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Postada em 17-06-2014. Acessado 613 vezes.
Título da Postagem:Existe similaridade entre administrar empresas e escalar montanhas
Titular:Lewton Burity Verri
Nome de usuário:Lewton
Última alteração em 17-06-2014 @ 02:28 pm
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Tags: administração, empreendimento, mortalidade, desenvolvimento, montanhismo

 Existe similaridade entre administrar empresas e escalar montanhas?

 Apresente a sua argumentação. Se for a mais convincente ganhe uma passagem para o Nepal, a fim de escalar o Everest.

 Nas passagens bíblicas e nos Salmos de Davi as montanhas foram cenários de encontros divinos, e locais de elevação de profetas e sábios. O Monte Sinai foi para Moisés o local de recepção da Tábua da Lei - dos 10 mandamentos. No Monte das Oliveiras e no Sermão da montanha de Jesus Cristo, temos a divina graça de DEUS se manifestando aos homens.

 No Monte Olimpo dos "12 Deuses do Olimpo", na mitologia grega, com suas lendas fantásticas sobre os deuses que fascinam a humanidade há milênios, temos deuses olímpicos morando em um imenso palácio. Na mitologia grega, os deuses olímpicos (Dodekatheon) eram os deuses mais importantes na Grécia Antiga e moravam no ponto mais alto do citado monte.

 O Monte Olimpo é o céu dos deuses gregos. O único onde se podia subir com vida e regressar quando quisermos. Ergue-se dramaticamente a 2.917 metros de altitude, como um varandim sobre montes, vales e mar, e o seu caráter sagrado é reconhecido desde a Antiguidade.

 As montanhas despertaram nas pessoas muitas curiosidades e interesses investigativos. Por milhares de anos os homens vêm explorando as montanhas até para os encontros com si mesmos. O montanhismo é tão antigo quanto às lendas e fantasias sobre as montanhas.

 Atualmente o velho montanhismo se tornou um termo quase extinto, sendo substituído pelo alpinismo (derivado das escalações dos Alpes - É a cordilheira mais importante da Europa, sendo que o ponto mais alto é o Monte Branco - Mont Blanc - com 4800 metros de altura. A altitude média dos Alpes é de 2000 a 3000 metros. A extensão da cordilheira é de aproximadamente 1200 quilômetros).

 O alpinismo tem a mesma origem da escalada e do montanhismo. No entanto, tal como a escalada que tem técnicas semelhantes no uso das cordas e de outros materiais, atingiu níveis de especificidade (em termos de materiais e técnicas) mais significativos do que o montanhismo.

 O alpinismo é, sem dúvida, a vertente mais exigente em termos de conhecimentos (meteorologia, orientação, primeiros socorros), materiais a utilizar, tempo de atividade e melhor condição física.

 O alpinismo é das poucas atividades humanas desenvolvidas frequentemente num meio totalmente hostil e até prejudicial (altitudes acima dos 6000m). Devido a uma série de condicionantes ambientais (pressão atmosférica, rarefação do ar, baixas temperaturas) o homem atinge muitas vezes o limite das suas capacidades, que são consideradas como normais por fisiologistas do esforço.

 Se por um lado o alpinismo é uma atividade de sacrifício e de grande desgaste, por outro, é uma atividade que proporciona o privilégio de contatar com um meio de proporções magníficas e com belezas que têm tanto de constrangedor como de aliciante. Desta forma se explica que todas as montanhas tenham sido alvo do desejo de conquista por parte do homem.

 Será importante referir que hoje em dia dentro do alpinismo podemos identificar dois grandes grupos de atividades, 1. a escalada em gelo e 2. as ascensões em montanha. A escalada em gelo é hoje praticada apenas com o objetivo de desfrutar do prazer da escalada sem pretensões de atingir cumes de montanhas.

 As ascensões têm como único propósito a conquista de montanhas, que culminam na chegada dos alpinistas ao topo. No alpinismo, assume também grande relevância, a qualidade do material e a sua adequação às condições que se encontram no terreno. Assim, é fundamental, para que o alpinista consiga sobreviver, possuir um conjunto de apetrechos que tornem a vida possível num ambiente tão hostil: botas de neve, saco cama, tenda de alta-montanha, impermeável, casaco de penas, luvas, óculos de glaciar, cordas, mini-fogão, etc.

 Entretanto, o grande TROFÉU dos escaladores e exploradores é o gigantesco monte Everest. O Everest é um monte com 8.844 metros de altitude, e se coloca no patamar de escaladas hostis e de alta periculosidade aos seus escaladores.

 O monte Everest (ou Evereste) é a mais alta montanha da Terra. Está localizado na cordilheira do Himalaia, na fronteira entre a República Popular da China (Tibete) e o Nepal. Em nepalês, o pico é chamado de Sagarmatha (rosto do céu), e em tibetano Chomolangma ou Qomolangma (mãe do universo).

 O monte Everest tem duas rotas principais de ascensão, pelo cume sudeste no Nepal e pelo cume nordeste no Tibete, além de mais 13 outras rotas menos utilizadas. Das duas rotas principais a sudeste é a tecnicamente mais fácil e a mais frequentemente utilizada. Esta foi a rota utilizada por Edmund Hillary e Tenzing Norgay em 1953. Contudo, a escolha por esta rota foi mais por questões políticas do que por planejamento de percurso, quando a fronteira do Tibete foi fechada aos estrangeiros em 1949.

 Desta forma a primeira ascensão ao Everest foi em 29 de maio de 1953 por Edmund Hillary e Tenzing Norgay Rota mais fácil Sul (Nepal).

 A maioria das tentativas de ascensão é feita entre abril e maio antes do período das monções porque uma mudança na 'jet stream' – neblinas, correntes e rajadas de ventos - nesta época do ano reduz a velocidade média das rajadas de vento. Ainda que algumas vezes sejam feitas tentativas após o período da monções em setembro e outubro, o acúmulo de neve causado pelas monções torna a escalada ainda mais difícil.

 Desde 1921, diversas tentativas de escalada foram feitas. Em 8 de Junho de 1924, George Mallory e Andrew Irvine, ambos britânicos, fizeram uma tentativa de ascensão da qual jamais retornaram. Não se sabe se atingiram o pico e morreram na descida, ou se não chegaram até ele, já que o corpo de Mallory, encontrado em 1999, estava com objetos pessoais, mas sem a foto da esposa, que ele prometera deixar no pico.

 A primeira ascensão até o topo foi feita pela expedição anglo-neozelandesa em 1953, dirigida por John Hunt. O pico foi alcançado em 29 de maio desse ano por Edmund Hillary e Tenzing Norgay.

 George Herbert Leigh Mallory (18 de junho de 1886, Mobberley, Cheshire — 8 de junho de 1924, Monte Everest) foi um alpinista britânico. Num de seus mais famosos momentos, ao ser perguntado repetidamente por repórteres em Nova Iorque durante uma série de conferências por que motivo queria ele escalar o monte Everest, ele replicou a um deles "Porque ele está lá", frase hoje associada para sempre a ele e ao montanhismo.

 Até o final de 2006, 8.030 pessoas tentaram alcançar o topo, e delas 212 não retornaram da aventura, sendo que destas, 56% morreram depois de atingir o cume.

 Na primavera de 1963 apenas 6 pessoas chegaram ao cume do Everest. E em 2012 mais de 500 'clientes' completaram esta façanha. E partes de algumas trilhas, apenas uma pessoa pode subir ou descer. As filas ficavam tão compridas que chegavam a esperar 2 horas para prosseguir a escalada. Atualmente quase que 4.000 'clientes' atingiram o cume do Everest.

 Hoje o Nepal enfrenta a comercialização do Everest. Tal monte se tornou um objeto de exploração comercial, virando um símbolo de tudo que é pior no alpinismo. Mais de 4.000 pessoas alcançaram o seu pico, algumas mais de uma vez, tirando o glamour das façanhas épicas de outrora, pelo menos dos últimos 50 anos. Cerca de 90% dos escaladores atualmente fazem "escaladas guiadas" perdendo o espírito do pioneirismo de conquista o Everest como um troféu para heróis.

 O elemento básico de uma ascensão é a definição EXATA das condições climáticas ideais para as escalações e a escolha das rotas mediante as condições climáticas. Escalações somente durante o dia, acampamentos durante a noite. E toda a logística das escalações deve obedecer ao intervalo da abertura e do fechamento de janelas no tempo, cuja duração deve corresponder à velocidade de ascensão dos grupos de escaladores, até os acampamentos intermediários, antes de se alcançar o cume do monte. E para finalmente se alcançar o pico do mesmo...

 As condições mínimas para a escalação, além dos atributos da pessoa, tais como idade, experiência, histórico de saúde, tipos de alergias, telefones de emergências e etc, são:

 1. Experiência anterior em montanhismo;

2. Preparo físico e mental;

3. Controle da Saúde em dia e em forma;

4. Utilização de equipamentos de alta qualidade e confiabilidade;

5. Conhecimentos em segurança e primeiros socorros;

6. Recursos para comunicações eficientes;

7. Velocidade de escalação suficiente para alcance dos acampamentos intermediários de pousada e restaurações;

8. Conhecimento das dificuldades das rotas selecionadas;

9. Acompanhante de apoio - xerpa ou guia;

10. Condições adequadas do clima e do tempo;

11. Agregados tecnológicos e tecnologia embarcada na logística.

 E são pelo menos 4 motivos para se entrar nesta aventura:

 1º O simbolismo das montanhas como a 'casa dos deuses', tais como o Monte Olimpo, da mitologia grega,

 2º Uma tentativa de repetir as façanhas dos pioneiros, de 90 anos atrás e as frequencias dos exploradores dos últimos 50 anos,

 3º Recompensa da conquista através de uma capacidade física e mental nata ou inata e

 4º Busca do vislumbre do alto do cume, em face da bela vista que se tem em todas as direções, matizes e movimentos da natureza. E do sortimento de momentos de aventura compartilhados e inesquecíveis, entre os companheiros de escaladas. 

 As escaladas estão amontoadas de gente. Muita gente querendo "reviver" os grandes feitos dos escaladores do passado. Até para comemorar  a data do sucesso de expedições passadas e seus heróis. Por que muita gente tem interesse em escalar montanhas, e especialmente o Everest? Apesar de tantas mortes e mutilações pelas baixas temperaturas?

 Estão transformando a mais alta montanha de Terra pelo ANTROPISMO dos exploradores do alpinismo, em lixeira, depósito de excrementos e de cadáveres. O Everest está sofrendo a molestação do turismo esportivo e o excesso de sua exploração comercial:

1. Excesso de gente nas escalações;

2. Lixo escorrendo pelas geleiras;

3. Cadáveres humanos espalhados, como cemitério à céu aberto;

4. Excremento humanos;

5. Equipamentos abandonados, apetrechos do alpinista;

6. Restos de barracas e roupas;

 Temeridades e atentados contra a própria vida. Alta mortalidade e mutilações pelo frio excessivo - perda de orelhas, dedos e narizes. Até cegueiras ocorrem. Cada vez mais alto menor a pressão atmosférica, menor o conteúdo de oxigênio livre e mais baixa a temperatura abaixo de Zero. Perecem e ficam onde caem. Os corpos só são removidos pelo gelo e pelo vento, ou puxados pelos escaladores para os lados da trilha. Alguns foram jogados em buracos e fissuras, como "cerimônia de sepultamentos".

 Os riscos e os custos de remoção dos cadáveres são elevados. Haja vista que boa parte dos mortos vem ao Everest de países longínquos, de avião, e o traslado dos corpos implica em custeios dos familiares. Na impossibilidade de se reclamar os corpos, os mortos se amontoam pelas encostas do monte - são cenas muito macabras e bizarras.

 O Everest virou fonte de renda para empresários e para o governo nepalês - já que este recebe taxas e impostos e faz a regulamentação dos serviços de escalação e "turismo". Todos os "clientes" que estão morrendo hoje no Everest foram coordenados por empresas menos experientes e com pacotes de baixo custo - economias mortíferas.

 Em dadas condições e época ocorrem mortalidades devastadoras, em temporadas fatais. Parentes e amigos NÃO RECLAMAM os corpos. Não usam plaquetas de identificação como os soldados nas guerras. Não existem registros prévios do perfil dos mortos, e nem históricos sobre condições sociais, de saúde, e contatos com parentes.

 A grande porcentagem das mortes decorre da falta de experiência dos escaladores. Só metade das pessoas tem experiência para escalar o Everest - acima de 6.000 metros de altitude a vitalidade humana encontra seu limite de suportação - quem avalia o seu limite erradamente acaba morto e congelado para sempre. 

 Algumas empresas administram as escaladas com muito rigor técnico e de segurança. Mas, tem as empresas de oportunistas que terminam "matando seus clientes" por desleixos e negligências.

 Uma empresa administradora de expedições chega a arrecadar uma faixa de US$ 450 mil a US$ 1.800 mil para grupos de 15 clientes em média. Os acidentes e as taxas de mortalidade têm acontecido entre as expedições das empresas que cobram menos por cliente, em face de reduzir a qualidade de recursos materiais e humanos (xerpas, guias). E as tais boas empresas, as mais seguras, com alta qualidade de recursos materiais e humano, são as que GARANTEM a volta dos seus clientes SÃOS E VIVOS. 

 O avanço da tecnologia tem REDUZIDO os riscos das escalações - tem comunicações por celulares e INTERNET nos acampamentos. Adota-se a previsão de Clima Tempo por satélites, informando a duração das janelas de oportunidades para as escaladas e a duração segura.

 Um escalador líder leva um grupo de "clientes", às bagatelas de US$ 30 mil a US$ 120 mil para se chegar ao pico. Virou TURISMO ESPORTIVO E ÉPICO.

 As rotas ficam perigosamente lotadas e poluídas. Surgiram empresas exploradoras do Everest neste sentido, que realizam expedições ao cume do monte. E os grupos formados vão além de 15 a 20 pessoas. Há uma proposta de que cada expedição tenha no máximo 10 pessoas, mas isto termina limitando a receita das empresas e o recolhimento de taxas e impostos pelo governo nepalês.

 O governo nepalês deveria promover uma formação melhor dos xerpas (guias das escalações). E que emite as licenças por temporadas, sem levar em conta o "congestionamento de escaladores" nas encostas do Everest.

 Termos:

 1. Xerpa guia nepalês experiente em escalações.

 2. Apetrechos do alpinista: barraca, saco de dormir, fogão, oxigênio, água, comida, xerpas, cordas, travas, picaretas, grampos, anéis, presilhas...

 Outras Fontes:

1. http://comedoresdepaisagem.com/trekking-monte-olimpo-grecia/#sthash.hCi2ipYD.dpuf

2. Artigo: "Uma bagunça no topo do mundo", por MARK JENKINS da National Geographic - Revista Seleções READER'S DIGEST - Junho de 2014 - págs: 112 a 119; 

3. http://pt.wikipedia.org/wiki/Monte_Everest

4. http://www.infopedia.pt/$alpinismo;jsessionid=QFmt9L84aBwkbjGVAMEH2Q__

5. http://pt.wikipedia.org/wiki/George_Mallory;

Abraços,

Lewton




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