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Postada em 03-05-2007. Acessado 534 vezes.
Título da Postagem:O Novo Absolutismo
Titular:Dr. Nivaldo Cordeiro
Nome de usuário:NivaldoCordeiro
Última alteração em 03-05-2007 @ 07:37 pm
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Autor: * Dr.Nivaldo Cordeiro

18/02/2007

 

Os tempos contemporâneos viram emergir uma nova forma de Absolutismo político. Por Absolutismo entendo toda forma de governo que se coloca acima e contra os indivíduos, privilegiando o coletivismo em detrimento da individualidade, tratando-os menos como súditos e mais como escravos, seja no exercício do poder, seja na esfera econômica. É a forma de governo que vigora desde que o Estado foi fundado no início dos tempos, com variantes mais ou menos autoritárias. É o que apropriadamente podemos chamar, em linguagem bíblica, de Reino desse Mundo. A gênese do novo Absolutismo está ligada a dois movimentos paralelos que se fundiram, formatando o novo Estado:

 

1- O ideal socialista, nascido da luta contra o Absolutismo monárquico e seu desdobrando à esquerda das idéias liberais. O Absolutismo monárquico difere do totalitarismo puro e simples por guardar um verniz legal e respeitar uma legitimidade. As idéias socialistas permitiram o avanço do tamanho do Estado, eliminando qualquer pudor na ação do confisco tributário;

 

2- A implantação do processo do sufrágio universal para a escolha dos governantes. Essa forma política, que nasceu do ideal democrático, revelou-se sobretudo pelas mãos de Antonio Gramsci e de seus discípulo (a exemplo de Norberto Bobbio), um mecanismo de negar a democracia na sua essência. É uma paródia de democracia, na medida em que esta é a expressão da liberdade de todos e de cada um. Os indivíduos-eleitores, transformados em clientes do Estado-provedor, passaram a forçosamente escolher seus representantes não entre aqueles que tomam a linha de frente na defesa da liberdade, mas entre aqueles que lhes prometem mais e mais benesses estatais, como se o Estado não lhes retirasse os recursos que eventualmente possam dar migalhas em troca dos votos.

 

Em paralelo, vimos o vivo o vertiginoso crescimento da burocracia estatal, em escala planetária. O projeto de estabelecimento de um governo mundial, gerido pela ONU e seus tentáculos, é um desdobramento lógicos desse terrível poder burocrático, que se revelou apátrida. Será talvez no mundo dos esportes o locus em que esse poder Absolutista mundial esteja em processo mais avançado de consolidação. Pude ler hoje no Caderno de Esportes da Folha de São Paulo: “FIFA pune ingerência política de governos”. Aqui a burocracia mundial já se firmou e tem inconteste poder sobre os Estado nacionais. O mesmo pode ser dito do Comitê Olímpico Mundial. É um mundo aterrorizante que se constrói a partir da frieza e distanciamento dessa burocracia das pessoas em carne-e-osso. Os burocratas são os verdadeiros assalariados do totalitarismo.

 

É importante lembrar que a liberdade está indissoluvelmente ligada à propriedade privada e esta, por usa vez, está sendo devorada pelos sistemas tributários que foram construídos ao longo de décadas de poder socialista, em todo o Ocidente. Hoje as “democracias” ocidentais mais das vezes absorvem algo da ordem de 50% do PIB pela via dos impostos, criando em cotnrapartida um conjunto de programas de transferência de rendas que subjuga os cidadãos sem que nominalmente as classes sociais sejam modificadas. Patrões continuam patrões, trabalhadores continuam trabalhadores. Mas os patrões dependem crescentemente de contratos de venda a governos, de benefícios fiscais, de favores e “ajudas” sem as quais seus negócios soçobrariam. E dependem de financiamentos, quase sempre originários de instituições coletivistas e geridas pela lógica coletivista, como os fundos de pensão dos EUA. Ou dos bancos estatais, pelas bandas do Brasil.

 

Já os trabalhadores, dependem da regulamentação, do seguro-desemprego, do sistema de Previdência Social, da saúde pública e da educação pública. E de empregos públicos. Toda a vida deixou de ser privada enquanto tal, passando a depender de algum despacho de um burocrata ou de alguma instituição pública. A liberdade já era, como diríamos em boa gíria brasileira. O Estado hipertrofiado a devorou.

 

Não podemos esquecer também a crescente população encarcerada, resultado do duplo movimento do abaixamento do nível moral em face da decaída dos valores tradicionais provocada pelos governos coletivistas e pela crescente regulamentação da vida prática, criminalisando banalidades. É a forma mais abjeta de escravidão ao Estado, pois aqui o indivíduo passa a ser tratado como coisa, um cliente 100%, sem nenhum espaço de liberdade, com sua sobrevivência a depender exclusivamente do ente coletivista. As taxas de encarceramento são crescentes em todo o Ocidente e o percentual de prisioneiros em relação á população produtiva está se aproximando de um perigoso desequilíbrio. A mais execrada hipocrisia e injustiça praticada pela (in)Justiça estatal é quando um cidadão é feito prisioneiro por supostamente sonegar impostos. Ora, tentar não pagar impostos é um ato soberano de liberdade individual. A resposta do novo Estado Absolutista é destruir completamente a liberdade do insolente individualista. Ganha um número, uma cela e um prontuário. Sua vida estará destruída a partir de então.

 

O antigo Absolutismo monárquico gerou um antídoto poderoso e duradouro, consolidando as idéias do liberalismo clássico que, na sua esteira, fundou a ciência econômica. Em contrapartida, tanto a ciência política como a sociologia desenvolveram ramos que passaram a justificar a moderna forma de coletivismo. Social-liberalismo é uma forma corrompida de liberalismo que justifica a exorbitância do Estado. A social-democracia propõe o coletivismo sem qualquer subterfúgio. O relativismo jurídico é também a contrapartida lógica de nova ordem política, dando aos esbirros do Estado o poder de arbitrar a vida de toda a gente.

 

O Brasil é um exemplo laboratorial de como esse processo se consolidou. Desde 1985, quando da passagem do poder dos militares aos civis, em breve arco de tempo pudemos ver sucessivas adequações do ordenamento jurídico à nova ordem mundial.  A começar pela Constituição promulgada em 1988. Desde então o direito de propriedade crescentemente tem virado letra morta, a arrecadação de impostos tem batido recordes mensais sucessivos, a multiplicação da burocracia tem sido exponencial nas três esferas de governo e nos três podres, a terceirização da força de trabalho tem ajudada na multiplicação do funcionalismo público. Em contrapartida, o Estado tem se encarregado de prover milhões de indivíduo sem trabalhar, na Previdência Social, no seguro-desemprego, na própria burocracia que mais das vezes nada tem para fazer de útil. E nas múltiplas Bolsas criadas para a transferência direta de renda.

 

A derrogação da propriedade privada e o esbulho tributarista são apenas nomes particulares para o que os dicionários chamam de roubo. Esse roubo alimenta outro dos grandes vícios da humanidade, a preguiça. Mais e mais indivíduos têm sido desobrigados de lutar pelo pão de cada dia, vivendo à custa de quem trabalha. Uma grande e evidente injustiça.

 

O sistema é infernal. Políticos só poderão agora serem eleitos se prometerem, em simultâneo, a manutenção do status quo e a sua ampliação para os excluídos. A democracia tornou-se uma caricatura de si mesma. Como o Estado não tem capacidade de gerar recursos ex nihilo, a necessidade permanente de haver excluídos é uma premissa, são os que pagam a conta. Torna a coisa confusa que núcleos familiares e empresariais podem ser excluídos em uma ponta e incluídos em outra, gerando uma solidariedade geral á nova ordem Absolutista. É simplesmente apavorante imaginar o desdobramento ao paroxismo dessa loucura coletiva, vivida em escala mundial.

 

Meu entendimento é que em breve teremos tempos revolucionários, como vimos nos séculos XVIII e XIX. A economia poderá entrar em colapso, seja pela má alocação de recursos, seja pela baixa taxa de investimentos. O clube dos incluídos sufocará crescentemente o clube os excluídos. O parasita poderá matar o hospedeiro. E o eterno anseio da liberdade pode de novo pôr em marcha os indivíduos notáveis, que poderão tomar a liderança política e intelectual, defendendo o bem mais precioso de todos.

 

Nivaldo Cordeiro

www.nivaldocordeiro.org




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