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Postada em 31-03-2014. Acessado 729 vezes.
Título da Postagem:A água disponível está acabando, Estamos administrando ou brincando com água
Titular:Lewton Burity Verri
Nome de usuário:Lewton
Última alteração em 31-03-2014 @ 07:33 pm
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Tags: Esgotamento, secas, água, H2O, clima, mudanças climáticas, administração, plano

 A  água disponível está acabando? Estamos administrando ou brincando com água?

É até covardia dizer para as donas de casa, jovens, crianças, adultos e idosos para economizarem no consumo de água. No Brasil milhões de residências NEM ÁGUA TÊM.

O consumo mundial médio das residências é de 8% do consumo total deste recurso da vida planetária. Dados da ONU nos mostram que a agricultura consome 70% e a indústria 22% da água disponível. Portanto, se configura numa extrema covardia se fazer propagandas educativas para famílias e residências pouparem no consumo da água, sem criar um Plano Nacional de Administração da Água, tanto na indústria, quanto na agropecuária.

Temos, então, a seguinte distribuição no consumo total de água disponível (em cada mil litros - numa pequena caixa de água):

DOMÉSTICO = 8% (80 litros);

INDÚSTRIA = 22% (220 litros);

AGROPECUÁRIA = 70% (700 litros).

E os Programas Governamentais para a racionalização e o uso racionado da água? Em que poderiam auxiliar na redução do consumo de água com maior produtividade, qualidade e economia, que viessem a indicar a taxa de consumo de água por mercadorias ou produtos (ex: 1 kg de arroz = 2.400 litros de H2O)...

A atual situação do sistema de represas e hidroelétricas brasileiras para a geração de energia se configura num lapso administrativo, quando temos instituídos organismos e comissões para cuidados com a administração da água e de suas bacias hidrográficas. Não faltou, em momento algum, alerta sobre as crises climáticas.

O Brasil não possui instituído um Plano Nacional de Administração da Água, tanto na indústria, quanto na agropecuária. Aparentemente estamos dormitando em torno deste assunto, e trabalhando de modo REATIVO, depois de colididos pelas calamidades.

Represas para geração de energia elétrica estão abaixo dos 15% de águas disponíveis. NINGUÉM FOI PEGO DE SURPRESA e o país já possui recursos técnicos para o monitoramento da situação das águas e das bacias hidrográficas.

No já conhecido e dominado CICLO DAS ÁGUAS os vários fatores físicos, químicos e térmicos (e seus parâmetros) teriam que possuir, neste monitoramento, indicadores de valores, metas e alertas de advertências ou de ações corretivas capazes de interpolar ou extrapolar situações críticas e de crises. E em todas as regiões estratégicas para represas e acumulação hídrica.

A indústria e a agropecuária deverão ter estímulos para redução do consumo de água com maior produtividade, qualidade e economia. E incentivar a implementação de Estrutura de Custos específicas, e normatizadas, que poderão nos levará ao encontro do Ponto de Equilíbrio na administração, na produção e nos serviços, entre custos e preços das mercadorias e dos serviços, haja vista que atualmente não possuímos a aplicação de uma boa ferramenta segundo a proposta de uso coerente da água, nas cadeias produtivas e de serviços, visando redução de custos e minimização de perdas.

Quase todos os administradores relutam ou protelam na efetivação do Controle da Qualidade Ambiental e praticamente quase 100% deles não têm a menor idéia dos investimentos necessariamente corretos para o controle dos impactos ambientais de suas fábricas e fora delas.

Dizer a qualquer administrador de fábricas que ele tem obrigação de Controlar a Qualidade do Meio Ambiente será um sacrilégio contra o seu negócio já viabilizado técnica e economicamente. Ao Capitalista é preciso sempre fazer Projetos de Investimentos, com aplicação de recursos, carência de retorno junto com o atingimento dos resultados planejados.

Dizer a ele que tem que economizar ÁGUA nos processos de sua fábrica é obrigá-lo a controlar RUDIMENTARMENTE um grande fluxo de produção - minimização de impactos ambientais na fabricação, manuseio, transporte, distribuição e armazenamento tanto internamente, quanto externamente, a empresa, - reduzindo progressivamente os eventos que decorram em grandes danos às pessoas, aos animais e aos vegetais. Ao ar, ao solo e a água dentro de uma fábrica e fora dela.

E isto é pedir que ele só recomende ao seu pessoal que “eliminem vazamentos e evitem desperdícios de água”. Mesmo, simples assim, para ele evoluir no Controle da Qualidade Ambiental ele terá que primeiramente saber quanto CUSTA fazer isto...

Vejamos anexada o CONSUMO de água em vários processos e cadeias de produção de diversos produtos das atividades industriais e agropecuárias. Se tomarmos o CARRO, por exemplo, uma unidade dele para ser concluída irá levar o consumo de 1,2 milhão de litros de água. O AÇO que entra em sua elaboração consome cerca de 120 litros de água para a elaboração de apenas 1 kg dele. 

Portanto, não adianta exigir da Siderurgia que “minimize” o seu consumo de água nos processos siderúrgicos. Em primeiro lugar o consumo de água nos processos industriais é mais complexo para controlar, estabilizar e minimizar do que apenas “eliminar vazamentos e evitar desperdícios de água”.

A engenharia terá que REINVENTAR os processos, com novos cálculos de vazão, pressão, temperatura, vedação, evaporação, refrigeração, confiabilidade e etc. Talvez adquirir novas tecnologias ou desenvolver as suas específicas. Ainda “dirigindo” os processos para obterem o “velho padrão da qualidade industrial dos produtos”.

O administrador terá que exigir um “Projeto de Investimento” com viabilidade técnica e econômica, segundo os parâmetros ambientais que serão objetivos e suas metas – com dimensionamento de perdas e ganhos e a identificação do “Ponto de Equilíbrio”, entre investimentos em Prevenção e gastos com Correção, para os resultados planejados.

O mesmo terá que fazer todas as fábricas, na cadeia de produção de um CARRO, por exemplo. Os fabricantes de vidros, de motores, de borrachas, de alumínio, de tecidos, de instrumentos, de acessórios e etc, terão que fazer o mesmo.

Vejamos os dados da Agricultura. Para se obter uma espiga de MILHO o CONSUMO de água atinge 200 litros/espiga. O que adiantará dizer para o fabricante de pamonha “eliminar vazamentos e evitar desperdícios de água”. Mesmo que cada um faça a sua parte todos farão, até de Boa Vontade, mas num conjunto DESCOORDENADO, com resultados e obrigações injustas e desproporcionais.

A DESCOORDENAÇÃO é injusta e desproporcional com as administrações de uma cadeia de produção, já que uns farão mais do que outros sem as devidas MEDIDAS de mitigação e de IMPACTO AMBIENTAL...

Observamos que o uma unidade de MILHO gasta mais água do que a fabricação de um kg de AÇO. A exceção do AÇÚCAR todos os alimentos listados na tabela de CONSUMO de ÁGUA gastam mais água na sua obtenção ou elaboração do que um kg de AÇO.

A engenharia ao REINVENTAR os processos terá que, em função dos parâmetros das Leis, das Normas e da Voluntariedade, estabelecer a EFICIÊNCIA e a EFICÁCIA dos Sistemas do Controle da Qualidade Industrial – INTERAGINDO - com aquelas do Controle da Qualidade Ambiental. Além de estabelecer uma PRIORIZAÇÃO para a utilização dirigida das verdadeiras práticas ECOLÓGICAS apoiadas nos 3R’s, segundo o esquema abaixo:

1º R. A racionalização (ou reduzir) significa a redução do consumo/uso dos materiais pela economia de aplicação dos mesmos nos projetos.  A miniaturização veio ajudar essa ação, reduzindo o tamanho dos produtos e em conseqüência a redução do uso de materiais, em massa e volume. E reduzindo o consumo de energia. O design funcional passou a deixar “enxuta” a concepção dos produtos, eliminando “excessos” de materiais, curvas, ângulos e dimensionamentos inadequados. O prolongamento da vida útil dos produtos minimiza a descartabilidade de materiais a um dado tempo. O transporte coletivo é um exemplo de racionalização. Mas há um limite. Apenas, se retardam as horas definitivas de descarte dos produtos em desuso ou inservíveis.

2º R. A reutilização significa tornar a usar as partes, ou o todo, de materiais provenientes de produtos descartados por desuso ou inservíveis. Os sucateiros ajudam a natureza nesse enfoque na reutilização de peças, componentes e acessórios metálicos ou não metálicos desses produtos descartados. Os irmãos mais novos “re-utilizam” as roupas e sapatos descartados dos irmãos mais velhos. Alguns empreendimentos reutilizam máquinas e ferramentas de fábricas ou serviços desativados. Mas há um limite. Apenas, se retardam as horas definitivas de descarte dos produtos em desuso ou inservíveis. Um bom exemplo é o uso de óleos lubrificantes beneficiados em motores de veículos.

3º R. A reciclagem significa a re-introdução dos materiais no ciclo de vida dos produtos (pelas fases de – compras e aquisição e - produção ou provisão do serviço), poupando o meio ambiente das ações de obtenção desses materiais nas respectivas fontes de ocorrência. Poupa o gasto com água, o revolvimento do solo e do mar, o desmatamento, poupa o consumo de energia elétrica e fóssil, e etc. E adiciona-se a ação da inteligência de seleção de materiais e a do desenvolvimento de novos compostos e materiais, dentro do ciclo de vida com o suporte da escala dos graus BRT de Degradabilidade do material. Na reciclagem não há limite, nem hora final para o descarte. Pode haver falta de conhecimentos e desorganização.

Logo, muitos administradores dizem que o FOCO inicial que era de fabricar produtos com QUALIDADE ASSEGURADA, os obriga a elaborá-los agora com AMBIENTALIDADE ASSEGURADA? Haja pessoal, engenharia, tecnologia, tempo, comunicações, outros recursos materiais. E capital para isto!

Estamos administrando ou brincando com água? Um Plano Nacional de Administração da Água, tanto na indústria, quanto na agropecuária, talvez venha a ser o mais vital projeto governamental para a SUSTENTABILIDADE. Sem água nada sobreviverá, e nem existirá.

Abraços,

Lewton 




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