As opiniões expressas neste artigo e seus comentários não representam a opinião do Portal Militar, das Forças Armadas e Auxiliares, ou de qualquer
outro órgão governamental, mas tão somente a opinião do usuário. Os comentários são moderados pelo usuário.
 
Denuncie | Colaboradores: Todos | Mais novos ] - [ Textos: Novas | Últimas ]

O autor decide se visitantes podem comentar.
 
Postada em 23-09-2015. Acessado 929 vezes.
Título da Postagem:As velhas formas de controle social estão falhando.
Titular:JÉRIS DAS CHAGAS SILVA
Nome de usuário:JERIS
Última alteração em 23-09-2015 @ 04:40 pm
[ Avise alguém sobre este texto ]
Tags: Controle Social, Nova Ordem Mundial

14.00

Normal 0 21 false false false PT-BR X-NONE X-NONE /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-priority:99; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin-top:0cm; mso-para-margin-right:0cm; mso-para-margin-bottom:10.0pt; mso-para-margin-left:0cm; line-height:115%; mso-pagination:widow-orphan; font-size:11.0pt; font-family:"Calibri","sans-serif"; mso-ascii-font-family:Calibri; mso-ascii-theme-font:minor-latin; mso-hansi-font-family:Calibri; mso-hansi-theme-font:minor-latin; mso-fareast-language:EN-US;}

As velhas formas de controle social estão falhando?

Cada vez mais o crime se liberta de suas muitas camuflagens e mostra, em nossos dias, que não é exceção e sim regra.

É fato que cada um pensa estar fazendo o melhor para si. Na TV, quando um jornalista pergunta ao criminoso por que matou ou roubou, a resposta varia de “roubei porque ‘tava’ precisando de  dinheiro” a “matei por que ele(a) reagiu”. Por outro lado, o histórico da vítima quase sempre deixa claro que ela sacou e carregava dinheiro e bens porque precisava e que reagiu para defender o que é seu. Outro fato um tanto contraditório é que tanto agressores como vítimas, quando pesquisada sua religiosidade, quase sempre cultuam o mesmo deus e seguem a mesma doutrina.

Ora, se o modelo de perfeição e o livro de regras são comuns, qual o motivo do conflito?

 Aos olhos e ouvidos de indivíduos simplórios todos estão certos, todos têm razão, todos são vítimas de um sistema injusto, com segurança precária, sem educação, sem saúde, etc, etc... Mas o que escapa ao discípulo do politicamente correto é que os modelos de perfeição e os livros de regras morais sugerem que não se deve roubar, matar ou ostentar. Deste ponto de vista podemos chegar à conclusão, também imprecisa, de que todos estão errados.

O problema é mais complexo!

Os Colonizadores usaram de extrema violência e generalizadas usurpação e pilhagem para assegurar prosperidade a si mesmos e a seus reinos. Consigo trouxeram jagunços e militares para impedir que os povos explorados e escravizados usassem da violência, da usurpação e da pilhagem para resistir ao processo de colonização. Assim, policiar os pobres, vigiar e castigar os negros e exterminar os índios, como técnica de segurança, funcionou no período colonial para assegurar as conquistas dos colonizadores.

Mas, mesmo o mais intrépido e sagaz dos homens envelhece, adoece, morre ou, no mínimo, tem que dormir. Tem que haver um jeito de as pessoas controlarem a si mesmas. Assim, outro componente habilmente usado para a manter a velha ordem (poucos com muito e muitos com pouco) foi a Religião. Ensinar aos pobres e aos dominados que a pobreza lhes abriria as portas do céu teve como resultado prático a renúncia de um grande número de indivíduos às terras, às riquezas e ao confortável modo de vida do Conquistador e seus descendentes. Os poucos resistentes à doutrina foram tratados eficientemente, por séculos, pelos órgãos militares e policiais.

Também parte do arsenal místico-psicológico, as histórias de fantasmas, inventadas pela Elite, mantiveram pobres e ignorantes longe dos grandes latifúndios. Eles eram levados a crer que a Mula sem Cabeça patrulhava as ruas e os pastos das fazendas, que o Saci Pererê surpreendia quem andasse pelos trilhos e os bosques das terras improdutivas, que o Lobisomem corria à noite pelas plantações de café e milho. Com medo, ninguém saía de casa à noite!

Na prática, os fantasmas e mitos sempre policiam grandes propriedades como casarões, fazendas, igrejas, às vezes cidades inteiras, com o resultado prático de impedir o pobre crente ignorante de tomar para si, pela violência ou pela trapaça, aquilo que os grandes proprietários conseguiram por meio das mesmas ferramentas.

Mas, com o tempo veio a descrença nos fantasmas, nos mitos e na religião. As invasões de terras e edifícios são comandadas, geralmente, por organizações com DNA comunista, refratárias às religiões e às crendices populares. Quando o povo perde o medo de fantasmas e passa a ignorar os mandamentos religiosos, fica mais difícil controla-lo. Esse controle, como já sinalizado acima, é no sentido de impedir o fluxo de riqueza através da violência e da trapaça.

Uma espécie de fantasma artificial, só que fundado em elementos bem objetivos, é o direito. Resultado do pacto social, o direito é uma concessão da Comunidade, ao indivíduo, de poder usar suas posses sem ser perturbado por ninguém, desde que atenda suas obrigações para com o Estado. Caso seja perturbado em seu direito, a própria Comunidade se encarrega de restituir-lhe os bens e punir o autor da perturbação. O direito relegou a força a uma simples garantia de sua existência. E como pretende se beneficiar dos resultados práticos das religiões, o direito – nas grandes democracias – as autoriza, mas não as patrocina, nem as divulga. É o chamado estado laico.

Assim, buscando o melhor dos mundos, o Direito tenta beneficiar-se da força como garantia e das religiões e crenças como fatores de controle social adicional. Porém, sua efetividade depende de um sistema de resolução de conflitos: o processo jurídico.

O processo jurídico é uma tentativa de resolver os conflitos por meio da razão. Para tal usa o histórico dos atos anteriores das partes (antecedentes), o histórico de soluções de conflitos semelhantes (jurisprudência), os estudos de especialistas (doutrina), as regras vigentes aplicáveis ao caso (Lei), costumes, etc.

Mas, numa sociedade que cresce em número de indivíduos e em complexidade de suas relações, o processo jurídico se mostra ineficaz porque é demorado, é oneroso e não atende a todas as demandas, seja em quantidade ou qualidade. E, desse modo, é cada vez maior o número de conflitos que se resolvem fora dos tribunais, através de duelos individuais ou grupais, ação de justiceiros e até submissão às injustiças.

Parte do sistema de controle social, mesmo nos países ditos democráticos, é manter alguns em desvantagem. Se todos puderem lutar por seus direitos, diante de um sistema de justiça para poucos, a luta de todos contra todos se torna uma realidade certa. Daí a disseminação sistemática do analfabetismo, real ou funcional; a negação a um sistema de saúde eficiente e eficaz, facilitando a eliminação de velhos e doentes do “rebanho”; a manutenção de um sistema de segurança pública com o mínimo, somente, para prevenir rebeliões armadas, não aumentar o desemprego e mostrar aos que querem meter o pé na porta que há quem esteja tomando conta dela.

Por último tem a técnica da promoção do esporte nacional. As pessoas se apegam, naturalmente, a certa bandeira ou kit de cores. Fazem isso segundo uma série de motivações meramente subjetivas e pessoais, ou, às vezes, nem se recordam o motivo. São movidas por algo que definem como paixão. Essa paixão as leva a enfrentar condições adversas para comprar ingressos e lotar os estádios, comprar suvenires, cantar hinos, reconhecer-se como parte de uma comunidade específica, discutir sobre a superioridade de seu time e até usar de violência contra partidários de outras denominações.

A lógica do esporte nacional é simples: você não precisa lutar, já que alguém luta por você!

A Roma Antiga, aquela de Nero e de Calígula, cultuava os gladiadores! Ao herói do dia, todos os louvores! Um dia ele vai cair, e um novo campeão surgirá para entreter o povo, quer ele queira, quer não!

Vivemos um tempo único. A religião e as histórias de fantasmas não funcionam mais como freios; o processo jurídico não tem fôlego para acompanhar nossas necessidades de justiça; aqueles que outrora viviam em desvantagem, hoje, se levantam e tomam consciência de que algo lhes foi tomado; os conflitos se propagam para fora dos estádios, em forma de agressão e morte!

As velhas forma de controle social estão falhando!

Tempo, como o que vivemos, pede novos remédios, novas expectativas, novos encantamentos para o povo! Por isso o Papa Católico promove a conciliação daqueles que não têm coragem de fazer isso por si mesmos; políticos em todo o mundo falam em uma “Nova Ordem Mundial”, seja lá o que isso signifique; Judeus Ortodoxos começam a falar na vinda do Messias; cientistas e cineastas ameaçam nos contar “A Grande Verdade”: algo entre nossa suposta origem alienígena e revelações que podem fazer de nossos livros sagrados, apenas, grandes mentiras!

É impossível evitar uma revolução, sem líderes (não há quem sacrificar), sem bandeiras (essas não podem ser tomadas), sem causas definidas (não há contra o quê contra argumentar). Talvez já estejamos em plena batalha, cujas armas são bits e bytes agressivos, reservas de memória, microprocessadores de uso “general”, redes sociais de ataque e defesa... Podemos estar numa guerra em que os feridos, em vez de perderem sangue, perdem a esperança, em vez de perderem posições de defesa, perdem a razão, em vez de mudarem de lado, mudam de opinião.

Enquanto isso, parafraseando Galileu, a Terra continua se movendo!




Bookmark and Share

Comente
Olá Visitante. Este usuário permite que você comente mas antes é necessário informar seu nome e email pessoal válido e ativo.
Você receberá um email de confirmação.
Nome: Obrigatório
Digite seu Email: Obrigatório. Não será divulgado.
Redigite seu Email: Obrigatório. Não será divulgado.
Código de segurança:_YA_SECURITYCODE
Digite o código de segurança:
  [ Voltar ]
Outas colaborações de JERIS
Veja Mais
Perfil de anonimo
Perfil do Usuário
Junte-se a nós!
Junte-se a nós!