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Postada em 27-05-2014. Acessado 2535 vezes.
Título da Postagem:O discurso do aumento salarial que você merece
Titular:Lewton Burity Verri
Nome de usuário:Lewton
Última alteração em 28-05-2014 @ 07:26 pm
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Tags: salário mínimo, reposição salarial, inflação, aumento real, remuneração justa

 O discurso do aumento salarial que você merece

No capitalismo o salário do trabalhador varia em função de pelo menos 10 fatores ativos do mercado interno e do mercado externo, os quais são:

1.     O grau de sua escolaridade;

2.     O padrão de sua qualificação profissional;

3.     O padrão de conhecimentos objetivos / complementares;

4.     A complexidade de suas operações e produtos;

5.     O patamar de competição dos concorrentes locais / regionais / globais;

6.     A especificação da sua responsabilidade profissional;

7.     O poder técnico e econômico da empresa;

8.     O nível estratégico de suas operações e administração;

9.     A relação entre a demanda e oferta de empregos locais e regionais;

10.  O padrão da carga tributária de impostos, taxas e isenções fiscais.

Qual trabalhador irá receber um salário maior? O que trabalha num porto de areia, que extrai areia do fundo de rios, ou um eletromecânico que faz manutenção de robôs industriais? Para ambos poderá existir um salário mínimo comum. Mas, a “auto-regulação de salários” no mercado vai atribuir maior valor laboral ao trabalhador eletromecânico – é só confrontar as 10 regras acima para o trabalho de um e de outro...

 Estes fatores são “auto-regulados” nas interações de capital, máquina, trabalho, complexidade, renda e produção (ou serviços), em função de sua maior ou menor eficiência tecnológica: materialidade técnica do produto, sua qualidade, a produtividade inerente à sua obtenção e a economia gerada por controle de seus custos e o lucro proporcionado pelos seus preços.

Não existem possibilidades de se aumentar os salários dos trabalhadores, sem que se interfira nas regras de composição dos custos empresariais, dos preços dos seus produtos e na renda per capita média empresarial – a renda agregada pela plataforma tecnológica fabril e de serviços, em função do número de trabalhadores.

Se nós quisermos aumento no nosso salário deveremos propor a empresa um conjunto de ações equilibrantes, para manter a estabilidade financeira e econômica dela no mercado em geral, das empresas privadas, das empresas públicas e dos governos – municipais, estaduais e do federal – sem inflação – mantendo a competitividade nacional.

De certo modo, pela alta carga tributária brasileira, e sua estrutura perdulária, os itens:

1.     Emprego bem remunerado (faltou como obrigação do estado), educação, saúde, transporte e previdência social são atendimentos de iniciativas do governo.

2.     Moradia, lazer, vestuário e higiene, são providências pessoais / individuais, ou de grupos familiares, dada a impossibilidade de se atender a uma infinidade de opções de ir e vir, ser e estar, ter e possuir de um conjunto humano social na ordem de milhões de cidadãos. São opções de gostos e costumes, tradições e perspectivas.

Já os itens emprego bem remunerado, educação, saúde, transporte e previdência social devem ser conduzidos pelo estado, em processos administrativos científicos, com qualidade, produtividade e economia – coisa que não acontecerá tão cedo no Brasil...

Pela metodologia em vigor, nos países onde existem alta competitividade com base na vantagem de menores custos e menores preços, sob a mesma qualidade e produtividade, tal metodologia, da competição de custos, considera 6 centros de custos padronizados e com códigos das categorias de despesas, para manter a empresa em operação lucrativa e com administração científica:

Os centros de custos padronizados são:

1- Mão de obra,

2- Administrativos,

3- Operacionais,

4- Compra de materiais e insumos,

5- Financeiros e

6- Contratação de serviços.

A previsão de lucros sobre os custos totais é de 10%, para RE-INVESTIMENTOS.

As tabelas da engenharia levam em conta a representação dos custos, em base na mão de obra, para efeito de RACIONALIZAÇÃO dos processos e procedimentos – automação e agregação de know-how.

Segundo “INFOMONEY”, de 23/2/2011, às 12:12 hs, os dados que faziam parte da PED (pesquisa de emprego e desemprego), divulgada na quarta-feira (23/02/2011) pela Fundação SEADE e pelo DIEESE (departamento intersindical de estatísticas e estudos socioeconômicos) mostravam que no último mês de 2010, os trabalhadores recebiam uma renda de R$ 1.425, em média.

Pela informação do DIEESE o rendimento médio do trabalhador havia aumentado cerca de 7,1% em 2010, como o rendimento médio real da população ocupada das sete principais regiões metropolitanas do país.

O rendimento real subiu em Fortaleza (1,3% para R$ 876) e Salvador (1,2% para R$ 1.096), em contrapartida, houve queda do rendimento em Belo Horizonte (-2,1% para R$ 1.335), Porto Alegre (-0,6% para R$ 1.364), Recife (-0,5% para r$ 937) e São Paulo (-0,5% para R$ 1.528). No Distrito Federal o rendimento ficou praticamente estável em R$ 2.106.

Percebemos que o valor médio de renda dos trabalhadores variava de capital para capital:

·         Fortaleza R$ 876;

·         Salvador R$ 1.096;

·         Belo Horizonte R$ 1.335;

·         Porto Alegre R$ 1.364;

·         Recife R$ 937;

·         São Paulo R$ 1.528 e

·         Distrito Federal R$ 2.106.

A Constituição Federal de 1988 no artigo 7°, inciso IV, afirma que “é direito do trabalhador o salário mínimo capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social.”

Naquela ocasião o DIEESE (departamento intersindical de estatísticas e estudos sócio-econômicos) divulgou que o salário mínimo necessário para garantir estes direitos teria que ser R$ 2.227,53 - em valores de dezembro de 2010.

Isso deveria ser meta para administradores governistas que querem um país menos desigual.

Como a renda média do trabalhador brasileiro em dezembro/2010 foi R$ 1.425, o salário mínimo necessário para que ele supra todos os direitos constitucionais deveria ter sido de R$ 2.227... E, este sim, iria atender às necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social.

Então, faltavam cerca de R$ 802 para que o Brasil de 2010 concedesse um salário mínimo de R$ 2.227, como renda média dos trabalhadores, segundo argumentação da metodologia do DIEESE. Ou seja, o mercado interno e sob interações com as exportações, já garantia cerca de 64% do valor do salário mínimo ideal.

Porém, o valor de renda media do trabalhador, era de R$ 1.425, já corresponde ao atendimento das regras dos 10 fatores ativos do mercado interno e do externo, com o Brasil na globalização – comércio exterior e balança comercial no “ganha x ganha”...

As 3 tabelas a seguir possuem para efeito comparativo a mesma quantidade de MÃO DE OBRA: 100 TRABALHADORES E QUE PRODUZEM 100.000 UNIDADES DE PRODUTOS.

Nelas se fazem cálculos simples, para CUSTO TOTAL POR TRABALHADOR E PREÇO UNITÁRIO FINAL DOS PRODUTOS.

Então, podemos analisar, usando a fórmula básica do Capitalismo na formação dos preços =:> Preço = (Custos + Lucro), e teremos a premissa de Custos Trabalhistas correspondentes a 1,2 vezes o salário + Custos Restantes de R$ 2.500,00 per capita:

1ª Vista - temos a aplicação do valor R$ 545, do salário mínimo aprovado, na época, para usarmos como tabela de referência no exame dos aumentos de custos e preços.

Custos Salariais

100

1.190,00

119.000,00

Custos Restantes

100

2.500,00

250.000,00

Custos Totais

 

 

369.000,00

Previsão de lucros 10% - Custos Totais

 

36.900,00

Total Geral

 

 

405.900,00

Custo per capita - para 100 funcionários

 

4.059,00

Preço médio de produtos - 100.000 unidades

 

                 4,06

2ª Vista – Teste A - temos a aplicação do valor R$ 2.227, do salário mínimo ideal pelo DIEESE, para usarmos como tabela comparativa com a de referência no exame dos aumentos de custos e preços – fazendo o ajuste salarial apenas na mão de obra e nos impostos trabalhistas.  

Custos Salariais

100

4.899,40

489.940,00

Custos Restantes

100

2.500,00

250.000,00

Custos Totais

 

 

       739.940,00

Previsão de lucros 10% - Custos Totais

 

73.994,00

Total Geral

 

 

       813.934,00

Custo per capita - para 100 funcionários

 

8.139,34

Preço médio de produtos - 100.000 unidades

 

8,14

3ª Vista – Teste B - temos a aplicação do valor R$ 2.227, do salário mínimo ideal pelo DIEESE - fazendo o ajuste salarial e de todos os centros de custos e categorias de despesas. Esta situação fatalmente irá acontecer no médio prazo, uma vez que qualquer atividade fabril ou de serviços, tem seus custos e preços ajustados, para compensar o aumento salarial em todo o mercado e suas interações de compras e consumos. Mais aumento de 100% nos Custos Restantes.

Custos Salariais

100

4.899,40

489.940,00

Custos Restantes + 100%

100

5.000,00

500.000,00

Custos Totais

 

 

989.940,00

Previsão de lucros 10% - Custos Totais

 

98.994,00

Total Geral

 

 

1.088.934,00

Custo per capita - para 100 funcionários

 

10.889,34

Preço médio de produtos - 100.000 unidades

 

10,89

O salto de valor do salário mínimo de R$ 545 (aprovado pelo legislativo) para R$ 2.227 representaria um aumento de 308,6%, no valor do salário mínimo atual, para o salário mínimo ideal, na metodologia do DIEESE.

Se o salário mínimo ideal de R$ 2.227 incidir apenas na mão de obra, e em seus impostos, o preço dos produtos saltará de R$ 4,06 a unidade para R$ 8,14, provocando um aumento no preço do produto de 100,5%.

E se este salário mínimo ideal incidir em todos os centros de custos e categorias de despesas, afetando os Custos Restantes em mais 10%, o preço dos produtos saltará de R$ 8,14 a unidade para R$ 10,89, provocando um aumento no preço do produto de +33,8%, ao longo de poucos meses, ou imediato.

O que corresponderia praticamente ao ajuste de todos os custos e preços, segundo o teste B, da 3ª Vista, aplicando diretamente a diferença de 308%, entre os dois salários: de R$ 545 para R$ 2.227.

As políticas sociais, e econômicas, do lulismo, que são altamente inflacionárias, colocaram mais dinheiro no mercado além dos fatores de produção disponíveis, e elas acabaram por desequilibrar preços, demandas e ofertas. Já vamos para inflação crescente em torno dos 6% ao ano.

Inflações acumuladas no Brasil.

Fonte: http://br.advfn.com/indicadores/ipca

Ano    Acumulado

2014  2,18% Até março 2014

2013  5,91%

2012  5,83%

2011  6,50%

2010  5,90%

Se com a renda média anual do trabalhador, de R$ 1.425 (dez/2010), e o incentivo ao crédito e ao consumo, estão nos levando para inflações até acima de 10%, o salário mínimo ideal só poderá ser praticado com a elevação dos padrões condicionados pelas regras dos 10 fatores ativos que auto-regulam os salários.

Isto deixa-nos a percepção de que se por um lado a metodologia do DIEESE leva a sociedade, e os intelectuais da esquerda, a uma série de argumentações falsas, por outro lado incita os partidos socialistas, afetados pelo socialismo marxista, a proporem estultícias demagógicas, de políticas salariais sem nenhuma possibilidade de aplicação técnica e científica.

DADOS ADICIONAIS:

Veja na tabela abaixo as últimas alterações ocorridas na POF Pesquisas de Orçamentos Familiares, realizada pelo IBGE:

PESO DOS GRUPOS DE PRODUTOS E SERVIÇOS

TIPO DE GASTO ANTES DE 31/12/2011 DEPOIS DE 01/01/2012

Alimentação e Bebidas..............23,46%....................23,12%

Transportes.............................18,69%...................20,54%

Habitação................................13,25%....................14,62%

Saúde e Cuidados Pessoais........10,76%.....................11,09%

Despesas Pessoais....................10,54%.......................9,94%

Vestuário..................................6,94%......................6,67%

Comunicação............................5,25%.......................4,96%

Artigos de Residência................3,90%........................4,69%

Educação.................................7,21%.......................4,37%

TOTAL..................................100,00%...................100,00%

Fonte: http://br.advfn.com/indicadores/ipca

Salário mínimo sobe 1.019% em 20 anos, mas inflação tira parte dos ganhos.

Desde o Plano Real, alta foi de 146%, se descontada a inflação; analistas citam os investimentos que protegem contra elevações de preços - 26 de maio de 2014 | 2h 04. No período, o salário mínimo passou de R$ 64,79 em 1994 para R$ 724 nos dias atuais. O Plano Real completa 20 anos no dia 1º de julho.

SÃO PAULO - Em 20 anos, desde o Plano Real, o salário mínimo do trabalhador brasileiro subiu 1.019,2%. Porém, se descontada a inflação do período, a alta se reduz a 146%, segundo pesquisa do Instituto Assaf. De acordo com o estudo, houve aumento real do poder de compra dos salários, mesmo com a inflação corroendo boa parte dos reajustes.

ALTA DOS PREÇOS EM %, de 1994 a 2014

IPCA 354,74

Habitação 654,87

Despesas Pessoais 453,81

Saúde 367,38

Alimentos 338,93

Vestiário 222,04

Artigos de Residências 136,81

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,salario-minimo-sobe-1019-em-20-anos-mas-inflacao-tira-parte-dos-ganhos,1171642,0.htm

Abraços,

Lewton 




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