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Postada em 06-04-2014. Acessado 487 vezes.
Título da Postagem:Quem detesta o capitalismo desconhece como ele cria riquezas
Titular:Lewton Burity Verri
Nome de usuário:Lewton
Última alteração em 06-04-2014 @ 06:45 pm
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Tags: capitalismo, comunismo, capital, tecnologia, qualidade, Marx, indústria, idéias

Quem detesta o capitalismo desconhece como ele cria riquezas

Na acumulação de capital, fenômeno que sucede desde o início da Revolução Industrial, na Inglaterra em 1780 – com o aperfeiçoamento da máquina a vapor por James Watt – a industrialização vem produzindo riquezas e acumulando capitais de modo sistemático. E os vem perdendo, também, em função da ciclagem do conhecimento e da NOVA aplicação prática de leis físicas, químicas e biológicas.

A acumulação de capitais vem sendo uma característica marcante do Capitalismo. É frequente encontrarmos relações de concentração de capital, em média, na ordem de 80% das riquezas estarem nas mãos de 20% das pessoas/famílias e vice-versa, ou seja, 20% das riquezas estarem nas mãos de 80% das pessoas/famílias, até pelas evidências sobre esta distribuição levantadas por Vilfredo Pareto (economista italiano).

O principal expoente do Marxismo foi o filósofo alemão Karl Heinrich Marx (1818-1883 – atuou como economista, filósofo, historiador, teórico político e jornalista - http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Marx), quem escreveu “O Capital” (1867-1869), em função do Capitalismo nascente no Reino Unido (mais especificamente a Inglaterra) que procurou encontrar os fiapos do novelo de lã dos processos capitalistas. E sem nunca ter entrado numa fábrica, e usando relatórios de produção e administração deixados nas lixeiras fabris.

A teoria econômica marxista procurou explicar como o modo de produção capitalista propiciava a acumulação contínua de capital. A resposta estava na confecção das mercadorias. Elas resultavam da combinação de meios de produção - ferramentas, máquinas, matérias-primas e insumos, trabalho humano, conhecimentos, métodos e capital. No marxismo, a quantidade de trabalho socialmente necessária para produzir uma mercadoria é o que determinava seu valor.

A ampliação do capital ocorre porque o trabalho produz valores superiores ao dos salários (força de trabalho). A esse diferencial Marx deu o nome de "mais- valia", conceito fundamental de sua teoria, por ser considerado a fonte dos lucros e da acumulação capitalista.

As Revoluções Tecnológicas do Capitalismo

A redução progressiva da “exploração do homem pelo homem”. Essas revoluções foram produzidas a luz dos conhecimentos de engenheiros, técnicos, administradores e cientistas (menos por economistas, sociólogos e filósofos). Mais Capital – US$:

• Pré-Industrial – Indústria Caseira – Artesão – antes de 1780;

• 1ª Revolução – Máquina a Vapor – tração e acionamentos pela força do vapor - depois de 1780 a 1870 – dispensam a força física humana e animal;

• 2ª Revolução – Motor Elétrico – aceleração dos processos, sincronismo e alta especialização - de 1870 aos dias de hoje;

• 3ª Revolução – Produção Seriada – Fordismo – padronização rígida - de 1900 aos dias de hoje;

• 4ª Revolução – Automação – de 1930 - 1940 aos dias de hoje – dispensa da inteligência repetitiva humana e promove a eliminação do trabalho insalubre;

• 5ª Revolução – Toyotismo – Just in Time – “customização” da produção e aumento de variedades - 1960 aos dias de hoje;

• 6ª Revolução – Inteligência Artificial – Sistemas Especialistas – de 1980 aos dias de hoje – adoção da inteligência criativa humana, altamente qualificada, para aplicação científica;

• 7ª Revolução – Rede Intranet e Internet – ampliação do campo de controle, monitoramento fabril e administrativo (local, regional e global) - de 1990 aos dias de hoje;

• 8ª Revolução – A busca da SUSTENTABILIDADE, ou seja, a adequação das atividades industriais ao meio ambiente, dando lhe condições de REGENERAÇÃO e criando maneiras de MITIGAR o movimento ANTRÓPICO.

As Revoluções Tecnológicas, da Revolução Industrial, produziram sucessivas fases de “destruição criativa”, desde o advento da máquina a vapor, quando a industrialização ganhou as grandezas das Unidades Térmicas Britânicas (BTU em inglês), na lógica matemática para “amortização” do gigantesco efeito propulsor, de centenas ou milhares de HP – Horse Power, que o vapor produzia.

Isto deixou obsoleto o engenheiro do calor (projeto de caldeiras, geração, transmissão e distribuição do vapor), o projetista de polias e eixos de transmissão de forças, tendo as vagas de empregos migradas para o engenheiro elétrico, no advento do motor elétrico, para aplicação local de força em vários HP – Horse Power, desde frações mínimas de “meio HP” até dezenas de milhares.

Circuitos elétricos paralelos ou em série, resistência elétrica, impedância, potência, voltagem, amperagem, corrente contínua e alternada, condutibilidade elétrica e etc, abrindo um novo horizonte científico, tornaram-se os novos paradigmas da engenharia na industrialização. Até o limite do atual estágio da AUTOMAÇÃO, com a eletrônica em comunhão com a mecânica – mecatrônica.

Fábricas, materiais e homens eram descartados nas sucessivas ondas dessa revolução do Capitalismo, pela perda de produtividade, da qualidade e da capacitação humana diante da “inescapável” obsolescência, em face de novos conhecimentos, conceitos, técnicas e sistemas.

Esse Capitalismo de caráter destrutivo e criador foi perpetuado, literariamente, em O CAPITAL (livro de Karl Marx, numa alegoria sobre o capitalismo, visto pelo outro lado do muro das fábricas). E foram os capitalistas que criaram a sistemática prática e específica da ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL e suas mazelas, embora rigorosamente identificadas por Marx, tais como: alienação, inanição, pobreza e miséria, exploração, prostituição, incapacitação e etc – os aspectos das ciências das áreas de humanas.

Entretanto este efeito colateral ocorre em qualquer sistema de produção seja cooperativo, socialista ou comunista. E precisa ser administrado (o efeito colateral), com racionalização, à luz da Teoria das Restrições, em que sempre haverá a falta de um ou mais dos fatores básicos para a geração de riquezas (fatores básicos: ferramentas, máquinas, matérias-primas e insumos, trabalho humano, conhecimentos, métodos, capital).

É óbvio que à frente de aplicação, de uma nova onda da revolução tecnológica, e sua “destruição criativa” correspondente, não implicava na substituição definitiva e imediata da fase tecnológica anterior, chegando à coexistência de várias revoluções simultaneamente, por longos anos.

Assim como temos, até hoje, a Indústria Caseira e o ofício dos artesãos, em pequenos “mercados” de consumo exclusivo: 1. cervejas, 2. roupas, 3. bijuterias, 4. alimentos, 5. artigos de couro, 6. carros “fora de série” e etc.

É o Capitalismo que vem promovendo a “emancipação do operariado e não este por ele mesmo”.

Consta, atualmente, que cerca de 400 famílias bilionárias possuem renda superior a 120 países do globo terrestre, equivalendo a uma renda superior a de quase 3 bilhões de pessoas. Será esse o limite do Capitalismo? Quem irá “quebrar” esse domínio?

Os “Senhores do Capital”, semi-deuses do dinheiro, controlam o mundo, suas atividades e interesses, controlam presidentes, exércitos e nações. Usam o Capital para aventuras filantrópicas, arqueológicas, de expedições, para o mecenato, para a guerra e a paz, para a tecnologia e as invenções, para experimentos racionais e aqueles esdrúxulos e bizarros, para a vida e a morte.

Escritos socialistas declaravam que o estágio superior ao Capitalismo seria o Imperialismo. Os EUA, hoje, são considerados uma nação Imperialista, e invejada.

Muitos povos se declaram anti-americanos, pelo fato de não terem a capacidade de criar um vigoroso sistema econômico moderno, se “arrastando às margens” do Capitalismo Revolucionário, e por isso ficam cheios de ressentimentos e ódio.

Mas esse domínio de poucos anônimos, sobre a totalidade global, deveria ser denominado de “Globalismo Anônimo Totalitário (GAT)”, ao invés de Imperialismo, expressão já tosca e obsoleta.

Apesar dos avanços tecnológicos provocados, o Capitalismo é odiado por socialistas que não o conhecem, nem medianamente. Mas todos nos beneficiamos dos empreendimentos capitalistas, e do aprimoramento dos processos, práticas e procedimentos técnicos e científicos.

Quem não gostaria de ter um computador? Ou um carro de estilo? Ou uma TV de 46’’? Ou uma bela jóia? Ou uma esplêndida casa ou cobertura? Ou um emprego que valorize o seu conhecimento e a capacidade inventiva?

É num afã do individualismo abastado que se aprimoram os bens e utilidades. E a morte e as doenças têm sido a força motriz mínima do Capitalismo, em busca da solução dos problemas humanos, sociais, econômicos e ambientais. Não fosse a morte, de entes queridos, a humanidade não teria se energizado para o "aprimoramento do bem estar, da saúde, do conforto e da segurança".

Por que o tapeceiro fez o mais belo e requintado tapete? Ou o arquiteto projetou a mais revolucionária das residências? Por que achamos que Enzo Ferrari viabilizou os belos e possantes Ferraris? As vinícolas os mais apreciáveis vinhos? E os aviões e os helicópteros? E o Viagra e o Ciallis? Pela boa recompensa de suntuosos pagamentos que o profissional recebe pela sua arte rara, cura de doenças devastadoras, engenharia audaciosa, arquitetura futurista ou inspiração de vanguarda, em face da gratidão do Capital – paga bem a inventividade no 1º mundo.

O Capital remunera muito bem o conhecimento e sua habilidade em criar riquezas – a habilidade das pessoas de transformar instrução em bens e serviços úteis e primorosos. E trabalho hoje, aquele decorrente da aplicação da força física humana e/ou animal, para elaborações de manuseios, operações e conformações materiais, não se sustenta mais nesta força física, e sim na habilidade e competência em transformar saber, conhecimentos e instruções em bens fabris ou serviços de utilidade social e econômica.

O aperfeiçoamento das coisas, desde antes da velha civilização romana, veio por meio de um ego manifesto na ambição da “posse de algo perfeito, único, caríssimo e personalizado, sempre individualizado pelos gostos do rei, ou do imperador, da nobiliarquia, do general ou do sacerdote!” Requinte, esplendor, preciosidade, estética, originalidade, resistência, durabilidade, funcionalidade e qualidade em mercadoria única, ou fora de série, quase “artesanal”. Tanto no campo da medicina, da engenharia, da alimentação, do vestuário, da farmacêutica e etc.

Após, algum tempo, quase todo cidadão, classe média ou pobre, nas proximidades desse “furor egóico do capitalista”, se beneficia pelo baixo preço (em geral tem redução de 50% a 100% do preço original praticado, após mais de 5 anos de aplicação no consumo e no uso), em face da redução dos custos de fabricação e da economia de escala, criados com o aumento da demanda, a racionalização de dispêndios, pelo aperfeiçoamento da qualidade e dos materiais, advindos do desenvolvimento tecnológico e científico.

Capitalismo é sinônimo de produção multivariada e de infinitas opções de escolhas, em objetos – mercadorias - em cores, sabores, tamanhos, pesos, formatos, desempenho - com produtividade e qualidade. Nele há a presença plena de concorrentes e competidores, gerando uma intensa busca por melhorias, aperfeiçoamentos e inovações.

A “destruição criativa” do Capitalismo elimina empresas que, em geral, possuem os aparatos e facilidades industriais grandes, dispendiosas e robustas, obsoletas e de baixo desempenho. E altamente poluentes mediante as exigências após a ECO 72 da conferência do clima, na conceituação da SUSTENTABILIDADE ambiental e para as futuras gerações.

O Capitalismo elimina empresas com INCAPACIDADE para produzir alimentos processados, farmacêuticos e remédios, eletrodomésticos, utilidades, ferramentas, instrumentos, automóveis, aviões, navios, tratores, máquinas (bens de capital) entre outros, com baixo índice de rejeição por defeitos e baixo índice de falhas operacionais – esse é o Capitalismo PERDA ZERO.

O autor é engenheiro industrial metalurgista há 40 anos...




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