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Postada em 13-05-2013. Acessado 581 vezes.
Título da Postagem:Em breve, a administração da tecnologia, nem os novos engenheiros saberão
Titular:Lewton Burity Verri
Nome de usuário:Lewton
Última alteração em 13-05-2013 @ 03:26 pm
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Tags: administração, tecnologia, engenharia, cursos noturno, precarização, ensino

Em breve, a administração da tecnologia, nem os novos engenheiros saberão

Nos últimos 20 anos as empresas que se utilizam muito da engenharia em suas atividades têm se ressentido da precariedade do conteúdo técnico-científico dos egressos das universidades e faculdades de engenharia do país.

Diversas empresas terminaram por criar o que se chamou, por alguns, de Universidade Corporativa, para complementarem a formação escolar e acadêmica dos seus estagiários e novos contratados para trabalhos em engenharia.

Recentemente, em busca de números, para exibição de performance em educação superior, surgiram intensamente faculdades com cursos noturnos de engenharia e promoveram a ampliação de universidades para o incremento de oferta de tais cursos aos jovens estudantes brasileiros.

Cursos noturnos para formação de engenheiros se traduzem numa incoerência quanto ao grau de responsabilidade técnica e civil exigido ao exercício da profissão e a carga-horária mínima necessária para a formação de engenheiros, para boa segurança técnica nos projetos, processos, procedimentos e produtos resultantes da aplicação de ciência nos engenhos que fazem a moderna civilização.

Um erro da engenharia provoca catástrofes e acidentes de repercussões irreparáveis: explosões, eletrocussão, envenenamentos e contaminações, desmoronamentos, choques e impactos, incêndios, alagamentos, dilacerações e mutilações.

Ficam lá os corpos estendidos no chão... Erro da engenharia ou da coordenação dela em suas operações.

Portanto, se torna uma temeridade a multiplicação destes cursos noturnos, com conteúdo técnico-científico duvidoso e com cargas-horárias insuficientes.

O afã da atual governança em tentar “universalizar” a engenharia no Brasil com concessões de cursos para muitas faculdades / universidades termina por garantir aos brasileiros apenas cursos caça-níqueis.
 
Se por um lado o país não possui uma boa tradição científica em engenharia, e só com docentes estritamente da academia e com poucos profissionais da engenharia, e correlatos, sem acervos técnicos suficientes, para atestar seu saber consolidado em obras no mundo real, dificilmente teremos engenheiros de alta segurança técnica.

Os cursos noturnos são paliativos para uma estrutura educacional recessiva, que peca desde a origem de onde vêm as crianças. Se na base da educação o Estado é ineficiente com as matérias escolares infantis e juvenis, de domínio simples dos (as) pedagogos (as) do sistema educacional, o que dirá na especificação de matérias disciplinares para cursos de engenharia, num mundo em que a complexidade dos engenhos adquire cada vez mais necessidades de qualidade, produtividade, economia e segurança técnica.

E a maior crítica ao sistema vem dos cursos serem à noite e da baixa capacidade dos alunos: em tempo e disponibilidade, formação de base e expectativas de boa empregabilidade, imersos em sistemas conservadores para riscos e inovações, imersos nas suas necessidades limitantes, para uma dedicação profunda às ciências da engenharia, tendo que trabalhar de dia e estudar a noite, tendo que dominar o cansaço, de seu trânsito em vigília de 18 horas a 19 horas (acordam às 05:00 hs e vão dormir às 24:00 hs ou mais).

A formação correta em engenharia exige tempos para cálculos e exercício em matemática, na ordem de 80 a 100 diários, em solução de problemas: de física, química, resistência de materiais, mecânica, biologia, geologia, dinâmica, cinemática, termodinâmica, transmissão do calor, eletricidade, circuitos, eletrônica, hidráulica, pneumática, ótica, mecânica quântica, aerodinâmica, estruturas metálicas e plásticas, estatística, geometria analítica... Numa quantidade de temas e versões para cujos ensinamentos temos que ter docentes com amplo domínio prático, laboratórios, aulas de campo, protótipos, modelos, ferramentais, instrumentais e etc.

A formação em engenharia ainda exige um padrão médio de leituras na faixa de 2 a 3 livros por mês. A leitura de artigos técnicos, a necessidade de realização de experimentos cinéticos e de aprendizado. A participação em seminários e palestras num processo intensivo de aprendizagens...

Com aulas diárias e noturnas entre 18:30 horas e 22:30 horas – para 4 aulas por dia, de 50 minutos, numa média de 3:30 horas de carga-horária, que humanamente não chegam a 20 horas por semana – são 200 minutos máximos por noite ou 16 a 17 horas por semana.

Como um (a) aluno (a) terá capacidade de atenção, concentração e discernimento para compreender o detalhamento técnico das temáticas científicas? Se a paixão por ciências da engenharia não é promovida desde as escolas de base? Se a turma ainda odeia matemática e tem ojeriza a resolver problemas?

Em boa parte das universidades e faculdades noturnas no Brasil a rapaziada fica lá fora nos bares, bebendo e relaxando o dia de trabalho. A presença nas salas de aulas oscila entre 40% a 60%. Só em dias de provas que a presença chega a quase 90% em média.   

O aluno de cursos noturnos de engenharia estudou mesmo em qual intervalo de seu tempo diário? Estudou só nos fins de semanas e feriados? Têm feito seus exercícios pelo menos os 50 mínimos por dia de cálculos? Ele tem lido os livros básicos recomendados, pelo menos 2 a 3 no mês? Leu as apostilas distribuídas na semana, durante o fim de semana? De quantas disciplinas estamos nos referindo, quando o semestre disponibiliza de 6 a 8 disciplinas do currículo escolar?

Em breve, a administração da tecnologia, nem os novos engenheiros saberão, o que dirá os egressos das escolas de administração que não possuem currículos de disciplinas para a administração das tecnologias... Certos cursos não deveriam ser noturnos. Só diurnos, como o ensino da engenharia, com aulas e atividades escolares de 8 horas por dia, e com o aluno só dedicado ao estudo.

Teremos mais SEGURANÇA TÉCNICA, para se evitarem catástrofes e acidentes de repercussões irreparáveis: explosões, eletrocussão, envenenamentos e contaminações, desmoronamentos, choques e impactos, incêndios, alagamentos, dilacerações e mutilações - evitando falhas, cálculos errados e projetos malfeitos.

Abraços,

Lewton.




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