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Postada em 07-11-2012. Acessado 1056 vezes.
Título da Postagem:Protegendo as criancinhas, os animais e a sociedade da poluição dos metais pesad
Titular:Lewton Burity Verri
Nome de usuário:Lewton
Última alteração em 07-11-2012 @ 01:35 pm
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Protegendo as criancinhas, os animais e a sociedade da poluição dos metais pesados

Tags: Meio ambiente, poluição, contaminação, envenenamento, toxidade, tóxico, metais pesados, corpos hídricos, solo, água, lençol freático, sedimentos, CONAMA, INEA, IBAMA, CETESB, agricultura, indústria, tecnologia, responsabilidade ambiental
 
Segundo convenções internacionais, a poluição dos corpos hídricos (rios, lagos, poços, lençol freático, mar, oceanos) é a introdução, pelo homem, de substâncias que provoquem, direta ou indiretamente, danos à vida aquática, ameacem a saúde humana ou comprometam as atividades relacionadas ao extrativismo e a pesca.
 
Os principais poluentes do meio aquático são: o esgoto doméstico, petróleo e seus derivados, metais pesados, substâncias organocloradas e o lixo. São os metais pesados o cádmio Cd, o chumbo Pb, o cobre Cu, o cromo Cr, o ferro Fe, o manganês Mn, o molibdênio Mo, o níquel Ni e o zinco Zn. E eles são perigosos poluentes devido as suas diferentes espécies químicas, toxidade e suas propriedades acumulativas.
 
Eles necessitam de tratamento especial já que não são degradados biológica ou quimicamente, de forma natural. Acumulam-se, se tornando mais perigosos, pois persistem no ambiente ocasionando efeitos indesejáveis.
 
Atualmente, os sedimentos (acumulação de terras, areias e minerais nos arrastos pelo vento, pela chuva e pelos despejos das atividades humanas nos corpos hídricos) são amplamente usados para se avaliar a poluição por metais pesados em ambientes aquáticos, uma vez que eles atuam como compartimento concentrador, devido à decantação das partículas que estão em suspensão na água.
 
Os metais pesados estão naturalmente presentes na constituição de solos e rochas mas têm se apresentado cada vez mais próximos da cadeia alimentar dos animais e, em especial, da do homem.
 
No solo agrícola, recurso da produção de alimentos além de componente importante do ciclo hidrológico, a elevação dos teores de metais pesados vem sendo associada à aplicação de corretivos e adubos agrícolas, utilização de água de irrigação contaminada ou de produtos como lodo de esgoto, compostos de lixo urbano e resíduos diversos de indústria ou mineração.
 
Uma vez nos solos agrícolas, esses elementos podem, ainda, ser absorvidos pelas plantas, que fazem parte da alimentação humana ou animal.
 
A determinação dos teores de metais pesados nos extratos das amostras de água, solo e vegetais e nos extratos de solos, pode ser feita usando um espectrofotômetro de emissão ótica de plasma acoplado por indução.
 
Os metais pesados analisados, tais como os já citados acima têm os seus resultados obtidos, contrastados com a legislação brasileira correspondente. Nas localidades, e atividades, com interfaces com corpos hídricos, devem ser amostradas, preparados CPs – corpos de prova, submetidos ao exame, identificados, classificados e enquadrados nos parâmetros das leis.
 
Estes metais possuem uma classificação, que os distinguem quanto à agressividade, modo de ação contaminante e a sua necessidade (são essenciais para as atividades humanas, principalmente as agropecuárias, que revolvem a terra e agregam agentes neutralizantes e fertilizantes - e agrotóxicos):
 
1. Elementos essenciais: sódio, potássio, cálcio, ferro, zinco, cobre, níquel e magnésio,
 
2. Micro-contaminantes ambientais: arsênico, chumbo, cádmio, mercúrio, alumínio, titânio, estanho e tungstênio e
 
3. Elementos essenciais e simultaneamente micro-contaminantes: cromo, zinco, ferro, cobalto, manganês e níquel.
 
Além dos efeitos de mineração dos minérios continentes dos metais pesados, das atividades agrícolas e industriais na ocorrência deles, após beneficiamentos metalúrgicos, eles possuem fontes clássicas e principais, sobre onde e como ocorrem:
 
Fontes Principais:
 
1. Chumbo – indústria de baterias automotivas, chapas de metal semi-acabado, canos de metal, cable sheating, aditivos em gasolina, munição. – indústria de reciclagem de sucata de baterias automotivas para reutilização de chumbo.
 
2. Cádmio - fundição e refinação de metais como zinco, chumbo e cobre - derivados de cádmio são utilizados em pigmentos e pinturas, baterias, processos de galvanoplastia, solda, acumuladores, estabilizadores de PVC, reatores nucleares.
 
3. Mercúrio - mineração e o uso de derivados na indústria e na agricultura - células de eletrólise do sal p/ produção de cloro.
 
4. Cromo - curtição de couros, galvanoplastias.
 
5. Zinco - metalurgia (fundição e refinação), indústrias recicladoras de chumbo.
 
E protegendo as criancinhas, os animais e a sociedade da poluição dos metais pesados, trata-se de impedir (ação principal e prioritária), ou minimizar, os impactos na saúde humana e animal. Os metais pesados são menos agressivos na água do que no ar, já que pela água eles passam pelo processo ácido da digestão humana, destruindo parte de suas propriedades nocivas. E no ar eles são aspirados e vão quase que diretamente para a corrente sanguínea ou ficam alojados no sistema respiratório dos seres.
 
Eles são produtores de males graves que afetam a nossa saúde e a dos animais e provocam em suas especificidades contaminantes, em geral:
 
1. Alterações no sangue e na urina, doenças graves, invalidez total e irreversível e ocasionam problemas respiratórios,
 
2. Alterações renais e neurológicas, alterações no desenvolvimento cerebral das crianças,
 
3. Depositam-se nos ossos, musculaturas, nervos e rins, provocam estado de agitação, epilepsia, tremores, perda da capacidade intelectual e anemia,
 
4. Afetam o sistema nervoso central, provocando lesões no córtex e na capa granular do cérebro,
 
5. Alterações em órgãos do sistema cardiovascular,
 
6. Acumulam-se no sistema nervoso, no cérebro, medula e rins,
 
7. Perda de coordenação dos movimentos, dificuldade no falar, comer e ouvir, atrofia e lesões renais, urogenital e endócrino,
 
8. Ocasionam edema pulmonar, câncer pulmonar e irritação no trato respiratório, e
 
9. Perda de olfato, formação de um anel amarelo no colo dos dentes, redução na produção de glóbulos vermelhos e remoção de cálcio dos ossos.
 
Como tais metais poluem o solo, a água e o ar e contaminam os organismos vivos, devido a seu efeito bioacumulativo, em toda a cadeia alimentar (trófica), eles são absorvidos pelos organismos vivos e vão-se acumulando de forma contínua durante toda a vida - entram com facilidade na cadeia alimentar, e são um perigo para o homem que se alimenta de peixes ou aves dessas áreas. E contaminam o lençol freático e a base vegetal da localidade de sua presença.
 
Alguns estados do país possuem normas limitadoras da presença de metais pesados diluídos nas águas e nos corpos hídricos, em função de sua concentração e características acumulativas.
 
Como exemplo, citamos a CETESB, SÃO PAULO, 2005, a qual contempla concentrações em miligramas por kg, para solos, em que são especificados valores orientadores de referência para a qualidade (VRQ), valores de referência de prevenção (VP) e valores de referência de INTERVENÇÃO. E tais valores estipulam os limites para solo agrícola, solo residencial e solo industrial.
 
E por que limites para solo e não para água? Uma das referências é que os metais pesados são menos agressivos na água do que no ar. Se forem "respirados" são mais perigosos. E partem do solo, que podem ser aerados pelos ventos, espargidos sobre os corpos hídricos, ou arrastados para sedimentos pela chuva às margens, e ao fundo, de tais corpos de água.    
 
Pela relação "mortífera", acima, dos males produzidos pelos metais pesados, fica evidente que, no fluxo crescente de sua ocorrência, irá afetar de modo humano e econômico os serviços públicos da saúde e as famílias vitimadas em seus integrantes pela contaminação destes metais. E que pode cair na regra econômica geral de Juran-Gryna (EUA, Custos da Qualidade) de 8 para 1. Isto é para cada US$ 1,00 investido em mitigação / prevenção, teremos poupados até US$ 8,00 em remediação e correções.
 
O Brasil tem uma defesa legal baseada na RESOLUÇÃO do CONAMA Nº 357, DE 17 DE MARÇO DE 2005, Publicada no Diário Oficial da União - DOU nº 053, de 18/03/2005, págs. 58-63, alterada pela Resolução 410/2009 e pela 430/2011. E que dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências. E tal defesa é apoiada por uma série de medidas de proteção, para mitigação - minimização - e a total eliminação de riscos sobre sua ocorrência.
 
As Medidas de Proteção básicas, as quais devem ter aplicação coordenada, pelo poder público e pela iniciativa privada, são:
 
1. Licenciamento e fiscalização ambiental.
 
2. Monitoramento de áreas e interfaces.
 
3. Intervenções em casos críticos.
 
4. Legislação com máximo rigor e menos burocracia.
 
5. Aplicação de processos tecnológicos de mitigação e recuperação de áreas degradadas.
 
6. Educação ambiental nos empreendimentos, nos empreendedores e nos funcionários.
 
7. Educação ambiental nas comunidades afetadas - "sensor" principal das práticas incorretas.
 
8. Desenvolvimento de tecnologias LIMPAS, ou que tratem suas emissões, dejetos e resíduos.
 
9. Denúncias de práticas ilegais, com iniciativas sociais e comunitárias.
 
10. Auditorias Internas preventivas nos empreendimentos.
 
Abraços,
 
Lewton
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FONTES:
 
1. RESOLUÇÃO do CONAMA Nº 357, DE 17 DE MARÇO DE 2005, Publicada no Diário Oficial da União - DOU nº 053, de 18/03/2005, págs. 58-63, alterada pela Resolução 410/2009 e pela 430/2011;
 
2. CETESB, 2005, Tabela de valores referência para limites de concentração de metais pesados, no solo;
 
 
 
 
 
 



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