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Postada em 05-23-2006. Acessado 411 vezes.
Título da Postagem:Armadilha iraquiana
Titular:Manuel Cambeses Júnior
Nome de usuário:Cambeses
Última alteração em 05-23-2006 @ 08:00 pm
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Autor: * Cel Av RR Manuel Cambeses Júnior

A partir de 11 de setembro de 2001, o presidente George W. Bush declarou, enfaticamente, guerra total ao terrorismo. Com essa açodada iniciativa, acabou por açular a ira de grupos radicais islâmicos e, agora, está criada uma situação imprevisível e cada vez mais difícil de ser controlada.

O presidente norte-americano quis combater o terrorismo em frentes convencionais, alardeando aos quatro cantos do mundo a extraordinária modernidade e a eficácia de suas armas. Certamente, esperava guerrear com datas pré-fixadas para o início e fim nos conflitos em que se engajou. Assim, resolveu invadir o Afeganistão e, a seguir, o Iraque. Ou seja, dois modelos e dois exemplos que iriam se irradiar para todo o Oriente Médio e, conseqüentemente, a todo o mundo islâmico.

Porém, diante do que vem ocorrendo sistematicamente no Iraque, depreende-se que, ou o sátrapa Saddam Hussein havia previsto, em seu plano de resistência, aguardar a invasão das tropas da coalizão anglo-americana para, a seguir, fazer uso do terrorismo - evitando engajar-se no combate direto, devido à assimetria de forças -, ou os próprios estadunidenses, ingenuamente, foram atraídos para um local onde o terrorismo islâmico se sente mais seguro, sem ordem de batalha, trincheiras, linhas de frente e exércitos. Ademais, sem previsão de tempo de duração na contenda e etapas a serem alcançadas.

Com a destruição das Torres Gêmeas em Nova York e o ataque ao Pentágono, em Washington, o terrorismo internacional islâmico conseguiu tirar as Forças Armadas estadunidenses e a própria Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN -, de sua prudente delimitação de zonas de ação, do estabelecimento de bloqueios contra países sob controle militar externo, como ocorreu no Iraque depois da primeira edição da Guerra do Golfo, em 1991. O mais curioso, é que as Nações Unidas secundavam de certa maneira este comportamento com a aplicação de restrições econômicas e o envio de inspetores internacionais que, certamente, o regime do partido iraquiano BAAH  impediu em um determinado momento até que a crise final os obrigou a aceitá-los novamente.

Inexplicavelmente, George Bush e sua equipe de governo puseram a todos no mesmo balaio: Al-Qaeda, talibãs afegãos, Iraque, terrorismo islâmico, armas nucleares e bioquímicas, Bin Laden, o mulá Omar e Saddam Hussein. E partiram, com todo o seu imenso manancial bélico, para a contenda, sem analisar, em profundidade, as implicações que certamente adviriam ao engajarem-se nesta impensada aventura.

Os terroristas que participaram dos atentados em Nova York e Washington, acarretando milhares de mortes, queriam simplesmente despertar o gigante do Norte e obtiveram a resposta desejada. O colosso, como era esperado, reagiu enfurecido e ávido em  dar uma pronta-resposta à agressão perpetrada em seu território. Desde então, Bush tem cavalgado sobre uma onda de patriotismo ferido para deslanchar os seus planos de guerra. Existe consenso entre analistas e estrategistas militares internacionais de que o Pentágono já tinha pronto um plano bem traçado, com precisão matemática, para atacar o Iraque, faltando apenas conseguir o motivo que servisse de elemento detonador para dar partida nesta audaciosa operação militar.

Seria, no entender dos “falcões” republicanos, uma guerra taticamente infalível e com pequenos riscos para as tropas estadunidenses. Não faltou, porém, quem avisasse, nos quatro cantos do mundo, que a reação imediata à criminosa e odienta provocação islâmica, não seria a mais conveniente e adequada, naquele momento.

Aguardemos o que ainda irá acontecer, fruto dessa malfadada e impensada aventura dos norte-americanos.


Autor:   Cel Av RR Manuel Cambeses Júnior

·         Coronel-Aviador da Reserva da Força Aérea

·       Conferencista Especial e membro-correspondente do Centro de Estudos Estratégicos da Escola Superior de Guerra.


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