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Postada em 24-07-2012. Acessado 973 vezes.
Título da Postagem:Se você não conhece a prática dos Protótipos, suas inovações serão chinfrins
Titular:Lewton Burity Verri
Nome de usuário:Lewton
Última alteração em 24-07-2012 @ 06:58 pm
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Serão chinfrins e puro desperdício.

Tags: Inovações, idéias, inventos, concepções, criações, design, projetos, planos, escala, industrial, semi-industrial, protótipos, prototipagem, patentes, IBM, Brasil, Thomas J. Watson, JUSE, engenharia, ciência, cientistas, experimentos, simulações, wipo, top U.S. Patents, exposições, expo, feiras, negócios, comércio, internacional, comercial, competitividade, tecnológica, tecnologia

Tudo o mais será mera conversa para boi dormir ...
 
O conceito de criar objetos intermediários entre um lampejo de uma idéia e sua mínima viabilidade - intermédia - é antigo, vem da antiguidade decorrente da necessidade de competição técnica, comercial e militar entre as nascentes cidades-estados. Mas, somente no século 19 é que houve a expansão deste conceito através das denominadas: Exposição Mundial, Exposição Internacional, Exposição Universal, Feira Mundial ou, abreviadamente, Expo. Eram as grandes exposições públicas realizadas em diferentes partes do mundo.
 
A primeira Expo foi realizada no Palácio de Cristal, em Hyde Park, Londres, Reino Unido, em 1851, terra da Revolução Industrial nascente, sob o título "Grande Exposição dos Trabalhos da Indústria de Todas as Nações" (na era da Rainha Vitória). Foi a primeira exposição internacional de produtos manufaturados. Como tal, influenciou o desenvolvimento de vários aspectos da sociedade, incluindo a arte e a educação de design, o comércio e relações internacionais e relações e até o turismo. Esta grande idéia comercial se espalhou pelo mundo e foi o precedente para muitas exposições internacionais.
 
"A grande Exposição Internacional de 1851 no Palácio de Cristal em Londres, comemorando a tecnologia, provocou um surto de exposições internacionais em várias cidades importantes do mundo ocidental. Transformaram-se essas exposições em vitrines de industriais, inventores e designers, onde os novos produtos eram mostrados, bem como as tecnologias de ponta dos orgulhosos países patrocinadores. Em 1889, Paris celebrava, a tecnologia através da Exposição Internacional e seu grande destaque, a Torre Eiffel, magnífico monumento de ligas e estrutura metálicas". (Prof. Edir Carvalho Tenório, no site: www.ed.uemg.br/download?id=125).
 
A Exposição Universal de 1876, primeira Exposição mundial nos Estados Unidos, aconteceu na Filadélfia, Pennsylvania, para comemorar o centenário da assinatura da declaração de independência do país, que também aconteceu na Filadélfia.
 
As Expo's transformaram-se essas exposições em vitrines de industriais, inventores e designers, onde os novos produtos eram mostrados, bem como as tecnologias de ponta dos orgulhosos países patrocinadores. Em 1889, Paris celebrava a tecnologia através da Exposição Internacional e seu grande destaque, a Torre Eiffel, magnífico monumento de ligas e estrutura metálicas.
 
Com a mesma euforia, Paris saudou o novo século com a Exposição Universal de 1900, cuja estrela era a eletricidade, fonte de energia imprescindível. A exposição espalhou-se por uma área de 221 hectares, amplos espaços abertos no centro da cidade, que abrigaram pavilhões de mais de 50 nações com 80.000 estandes e mostras (e amostras e protótipos), recebendo visitantes por mais de seis meses e atraindo acima de 48 milhões de visitantes.
 
Os inventores, designers, criadores e fabricantes industriais apresentavam seus inventos, inovações, concepções e idéias-conceito, em tais grandes feiras. E um dos problemas deles era o de "arranjarem investidores para o financiamento da aplicação industrial de seus NOVOS OBJETOS e PRODUTOS.
 
Quem já foi numa feira atual de negócios, e exposições, sabe que o processo ainda continua o mesmo, já mais do que secular. Aparece em seu stand um abastado e milionário (hoje para alguns inventos, ele tem que ser bilionário) se entusiasma com seu "protótipo" e deseja comprar uma dúzia. Então, você envergonhado tem que dizer que aquele objeto é sua idéia, mas que ainda não está em fase de produção em escala.
 
E ele lhe olha meio frustrado. E fica olhando o objeto enternecido. Coça a cabeça e lhe pergunta: - Quando você irá produzir em escala industrial? E você já dentro do saco da vergonha total, diz: - Não sei, senhor, preciso de um investidor! Então, logo ali, sua sorte virou. Ele pergunta: - Qual é o valor inicial de investimento? E você meio que flutuando o leva para explicar detalhadamente como vai funcionar ou como funciona "precariamente" seu objeto - seu protótipo ...
 
Significado da palavra protótipo pode ser conhecido no link: http://origemdapalavra.com.br/palavras/prototipo/
 
1) Do Latim ARCHETYPUM, “original (no sentido material)”, do Grego ARKHETYPON, “modelo, padrão”, literalmente “primeiro a ser feito em determinado molde” formado por ARKHÉ, “inicial, original, primeiro”, mais TYPOS, “batida, punção, marca impressa”.
 
2) Do Grego PROTÓS, “primeiro”, mais TYPOS.
E no Dicionário Informal no link: http://www.dicionarioinformal.com.br/prot%C3%B3tipo/
 
Protótipo é algo ou produto que, estar em fase de testes para aprimorar o que já foi feito e tambem o que vai ser produzido; É um produto que ainda não foi comercializado, mas está em fase de testes ou de planejamento. Primeiro modelo, único exemplar. Primeiro tipo ou exemplar; original, modelo.
 
 
Protótipo é o primeiro exemplar, primeiro modelo, original. O exemplar mais exato, mais perfeito. Primeiro tipo, modelo; aquilo que é exemplar.
 
Pela versão japonesa foi Thomas John Watson quem criou o uso estratégico dos protótipos para impulsionar as vendas da IBM. Em 1914, Thomas J. Watson (líder industrial que foi um dos homens mais ricos do seu tempo) assumiu a presidência da organização e estabeleceu normas de trabalho absolutamente inovadoras para a época. Dentre as suas idéias inovadoras estava o seu Marketing Estratégico / Tecnológico na visão japonesa da JUSE - União dos cientistas e engenheiros japoneses (o autor deste artigo é ex-aluno da JUSE, turma de set/1991).
 
Na inovação segundo a crença de Thomas John Watson precisava haver um planejamento essencial relacionado a novos produtos e novos serviços. E que a JUSE havia "codificado" na seguinte forma, em sete passos:
 
1º Passo: A Lógica de concepção do produto - Qual é o seu conceito lógico?
 
2º Passo: Visão Espacial do Produto - O design dos projetos, modelos, desenhos e esquemas;
 
3º Passo: Como o produto funcionará? Manufaturar PROTÓTIPOS - tantos quantos forem necessários - Quem tem um só protótipo, termina não tendo nenhum, haja vista que ele contem as "falhas potenciais" de uma concepção ainda incipiente em saber e conhecimentos;
 
4º Passo: Preparar numa escala semi-industrial para AMOSTRAS de fabricação do produto - deverão ser vantajosas em termos de custos;
 
5º Passo: Planejar o melhor Controle da Qualidade possível para o custo do 4º Passo - controle de processos (os que adicional a qualidade planejada) e das características da qualidade do novo produto;
 
6º Passo: Iniciar a fabricação em escala industrial e obter suporte nas aplicações no uso e no campo de utilizações;
 
7º Passo: Marketing tático de impulsionar o conhecimento do produto por parte dos consumidores / clientes - alavancar o entendimento e as vendas do novo produto;
 
Então, neste sentido, Watson havia criado um Marketing Estratégico, como uma simples equação: Marketing Estratégico = Marketing Operacional (1º ao 6º Passo) + Marketing Tático (7º Passo).
 
Nos protótipos japoneses - a agregação de virtudes e a minimização de "falhas potenciais" na concepção, ajudaram a criar um modo diferente, mais complexo, de se fazer uma INOVAÇÃO SÓLIDA, segundo a JUSE, sob o manto do TQC - Total Quality Control.
 
Os cientistas e engenheiros japoneses afirmavam que, na inovação, a sua estrutura específica começava a partir do 3º Passo de Watson, a saber:
 
1º Sub-Passo: Grande cuidado e atenção no projeto do protótipo, em face da incorporação no produto das características da qualidade extraídas do mercado - Market-in - sem o raciocínio, ainda, da economia.
 
2º Sub-Passo: Planejamento dos experimentos e das Simulações do protótipo, com o uso do CAD - Computer Aided Design, e modificações modelares em 3D, para exame da adequação da qualidade.
 
3º Sub-Passo: Testes em laboratórios e em campo do protótipo, com ações padronizadas e controladas, identificando os limites de colapso da tecnologia e os possíveis caminhos das "árvores de falhas" - as sequencias funcionais que propagam as falhas e a acumulação de potenciais de falhas;
 
4º Sub-Passo: Acumulação do que se denomina "histórico estatístico dos possíveis caminhos das árvores de falhas", formando um Banco de Dados com todos os caminhos dos modos e das árvores de falhas. Fonte dos requisitos de uso e manutenção do produto / objeto. Pré-concepção dos critérios de manutenção preventiva do mesmo e da elaboração de seu MANUAL;
 
5º Sub-Passo: Transferência dos parâmetros tecnológicos e padrões da escala de protótipo, para escala semi-industrial, planejando o Projeto do seu Processo de fabricação em escala industrial - começa a aplicação do raciocínio da economia;
 
6º Sub-Passo: Iniciar a fabricação em escala industrial e obter suporte nas aplicações no uso e no campo de utilizações;
 
7º Sub-Passo: Retroalimentação do desempenho nas aplicações no uso e no campo de utilizações, bem como nas condições operacionais e de manutenção;
 
8º Sub-Passo: Aplicação dos 3MU em todo o ciclo de vida, do produto / objeto industrializado, de modo a eliminar progressivamente as deficiências, desperdícios, perdas, falhas de coordenação, falhas operacionais, poluição, acidentes e ocorrências de anomalias.
 
A estrutura japonesa de inovações faz a repartição do seu tempo total em 80% planejando a concepção e 20% executando o projeto até o final do 8º Sub-Passo.
 
E a JUSE recomendava fazer protótipos só quando a relação riscos x custos x indenizações compensatórias fossem muito grandes, ao ponto de haver obrigação de que os protótipos só apresentassem disfunções no máximo nos laboratórios, e no campo, nos instantes imediatos dos experimentos e simulações: se explodir, só explodir no laboratório ou no campo de provas da fábrica. O mesmo para incêndios ou disfunções que tirassem abruptamente a funcionalidade básica do objeto: se a turbina para, o avião cai ... E assim por diante.
 
As técnicas de prototipagens são das mais variadas e são meios e modos de criar e/ou transferir para materiais adequados os parâmetros, padrões e conceitos com vistas à elaboração dos protótipos. E a importância do protótipo é a interação física, psíquica, funcionalidade material e as percepções espaciais e visuais que pode oferecer aos cientistas. A vocação pedagógica de um protótipo é a de transmitir uma ou mais idéias num mesmo objeto, visto fisicamente e/ou sentido pelos seus inventores/idealizadores.
 
Como aquilo que aconteceu com você em seu stand, numa feira de negócios, quando um investidor-potencial gostou da sua idéia colocada em seu protótipo ...
 
A primeira dificuldade que temos é de colocar uma idéia no papel. A segunda é tirá-la do papel e colocá-la num protótipo. Isto terá que ser em duas ações repletas da multidisciplinaridade tecnológica entre cientistas e engenheiros.
 
Uma caneta é um protótipo, desde que contenha a inovação na sua evolução linear ou já numa evolução tecnologicamente descontínua - com salto tecnológico. Assim como poderão ser protótipos: aviões, lanchas, carros, motocicletas, bicicletas, brinquedos, alimentos, roupas, bebidas, remédios, móveis, imóveis, eletro-eletronicos, eletro-utilidades, eletro-mecanicos, mecatrônicos, fraldas de neném ou batons e perfumes e etc, nas mais variadas formas e estados físico-químicos.
 
Podem ser em tubos, pastas, pós, cremes, armações, placas, chips, clips, gases, criogenados, líquidos, poliformatados e etc. E em metais, não metais, terras raras, polímeros, matérias plásticas, compostos orgânicos, cerâmicos, argilas, areias, pós e etc.
 
Se só quem tem um só protótipo, termina não tendo nenhum, haja vista que ele contem, ou pode conter, as "falhas potenciais" de uma concepção, ainda incipiente em saber e conhecimentos, tem-se a necessidade de se elaborar pelo menos 3 protótipos de um mesmo conjunto de inovações. Se o primeiro protótipo FALHAR faz-se investigação de sua falha e "se tenta" fazer a correção, com base em retroalimentação - feedback - no segundo protótipo. Se o segundo protótipo FALHAR faz-se investigação de sua falha e "se tenta" fazer a correção, com base em retroalimentação - feedback - no terceiro protótipo.
 
Porém, se o terceiro protótipo FALHAR todos devem voltar para o 1º, 2º e 3º PASSO de Watson ... Talvez não haja saber e conhecimentos suficientes, e disponíveis, para este novo invento! Por sua vez o coordenador-chefe das INOVAÇÕES terá "queimado" 3 vezes o orçamento para elaboração concreta de uma idéia de um único protótipo.
 
Segue-se que para contornar tais riscos, os fabricantes concorrentes terminam comprando objetos similares de outros concorrentes, e fazem a engenharia reversa, para conhecerem a operacionalidade, a funcionalidade, as características da qualidade agregadas, examinam o potencial econômico, estudam o manual e discernem sobre "as vantagens técnico-científicas implícitas e explícitas" e chegam a buscar detalhamento dos processos industriais e materiais de fabricação. Visitam o Banco Mundial de Patentes, pedem cópias aos escritórios de patentes e estudam os relatórios de concessão delas, dos objetos que tiveram engenharia reversa. E resolvem: - Vamos comprar licenças destas patentes, ou vamos comprá-las, ou vamos criar os nossos próprios objetos segundo nossa norma científica de desenvolvimento de inovações? Temos alguma norma sobre isto?
 
E no Brasil como fazemos isto? E fazemos de fato algo parecido? A IBM em 2010/2011 publicou uma relação de 6.148 patentes norte-americanas (Top 300 Organizations Granted U.S. Patents in 2011). E o Brasil em 2010 obteve concessão de cerca de 490 patentes (www.wipo.int/freepublications/en/patents/) . Uma nação sem vocação para inovações. Ao menos por hora (últimos 50 anos). A IBM gerou mais de 12,5 vezes mais patentes, num só ano, do que todo o Brasil, em 2010/2011.

Uma advertência: Competitividade tecnológica deve ser, também, uma forte Política de Estado ... Se não for, vamos ficar inventando tamancos e espetos de churrasco (este último como tecnologia de ponta).

Abraços,

Lewton




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