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Postada em 09-09-2014. Acessado 678 vezes.
Título da Postagem:Administradores preocupados com a insegurança jurídica no Brasil
Titular:Lewton Burity Verri
Nome de usuário:Lewton
Última alteração em 09-09-2014 @ 10:45 am
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Tags: insegurança jurídica, STF, tribunal parcial, administração, poderes da república

 Administradores preocupados com a insegurança jurídica no Brasil

Jovens administradores nos pediram para publicar aqui nossa impressão sobre a insegurança jurídica no país. Muitos deles acreditam que se a justiça não está morta a atual composição do STF terminará com ela! Ver: http://www.administradores.com.br.

Muitas nações de base na sua organização política, em democracia, operam institucionalmente nos pilares dos ditos três poderes da república, os quais são constitucionalmente determinados para funções específicas e independentes - poder executivo, legislativo e judiciário - que se alinham em conformidade com os usos e costumes de uma sociedade democrática, em estado de direito progressivo - em evolução material, moral e intelectual.

O vetor de base que condiciona a extensão do status de usos e costumes é a educação e a escolaridade média de sua população, em que os países ditos ricos têm mais de 50% de sua população com nível superior e menos de 5% dessa população com analfabetismo ou analfabetismo funcional. Por essa mínima relação somos capazes de inferir que, em relação ao Brasil, os países ricos têm de 5 a 10 vezes mais administradores, engenheiros, contadores e cientistas em todos os ramos de conhecimentos e operacionais. 

Somos lerdos e incapazes em massa e em escala de calamidade.

Quando a escolaridade é insuficiente para os postos estratégicos, e desvios de conduta ocorrem por imoralidade, associada à baixa escolaridade nacional, que obtusa acomoda em sua cultura tais abominações, a justiça e as leis legisladas, as regras condicionantes para os trabalhos executivos e as obras correspondentes, são definidas não no espírito e na letra de leis aplicáveis, mas em um estado de coerção contra adversários opositores e em estado de coesão a favor de aliados governistas. 

Em verdade só existem 2 (dois) partidos - o partido (ou a coalizão) a favor e o partido (ou a coalizão) dos contras. O resto é filosofia política barata, e surrealista, desconexa do mundo real.

O principio moral imposto pela “natureza espiritual”, do contingente da população e de sua liderança, pela “pressão dos domínios e potentados” e pela demagógica concessão à “pressão da maioria da sociedade, com seus votos de mau uso e do analfabetismo generalizado”, se materializa como num princípio forjado na ambientação das abomináveis ações dos maus políticos, juristas e administradores temerários, criminosos e lesa-pátria. 

São os que ditam as regras e a aplicação da lei. 

E não há juiz corajoso e competente que contrarie isso, assumindo a defesa da justiça e da ordem, e assim esse conjunto de usos e costumes vem mostrando que os poderes não são independentes e jamais serão, e que o aspirado estado democrático de direito é tão corrompido, com tais mazelas, que termina por perpetuar “legalmente os piores crimes e demonstrar os piores hábitos e imoralidades”. E assim revelar ao mundo um espetáculo da ignorância.

Essa velha regra secular de organização do estado foi superada por uma regra mais utilitária e meritocrática. O utilitarismo da busca de conforto, bem estar e segurança, lança para a filosofia o desafio de “destrinchar” os segredos da prosperidade, da saúde e da longa vida - IDH, no caminho da evolução humana desde o “homo habilis” (há 2,5 milhões de anos) ao “homo sapiens” (há 500 mil anos).

Nessa história da evolução do homem, aprofundando a teoria da evolução das espécies de Darwin, apenas funcionaram 3 (três) poderes básicos, estereotipados após a Revolução Industrial, a partir de 1780, na Inglaterra. 

O mecanismo geral captado pelos engenheiros industriais - e que figurou longe dos compêndios de filosofia e sociologia - que na evolução dos homens coletores e caçadores, para os homens semeadores e agrícolas, para os homens do ferro e aço e para os homens das fábricas e das máquinas - estavam presentes 3 (três) poderes máximos de consolidação da aldeia em seu domínio construtivo - o poder técnico - um poder que consolidou a riqueza das aldeias - o poder econômico - e finalmente um poder geopolítico de subsistência e sobrevivência - o poder político. 

Esses eram os “3 (três) novos poderes” sujeitos à captura intelectual dos administradores e da engenharia industrial, essa última responsável pela prosperidade do capitalismo. 

Esses três novos poderes são fundamentados na meritocracia moral e intelectual, que migrando da plena aplicação da força - do homo habilis - para a plena aplicação do conhecimento - do homo sapiens - formaram as civilizações de milênios e as de 500 anos de existência, tais como: EUA, Canadá, Austrália, e Nova Zelândia e Brasil.

Mas, ao passo que o Brasil hoje exibe uma renda per capita de US$ 11,7 mil/habitante (2011), os demais, de 500 anos dos seus descobrimentos, exibem uma renda per capita, PPP paridade do poder de compra, em 2011, segundo o FMI, de: EUA – US$ 48,4 mil/habitante, Canadá US$ 40,5 mil/habitante, Austrália US$ 40,2 mil/habitante, e Nova Zelândia US$ 27,7 mil/habitante. 

O Brasil é de 3 a 4 vezes mais lento e incapaz administrativamente do que os seus contemporâneos, das grandes navegações e descobrimentos, e isso confirma a presença da insuficiência de administradores, engenheiros, contadores e cientistas (na ordem média de 5 a 10, a menos em atividades análogas e afins). 

Então a idade nacional, de um país por exemplo, desde o descobrimento e colonização, não é sinônimo de pobreza ou incapacidade civilizatória e nem pode estar associada ao timing de evolução de uma sociedade. 

Ao se justificar a ineficiência brasileira ocorrer por sermos um PAÍS JOVEM é um sofisma, muito comum expressado por políticos e administradores públicos, para encobrir suas mutretadas temerárias. E isto é totalmente FALSO. 

Vemos que em 500 anos várias nações chegaram a riqueza e em milênios muitas ainda são pobres: Índia, China, Oriente Médio e Extremo Oriente (exceto Japão e Coréia do Sul).

A Alemanha e Japão, em 60 anos, partindo das cinzas da 2ª Grande Guerra Mundial, estão agora no famoso grupo G7 dos países mais ricos do mundo, superando inclusive o potencial econômico do Brasil, o qual nunca foi arrasado por guerras locais e regionais. 

E o que acontece com o Brasil? A ineficiência brasileira decorre das práticas administrativas sem a aplicação das boas técnicas da Administração Científica.

Os três novos poderes é que diferenciam as nações e suas empresas de excelência daquelas “feitas para fracassar e falir”, são originados pelos fatores da superestrutura (relacionada com know-how, pesquisas & desenvolvimentos, centros de ciência e etc) e da infra-estrutura (complexos viários, instalações fabris, sistemas modais de transportes, terminais e portos / aeroportos, geração de energia e etc) dos processos empresariais e intranacionais. 

(1) poder técnico,
(2) poder econômico,
(3) poder político, e em ação holística, 
(4) poder moral.

(1) o poder técnico - é aquele que desenvolve a competência científica e tecnológica, capaz de estabelecer um sistema produtivo racional, dinâmico e solidário, atuando multidisciplinarmente, na operacionalização de práticas e padrões viáveis à luz da ciência geral, criando o progresso material e espiritual da empresa, e da sociedade onde se acha inserida.

(2) o poder econômico - é aquele resultante da operacionalização competente de práticas e padrões, dentro do sistema produtivo e de serviços, resultando em ganhos destinados a fundos de objetivos capitalistas, societários e humanitários, que criam a escala de riqueza.

(3) o poder político - é aquele resultante da atuação concentrada das empresas de excelência e das organizações – conselhos de regulação profissional, associações, federações e organizações não-governamentais e dos seus empregados na reivindicação dos objetivos capitalistas, societários e humanitários, que criam à escala de negociações e barganhas éticas.

(4) o poder moral – é aquele permeante, capilarizador, em que a “permissão” de sua prática dependerá do status moral do conjunto das lideranças, suas habilidades em relacionamentos e capacidade de incentivo. Ele é o perpetuador da boa governança e da obtenção dos resultados continuamente melhorados. Ele nutre a todos os demais poderes. 

Só haverá poder político se houver poder técnico e econômico, e só haverá poder econômico se houver poder técnico, e, sem esse último, “não existem” empresas, municípios, estados e nem governos. 

Se existirem - empresas, municípios, estados e governos - serão “subalternos, periféricos e pobres”. 

O poder moral dependerá da base cultural, heroica, espiritualidade e da honradez, e, sem ele, tudo também pode existir, mas por pouco tempo e sem bons horizontes. 

Esses poderes são os únicos que consolidam a “estrutura social, de produção e de serviços” de uma nação e de suas empresas, num sistema de forças cognitivas, de produção, de instalação fabril e de controle. E são eles que geram a riqueza e em sua falta prolifera a pobreza.

Assim, são “cientificamente” evidentes esses, agora, quatro “PODERES MASTERS” - que são os poderes que estabelecem o vetor de evolução civilizatória: o poder moral que permeia todos os outros poderes. 

O poder técnico é que garante a segurança alimentar, tecnológica, científica e estratégica, o poder econômico que garante a distribuição da riqueza e da renda nacional, o poder político que garante a “sobrevivência” na geopolítica local, regional e global, em função de sua ideologia inspiradora, e da capacidade deontológica de sua liderança.

A revelação magna é que o poder moral é sustentado pelo senso de justiça, sua coesão aos princípios éticos, seu nivelamento e homogeneidade técnica, sua capacidade de concretizar o justo, de estender sua aplicação, sem privilégios, e de elevar o padrão moral. Só sobrevive, nesse mecanismo da evolução natural, a justiça como poder equilibrante, de uma sociedade. Os figurantes da "velha república", tais como, o executivo e o legislativo, são caricaturas da modernidade, na operação de um estado. 

O STF deveria ser esse guardião no Brasil. Mas, infelizmente nos apresenta, em suas lideranças, o caráter mortal do fracasso e da insegurança jurídica. Se a justiça não está morta o STF terminará com ela, como julgam alguns jovens administradores!

Abraços,

Lewton




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