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Postada em 05-23-2006. Acessado 455 vezes.
Título da Postagem:Os Estados Unidos e as ações da Al-Qaeda
Titular:Manuel Cambeses Júnior
Nome de usuário:Cambeses
Última alteração em 05-23-2006 @ 06:56 pm
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Autor: * Cel Av RR Manuel Cambeses Júnior

A ação terrorista ocorrida no dia seis do mês corrente, contra o Consulado norte-americano, na cidade de Jedah, Arábia Saudita, em que perderam a vida mais de uma dezena de pessoas, demonstra, cabalmente – nas palavras do presidente estadunidense George W. Bush –, que “os terroristas estão ativos”. Neste sentido, a citada ação é um passo a mais na guerra perpetrada pelo grupo terrorista Al-Qaeda para fustigar os Estados Unidos, objetivando o desgaste emocional das forças da coalizão anglo-americana, desestimulando-as a permanecerem no Oriente Médio.

Os homens de Bin Laden mantêm uma constante guerra de guerrilhas contra as tropas invasoras do Iraque e organizam, sistematicamente, atentados contra interesses ocidentais na Arábia Saudita, cujas autoridades não sabem como desarticular o inimigo que surgiu repentinamente dentro de seu território. Das ricas famílias sauditas saíram Bin Laden e boa parte do dinheiro que financia os movimentos fundamentalistas islâmicos.
Entre as ocultas motivações do governo estadunidense na guerra contra o Iraque está a de obter o efetivo controle do país mesopotâmico e, conseqüentemente, da segunda reserva mundial de petróleo, de modo a dispor de uma alternativa eficaz ao fornecimento da Arábia Saudita – primeira reserva petrolífera do planeta –, e poder enfrentar a família dos Saud, que detém a governabilidade nesse país, para exigir-lhes um compromisso sério contra o fundamentalismo islâmico.

Todavia, analisando o atual situação no Oriente Médio, constatamos que a guerra contra o Iraque ainda não está ganha e nem tampouco a guerra contra o terrorismo global, depois de três anos de luta encarniçada.

Os recentes atentados ocorridos em Jedah demonstram claramente que a organização terrorista Al-Qaeda tem capacidade para seguir atuando, igualmente ao que vem ocorrendo a cada dia no Iraque, onde a presença norte-americana, com um contingente que brevemente chegará a 150.000 soldados, não tem conseguido impor a paz.

Talvez seja o momento de os Estados Unidos começarem a mudar a sua estratégia para a região, em investir mais em Inteligência e na Diplomacia, e não somente seguir trasladando mais tropas e tanques para o Iraque, correndo o risco de prolongar o conflito e semear mais instabilidade no Oriente Médio.
Para ganhar a guerra contra o terrorismo, o presidente Bush –  que recentemente se reuniu com o provisório presidente iraquiano  Gazi Al Yauar –, considera muito importante que as eleições no Iraque se celebrem em 30 de janeiro, já que atrasá-las significaria reconhecer o fracasso e, conseqüentemente, elevar o  moral dos insurgentes e terroristas.

A verdade é que, com o atual clima de violência, existem problemas para organizar as eleições com garantia absoluta, segundo admite a Organização das Nações Unidas. Podemos vaticinar, porém, que ainda que estas venham a se realizar, não se conseguirá pôr fim ao terrorismo que assola o país.

Em qualquer situação que venha a ocorrer, os Estados Unidos seguirão empacados no Iraque sem vislumbrar uma solução e saída honrosa, a curto e médio prazos, para este verdadeiro imbróglio criado pelo próprio governo estadunidense.

  Rio de Janeiro, 14 de dezembro de 2004


Autor:   Cel Av RR Manuel Cambeses Júnior

·         Coronel-Aviador da Reserva da Força Aérea

·       Conferencista Especial e membro-correspondente do Centro de Estudos Estratégicos da Escola Superior de Guerra.


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