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Postada em 22-02-2014. Acessado 908 vezes.
Título da Postagem:Quem é o Inimigo - Parte 2
Titular:JÉRIS DAS CHAGAS SILVA
Nome de usuário:JERIS
Última alteração em 22-02-2014 @ 07:40 pm
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Tags: inimigo, etnias, conflitos

 

Subtítulo: Etnias do Brasil

 

Na primeira parte dessa série de comentários, questionei se o povo seria o inimigo do povo.

Nesta parte 2 farei um breve levantamento histórico dos prós e contras dos grandes grupos étnicos que compõem nosso povo.

Não levanto bandeiras de preconceito ou revanchismo, só me refiro ao que qualquer um pode encontrar nos livros de História do Brasil.

O Povo Brasileiro tem uma composição complexa.

A História conta que no ato de descobrimento do Brasil, pelos Portugueses, aqui já havia índios. Eram Guaranis, Potiguaras, Caingangues, Tupinambás, Kamayurás, Goitacases, Tapajós, Carajás, Guaicurus, só para citar alguns povos. Contavam-se muitos milhões. Só o Povo Guarani, um dos maiores grupos, tinha algo entre 1, 5 milhões e 2 milhões no início da colonização.

Algumas dessas etnias indígenas praticavam o canibalismo e como característica geral, viviam em sociedades comunais (sem propriedade privada) seminus e eram predominantemente caçadores e coletores.

De uma população de muitos milhões eles, os Índios, foram reduzidos a cerca de 150 mil, até meados do século XX, pelo extermínio em massa e doenças trazidas pelos Europeus. Esses últimos eram principalmente Portugueses. Mas houve também a participação de Holandeses, que tentaram colonizar o nordeste do Brasil no século XVII.

Entre os Portugueses havia os que chamamos hoje de degredados. Em síntese, eram considerados criminosos em seu país e, como pena alternativa, eram exilados e condenados a compor a tripulação dos navios para servirem como “bois de piranha” junto às tribos indígenas. Eles eram, literalmente, deixados nas praias para avaliar se os índios eram, ou não, hostis. Se eles fossem trucidados, esquartejados e comidos, a tribo era hostil; se fossem bem recebidos, tornavam-se intermediários no contado entre a tribo e a tripulação do navio.

Muitos degredados foram despejados no Brasil. Como exemplo, 70 degredados foram usados pelo fidalgo Vasco Fernandes Coutinho para fundar o que conhecemos hoje como Estado do Espírito Santo e o Governador Geral Tomé de Souza estabeleceu Salvador, hoje Capital da Bahia, usando de 400 a 600 degredados.

Os Europeus precisavam de mão de obra para tocar sua empresa colonial e pagar seus impostos junto a seus reis. Os índios impunham grande resistência em serem escravizados em sua própria casa e, como já disse acima, eram muito vulneráveis às doenças trazidas pelos conquistadores. A solução, chancelada pela Igreja Católica através das bulas (cartas) papais Dum Diversas e Romanus Pontifex, foi trazer africanos para fazerem o serviço.

Os Africanos eram utilizados no trabalho pesado: agricultura, pecuária, mineração, construção civil, etc. Alguns, porém, eram empregados no serviço doméstico.

Por mais de 300 anos (~1530 a 1850) mais de 5 milhões1 de africanos foram trazidos para trabalhar no Brasil e, em 1888, por meio da Lei Áurea, houve a abolição da Escravatura. Em represália, a Monarquia foi retirada do Poder um ano e meio depois, por militares, os quais tinham escondidos atrás de si latifundiários, mineradores e outros empreendedores despojados da mão de obra barata.

No início e meio do século XX para refrear a influência africana no Brasil as autoridades lançaram mão da eugenia2 e da imigração3 de não africanos, esforço conhecido como ideologia do branqueamento. Essa atividade foi regulada, inclusive, por decreto assinado pelo Presidente Getúlio Vargas (Decreto-Lei nº 7.967 de 18 de setembro de 1945, que só foi revogado em 1980 pela Lei nº 6.815). Daí vieram em massa os japoneses, italianos e alemães, cujos países haviam sido derrotados na II Guerra Mundial. Esses imigrantes receberam subsídios governamentais e terras, cabendo à maioria dos negros libertos morar nas ruas, cortiços e favelas.

Quem é o inimigo? É o Europeu que escravizou, exterminou e se apropriou, mas que liderou a transformação do Brasil de um punhado de ocas a uma nação com várias metrópoles? É o Índio que foi exterminado, mas que apoiava o Colonizador na caça de escravos foragidos? É o Negro que foi duramente escravizado, produziu riquezas esplendorosas, mas que quando liberto escravizava seus iguais? São os Imigrantes que viram a destruição de suas nações, transformaram o Brasil em celeiro do mundo, mas ajudaram – talvez inconscientemente – a empurrar os Afrodescendentes Brasileiros à exclusão social e miséria? Qual etnia tem menos méritos e mais deméritos? Ou será que origem e cor da pele não tem nada a ver com os conflitos que enfrentamos hoje? Se assim for, o Inimigo poderia ser as instituições públicas, que foram importadas pela Colônia, pelo Império e pelas Repúblicas?

1http://www.almanaqueurupes.com.br/portal/?page_id=9914

2http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/04.048/589

3http://www.campossalles.edu.br/FAC2008/racismo.htm




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