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Postada em 10-04-2013. Acessado 868 vezes.
Título da Postagem:Dois discursos grandiosos
Titular:GTMelo
Nome de usuário:GrupoGuararapes
Última alteração em 10-04-2013 @ 11:12 am
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Tags: 31 de março

 DOIS DISCURSOS GRANDIOSOS

CEARÁ COMEMORA 31 DE MARÇO.

AMOR A PÁTRIA

COMEMORAÇÃO DO 49º ANIVERSÁRIO DA REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA DE

 

--------------------31 DE MARÇO DE 1964---------------------

PRONUNCIAMENTO DO EXMO. SR.

GENERAL DE EXÉRCITO DOMINGOS GAZZINEO

 A CHAMA NÃO SE APAGA! CONTINUAREMOS MANTENDO A TRADIÇÃO DE, ANUALMENTE, EXALTARMOS A FIGURA DO INSÍGNE E ESTADISTA MARECHAL HUMBERTO DE ALENCAR CASTELLO BRANCO E DE EXALTARMOS OS FEITOS DA REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA DE 31 DE MARÇO DE 1964. CONTAMOS COM A COLABORAÇÃO DE VÁRIAS ENTIDADES E COM O ENTUSIASMO DOS COMPANHEIROS DA RESERVA BEM COMO EM PARTICULAR DOS AMIGOS CIVÍS QUE PRESTIGIAM E VALORIZAM ESTE EVENTO.

- PROPOSITAMENTE PROCURAMOS ABDICAR DAS PRESENÇAS DOS COMPANHEIROS DA ATIVA, EMBORA ELES COMUMGUEM DOS IDEAIS E DOS MESMOS PRINCÍPIOS QUE NOS EMBALAM. ASSIM FAZEMOS PARA MANTÊ-LOS INCÓLUMES, LIVRES DE POSSÍVEIS RETALIAÇÕES, VINDAS DOS QUE CONDUZEM O NOSSO BRASIL NESSE EMARANHADO DE ESCÂNDALOS E DE INDIFARÇÁVEIS LAIVOS DE REVANCHISMO, INCOFORMADOS COM A CONTUNDENTE DERROTA QUE SOFRERAM EM MARÇO DE 1964, OS QUAIS, CONTANDO COM LENIÊNCIA DOS QUE TINHAM A OBRIGAÇÃO DE PROTEGER A GLÓRIA DE NOSSO PASSADO E AS NOSSAS TRADIÇÕES, FECHAM AS PORTAS DE NOSSOS QUARTÉIS PARA NÓS, QUE ALI MOUREJAMOS TODA UMA VIDA DEDICADA AO EXÉRCITO, IMPEDINDO QUE ALI SE REALIZEM ATOS CÍVICOS EM HOMENAGEM AOS NOSSOS HERÓIS E EM COMEMORAÇÃO A DATAS EXPRESSIVAS DA NOSSA HISTÓRIA, COMO O DIA 31 DE MARÇO. APESAR DISTO A CHAMA CONTINUA ACESA E ESTE EVENTO CONTINUARÁ, AO LONGO DOS TEMPOS, A SE REALIZAR, SE NÃO NOS QUARTÉIS E EM INSTITUIÇÕES OFICIAIS, NA RUA, NA PRAÇA, NA PRAIA, SEJA ONDE FOR, PELA GRANDIOSA FORÇA DE NOSSOS IDEAIS.

GENERAL DE EXÉRCITO DOMINGOS GAZZINEO

 

CASTELLO BRANCO

Pronunciamento de Pedro Henrique Chaves Antero

Aproxima-se o dia 31 de março, data em o Brasil se salvou a si mesmo da ditadura ideológica monitorada por Cuba e pela União Soviética. E a figura central desse acontecimento foi o Marechal Castello Branco, cearense, educado em família católica, militar impecável, devotado à atividade profissional escrita, culto, reto e imperturbável na exação do dever. É desse brasileiro, portanto, que iremos falar nesta ocasião, com a esperança de que alguns jovens tomem conhecimento deste texto e possam refletir acerca da personalidade e do caráter do grande cearense. É a oportunidade, também, de se captar o que seja a essência da vida democrática  - liberdade, honradez e justiça – proposta por Castello e comparar com a realidade vivida pelo Brasil nos últimos tempos. A reflexão dos mais jovens é decisiva para o aperfeiçoamento ou mesmo para as correções profundas de que estamos experimentando em matéria de eleições, de vida partidária e de funcionamento dos poderes Executivo e Legislativo. Infelizmente, por motivos de rancor e ódio daqueles que não conseguiram entender o real valor da liberdade, a figura do grande brasileiro do século XX ainda está distante de numerosa parte da nossa população.

Não falo aqui como um simples pesquisador de vida do Marechal, nem somente como um professor de ciências políticas, mas como alguém que está ligado a uma família que privou da amizade de Castello e o acolheu muitas vezes em sua casa, nos anos em que o mesmo foi Comandante da 10ª Região Militar. Essa família, responsável pelo conceituado Jornal O POVO, cujos membros se destacaram na vida do Ceará, dentre eles Paulo Sarasate, Albaniza Sarasate e Demócrito Dummar, tinha em Castello Branco a figura do amigo sincero, honrado e afável. Era um intelectual, apreciador da literatura e amigo de escritores, como Raquel de Queirós.

A Revolução de 31 de março, lidera por Castello, foi uma agradável surpresa história dentro de uma história muito mais abundante em surpresas desagradáveis, como disse Roberto Campos. Eleito para a presidência da República, como o apoio dos grandes líderes do PSD e da UDN, inclusive os dos Estados do Ceará, Castello revelou valiosas qualidades como administrador civil e um gosto especial para as negociações políticas, conforme confessaram mais tarde os seus auxiliares.

O veredito da história dirá que a revolução de 1964 foi especialmente afortunada em ter em Castello Branco o seu primeiro presidente. É que o movimento nascera sem uma proposta positiva em favor do país. Combatia, é verdade, a corrupção e os caos econômico, político e social da era Goulart e era contrária à infiltração perversa do regime comunista no Brasil. Entretanto, poderia parecer tratar-se apenas de uma rebelião da classe média urbana ou simplesmente de um movimento de quartéis. Foi, quando, então, Castello fez com que a revolução tivesse um programa opcional de reformas que levasse à modernização institucional do país.

Essa visão de Castello, de fato, tornou-se realidade. As providências adotadas pelo Governo, com a participação de recém-criado Ministério do Planejamento, levaram o Brasil a mudar de cara em alguns anos, passando da 48ª posição no ranking de economia mundial para a 8ª colocação. A inflação cedeu, a produção foi retomada e, sobretudo, houve o reconhecimento internacional do Brasil com potência emergencial. A visita do General De Gaulle, de três dias, ao país, em 1964, confirmou o prestígio da nação, tendo em vista as três declarações do presidente francês: a primeira ao Adido militar americano no Brasil Vernon Walters: ‘’Rien ET personne m’ávait prepare pour Le Marechal Castello Branco’’ (ninguém me havia preparado para o encontro com o Marechal Castello Branco; com isso ele quis dizer que a figura de Castello o surpreendeu, não encontrando o que certamente esperava: alguém de pouca cultura, ou um caudilho, ou um demagogo, ou um corrupto contumaz); a segunda declaração ocorreu, ao receber o embaixador brasileiro D’alano Louzada: ‘’Votre président, Le Marechal Castello Branco, m’a beaucoup impressione comme homme d’État et pour sa culture’’ (o Marechal Castello Branco me impressionou muito bem como homem de Estado e pela sua cultura); na terceira oportunidade, De Graulle declarou à revista Est et Ouest: “Le Brésil c’est une nation, un peuple et un gouvernement qui les gouvernne” (o Brasil é uma nação, um povo e um governo que os governa – ou seja, o Brasil tem um governo sério).

Mas, meus amigos, o que mais nos interessa, neste momento, é demonstrar pra o povo brasileiro, particularmente os jovens, o perfil radicalmente democrata e legalista de Castello Branco, refutando as injúrias, as mentiras e as campanhas insidiosas contra o nosso conterrâneo, partidas de corruptos da velha esquerda ou daqueles que, infelizmente, não conhecem a verdadeira história. Antes de mais nada, não vamos confundir a decisão de Castello Branco e dos líderes civis e militares, em 1964, com inúmeros outros personagens do período revolucionário que, porventura, tenham se afastado dos rumos estritamente democráticos, traçados por Castello. Refiro-me, particularmente àqueles partidários da chamada “linha dura”, na Vida Militar, que tiveram a infelicidade de enfrentar, ao longo dos anos, o pior período do ódio e da violência dos terroristas de esquerda.

Castello foi impecável no que diz respeito à sua conduta de defensor da lei e da liberdade. No dia 20 de março de 1964, antes mesmo de eclodir da Revolução, Castello dirigiu uma circular aos comandantes militares e oficiais de Estado Maior, em que expressou claramente a pregação democrática e legalista, mas alertou para os perigos da subversão comunosindicalista em marcha. Essa ‘’circular’’ é considerada hoje o marco fundador do nascimento da Revolução de 64, pois ali se defende tanto a legalidade constitucional quanto a legitimidade a insurreição de um povo ameaçado pelo comunismo soviético e cubano, representado por um governo corrupto, cercado de subversivos.

Foi sua suprema preocupação com a ordem constitucional que levou Castello Branco, após assumir a presidência da República, em 1964, a tomar duas fortes decisões. A primeira visava manter em funcionamento a estrutura democrática formal do Congresso e do Poder Judiciário, que os radicais queriam dissolver. A segunda preocupação foi manifestada na sua insistência em restaurar a normalidade constitucional e extinguir o ‘’estado de exceção’’. Isso foi conseguido pela constituição de 1967, aprovado pelo Congresso nos últimos dias do seu governo. Castello, desde seu discurso de posse, avisava: ‘’O remédio para os males desencadeados pela extrema esquerda não será o nascimento de uma direita reacionária, mas as reformas que se tornarem necessárias’’.

Essa ideia de Castello que continha equilíbrio, racionalidade e bom senso foi posta em prática por ele, até o dia em que deixou a presidência. Quando, ainda, na Itália, durante a segunda guerra mundial, certa vez escreveu: “É impossível que tamanha hecatombe não sai uma grande revolução de ideias e daí venha uma evolução social mais humana, mais cristã, menos dura para os pequenos, limitando o mais possível a exploração de um homem por outro”.

Em carta ao general Costa e Silva, então Ministro do Exército, em junho de 1965, afirmou que tinha conhecimento de que alguns oficiais haviam determinado a apreensão de livros. Isso, segundo ele, “só serve para baixar o nível intelectual da Revolução. Além de não produzir qualquer resultado constitui um ato governamental usado somente em países comunistas ou nazistas”.

Meus amigos, o legado de Castello Branco é incontestavelmente o de um estadista que defendeu as instituições republicanas básicas. Sua pregação foi eminentemente democrática e liberal e o seu pensamento, embora distorcido, em determinados momentos, por correligionários e, sobretudo, pelos inimigos do Brasil livre, foi o fio condutor que foi capaz de transformar um país subdesenvolvido numa das primeiras nações do ranking mundial. As raízes, portanto do surgimento do Brasil como potência emergente, ao lado da China, Rússia e Índia, estão fincadas na agudeza política de Castello e na sua ação de estadista. Segundo Luiz Vianna Filho, ‘’dificilmente haverá personalidade mais rica e mais completa do que a do presidente Castello, que aliava a energia do chefe à visão do estadista. Era dos que conservavam autoridades inata, embora havendo bebido o leite da ternura humana’’.

Castello poderá ser para os mais jovens o exemplo ímpar daquele que ocupou cargos públicos – somente para servir. Jamais usufruiu de coisa alguma, em proveito próprio. Em matéria de ética e de preocupação com a justiça, Castello poderia ser o modelo para os presidentes que se elegem pelo voto popular e para os demais administradores públicos. O Brasil tem necessidade de novos ‘’Castellos’’ que entendam que o real sucesso de suas administrações está inteiramente ligado ao seus comportamento ético e ao cumprimento estrito do seu dever. Não podemos falar de bom governo quando o governante não é honrado, ético, respeitado e admirado por suas qualidades morais. Eficácia administrativa e exemplo de honradez caminham na mesma direção. Fora disso, fica apenas a popularidade fácil e enganosa que não resite a um julgamento justo da história.

Fortaleza, 27 de março de 2013

Pronunciamento de Pedro Henrique Chaves Antero

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