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Postada em 02-15-2007. Acessado 382 vezes.
Título da Postagem:A Conquista da Honra
Titular:Dr. Nivaldo Cordeiro
Nome de usuário:NivaldoCordeiro
Última alteração em 02-15-2007 @ 02:27 pm
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Autor: * Dr.Nivaldo Cordeiro

Fui ver o primeiro dos filmes de Clint Eastwood sobre a os combates dos EUA contra o Japão na Segunda Guerra, A CONQUSITA DA HONRA. Confesso que eu espetava mais do filme, que ainda assim é excelente. Como sempre grande profissionalismo no elenco e direção firme do diretor, de quem sou fã assumido. Em foco a batalha pela tomada de Iwo Jima e a cena famosa da foto da bandeira sendo erguida. Sem dúvida aquele foi um momento épico, que precisa do relevo de um grande diretor. A trilha musical é linda, daquelas que se deve comprar para ouvir (enquanto escrevo estou a escutar a música-tema, de partir o coração). 

Não sei se a presença de Spielberg na produção influenciou Eastwood, mas a cena do desembarque copia muito do grande O RESGATE DO SOLDADO RYAN. A guerra evoluiu com o tempo. Os corajosos combates singulares eram a marca dos guerreiros tribais antes do surgimento dos impérios e os muitos filmes de cowboys vividos pelo Clint ator mostram precisamente isso. Roma sepultou definitivamente esse recurso como arma criando as legiões, fazendo com que a máquina coletiva de combate sobrepujasse os arroubos individuais de coragem. O filme THE GLATIATOR, de Ridley Scott, é um marco na história do cinema de guerra precisamente por sublinhar essa passagem da história, na cena inaugural. Os guerreiros das tribos germânicas fazem combates singulares corajosos, caóticos e inúteis contra o exército racional de Roma.

Na Segunda Guerra a maquinaria toma conta de tudo e a escala do morticínio torna-se imensa. Poderá haver algum heroísmo contra bombas atômicas? Máquinas contra máquinas, eis a nova guerra, matando civis de parte a parte em escala industrial. Mas eis que de novo é a infantaria que “ganha” a guerra e de novo o combate singular, a coragem individual, é que faz a diferença entre a vitória e a derrota e, especialmente, entre quem sobrevive e quem morre em combate. Clint Eastwood mostra isso em seu filme. É na ponta da baioneta e, no limite, na ponta da faca que o herói se firma e sobrevive. É muito diferente dar tiros de canhão à longa distância de fazer penetrar a lâmina na pele do inimigo, frente a frente. São os grandes momentos do filme. 

Mas a história resvala para a pieguice. O filme narra o drama de consciência de alguns soldados que foram escolhidos como garotos-propaganda para arrecadar fundos para financiar a guerra, supostamente aqueles que fincaram a bandeira no monte de Iwo Jima.  O filme intercala o drama desses soldados, especialmente aquele de origem índia – Ira Hayes, vivido pelo ator Adam Beach) –, com as cenas de batalha, enfatizando que heróis foram os que pereceram. O tom épico se perde, dando lugar à pieguice. A narrativa aqui bem poderia ser outra.

Meu pai me contava muitas histórias do cangaço do sertão, quando eu era criança, e me dizia que o valor de um homem de coragem se revela no combate de punhais. Clint parece que ouviu dele os relatos e os pôs na tela. Meu pai que foi sepultado com sete cicatrizes de punhais, um herói sobrevivente a muitos combates singulares.




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