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Postada em 03-08-2015. Acessado 578 vezes.
Título da Postagem:O Almirante Othon, o Programa Nuclear e os nossos fracassos científicos
Titular:Lewton Burity Verri
Nome de usuário:Lewton
Última alteração em 03-08-2015 @ 09:28 pm
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Tags: Lava-jato, Almirante Othon, tecnologia, espacial, nuclear, fracassos, corrupção

 O Almirante Othon, o Programa Nuclear e os nossos fracassos científicos

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/08/1663379-almirante-preso-pela-lava-jato-guarda-segredos-de-programa-nuclear.shtml?cmpid=facefolha (1)

O fato é que estamos assistindo o prosseguimento de uma velha DISFUNÇÃO brasileira - "gargantismo acadêmico científico" no Programa Nuclear Brasileiro. Falta plena de visão implementadora de projetos civis, técnicos e militares, com responsabilidade patriótica (sem corrupção e sem facilitações licitatórias), e mostras acentuadas da falta dos conhecimentos com a construtividade adequada, econômica e com qualidade, e altamente suficiente, em obras e modelos reais. Não muito por culpa dos cientistas e chefes militares, mas por políticos e pela politicagem partidária que defenestram qualquer organização mais técnica. 

Nosso Programa Espacial Brasileiro sofreu das mesmas DISFUNÇÕES, no desenvolvimento dos veículos lançadores de satélites (VLSs). Fracassamos em tudo, em uma das últimas tentativas, com nossos próprios esforços e conhecimentos, morreram mais de 20 cientistas em Alcântara, Maranhão, quando o foguete acendeu em solo e no galpão, queimando tudo ao redor. Foram chamar os ucranianos e depois os chineses para nos ajudar. Mas, ninguém quis chamar os americanos ou europeus de grande monta científica. 

Imaginemos se este "gargantismo acadêmico científico" se desdobrasse plenamente no Programa Nuclear Brasileiro? Imaginemos os presidentes civis desde José Sarney até Dilma terem em maletas secretas códigos de lançamentos de mísseis armados com ogivas nucleares?

Se os nossos VLSs “não se lançam” e desde os anos 1950 quando o enriquecimento de material radioativo se acentuou, agora em 2015 ainda não temos o formalismo profissional do desenvolvimento científico destas tecnologias – espacial e nuclear. São mais de 65 anos em que nossos atrasos se estenderam.

Não é falta de inteligência, mas sim falta de organização e liderança, em termos de superestrutura (Superestrutura – expressão atribuída ao conjunto de instrumentais, literaturas, conhecimentos, de profissões, de qualificações, de especializações e recursos humanos destinados ao desenvolvimento da tecnologia, da engenharia e da ciência). Como então o Brasil poderia entrar por conta própria, SEM AJUDA DE INTERCÂMBIOS, nestes campos tecnológicos, sem RISCOS para os outros e para si mesmo?

Pelo que presenciei em São José dos Campos no ITA e no INPE (entre 1996 e 2000), tal "gargantismo acadêmico científico" se sustentava em patentes de militares e em autoridades nomeadas por políticos. Muita coisa foi na chave-de-galão e foi empurrada para a apoteose dos lançamentos e para condecorações de líderes gargantistas. Estivessem os cálculos certos ou errados. E quem iria checar se os cálculos estavam certos? Os políticos? Nenhum político brasileiro tem competência administrativa, ainda mais em área de alta tecnologia. E deixam para confiar nos cientistas militares.

Então, vários VLSs se desagregaram em seus lançamentos... Quem ordenou os lançamentos com insuficiências na Confiabilidade operacional e funcional deles? Como aconteceram os fracassos, é obvio, que a Confiabilidade NÃO ERA CONFIÁVEL.  

Outro fato seguinte é que a cultura tecnológica brasileira é por demais conhecida pelos EUA. Aqui no país tudo falha e tudo entra em degradante calamidade: civil, técnica, científica e militar. Imaginemos, novamente, uma bomba nuclear feita por brasileiros sob o "gargantismo acadêmico científico"? E colocada num míssil "lançador de ogivas"? Estão aqui presentes duas tecnologias às quais os americanos, e europeus, temem que os brasileiros se metam a desenvolver - espacial e nuclear. Será que não andam sabotando ou boicotando?  

Estados islâmicos (como o Irã - República Islâmica) com bombas nucleares poderão querer extinguir os infiéis do cristianismo e de outras religiões. Para atos do terrorismo de estado, como Israel teme. A temeridade está neste ponto - o medo do uso indevido da energia nuclear e de seus artefatos. E medo da falta de uma administração científica para se produzir projetos robustos, com segurança técnica e ambiental.

Nossa indústria está um pouco melhor do que a chinesa em qualidade, produtividade e controle de custos. Nossos produtos, materiais e processos têm altos índices de defeitos e falhas, altos riscos de acidentes por ineficiência operacional. Temos defeitos industriais na ordem de 5% na Era da Qualidade com controle em partes por milhão (PPM). 

Para X partes por milhão (PPM), significam que teremos X PPM de produtos defeituosos, ou com falhas funcionais prováveis, em 1.000.000 de produtos produzidos. Haverá alta eficiência industrial se tal PPM for igual ou abaixo de 200 PPM.

O Japão fabrica bens de capital, e duráveis, com defeitos na faixa de 1 a 10 PPM. E os 5% da tradição industrial brasileira significam 50.000 PPM - somos em média 5.000 vezes piores em qualidade do que os japoneses. Os americanos e europeus estão na faixa dos 200 PPM. E tais países têm sistemas de metrologia e confiabilidade quase que infalíveis. 

Voltemos a imaginar que um artefato nuclear seja feito pela industrialização brasileira, com probabilidades de apenas 0,1% na Taxa de Defeitos ou de Falhas (ou 0,1/100 em porcentagem), para componentes montados com peças com esta qualidade (Taxa de Defeitos ou Falhas = 0,1%). Se 0,1% significam 1.000 PPM. E se por projeto um componente com 1.000 peças, fazem a sua montagem, a confiabilidade provável do mesmo será C = (1 - Taxa de Falhas) elevado ao Número de Peças do Componente. Substituindo os dados na fórmula a Confiabilidade será de C = (0,999) elevado a 1.000 peças, o que será igual a 0,367695425 de probabilidades de NÃO haver DEFEITOS E FALHAS, ou cerca de 36,8% em Confiabilidade. Vai querer este artefato para você? 

Você acreditaria que este artefato seria confiável para funcionar na hora de sua ativação? E sendo assim por quanto tempo você acha que o artefato ficará operacional, em condições NORMAIS de temperatura e pressão?

Estas são as duas questões de base dos fracassos brasileiros no domínio de tecnologias complexas: Gargantismo Acadêmico + Não-conformidades operacionais e industriais.

Agora, o Brasil em nada possui o que se chama de SOCIOLOGIA ORGANIZACIONAL para inventos, inovações e novos projetos.  

Uma Sociologia Organizacional para Inventos e Inovações precisa de suporte semelhante ao que o agricultor dedica às suas plantações. Precisa de cuidados extras além do que se poderia seguir num fluxo natural ou artificial. 

Ela deve estar estruturada a princípio com profundas noções de administração de experimentos e que haja correspondência desta administração com a Educação e Treinamento, retroalimentando-se a empresa com o conhecimento extraído de seus funcionários, canalizado por meio de uma universidade interna. Será necessário criar o hábito de laços e de colaborações entre administradores, cientistas e engenheiros, pois os inventos e as inovações na modernidade tecnológica irão necessitar de “diálogos, triálogos e de multiálogos” – jamais de chaves-de-galões.

Os inventos e as inovações são crias da inteligência humana baseadas no exercício do trabalho diário, da rotina das atividades, tarefas, operações, procedimentos e etc, que devem ter cautelas tanto sob o ponto de vista econômico, quanto o de produtividade e o de qualidade. Tudo avaliado e decidido com a convicção científica, técnica e comercial, para que os clientes, usuários, utilizadores e o bem-estar de todos possa favorecer um bom ânimo de vida e de prazer social.

O Almirante Othon (1) é vítima e praticante desta cultura. E ele mesmo mostra sua prática de montar dossiês, arquivos, pastas e outros documentos para se sobrepor e dominar o campo tecnológico do enriquecimento de urânio. Quando tais informações deveriam estar sob proteção do estado.

E mesmo trabalhando sem usar fardas, como disse o almirante, os civis NÃO são bestas. Sabem bem o que é um Almirante travestido de civil. E dando margem ao prosseguimento de uma velha DISFUNÇÃO brasileira - "gargantismo acadêmico científico". 

Os custos do desenvolvimento de projetos espaciais, e nucleares, são altos em face da necessária segurança técnica de ativação, funcionamento e manutenção dos mesmos. Soma-se a isto uma indústria precária e a falta de uma profissional Sociologia Organizacional para inventos, inovações e novos projetos. Assim jamais o Brasil será ponta, ou dominará minimamente estas duas tecnologias – e vão nesta procissão alguns bilhões de dólares. E se a administração mantiver uma alta taxa de fracassos tais verbas vão para onde caem os foguetes...

A fórmula final sobre nossos fracassos fica sendo: Gargantismo Acadêmico + Não-conformidades operacionais e industriais + Precária Sociologia Organizacional.

Abraços,

Lewton




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