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Postada em 05-11-2012. Acessado 689 vezes.
Título da Postagem:Seja um administrador de florestas nas adjacências da empresa, ajude na sustenta
Titular:Lewton Burity Verri
Nome de usuário:Lewton
Última alteração em 05-11-2012 @ 01:57 pm
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Seja um administrador de florestas nas adjacências da sua empresa e ajude na sustentabilidade

Tags: Meio ambiente, sustentabilidade, desmatamento, florestas, mitigação, administração, compartilhamento gestionário, fauna, flora, extinção de espécies, desertificação, erosão, INEA, IBAMA, CONAMA, recursos naturais, natureza, Ministério do Meio Ambiente, ECO72, Estocolmo, Suécia, antrópico, antropismo, responsabilidade social, fiscalização, licenciamento, gestão, ambiental, ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas, Comitê do Meio Ambiente  
 
Notou-se que as florestas não são diamantes e nem esmeraldas. Por isso não duram para sempre. As diversas fases geológicas e sedimentárias do nosso planeta estiveram fazendo nascer e extinguir florestas. Logo temos florestas antigas denominadas de tardias e florestas em "gestação" botânica recente e em composição de sua biodiversidade, o que nos leva a classificação geral de florestas em função do seu grau de desenvolvimento e adensamento. São, portanto, 3 estágios: 1. inicial, 2. médio e 3. avançado.
 
Há cerca de 8 mil anos existiam no mundo cerca de 64.176 mil km2 de florestas. Hoje temos apenas 15.473 mil km2, representando uma redução de 75,9% no todo. Na América do Sul estes números variaram de 11.709 mil km2 para 6.412 mil km2, ou tivemos uma redução florestal de 45,2% do todo deste continente. As florestas da América do Sul representam cerca de 41,4% de todas as florestas reminescentes de todo o planeta Terra (Ver 1).
 
Toda a devastação e desmatamentos ocorridos nestes últimos 8 mil anos decorreram da intensificação do antropismo - atividades e sobrevivência humana - e de modificações climáticas do planeta, provocando não só a desertificação, a erosão, bem como a extinção de espécies na flora e na fauna. Além de impactos adicionais nos recursos naturais, inclusive na disponibilidade de água potável.
 
E a reação administrativa dos governos mundiais começou timidamente nos anos 1970, após a primeira Conferência sobre ecologia, em 1972, em Estocolmo na Suécia.
 
De lá para cá o desmatamento começou a ser sustado, em benefício da sustentabilidade planetária. Porém, não de modo uniforme e racional, embora se aplicando convenções e protocolos, ainda temos localidades em que este desmatamento jamais foi bloqueado.
 
Embora existam as APP - Áreas de Preservação Permanente, Áreas de Cultivo Autorizado e Reservas Legais para a administração de florestas, preservação e recuperação, não existe ainda, pelo menos na América do Sul, um foco de multigestão descentralizada, em que os vários empreendimentos humanos: agrícola, industriais e de serviços, poderiam de "per si" assumir parcelas locais de administração de florestas, uma vez que só no Brasil temos mais de 6 milhões de empresas espalhadas em 8,5 milhões de km2 de territórios.
 
Quem dará conta da administração deste descomunal passivo antrópico? Nem o INEA - Instituto Estadual do Ambiente e nem o IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis...
 
É humana e organizacionalmente impossível... Será necessário que cada empreendedor assuma esta responsabilidade ambiental, seguindo normas da ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas, Comitê do Meio Ambiente, feitas para tal orientação e dirigismo administrativo. Bem como as resoluções do CONAMA e outras legislações aplicáveis.
 
Precisamos ceder poder administrativo e cobranças de ações gestionárias aos administradores em geral, de atividades privadas e públicas, já que a fiscalização plena, uniforme e padronizada, por agentes governamentais, em todo o país, está em colapso de atendimentos frente às demandas e ao descomunal passivo antrópico brasileiro. Segundo este raciocínio, teremos que delegar aos administradores a preservação florestal e suas transformações sucessórias, nos estágios de adensamento florestal.
 
A transformação de um estágio florestal para outro se denomina de sucessão, quando eventos botânicos se superpõem numa transição evolutiva, e são perfeitamente caracterizados ao ponto de administradores treinados sejam capazes de identificar tais estágios e os fenômenos sucessórios anexos.
 
Então, as florestas possuem certos padrões de crescimento e desenvolvimento, apresentando estágios desta evolução. E existe modelo ou modelos de sucessão entre estágios evolucionários das florestas.
 
O antigo modelo Neo Clementisiano foi sendo substituído gradualmente por novas formulações. Hoje a visão que predomina entre os pesquisadores é a de que o processo sucessional pode se desenvolver através de múltiplas trajetórias, não previsíveis, e não convergentes, para um único clímax, que caracterizará o estágio avançado de um adesamento florestal. E que a sucessão deve ser vista como um dos tipos de dinâmica que as vegetações podem apresentar.
 
Isto é, o processo de sucessão apresentará uma pequena “previsibilidade”, dado ao fato das possíveis vias de maturação das matas, até o seu clímax provável – estágio tardio.
 
Um perito pode afirmar para qual conjunto de biodiversidade vegetativa irá se compor um dado adensamento florestal - ao se conhecer o padrão médio de progressão da floresta, e de sua diversidade, em flora e fauna, é possível ao perito, com base na dinâmica vista - evidência local e de campo - afirmar para qual tipo de clímax se caracterizará o estágio avançado da mesma.
 
As implicações virão da falta de previsibilidade do processo de sucessão que terá reflexos tanto nas idéias de conservação, quanto nas da restauração ecológica de uma floresta. E muitos modelos de sucessão irão provocar resultados diferentes na previsão dos programas de restauração de áreas degradadas, o que irá afetar o sucesso dos planos / planejamentos de restaurações florestais.
 
E já são conhecidos alguns dos padrões mais usuais e repetitivos da natureza.
 
A Mata Atlântica, por exemplo, já é um padrão de sucessão conhecido tendo sua classificação como Mata Secundária, com descrição de estágios presentes na Resolução do CONAMA Nº 06 de 1994 (Ver 2). Além de classificação de sua fisionomia como Floresta Ombrófila Densa e a Floresta Estacional emidecidual que, em seus estágios sucessionais secundários, segundo expresso no Caput do Art 2º. E haja vista que os modelos de sucessão secundárias são validados através da Legislação de proteção e classificação das Matas.
 
Um modelo avançado, e ainda "embrionário", é o da modelagem matemática que tem ganhado prestígio e aplicação, nos últimos 30 anos. Porém apresenta problemas em seu planilhamento e coleta de dados, pois para a simulação dinâmica e para intervalos de tempo longos, são necessários vários tipos de dados sobre espécies arbóreas, parâmetros ambientais, criando uma sofisticação bastante complexa. E, por conseguinte, como justificativa, abre possibilidades para uma variedade grande de resultados, inibindo um planejamento preciso de conservação e recuperação de áreas degradadas de florestas nas adjacências ou não de empresas.
 
O CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE - CONAMA, no uso das atribuições que lhe são conferidas por leis e decretos, determinou a apresentação de parâmetros mensuráveis para análise dos estágios de sucessão ecológica da Mata Atlântica. E considera-se vegetação florestal primária no Estado do Rio de Janeiro a forma de vegetação de máxima expressão local, com grande diversidade biológica, sendo os efeitos mínimos das ações antrópicas - atividades humanas -, a ponto de não afetarem significativamente suas características originais de estrutura e de espécies.
 
As formações florestais abrangidas pela Mata Atlântica, no Estado do Rio de Janeiro, compreendem a Floresta Ombrófila Densa e a Floresta Estacional Semidecidual que, em seus estágios sucessionais secundários, apresentam parâmetros cientificamente estipulados com base em amostragens que consideraram indivíduos arbóreos com DAP – ‘diâmetro à altura do peito’ médio de 10 cm. Iremos precisar de um catálogo classificador de espécies e generos, com fotografias dos indivíduos arbóreos e suas características, estruturas e afinidades de coexistência. Desta forma os estágios são:
 
1º Estágio Inicial da floresta:
 
a) fisionomia herbáceo/arbustiva, cobertura aberta ou fechada, com a presença de espécies predominantemente heliófitas; plantas lenhosas, quando ocorrem, apresentam DAP médio de 5 cm e altura média de até 5 m;
 
b) os indivíduos lenhosos ocorrentes pertencem a, no máximo, 20 espécies botânicas por hectare;
c) as espécies são de crescimento rápido e ciclo biológico curto;
 
d) a idade da comunidade varia de 0 a 10 anos;
 
e) a área basal média é de 0 a 10 m2/ha;
 
f) epífitas raras, podendo ocorrer trepadeiras;
 
g) ausência de subosque;
 
h) serapilheira, quando existente, forma uma camada fina pouco decomposta, contínua ou não;
 
i) DAQUI JÁ VAMOS PRECISAR DE CONSULTAS AO CATÁLOGO: as espécies herbáceas ou de pequeno porte mais comuns e indicadoras desse estágio são: alecrim-do-campo Baccharis dracunculifolia (Compositae), assa-peixe Vernonia polyanthes (Compositae), cambará Lantana camara (Verbenaceae), guaximba Urena lobata (Malvaceae), guizo-de-cascavel Crotalaria mucronata (Leguminosae), erva-colégio- Elephantopus mollis (Compositae), juá Solanum aculeatissimum (Solanaceae), jurubeba Solanum paniculatum (Solanaceae), pindoba Attalea humilis (Palmae), pixirica Clidemia hirta (Melastomataceae), sapê Imperata brasiliensis (Gramineae), samambaia-das-taperas Pteridium aquilinum (Polypodiaceae), oficial-de-sala Asclepias curassavica (Asclepiadaceae), vassourinha Sida spp. (Malvaceae), falsa-poaia Borreria verticillata (Rubiaceae), cipó-cabeludo Mikania spp. (Compositae),
 
j) as espécies lenhosas mais freqüentes e indicadoras desse estágio são: angico Aradenanthera colubrina (Leguminosae), araçá Psidium cattleyanum (Myrtaceae), aroeira Schinus terebinthifolius (Anacardiaceae), crindiúva Trema micrantha (Ulmaceae), embaúbas Cecropia spp. (Moraceae), esperta Peschiera laeta (Apoynaceae), goiabeira Psidium guayava (Myrtaceae), maricá Mimosa bimucronata (leguminosae), candeia Vanillosmopsis erythropappa (Compositae), tapiá Alchornea iricurana (Euphorbiacea), sangue-de-drago Croton urucurana (Euphorbiacea).
 
2º Estágio Médio da floresta:
 
a) fisionomia arbustivo/arbórea, cobertura fechada com início de diferenciação em estratos e surgimento de espécies de sombra;
 
b) as espécies lenhosas, por sombreamento, eliminam as componentes herbáceas ou de pequeno porte do estágio inicial;
 
c) as árvores têm DAP médio variando de 10 a 20 cm, altura média variando de 5 até 12 m e idade entre 11 e 25 anos;
 
d) sempre existe uma serapilheira, na qual há sempre muitas plântulas;
 
e) a área basal média varia de 10 a 28 m2/ha;
 
f ) muitas das árvores do estágio inicial podem permanecer, porém mais grossas e mais altas;
 
g) subosque presente;
 
h) trepadeiras, quando presentes são predominantemente lenhosas;
 
i) DAQUI JÁ VAMOS PRECISAR DE CONSULTAS AO CATÁLOGO: outras espécies arbóreas surgem nesse estágio sendo dele indicadoras: açoita-cavalo Luethea grandifl ora (Tiliaceae), carrapeta Guarea guidonia (Meliaceae), maminha-deporca Zanthoxylon rhoifolium (Rutaceae), jacatirão Miconia fairchildiana (Melastomataceae), guaraperê Lamanonia ternata (Cunoniaceae), ipê-amarelo Tabebuia chrysotricha (Bignoniaceae), cinco-folhas Sparattosperma leucanthum (Bignoniaceae), caroba Cybistax antisyphilitica (Bignoniaceae), guapuruvu Schizolobium parahiba (Leguminosae), aleluia - Senna multijuga (Leguminosae), canudeiro - Senna macranthera (Leguminosae), pindaíba Xylopia brasiliensis (Annonaceae), camboatá Cupania oblongifolia (Sapindaceae),
 
j) as espécies mais freqüentes que estruturam o subosque são: aperta-ruão, jaborandi Piper spp. (Piperaceae), caapeba Potomorphe spp. (Piperaceae), fumo-bravo Solanum sp. (Soloanaceae), grandiúva-d’anta Pshychotria leiocarpa (Rubiaceae), sonhos-d’ouro Pshychotria nuda (Rubiaceae), caeté Maranta spp. Ctenanthe spp. (Marantaceae), pacová Helioconia spp. (Musaceae)
 
3º Estágio Avançado da floresta:
 
a) fisionomia arbórea, cobertura fechada formando um dossel relativamente uniforme no porte, podendo apresentar árvores emergentes com subosque já diferenciado em um ou mais estratos formados por espécies esciófilas;
 
b) grande variedade de espécies lenhosas com DAP médio 20 cm e altura superior a 20 m;
 
c) comunidade com idade acima de 25 anos;
 
d) há cipós, trepadeiras e abundância de epífitas;
 
e) a área basal média é superior a 28 m2/ha;
 
f) serapilheira sempre presente, com intensa decomposição;
 
g) DAQUI JÁ VAMOS PRECISAR DE CONSULTAS AO CATÁLOGO: as espécies arbóreas podem ser remanescentes do estágio médio acrescidas de outras que caracterizam esse estágio, como: canela-santa Vochysia laurifolia (Vochysiaceae), araribá Centrolobium robustum (Leguminosae), canela Ocotea, Nectandra, Cryptocarya (Lauraceae), canjerana Cabralea canjerana (Meliaceae), cedro Cedrela fi ssilis (Meliaceae), xixá Sterculia chicha (Sterculiaceae), sapucaia Lecythis pisonis (Lecythidaceae), cotieira Johannesia princeps (Euphorbiaceae), garapa Apuleia leiocarpa (Leguminosae), figueira Ficus spp. (Moraceae), jequitibá-branco Cariniana legalis (Lecythidaceae), jequitibá-rosa Cariniana estrellensis, jequitibá-rosa Couratari pyramidata (Lecythidaceae), bicuíba Virola oleifera (Miristicaceae), vinhático Plathymenia foliolosa (Leguminosae), perobas Aspidosperma spp. (Apocynaceae), guapeba Pouteria sp. (Sapotaceae), pau-d’alho Gallezia integrifolia (Phyttolaccaceae), airi Astrocaryum aculeatissimum (Palmae), aricanga Geonoma spp. (Palmae), palmito Euterpe edulis (Palmae), pindobuçu Attalea dubia (Palmae),
 
h) o subosque é menos expressivo que no estágio médio e geralmente muito rico em espécies esciofi las; aumenta o número de espécies de rubiácas e de marantáceas, principalmente, surgindo, ainda Criciúma Olyra spp (Gramineae), Leandra spp (melastomataceae), e muitas espécies e famílias de Pteridophyta.
 
Os parâmetros definidos acima não são aplicáveis para restingas que são objeto de regulamentação específica. Os parâmetros apresentados para tipificar os diferentes estágios de sucessão ecológica secundária variam de uma região geográfica para outra. E dependem das condições topográficas, edáficas, climáticas, assim como do uso pretérito que teve a área onde se situa uma determinada formação florestal, devendo os casos de dúvida, ou aqueles não previstos na citada Resolução do CONAMA, serem analisados e definidos pelo Órgão competente.
 
Temos um bom alento... Que é a magnífica obra da ciência, em classificar os padrões florestais - biologia, botânica, zoologia, geologia e a engenharia florestal - para que a sua administração pudesse ser racionalizada, com uso científico de parâmetros, instrumentos e metodologias. E com a facilidade de difusão em educação e treinamento, para tal fim, de mitigar e reverter o desmatamento, suas consequências e riscos ambientais para a sustentabilidade da vida planetária.
 
VER: BIOMAS – Estágios sucessionais da vegetação da Mata Atlântica - RESOLUÇÃO CONAMA nº 6 de 1994.
 
FONTES:
 
(1) Almanaque Abril 2012, adaptado de Bryant e et al, 1997; Morellato e Haddad, 2000; http://rainforests.mongabay.com; Lentini, et al,2005.
 
(2) RESOLUÇÃO CONAMA nº 6, de 4 de maio de 1994, Publicada no DOU nº 101, de 30 de maio de 1994, Seção 1, páginas 7913-7914, Correlações: em atendimento ao art. 6o do Decreto no 750/93 e art. 1o, § 1o da resolução CONAMA no 10/93, Estabelece definições e parâmetros mensuráveis para análise de sucessão ecológica da Mata Atlântica no Estado do Rio de Janeiro.
 
Abraços,
 
Lewton



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