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Postada em 27-07-2012. Acessado 875 vezes.
Título da Postagem:Crise das operadoras de telefonia, administrando a tecnologia ou a insolvência
Titular:Lewton Burity Verri
Nome de usuário:Lewton
Última alteração em 27-07-2012 @ 12:49 pm
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Crise das operadoras de telefonia: administrando a tecnologia ou a insolvência na comercialização?

Tags: Crise, operadoras, telefonia, OI, CLARO, TIM, administração, tecnologia, engenharia, universidade, corporativa, educação e treinamento, qualidade, produtividade, economia, otimização, minimização de perdas, maximização de ganhos, comunicações, telecomunicações, TQC, defesa do consumidor, bloqueio de comercialização
 
A prática administrativa nas empresas de tecnologia requer a coordenação do conhecimento relacionado à produção, estatística, engenharia da qualidade e desenvolvimento de processos industriais e de serviços, que muitas vezes não está disponível na própria empresa. E existem no Brasil muito poucos profissionais, com o conhecimento atualizado partindo da prática empresarial e não apenas da acadêmica.
 
Uma nação além, de administradores, precisa de muitos engenheiros, pois em quase tudo nem só dinheiro e investimentos são necessários, mas muita engenharia aplicada com a experiência e a qualificação adequadas.
 
E os administradores brasileiros não são escolarizados para enfrentamentos no mundo real da produção, na administração da tecnologia e da engenharia.
 
Como nossa academia pouco investe em conhecimentos, pouco cria, pouco inventa e quase nada patenteia, também não repassa aos seus estudantes a vivência prática para lidarem com a tecnologia e a engenharia.
 
A atual crise ocorrida com as Operadoras de Telefonia nos indica que, uma tecnologia, com complexidades, como a elétrica x eletrônica de comunicações, está cheia de problemas tecnológicos, de viabilidade funcional entre demanda e oferta, extensão regional e diversidades locacionais, e ampla variedade de requisitos técnicos e de necessidades de clientela. E esta última não é atendida em suas expectativas.
 
Há um lapso entre disponibilidade tecnológica e pessoal gabaritado, e entre clientela e comercialização, do que se pode garantir para a satisfação de todos.
 
Bloquear a comercialização de uma empresa privada, numa estrutura nacional de regulamentação precária, com normas incipientes, por ação da Defesa do Consumidor é algo novo que pode afetar o progresso tecnológico do país.
 
A competitividade no mercado exige que suas leis sejam atendidas por ação administrativa das empresas, na iniciativa dita “pró-ativa”. E as leis básicas que, pelo volume de reclamações e insatisfações, são as eternas leis seculares, dos velhos atacado e varejo, são as seguintes:
 
1ª Qualidade adequada,
 
2ª Especificações declaradas e garantidas,
 
3ª Bom preço na melhor oferta,
 
4ª Quantidade esperada e contratada,
 
5ª Boa segurança no uso,
 
6ª Economias na sua operação,
 
7ª Manutenção prática e
 
8ª Pronta assistência técnica pós venda.  
 
Nos casos noticiados pelos usuários das operadoras de telefonia observamos fragilidades inerentes ao atendimento dos dispositivos daquela lei “informal” da sobrevivência das empresas.
 
Percebemos uma série de disfuncionalidades potenciais da coordenação entre tecnologia e comércio, tanto da parte das avaliações administrativas e institucionais, quanto dos requisitos de desempenho tecnológico e de comercialização destas empresas “especialistas”.
 
Havia um afastamento, em geral, do mundo real das necessidades da clientela e da capacidade técnica e comercial das empresas, no tocante à estatística, à produção, à engenharia da qualidade e no desenvolvimento de processos (ainda com experimentos e inovações em produtos), prejudicando a plena satisfação dos usuários de telefonia – e vejam que logo na telefonia, no fornecedor de serviços de uma das maiores necessidades humanas – a comunicação – logo cada um insatisfeito “comunica” o malfeito das empresas para 20 ou 25 pessoas de suas redes.
 
Seria o mesmo que um fabricante de facas viesse a ser esfaqueado pelas suas facas que fornece aos açougueiros!
 
Será preciso uma "análise profunda de engenharia" capaz de descrever um método científico, e didático, que fundamentasse mais em experiência prática a conexão entre tecnologia e comercialização.
 
Uma ligeira análise nos sugere que a telefonia, da TIM, OI e CLARO, está "desconectada do mundo real do mercado" sobre as oportunidades de novos produtos, sua real capacidade em criá-los e a manutenção e melhoria dos conhecimentos inerentes de engenharia, tecnologia e administração da tecnologia / engenharia. Enxergamos mais como o denominado Marketing OUT. Isto é, se cria um produto / serviço acreditando que seja útil, sem identificar, junto a clientela, quais os requisitos da qualidade esperados.
 
A clientela merece mais o Marketig IN – dimensionar suas necessidades, e lançar o produto / serviço na qualidade que foi exigida, ao custo adequado.
 
No Brasil não se acredita no potencial de profissionais de administração, com experiência prática, para administrar fábricas, indústrias e escritórios de tecnologia, engenharia e empresas de serviços tecnológicos.
 
As ênfases adotadas na formação dos administradores brasileiros são: finanças, marketing, Recursos Humanos e Informática (tida só esta como tecnologia, o que não é verdade).
 
Quase todo usuário de telefonia reclama de alguma falha do serviço e julga que poderá ser uma atividade precariamente sustentada, desrespeitando a lei informal de sobrevivência das empresas, e produzindo uma degenerescência na sua qualidade funcional e operativa.
 
Aparenta-nos não existir nos quadros das empresas, da decisão “subjudice qualitativa”, da Defesa do Consumidor, uma equipe orientada para o estudo da melhor "tecnologia adaptativa para promessas comerciais e diferenciadoras de produtos úteis”, para os padrões culturais, sociais e econômicos, em vigor nos nossos usos e costumes de comunicólogos e de comunicação.
 
Não há anunciado, ainda, um referencial tecnológico, ao qual as empresas pudessem seguir com "uma aculturação adaptativa de tecnologia".
 
O "estado tecnológico" de uma empresa, com este tipo de missão, possui medidas de desempenho. E tais medidas exigem equipes com alto grau de conhecimentos técnicos e técnicas mentais de solução de problemas, capazes de minimizarem perdas e maximizarem ganhos, melhorando continuamente o conjunto de indicadores tecnológicos e os demais indicadores culturais, sociais e econômicos a eles correlacionados.
 
A competição exige uma sociologia organizacional capaz de criar um processo cooperativo, entre os entes das equipes, que permita ao menor tempo possível, e ao menor custo total, estabelecer um ritmo operativo estável e evolutivo nas empresas, e, em conseqüência, a evolução da comercialização e do crescimento das receitas, em todos os núcleos de produção e/ou serviços.
 
Uma boa sociologia organizacional é a que melhor habilita uma empresa para o processo competitivo.
 
Sob o ponto de vista de tecnologia, e engenharia, empresa com tecnologia complexa deve ter uma alta concentração de técnicos, engenheiros e cientistas por processo fabril e de serviços. Isto é, o potencial cognitivo de solução de problemas, de inovação, da inventividade, da capacidade analítica e do grau de cooperação entre equipes, são metas para as quais se direcionam a educação e o treinamento das graduações superiores.
 
Empresas que não possuem uma política e nem potencial de engenharia, com boa conexão com a administração, para suprirem a necessidade dessa capacidade organizacional, e sua sociologia, de modo ao enfrentamento dos problemas presentes e futuros, terão escassez de clientela pela sua insustentabilidade diante das leis informais do mercado, anteriormente citadas.
 
A educação e o treinamento se não tiverem orientação para a formação e a manutenção tecnológica, e de engenharia, para o conceito de otimização, em que as perdas são "minimizadas" (e os ganhos são "maximizados") irá ter insustentabilidade diante das leis informais do mercado.
 
Mais exigências diferenciadoras no fornecimento de novos serviços e/ou novos produtos necessariamente não aumentam os custos, como se alega.  
 
O conceito de otimização dos processos e dos procedimentos ajuda a REDUZIR: desperdícios, perdas (materiais, patrimoniais, humanas, financeiras, econômicas e institucionais), omissões, erros, falhas, descontroles, descoordenações, desorganizações, acidentes, mortes, ferimentos, lesões, explosões, incêndios, contaminações, envenenamentos, poluição, conflitos, intoxicações, interrupções, reprogramações, sucateamento, desvios, retrabalhos e etc.
 
A educação corporativa, em que se implementa o aprendizado e o nivelamento técnico coletivo, tem o objetivo de suprir a falta de conhecimentos conexos, deixados de serem passados no processo de educação formal do estado ou privado.
 
Na educação corporativa são convergidos conhecimentos e aplicação prática imediata do "aprendizado operacional, técnico e científico" que uma empresa de excelência, em face da competitividade, retroalimenta suas equipes para minimizar disfunções - de modo rápido e consistente, independente da formação adquirida pelo seu pessoal.
 
São as "universidades corporativas" desenvolvidas sobre o know-how gerado pela própria empresa, incorporado com o "conhecimento externo nascente", por seus registros operacionais, seus protótipos, seus laboratórios, seus centros de pesquisas, suas associações de normalização, suas associações empresariais, seus grupos de consumidores de "experimentos", suas contratações recompensadoras, sua "espionagem industrial", sua engenharia reversa e etc.
 
Como não existem "resultados perseverados cientificamente", já que a clientela diz que os serviços degeneram, entendemos que não há a administração científica.
 
Tanto a tecnologia quanto a engenharia precisam de métodos, técnicas e sistemas que lhes possibilitem promover a geração da riqueza, com o uso racional e sistemático de conhecimentos científicos otimizadores.
 
O que se aprende no mundo real, reforçado pela crise atual da telefonia, é que o processo educacional deve ser dirigido para promover um maior número de profissionais das empresas que se interessem pelas ciências exatas. E que não existe administração sem domínio da tecnologia, ou da engenharia, que se está administrando, e não existe tecnologia ou engenharia, sem domínio de processos e métodos administrativos, para a aplicação das ciências exatas.
 
Aonde vão o engenheiro e o tecnólogo dentro do campo da administração e aonde vão os administradores dentro do campo da engenharia e da tecnologia?
 
Nossa pequena contribuição para a análise do novo CASE: A Crise das Operadoras de Telefonia no Brasil.

Abraços,

Lewton




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