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Postada em 05-23-2006. Acessado 536 vezes.
Título da Postagem:Os EUA e o mundo islâmico
Titular:Manuel Cambeses Júnior
Nome de usuário:Cambeses
Última alteração em 05-23-2006 @ 06:50 pm
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Autor: * Cel Av RR Manuel Cambeses Júnior

O presidente norte-americano George W. Bush, no discurso de posse de seu segundo mandato, mencionou quarenta e nove vezes a palavra liberdade. A obsessiva cruzada democratizadora, levada a efeito pelo governo estadunidense, em nível mundial, transformou-se, efetivamente, no tema central da fala presidencial.

Lamentavelmente, os neoconservadores parecem confundir o poder que deriva de seus imensos recursos econômicos e militares com o poder para implantar a democracia, em meio a culturas alheias às suas, alterando complexos equilíbrios regionais, em que pese a sua imensa popularidade. O Oriente Médio, ponto focal da atenção de Washington, constitui, indubitavelmente, a região mais difícil para uma operação em grande escala, como essa. As gigantescas complexidades enfrentadas no Iraque, neste intento democratizador, deveriam servir como sinal de alarme em relação aos riscos que se correm.

Seria de bom alvitre aconselhar prudência, compreensão do sentido dos limites e amadurecimento deste experimento antes de multiplicar os cenários de experimentação. Como sói acontecer, quando é a ideologia e não o sentido comum que vai ao volante, os neoconservadores decidem fazer tudo ao contrário, ou seja, pisar no acelerador. Desta forma, não encontraram melhor região no mundo para colocar em prova suas teorias do que aquela que alberga a maior parte da seiva vital da economia mundial: o petróleo.

Entretanto, muito além dos riscos de desestabilização planetária que este experimento implica, deparamo-nos com uma pergunta óbvia: poderão os Estados Unidos conviver com as conseqüências políticas deste processo? Segundo o “The Economist”, em sua edição de 19 de fevereiro último, a última pesquisa realizada pelo Pew Research Center, dedicada a medir a popularidade dos Estados Unidos no mundo, assinalava: “o antiamericanismo é mais profundo nestes momentos do que o foi em qualquer outro momento da história moderna”. Entretanto, segundo esta mesma pesquisa, em nenhum outro lugar do globo a impopularidade estadunidense alcança os extremos que se evidenciam no Oriente Médio, onde os EUA é associado a Israel e identificado como inimigo dos palestinos e do Islã. Novamente o mais elementar sentido comum, se houvesse, aconselharia a não utilizar estas credenciais como base para uma operação massiva de mudanças de regime.

Em boa parte do Oriente Médio, o pensamento esposado por significativa parcela da população repousa no Islamismo. No Egito, a oposição com opções de poder é a Irmandade Muçulmana; no Líbano, o Hizbollah; na Palestina, o Hamas, ou seja, movimentos qualificados por Washington como terroristas.

 Curiosamente, na Palestina, no Líbano e no Iraque, as eleições estão favorecendo os partidos islâmicos como o Hamas, o Hizbollah e o Da’wa. Destarte, constata-se que, lamentavelmente, o autoritarismo deixou os oponentes sem outra alternativa que não seja a mesquita.

Como corolário, torna-se evidente que, em face da inábil e desastrada política norte-americana para o Oriente Médio, o presidente Bush e os falcões republicanos, paradoxalmente, terminarão conduzindo seus maiores inimigos ao poder.


Autor:   Cel Av RR Manuel Cambeses Júnior

·         Coronel-Aviador da Reserva da Força Aérea

·       Membro do Centro de Estudos Estratégicos da Escola Superior de Guerra e pesquisador do INCAER. 


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