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Postada em 23-07-2014. Acessado 711 vezes.
Título da Postagem:Os Verdadeiros Cientistas da Administração
Titular:Lewton Burity Verri
Nome de usuário:Lewton
Última alteração em 23-07-2014 @ 10:19 am
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Tags: Taylor, Fayol, Teoria da Administração, Científica, Engenheiros, Japão, EUA

 Os Verdadeiros Cientistas da Administração

 
A produção evoluiu, em multi-fases e multi-disciplinas e começou a adquirir rótulos transitórios das evoluções parciais de sua tecnologia e das metodologias de gestão – tal como o Toyotismo, até os dias de hoje. Atualmente são necessárias um mínimo de 35 técnicas científicas para se administrar a produção com QUALIDADE, PRODUTIVIDADE, SEGURANÇA, CRESCIMENTO HUMANO, SUSTENTABILIDADE e ECONOMIA.
Lewton Burity, 22 de julho de 2014
 
Trata-se de um comentário de contribuição ao entendimento da evolução da Administração Científica, segundo os resultados da enquete dos Administradores.com.br: http://www.administradores.com.br/enquetes/para-voce-qual-e-o-maior-pensador-de-todos-os-tempos-da-administracao/117/ .
 
Antes do final do século 18, o Engenheiro e Matemático James Watt (Escócia, 1736 – 1819) aperfeiçoou o sincronismo da máquina a vapor, permitindo que o controle da aplicação de sua energia fosse racional e dominada por acionamento engenhoso, conferindo “poder” para aplicação de “forças dosadas”, sob medidas colossais de força em “Cavalos Vapor – HP – Horse Power”. As fábricas galpões começaram a ser construídas para abrigarem as potentes caldeiras e os engenhos de transmissão de força e energia na cadeia de produção.
 
E antes do início do século 19, por volta de 1780-1790, na Inglaterra, prevalecia um sistema de indústria baseado no conceito caseiro – Indústria Caseira – onde os ofícios dos artesãos se resumiam a elaboração de mercadorias relacionadas às necessidades humanas fora da condição “consumista”. Eram os sapateiros, os alfaiates, as costureiras, os ceramistas, os padeiros, os pedreiros, os ferreiros, os moveleiros, os carpinteiros, os confeiteiros e etc.
 
A máquina a vapor deu uma dinâmica às atividades industriais... E nasce a Revolução Industrial com as fábricas galpões.
 
A aparelhagem de controle da maquinaria de fábricas, outrora baseada em “chavetas com escalas deslizantes, discos superpostos de giro setorial com travas, alavancas deslocantes entre dentes com marcação de estágios e manetes com garfos de freio ou liberadores de movimento”, para fixar uma prática padrão de processo - para abertura de água e vapor, ou enchimento de silos, ou acelerar a rotação de acionamento - começava a apresentar uma instrumentação especial sob a tecnologia elétrica, já se podendo ver mostradores de amperagem, de voltagem, de rotação ou ciclagem, de temperatura e pressão e etc, oferecendo suporte aos operadores da “conduta da produção”, com respeito aos parâmetros operacionais regulados para dar ação transformadora e motriz pretendida ao processo. Hoje usa tecnologias digitais e computação eletrônica.
 
Nos fins do século 19, já se começava a vislumbrar uma técnica racional de programação de fábricas baseada em Padronização de materiais, de práticas operacionais e de mercadorias modeladas em estruturas rígidas de especificação de estilo, cor e funcionalidade, resultando na possibilidade de elevar a produção com altíssimo grau de repetição e pouca variedade.
 
A busca da Administração Científica da Produção encontra-se num momento de aprimoramento da aplicação da Internet e das Redes, e da Sustentabilidade Ambiental, na tentativa de encontrar modelos produtivos com bons rendimentos operacionais. Essa busca tem um modelo geral para ser adotado.
 
E os verdadeiros cientistas da administração foram aqueles que tiveram oportunidade de interagir com a realidade das fábricas e indústrias do Proto-Capitalismo, e que estiveram dentro dos muros industriais, administrando o dia-a-dia da fabricação de mercadorias.
 
Muitas evidências tecnológicas surgiram, tais como: 1. Motores de alta potência - do vapor para o elétrico, 2. Novas operações de fabricação, 3. Produção seriada em escala, 4. Economia em escala e padronização, 5. Aumento de quantidades e variedades, 6. Educação e Treinamento, 7. Especialização de pessoal e de processos, 8. Redução de Defeitos em ZERO, com o Just In Time da Toyota, 9. Automação para a segurança do pessoal, 10. Redução de custos e de preços, 11. Conectividade e interatividade, 12. Descuidos ambientais e início da Sustentabilidade e 13. Crise de energia não renovável e busca de fontes alternativas.
 
Para lidar com tamanho complexo de atividades inter-relacionadas, e integradas às demandas e concorrentes, novas técnicas, métodos e ferramentas administrativas foram necessárias para manter sob controle e aplicar direção aos resultados da produção. Incorporaram sistemas, métodos de gestão, programação e controle da produção, controle da qualidade, normalização e padronização, estatística e probabilidades, análises científicas e pesquisas operacionais, seleção e recrutamento, motivação e incentivos, monetização técnica de salários e benefícios, racionalização de custos, de materiais e de insumos.
 
Para os japoneses foram os engenheiros que criaram o conceito de "Administração Científica da Produção" (Frederick Winslow Taylor) já que eram os responsáveis pelos resultados operacionais e financeiros, e que com seus colegas, dominantes das tecnologias, iam aprimorando a ARTE DA ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA, na medida do aperfeiçoamento dos processos, das tecnologias, das adaptações humanas às tarefas e atividades, já contando com a busca da qualidade e da produtividade junto com a economia geral.
 
A ARTE DA ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA foi cooptada com a criação de cursos de Administração, sem a rotulagem dos conceitos científicos iniciados por dois grandes precursores: Taylor e Fayol, ambos engenheiros conectados às atividades industriais e de produção.
 
Ainda estamos em busca da Administração Científica da Produção, a qual ficou "cristalizada" nos conceitos e proposições do Engenheiro Mecânico Frederick Winslow Taylor (EUA, 1856 – 1915 - "O Pai da Administração Científica") e o Engenheiro de Minas Jules Henri Fayol (França, 1841 – 1925).
 
Os cursos de administração foram criando uma espécie de "bairrismo de profissão" começando a se distanciar das origens de suas amarrações com a produção. E então se diz hoje: - Administração é com administrador! Mas, quantos administradores são mestres e peritos em administrar tecnologias, fábricas, indústrias e produções?
 
Na enquete dos Administradores.com.br: http://www.administradores.com.br/enquetes/para-voce-qual-e-o-maior-pensador-de-todos-os-tempos-da-administracao/117/, - Para você, qual é o maior pensador de todos os tempos da Administração? Redação Administradores, em data inicial de 16 de julho de 2014, se obteve até dia 22/07/2014 às 11h30 a seguinte estatística de opiniões:
 
Ordem...Cientista...% Opiniões...Formação
 
1. Henry Ford...35,80%...oficial de mecânica, engenheiro chefe (conhecedor de causas) e inventor; 
2. Peter Drucker...35,74%...escritor, professor e consultor administrativo, 'o pai da administração moderna'; 
3. Frederick Winslow Taylor...9,43%...engenheiro mecânico; 
4. Michael Porter...6,61%...professor da Harvard Business School, com interesse nas áreas de Administração e Economia; 
5. Jules Henri Fayol...3,96%...engenheiro de minas; 
6. Outros...3,42...xxxxxxxxxxxxxxxxxxx; 
7. Henry Mintzberg...2,52%...acadêmico e professor na McGill University, no Quebec, Canadá; 
8. Jim Collins...1,74%...matemático, consultor empresarial, escritor e palestrante da sustentabilidade da empresa e crescimento; 
9. C.K. Prahalad...0,48%...doutor em Administração por Harvard, professor titular de estratégia corporativa; 
10. Tom Peters...0,30%...engenheiro civil, consultor de gestão e administração de empresas;
 
TOTAL...100,0%.
 
O Know-How de Taylor e Fayol foi sendo capturado pelos acadêmicos - distantes das fainas fabris - e pelos consultores oportunistas, que chegavam colocando conhecimentos e informações já existentes e criados pela própria engenharia industrial de fábricas. E suas práticas de Organização & Métodos se difundiram pelos demais setores do Capitalismo, com ênfase em Marketing, Finanças, Informática, Recursos Humanos, Segurança e Meio Ambiente.
 
O Know-How de Taylor e Fayol embora tenha chegado às academias não se estruturou ainda um curso acadêmico sobre administração científica da produção, como vista por eles e por Henry Ford. Além do que todos são grandes pensadores de suas respectivas épocas, haja vista a evolução da primitiva Revolução Industrial. E as academias estão necessitando de docentes com experiências práticas e profissionais em fábricas e em indústrias.
 
Os japoneses criaram em 1951 a JUSE - Japanese Union of Scientists and Engineers (União Japonesa de Cientistas e Engenheiros), para lidar com o desenvolvimento da produção e da economia (com qualidade, produtividade, sustentabilidade ambiental e segurança no trabalho). Segundo os pensadores japoneses são os engenheiros que criam os eventos econômicos e promovem o aprimoramento da administração científica de um país e seu desenvolvimento, principalmente onde haja aplicação intensiva de tecnologia.
 
A relação do questionário da pesquisa de opiniões não contém nenhum grande pensador japonês, tal como Kaoru Ishikawa, Hitoshi Kume, Noriaki Kano, Ichiro Miyauchi e muitos outros da nação de maior rendimento em qualidade, produtividade, economia, sustentabilidade e crescimento humano. O que nos mostra que a administração brasileira está mais “ancorada” nos fundamentos da administração americana e americanizada.
 
Lembremos que foi nas indústrias que a ARTE DA ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA começou há mais de 2 séculos, e foi daí que os japoneses retomaram o crescimento econômico do Japão, desde após a 2ª Grande Guerra Mundial.
 
A produção evoluiu, em multi-fases e multi-disciplinas e começou a adquirir rótulos transitórios das evoluções parciais de sua tecnologia e das metodologias de gestão – tal como o Toyotismo, até os dias de hoje. Atualmente são necessárias um mínimo de 35 técnicas científicas para se administrar a produção com QUALIDADE, PRODUTIVIDADE, SEGURANÇA, CRESCIMENTO HUMANO, SUSTENTABILIDADE e ECONOMIA.
 
As várias fases ou subfases da Revolução Industrial foram e são:
 
Pré-Industrial – Indústria Caseira – Artesão – antes de 1780;
 
1ª Revolução – Máquina a Vapor – depois de 1780 a 1870;
 
2ª Revolução – Motor Elétrico – de 1870 aos dias de hoje;
 
3ª Revolução – Produção Seriada – de 1900 aos dias de hoje;
 
4ª Revolução – Automação – de 1930 - 1940 aos dias de hoje;
 
5ª Revolução – Toyotismo – Just in Time – 1960 aos dias de hoje;
 
6ª Revolução – Inteligência Artificial – Sistemas Especialistas – de 1980 aos dias de hoje;
 
7ª Revolução – Rede Intranet e Internet – de 1990 aos dias de hoje.
 
8ª Revolução – Sustentabilidade – adequação das atividades fabris ao Meio Ambiente – de 1990 aos dias de hoje (Conferência do Clima - 1972 – Estocolmo) ao futuro da humanidade e do planeta.
 
Após os meus longos e últimos 40 anos de trabalho, como engenheiro industrial metalúrgico e administrador "auxiliar" de usina siderúrgica de grande porte, tive a oportunidade de lecionar no magistério superior, em disciplinas da administração de empresas e estatística.
 
A prática, das atividades docentes, trouxe-me um novo horizonte profissional, em contato com o ensino de jovens, em que pude iniciar a transmissão de um conhecimento relacionado à produção, estatística, engenharia da qualidade e desenvolvimento de processos industriais, não disponível nos atuais livros didáticos nacionais sobre os temas de meu domínio. E existem muito poucos desses livros, com o conhecimento atualizado partindo da prática empresarial e não apenas da acadêmica, que nesse sentido está mais apoiada em bibliografias e citações alheias.
 
Havia um afastamento, em geral, do mundo real das necessidades das empresas, no tocante à estatística, à produção, à engenharia da qualidade e no desenvolvimento de processos (ainda com experimentos, inovações em produtos, controle e balanços energéticos) prejudicando o “carregamento de conteúdo”, dentro das disciplinas correlatas aos 4 temas citados. Resolvemos, então, escrever um livro didático, para formação profissional de técnicos, engenheiros e administradores, que se fundamentasse mais em experiência prática do que em estudos teóricos e acadêmicos.
 
Abraços,
 
Lewton (1)
 
(1) O autor é Engenheiro Industrial Metalurgista desde janeiro de 1975.



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