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Postada em 13-09-2015. Acessado 2765 vezes.
Título da Postagem:A Imagem Institucional da Brigada Militar
Titular:Aroldo Medina
Nome de usuário:aroldomedina
Última alteração em 13-09-2015 @ 09:00 pm
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Tags: imagem institucional; identidade visual corporativa; Brigada Militar.

 Resumo

Este artigo foi realizado como tarefa de estudo na disciplina de Políticas Públicas de Segurança – Alta Gestão, durante o Curso de Especialização em Políticas e Gestão em Segurança Pública, na Academia de Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Sul, edição 2015 e, visa abordar a questão da imagem institucional da Brigada Militar, seus elementos formadores, como esta imagem se comunica com a sociedade, sua influência na credibilidade da Instituição e na sua função de transmitir segurança as pessoas. 

Abstract

This article was made as a study task in the Security Public Policy discipline - High Management, during the Specialization Course in Policy and Management of Public Security, the Academy of State Military Police of Rio Grande do Sul, 2015 and aims address the institutional image of the Military Brigade, its formative elements, as this communicates with society, their influence on the credibility of the institution and its function of providing security people.

 

Considerações iniciais 

O objetivo do presente artigo é fazer uma breve análise crítica da imagem institucional da Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul, abrangendo um período de 30 anos próximos passados, baseada na vivencia operacional e administrativa de cinco oficiais superiores de Polícia Militar que constituíram um grupo na disciplina de Políticas Públicas de Segurança – Alta Gestão, ministrada pelo coronel Sidenir Cardoso de Oliveira, no Curso de Especialização em Políticas e Gestão em Segurança Pública, edição 2015. O grupo pretende desenvolver um artigo 100% original, baseado na transcrição da memória e da vivencia profissional dos oficiais relatores, focada na questão da imagem institucional da Polícia Militar gaúcha, constituída pelo conjunto de elementos que formam uma imagem que vai estabelecer uma identidade visual corporativa.

 

Segundo a enciclopédia livre Wikipédia, identidade visual é:

O conjunto de elementos formais que representa visualmente e de forma sistematizada, um nome, ideia, produto, empresa, instituição ou serviço. Esse conjunto de elementos costuma ter como base o logotipo, um símbolo visual que se complementa nos códigos de cores, das tipografias, nos grafismos, em personagens, nas personalidades e outros componentes que reforçam o conceito a ser comunicado através dessa imagem como o slogan ou taglines que cumprem esse papel. Resumidamente a identidade visual é a imagem ampliada da marca.[1]

Igualmente vamos abordar como este conceito visual se associa a prestação do serviço e como pode ser percebido mais adequadamente pelo público alvo do trabalho da PM. Neste estudo vamos ainda analisar como esta imagem se comunica com a sociedade, sua influência na credibilidade da instituição e na sua função elementar de transmitir segurança pública para as pessoas.

É público e notório que o trabalho da polícia ostensiva se caracteriza pelo uso de uma indumentária agregada ao corpo humano, facilmente identificável e, pela utilização de equipamentos próprios do serviço de polícia preventiva. A Polícia Militar Brasileira, constitucionalmente encarregada do policiamento ostensivo, preventivo, uniformizado, não foge a esta regra planetária, indefectível.

O policial militar escalado na sua atividade fim deve ser identificado e reconhecido à distância pelo uso do seu uniforme e aprestos, bem como por todos os meios de sinalização acústica, visual e de transporte que conferem mobilidade ao serviço de polícia. Essa visibilidade é a essência da prestação deste serviço fundamentalmente de Estado que vai garantir a organização da sociedade através do cumprimento das leis.

Nunca é demais lembrar que a própria soberania interna do Estado reside na fiel compreensão do significado do organismo estatal possuir uma polícia bem estruturada, uniformizada e equipada, com efetivo compatível com a população residente no território sob a responsabilidade do serviço de polícia ostensiva local. Todos os oficiais componentes do grupo asseveram a importância dessa compreensão e sua aplicação na organização da Polícia Militar Brasileira para que cumpra de forma eficiente o seu papel constitucional, sem descuidar da adequada seleção, formação e treinamento permanente dos seus efetivos.

 

A imagem institucional da BM

            Quando ingressamos na Brigada Militar, em meados dos anos 80, percebemos uma instituição policial militar bem organizada. Hierarquia e disciplina eram conceitos rígidos em nossa cultura organizacional. A apresentação pessoal era cobrada com rigor. Nas escolas de formação de oficiais e praças, principalmente. Nas unidades operacionais havia a parada diária, onde o efetivo escalado para o policiamento ostensivo, em determinado turno de serviço, sempre entrava em forma no pátio interno do quartel. Neste ato, era hábito regular os sargentos conferirem a documentação funcional dos soldados, inspecionar o seu armamento e munições, verificar as condições gerais do uniforme e, se o cabelo e a barba estavam adequadamente, aparados. Após, a tropa era apresentada ao oficial de serviço externo que ministrava ao efetivo, uma pequena palestra.

O mesmo procedimento era aplicado na verificação das condições de manutenção geral das viaturas de policiamento que eram submetidas ao “galope”. O galope se constituía numa inspeção básica do nível do óleo e água do motor, combustível, estado dos pneus, funcionamento do sistema elétrico da viatura e, limpeza do veículo. Viatura suja, não entrava de serviço. A sua lavagem era obrigatória na passagem ou assunção de cada turmo.

            Esta cultura organizacional influenciava positivamente na manutenção de uma imagem institucional uniforme, coesa e com uma identidade própria da Brigada Militar, onde a disciplina colaborava, significativamente, para a constituição de um corpo de tropa único. Adequadamente uniformizada e trabalhando com viaturas limpas, a tropa passava uma imagem de boa organização e apresentação pessoal que em qualquer instituição agrega credibilidade e desperta confiança na população.

            Nesta época (anos 80 e 90), em Porto Alegre, em cada batalhão entrava uma média 300 PMs de serviço por turno, a pé e motorizados, tripulando de 30 a 40 viaturas de serviço, no 2º e 3º turnos (06:30 às 18:30 horas) e,  no 4º e 1º turnos (das 18:30 às 06:30 horas). Havia, normalmente, um sargento concursado trabalhando na rua, em cada uma das companhias da unidade operacional e, um oficial de serviço externo, atuando na fiscalização, orientação e apoio do efetivo de serviço no policiamento ostensivo. Este quadro é desenhado para destacar que a presença do sargento e do oficial na rua é fundamental, não só para a execução de um serviço de policiamento de melhor qualidade técnica operacional, mas também para atestar o papel elementar destes gestores, na manutenção da própria imagem institucional da BM.

            O enfraquecimento da hierarquia e da disciplina, nos últimos 15 anos, com a implantação do princípio da ampla defesa e do contraditório dentro dos quartéis, a ausência de uma política de Estado de inclusão anual de oficiais e praças, alterações no plano de carreiras de nível médio e superior dentro da PM, mudanças administrativas em nossa cultura organizacional, a diminuição de investimentos na área de segurança pública, assim como a imposição de redução no custeio da Brigada Militar, são fatores que foram gradualmente, interferindo de forma significativa na dissociação de uma imagem institucional da BM que era mais forte nas décadas de 80 e 90.

            Em apenas três décadas observamos a imagem institucional da Brigada sofrer as contingências impostas por um período caracterizado por mudanças frequentes, determinadas por gestões personalizadas, carentes de planejamento estratégico e de uma análise mais abalizada do que as mudanças propostas poderiam implicar. Neste sentido, citamos como exemplos, várias alterações no regulamento de uniformes da Brigada e na própria grafia das viaturas. No mesmo período, em contraponto ao que acabamos de registar, não visualizamos nenhuma modificação expressiva nos uniformes e grafia de veículos das Forças Armadas do Brasil e das Polícias Militares de Santa Catarina, do Paraná, de São Paulo e de Minas Gerais.

            Imperioso citar como exemplo de identidade visual corporativa positiva e muito bem organizada, a Polícia Militar do Paraná e de São Paulo. Ambas as instituições mencionadas se destacam no cenário nacional brasileiro, como exemplo de imagem institucional padronizada. Seus efetivos costumam ser empregados, rigorosamente bem uniformizados e tripulando viaturas que seguem um padrão de grafia institucionalizada. Não se notam discrepâncias de uniforme como se observa, por exemplo, atualmente, na Brigada Militar quando se faz uma simples formatura operacional. E, sem querermos ser levianos, podemos até usar a expressão de que existe hoje, um carnaval de uniformes e de grafia de viaturas na BM.

            Diferentemente da Polícia Militar Paulista e Paranaense que envergam uma indumentária de vestimentas e equipamentos individuais padronizados, a Brigada Militar adota vários modelos de peças de uniforme, resultantes de constantes modificações destas peças. Não se percebe uma preocupação administrativa constante com a adoção de aprestos tais como: cintos de guarnição, coldres, coletes, capacetes, coturnos, botas, coberturas que exijam qualidade e sigam uma estética padronizada por especificação técnica regular.

            É natural questionarmos aqui como outras Polícias Militares conseguiram estabelecer um padrão de uniformes que permitem as tropas estarem bem fardadas, com todo efetivo de oficiais e praças usando o mesmo modelo de peças de fardamento idêntico, assim como cintos, coldres, coletes, etc. No caso do Paraná sabemos que a PM-PR tem uma cooperativa, a Associação da Vila Militar (AVM) que vem fabricando praticamente todos os componentes da indumentária utilizada pelo efetivo policial, nos últimos 20 anos.

Devemos assinalar que o Estado do Paraná vinha pagando auxilio fardamento para todo PM até 2012. O valor era creditado em contra cheque e debitado, automaticamente, em favor da AVM que tem feito a distribuição do fardamento de excelente qualidade aos policiais. Porém, este processo esta ameaçado de continuidade, pois, a PM passou a receber por sistema de subsídio em 2012 e, o Estado entendeu que não precisava mais pagar o auxilio fardamento. E, outro fator que passou a se constituir numa ameaça ao sistema de fornecimento de uniformes da Polícia Militar do Paraná foi o questionamento judicial recente de um fornecedor interessado em concorrer com a AVM. Houve também auditoria estatal na PM-PR entendendo que embora a verba dos uniformes fosse privada, o gestor sendo público, havia necessidade de licitação para a compra de novos fardamentos.

No caso de São Paulo, se faz necessária uma pesquisa de campo no setor logístico da PM paulista, para conhecermos melhor o método administrativo utilizado na aquisição de uniformes muito bem padronizados e pelo que observamos também, de excelente qualidade. Digo ainda assinalar que a PM de São Paulo tem hoje, 105 mil homens, na ativa.

Também podemos buscar o know how do Exército Brasileiro (EB) utilizado na aquisição dos seus fardamentos e indumentárias que observamos idênticas em todo Brasil. Sabemos que o Exército Brasileiro adota um regramento técnico e rígido, com administração centralizada para aquisição de todos os seus uniformes e equipamentos. Peças de vestuário e equipamentos são descritos e especificados nos editais, minuciosamente, inclusive amparando as descrições, em normas técnicas. Existe até uma máxima popular dentro do EB que diz: “Não se pode colocar nada sobre o uniforme ou na viatura que não esteja autorizado por regulamento escrito e aprovado oficialmente”. E, esta premissa é seguida a risca, segundo sustenta o coronel de Cavalaria, da reserva do EB, Marco Elias Dangui Pinheiro, justo para “não virar bagunça a identidade visual corporativa da Força Terrestre Brasileira”.

            A ausência de um manual de orientações ou mesmo de uma diretriz geral sobre o estabelecimento de uma identidade visual corporativa da Brigada Militar, seja ela física ou mesmo virtual (páginas de Internet), dá margem para a falta de padronização das peças dos uniformes da BM e de suas viaturas. Nestas, em particular, constatamos uma desorganização de nossa imagem institucional veicular, normalmente ocorrida de quatro em quatro anos.

Em nome da economia de recursos financeiros, cada novo governo estadual estabelecido, determina uma grafia cada vez mais básica. Este fato, associado ainda, a existência de uma cultura de enaltecer serviços diferenciados, prestados pela PM, como por exemplo patrulhas urbanas de táticas especiais, patrulhas rurais, escolares, polícia comunitária, Maria da Penha, terminam bordando as viaturas da Brigada, com uma parafernália de adesivos que ferem o seu grafismo institucional.

A padronização de uniformes e de grafia de viaturas é de fundamental importância estratégica para a consolidação de uma imagem institucional que agregue confiança e credibilidade permanentes. Naturalmente esta imagem da Polícia Militar deve também estar associada a boa formação técnica e a disciplina da tropa conectada com o comprometimento do policial militar, com a prestação do seu serviço.

A adequada padronização do fardamento se completa com a apresentação pessoal do policial militar, para consolidação mínima de uma boa imagem institucional que deve agregar o asseio corporal do policial, com seu cabelo e barba bem aparados, uniforme limpo e alinhado. E, repetimos que a composição do fardamento deve observar um padrão regular, sem variações de modelos diversos, em função de fornecedores distintos.

 

Considerações Finais

Concluímos que a imagem institucional da Brigada Militar é composta de um conjunto visual de elementos característicos do serviço de polícia ostensiva que estabelecem uma identidade corporativa que no caso da BM, precisa ser melhor padronizado. Defendemos que o conjunto de peças que compõe a indumentária operacional básica do PM deve ser idêntico ou com diferenças mínimas, para resultar numa imagem que passe a população, a ideia de uma força policial coesa, uniforme e organizada.

Outro fator fundamental associado ao uso do uniforme militar é o conceito de autoridade que é intrínseco ao uso da farda. E sabemos da importância do efeito do uniforme envergado com autoridade e alinhamento, sem soberba, para a manutenção da organização e funcionamento da sociedade. Somos convictos de que o policial militar, devidamente fardado, asseado, bem selecionado, formado e treinado é o representante mais visível do Estado que exerce sua força executiva através dele. A ausência do policial nas ruas enfraquece o Estado que se desorganiza em função do descumprimento das leis.  E, tão nociva para o Estado quanto a ausência do policial fardado nas ruas é a presença de um policial desuniformizado e desleixado consigo mesmo. Acreditamos que o conjunto destes policiais desasseados ou mesmo mal fardados compromete, seriamente, a credibilidade da instituição que representa.

            Urge em nosso meio uma tomada de posição mais firme, para remediar o problema apresentado quanto a falta de uniformidade da Brigada Militar. Reafirmamos que numa simples formatura operacional não encontramos dois soldados exatamente iguais no que se refere a sua uniformidade e equipamentos agregados. Devemos nos inspirar na organização da uniformidade do Exército Brasileiro e de polícias militares citadas ao longo deste trabalho que implantaram uma cultura de procedimentos que garantiram qualidade na uniformidade da tropa e no grafismo de viaturas, consolidando uma imagem institucional de excelente nível.

 Aroldo Medina[1]Alexandre Bueno Bortoluzzi. Cesar Augusto Pereira da Silva. Marco Aurélio Almeida Medeiros. Paulo Leandro Rosa Abrahão.


[1] Aroldo Medina, Alexandre Bueno Bortoluzzi e Cesar Augusto Pereira da Silva são tenentes-coronéis da Brigada Militar, Marco Aurélio Almeida Medeiros e Paulo Leandro Rosa Abrahão são majores da Brigada Militar, todos são graduandos do Curso de Especialização em Políticas e Gestão em Segurança Pública (CEPGSP 2015), na Academia de Polícia Militar do Estado do RS.

 

 

Referências bibliográficas

Manual de Uso da Marca Exército Brasileiro. Disponível em: <http://www.eb.mil.br/documents/10138/33dd029d-1af4-4bc8-b9ae-716938e3ef73>. Acesso em: 15 ago 2015.

Biblioteca de Normas Técnicas do Exército Brasileiro. Biblioteca Fardamento. Disponível em: <http://www.dabst.eb.mil.br/index.php/biblioteca-de-normas-tecnicas/88>. Acesso em: 15 ago 2015.

SANTOS, Carliane dos e CARDOSO, Geanne. Um Estudo da Marca Exército Brasileiro e de sua Presença On-line, com Observação da Comunicação em Redes Sociais Oriundas da Missão de Paz no Haiti. Intercom, 2011. Disponível em: <http://intercom.org.br/papers/regionais/nordeste2011/resumos/R28-0538-1.pdf>. Acesso em: 15 ago 2015.

Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Identidade_visual>. Acesso em: 15 ago 2015.



[1] Wikipédia, enciclopédia livre de Internet, projeto enciclopédico, iniciado em 15 de janeiro de 2001. Construída por milhares de colaboradores de todas as partes do mundo, disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Identidade_visual>. Acesso em: 15 ago 2015.

 




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