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Postada em 04-10-2012. Acessado 750 vezes.
Título da Postagem:Normalização, Fique habilitado para exportar com qualidade e prazo
Titular:Lewton Burity Verri
Nome de usuário:Lewton
Última alteração em 04-10-2012 @ 02:45 pm
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Normalização: Fique habilitado para exportar com qualidade e prazo

Tags: Comércio exterior, exportação, importação, normas, padrões, normalização, grupos e subgrupos racionais, estatística, banco de dados, mercado internacional, globalização, ISO, ABNT, ASTM, SAE, JIS, DIN, AFNOR, BS, produtos e mercadorias, qualidade, quantidade, prazo de entrega, defasagem tecnológica, estado da arte, status, industrialização, transferência de fabricação, impactos ambientais, arbitramentos, laboratórios, handbooks, manuais
 
Com o advento das exportações, intensificadas com a globalização dos negócios, diversas normas técnicas estão sendo analisadas e estudadas em detalhe, de modo a propiciar uma comparação entre as mesmas e as normas nacionais, para viabilização da aceitação de encomendas ou de contra-ofertas do mercado externo.
 
Interessante, não sendo necessário um enfoque demorado, é o de se notar o Estado da Técnica, que se espelha na norma técnica de cada país:
 
ISO - Mercado Europeu;
ABNT - Brasil;
ASTM e SAE - EUA;
JIS - Japão;
DIN - Alemanha;
AFNOR - França;
BS - Inglaterra.
                                                              
Entre todas, a que é mais atraente tecnicamente (em siderurgia), pela objetividade, sem dúvida é a ALEMÃ (normas DIN), no entanto, em termos práticos as normas JAPONESAS nos causam maior admiração.
 
As normas AMERICANAS são por demais subjetivas, deixando por conta do PRODUTOR x COMPRADOR, muitos itens pendentes para acordos prévios.
 
Nossa escola de formação siderúrgica foi sem contestação a AMERICANA (até fins da última década), havendo em nossas normas ABNT um pouco de assimilação daquele conteúdo técnico.
 
A norma reflete o momento tecnológico de uma nação, bem como o número de normas que estrutura toda a atividade industrial, rural e urbana de certo país. Isto está associado ao tamanho, em primeiro, do parque industrial e seu grau de avanço, em relação à variedade em que se reparte esse parque industrial.
               
Técnicas que ainda estamos iniciando o domínio, as nações citadas já percorrem, algumas, há 30 ou 50 anos, citando:
 
• Nuclear;
• Plataformas submarinas;
• Radioativa / Química farmacêutica;
• Bélica;
• Aero-Espacial;
• Aeronáutica;
• Naval;
• Eletro-Eletrônica;
• Plásticos e compostos.
 
As normas japonesas de produtos são verdadeiramente práticas, segundo nosso ponto de vista, e se matizam com as normas de outras nações, onde o movimento econômico japonês exerce influência marcante de domínio para sua sobrevivência. Percebe-se também, com o pós-guerra, a assimilação de padrões ou parâmetros de normas americanas nas japonesas, porém a otimização e o aperfeiçoamento é um fato que o povo do “Sol Nascente” implementou nas suas normas, para torná-las veículo “universal” de uso e comercialização.
 
Uma vantagem que podemos fazer referência é que as grandes nações, antes de prosseguirmos na reflexão sobre normas japonesas, adotaram 6 (seis) procedimentos básicos, para os negócios do mercado internacional, e que não percebemos nas normas da ABNT (ainda até o início do Mercosul).
 
1ª. Criaram um “HANDBOOK”, contendo todas as normas nacionais.
 
2ª. Traduziram suas normas para o idioma Inglês.
 
3ª. Compararam suas normas com as normas de outras nações.
4ª. Identificaram elementos e parâmetros comuns.
 
5ª. Criaram institutos de suporte e assistência técnica de apoio a exportação.
 
6ª. Criaram laboratórios de testes, ensaios e inspeções para arbitramentos e comprovações da qualidade / quantidade.
 
O Japão, foi exemplo, com seu JIS HANDBOOK(1), vende produtos, à luz de suas normas técnicas, para o mercado comum Europeu, EUA, ÁSIA, ÁFRICA e OCEANIA. Há, inclusive, comparações com NORMAS RUSSAS.
 
Sob abordagem genérica, assim podemos ilustrar a natureza das normas técnicas de cada país. Sob o aspecto prático, dentro da indústria, as normas japonesas estão estruturadas logicamente sobre um vastíssimo conhecimento das variáveis e atributos que discriminam certo produto, frente a uma utilização final. Para cada utilização final, específica, é notável a precisão em que o administrador ou o engenheiro japonês identifica “alterações” nos característicos dos seus produtos, transferindo-os para suas normas técnicas.
 
A base de dados na “formação” de limites ou limiares críticos, onde as leis físico-químicas, segundo dado equipamento e processo, se alteram, é essencialmente ESTATÍSTICA.
 
A noção que nos ilumina, ao detalharmos uma norma japonesa, é a dos SUBGRUPOS RACIONAIS. Define-se subgrupo racional “como o grupamento de amostras formado, dentro do qual, para cada amostra de N itens, as variações ocorridas possam ser atribuídas apenas a causas aleatórias, mas que de amostra, para amostra, estas variações devem estar associadas a causas identificáveis”.
 
A correta formação de subgrupos racionais, requer um amplo conhecimento técnico e familiaridade com as condições de processo e suas leis físicas e/ou químicas, em que os produtos são produzidos e um método de catalogação das informações sobre os característicos controláveis destes produtos, extraídos das amostras e como são obtidos.
 
A escolha do intervalo adequado para a extração das amostras, na cronologia dos eventos industriais, depende do ritmo e da uniformidade do processo de fabricação, comparados ao custo do sistema de controle (valor das inspeções, dos ensaios e total). Tudo isto nos leva a aceitar que o padrão japonês superou a ordem do “Controle Estatístico de Qualidade - CEQ”. Não chegamos ainda neste patamar, razão pela qual, em grandes negócios nossas normas ABNT não se qualificaram, porém, industrialmente, com ajustes de processos e seleção adequada de processos a tecnologia se qualificou. Seria próprio, levando em contas nossas particularidades, “tropicalizar” a sabedoria técnica do japonês? Podemos identificar exatamente, com precisão, quando o comportamento, resultante dos processos, dos nossos produtos se modifica?
               
1. Acreditamos que isto seja uma mera questão de vontade e organização.
 
2. Não a vontade de fazer, mas de saber materializar a vontade!
 
3. Não apenas organização estrutural, mas organização funcional!
               
Os “subgrupos” enunciados nas normas japonesas traduzem também os seus padrões internos de processo e seleção de materiais, os quais nos parecem bastante simplificados e “direcionadamente” padronizados.
 
A questão agora fica na curiosidade, tomando o exemplo da indústria siderúrgica; Quantos aços cada usina possui? Quantos pares de temperaturas de laminação à quente (acabamento e bobinamento) se combinam? Quantas variedades de taxas de redução a frio? Quantos ciclos de recozimento? Isto tomando como base, uma usina, com mix de produtos semelhantes e comparáveis.
 
Podemos imaginar as centenas e milhares de especificações para borrachas, plásticos, cerâmicas, alimentos, energia, petróleo, metais oxidáveis e não oxidáveis, compostos químicos, tintas e etc. E em quantos SUBGRUPOS RACIONAIS se compõem? E como organizar tais variedades para comercialização internacional e no comércio exterior?
 
Não há nada de especial no que exportamos, só exportamos “commodities”, com propriedades e características da qualidade sem elementos tecnológicos agregados, de simplória especificação e detalhamentos. E podemos identificar exatamente, com precisão, quando o comportamento, resultante dos processos, dos nossos produtos se modifica? Não só nos aços, mas nas borrachas, nos plásticos, nas cerâmicas, nos alimentos, na energia, no petróleo, nos metais oxidáveis e não oxidáveis, nos compostos químicos, nas tintas, componentes e peças e etc
 
Se lembrarmos que o mundo (nos seus 30 maiores produtores) produziu anualmente 700-800 milhões de toneladas de aço, nos últimos anos da década de 2000, e que existem registrados mais de 20.000 tipos de aços e ferros-fundidos, apenas 5 tipos deles, aços responde por cerca de 70% desta produção anual, que são os: SAE 1006, SAE 1008, SAE 1010, SAE 1012 e SAE 1015 (Society of Automotive Engineers - EUA). Os 19.995 aços e ferros-fundidos restantes, considerados para Aplicações Estratégicas. O que realmente existe de SUBGRUPOS RACIONAIS para todos os materiais, insumos, componentes, peças e produtos?
 
Em termos de planejamento, a tendência é que os aços comuns* que vendemos sejam cada vez mais comprados, devemos fazer a constituição dos nossos SUBGRUPOS RACIONAIS, e implementar o Controle Estatístico de Qualidade. Não só para eles, mas para todos os materiais, insumos, componentes, peças e produtos.
 
Os países, os dez mais ricos, desenvolvidos, com o mais alto IDH - Índice de Desenvolvimento Humano estão entrando na fase Pós-Industrial, convertendo-nos em grandes parques siderúrgicos, e de industrialização, para atenderem a demanda de aços que estão sendo “desativados”, em seus países, por razões econômicas (Estruturas Econômicas: Ano 2000, de Herman Khan) e de impactos ambientais quase irreparáveis.
 
Já que nos estamos tentando no qualificar tecnologicamente, vamos nos qualificar NORMATIVAMENTE - As normas japonesas são bom exemplo.
 
* Aços Comuns: SAE 1006, SAE 1008, SAE 1010, SAE 1012 e SAE 1015 cuja tecnologia de fabricação, laminação e controle de qualidade já se acham, plenamente, dominados pelos países do 3º mundo, em desenvolvimento, que se habilitaram industrialmente, onde existem instalações de Aciaria à oxigênio, corrida contínua, super-laminadores (para bobinas pesadas) e recozimentos contínuos de chapas ou de Folhas metálicas.
 
(1) JIS - Japanese Industrial Standards.

Abraços,

Lewton




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