mal entendido" e ainda colocando-se a sustentabilidade como um “mamute” recém ressuscitado pela engenharia genética, como se fez com a ovelha Dolly.
 
Um agente de pesadas críticas, sobre Qualidade Total nos EUA foi o autor do "Princípio Dilbert", Scott Adams. Em suas tirinhas, de desenhos sobre o Engenheiro Dilbert, Scott fazia a abordagem crítica à contracultura formada na América com relação à Qualidade Total:
 
• Programa de Falência Total;
• Chefes Lobotomizados;
• Reengenharia Exterminadora;
• Qualidade Sofrível;
• ISO 9000 "Modos de Pedir Cerveja";
• A Idolatria da Tecnologia;
• Consultores Charlatães;
• RH - Triagem de Matadouro;
• Etc.
 
Scott Adams nos revelou um inventário de males empresariais, praticados na nação mais próspera, e desenvolvida do mundo, em termos de administração e tecnologia.
 
A América, Ex-tutora da Humanidade, transferiu com a globalização os seus males empresariais para todo o mundo. Uma vigorosa e nociva contracultura passou a ser praticada em todo o mundo, onde a América tem interesses econômicos.
 
Seu fanatismo pela tecnologia fez com que ocupasse o 2º lugar em número de máquinas autômatas, apenas para se livrar das pessoas, no início dos anos 2000.
 
Cerca de 58% dos robôs do mundo estavam no Japão ou 413 mil máquinas, apresentando um índice de desemprego de 4,0% - 1998 / 2000. Os japoneses possuem uma ética de automação mais nobre do que a revelada pelos americanos.
 
A automação no Japão respeitava os seguintes princípios:
 
PRINCÍPIOS DA AUTOMAÇÃO JAPONESA
 
1. Minimizar lesões por esforço repetitivo.
2. Eliminar a atuação humana em ambientes drásticos e agressivos.
3. Minimizar acidentes de trabalho.
4. Minimizar a exposição humana e sua atuação em processos e procedimentos monótonos.
5. Ampliar o poder de percepção de variações, Nº de variáveis e de manutenção da estabilidade dos processos.
6. Maximizar o tempo de disponibilidade dos processos.
7. Maximizar a repetição de padrões.
 
Estes princípios têm efeitos diretos e indiretos na Qualidade e na Produtividade.
 
Os EUA possuíam 114,8 mil máquinas autômatas, ou 11% dos robôs do mundo, com índice de desemprego de 4,7%, extremamente agravado após set/2008. Seu único princípio, até agora revelado, é o de se livrar das pessoas.
 
Um total de 80% dos investimentos nos últimos anos foi para instalação de tecnologia racionalizadora de mão de obra e apenas 20% para novos empreendimentos e novos empregos.
 
Os EUA gastaram suas fichas numa economia exuberante que durou quase 10 anos (até 2008), só investindo em tecnologia.
 
A supervalorização capitalista de ações veio criando um "efeito riqueza", mostrando um surrealismo econômico perigoso nas empresas da América. A "exuberância irracional", segundo Alan Greenspan que era do presidente do Federal Reserve, estava evidente e corroendo a economia sob o escudo intelectual de prêmios Nobel de economia e de jogadores de Wall Street.
 
A América possuia grandes programas de demissão em massa e muita reengenharia devastadora: Xerox, IBM, Boeing, Ford, GM e muitas outras ícones da atividade empreendedora e global. Apenas 20% das técnicas de RH eram usadas em algumas empresas. Na maioria só rudimentos de técnicas de RH.
 
As tirinhas de Dilbert - Scott Adams - traziam em seu bojo "elementos da psicologia humana" que habitavam uma sociedade baseada na tecnologia, que expelia vícios de uma "Dantesca contracultura da Qualidade Total" e que revela uma aversão lastimosa pelos seres humanos.
 
Mas, a América tem muitos problemas insolúveis, que navegam inercialmente no destino global. Com a globalização, isto agora se torna um problema mundial.
 
A América não é perfeita, muito embora seja feita pelos advogados, contadores, administradores e engenheiros. Cerca de 22% dos americanos eram funcionalmente analfabetos (2000), mesmo que incluindo os que terminaram o 2º grau. E 50% não escreviam nem falavam bem o idioma inglês.
 
Cerca de 83% dos americanos esquentavam a cabeça por causa do dinheiro e levavam a vida toda em sua perseguição e mesmo assim só 10% deles tinham o "instinto empreendedor", que construíam a América capitalista. Tecnologia era bem de capital, com seus softwares, hardwares, autômatos e computadores.
 
O trabalho já lhes estava pesando e estressando com as “indas e vindas da reengenharia” e da aquisição de tecnologia correspondente.
 
• 58,4% alegaram doença para "matar o trabalho";
• 26% admitiam aversão ao chefe;
• 63% alegavam excesso de carga de trabalho;
 
O capitalismo estava (e está) arraigado:
 
• 75% dos americanos tinha vaga noção do índice Dow Jones, o que é muito.
• 19% sabiam exatamente o que se refere - somatório do preço das ações das 30 maiores corporações dos EUA.
 
Como a tecnologia por si só não faz a qualidade, para 54% dos americanos o que interessa é o "preço do produto ou do serviço". Por isso a China começou a fazer a festa, na América, com seus produtos classe D, sem garantias, sem qualidade técnica material e segurança para o usuário. E 19% dos americanos diziam ser pão duros. Um total de 70% jamais reclamava da qualidade, tanto americana quanto estrangeira, pois acham que as empresas não se incomodariam com seus reclamos e nem iriam alterar a qualidade para melhor.
 
Coisas que nem Phillip Crosby explicava ...
 
Os americanos são consumistas inveterados:
 
• 52,6% de toda mercadoria comprada nos supermercados eram compradas por IMPULSO.
• 73% dos americanos ficavam felizes em comprar algo novo.
• Vão 16,1 vezes ao shopping por ano - 55 minutos por visita e US$ 34,00 de consumo por vez.
 
Diante de tudo isto, menos de 10% dos novos produtos, projetos tecnológicos e industriais davam certo.
 
Mesmo com este baixo índice de acerto, num país de MBA's e doutores em engenharia e administração, a América, o Japão e a Europa detêm cerca de 95% dos pedidos de patentes do mundo.
 
Pelas tirinhas de Dilbert, observamos que na América, a visão do capitalismo selvagem é exasperadora. Com alto grau de exploração. Em nome da tecnologia as empresas, dos EUA, se dedicavam a trapacear inventores, empregados, sindicalistas, fornecedores, clientes, comunidade e etc. A ganância dos administradores com MBA atingia a escala do milhão, do bilhão e vaidades que se entrechocavam em generosos bônus anuais, participação acionária, poder decisório etc.
 
Eles tiravam tudo dos demais e deixavam apenas nada. A cobiça desmedida ressaltava dos quadrinhos de Dilbert. O capital e seus bens valiam mais do que o trabalho e o ideal é que o empregado trabalhasse de graça, pois o capital é que viabilizava o trabalho.
 
Quando caiam os lucros, pela atuação lobotomizada dos MBA's, os funcionários é que se sacrificavam - traziam papel higiênico, pó de café, lápis, canetas, bloco de rascunho de casa e enquanto isso os processos caros e dispendiosos consumiam o lucro empresarial.
 
Aí, quando surgiam prejuízos decorrentes da inépcia e da atuação omissiva da gerência vinha o corte de pessoal, redução de salários, etc. Os gerentes ficavam com os mesmos salários e os bônus eram mantidos ou pouco reduzidos.
 
A exuberância da supervalorização das ações refletia na especificação da remuneração dos executivos principais:
 
• US$ 200 mil/ano + bônus astronômico;
• US$ 10 milhões/ano + bônus intergaláctico.
 
Isto levou à exuberância de que as ações empresariais eram equivalentes a esta supervalorização. O sistema vivia de valores fictícios, ilusórios e emocionais. Se os resultados estavam caindo "capitalisticamente", então o que deveria no futuro caracterizar o valor seriam o "trabalho e seu valor intelectual + operacional agregado".
 
Semideuses falíveis será coisa do passado.
 
Dilbert (Scott Adams) nos mostrou que, ao empresário, ao acionista e aos chefes, todo o progresso e prosperidade econômica e aos empregados:
 
“Agüentem firme, vem mais reengenharia, menos salários, menos benefícios e mais trabalho - menos gente fazendo a mesma coisa e na mesma ou até em maior quantidade.”
 
Esforços vãos, desperdícios, tensão e desgastes surgiam na reorganização com reflexos que se propagavam nos relacionamentos interfuncionais, interpessoais, interfamiliares, criando conflitos, ansiedade, angústia e desespero, suicídios e assassinatos - A descrição do Inferno de Dante.
 
Os cidadãos americanos empregados, em tais empresas - Inferno de Dante, não se sentiam vivos, como seres humanos, com uma saudável vida real. E a partir de set/2008, da crise financeira, houve um agravo sem precedentes, decorrente da salvação dos bancos perdulários, das jogatinas de ações e das pirâmides e alavancagens dos Madoffs dos EUA. Com emissão de moedas, sem os fatores de produção correspondentes, os americanos entraram na fossa existencial do FIM DOS EMPREGOS.
 
Toda sorte de eventos de desqualificação, incapacidade técnica e incompetência mesmo, se sobrepuseram em propagação geométrica, levando à evidência de uma cultura empresarial americana amorfa, desorientada com rituais e simbologia débeis.
 
Há muitos ressentimentos – de repente um funcionário desesperado entrava pela porta a dentro e metralhava os outros e se matava.
 
Assistimos o conflito existencial dos empregados e familiares em meio à trajetória nada bem sucedida da nova cultura da Qualidade Total.
 
Cursos mal formulados, livros de negócio mal entendidos, o clima organizacional instável, nivelamento técnico-científico deficiente, a imitação escandalosa, os "atalhos" que deformam os conceitos, o apego ao "status" vigente, consultores de formação precária, o empregado acuado, o regime de preferências interpessoais, as amizades e suas influências nos bastidores, o apadrinhamento criminoso, tudo levou à descrença do valor da Qualidade Total nos EUA.
 
E este conjunto nefasto de “magia negra” carrega hoje a sustentabilidade, como um novo conceito a ser empregado nas empresas, porém com muito menos aptidão, urgência e obrigações do que se conseguiu, a princípio, com a Qualidade Total. E a sustentabilidade se tenta impor para a salvação do mundo.
 
Se no hino americano consta que “Deus salve a América”, nem ela mesma se interessa pela sustentabilidade de si, e como Deus irá salvá-la? E como Deus irá salvar o mundo, se nem a América está ai para a sustentabilidade? Onde ficou Obama, na Rio+20, com os seus 25% de emissões mundiais de CO2?

Abraços,

Lewton




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