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Postada em 04-14-2007. Acessado 2083 vezes.
Título da Postagem:Tributo a um herói
Titular:José Ananias Duarte Frota
Nome de usuário:CelDuarteFrota
Última alteração em 04-14-2007 @ 10:30 am
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Tributo a um herói

 

VIDA E MORTE DE JOÃO NOGUEIRA JUCÁ

 

 

            Nas investigações procedidas, conforme ordem do Sr. Cel BM Fernando César Sales Furlani, Comandante do Corpo de Bombeiros, sobre a vida e a morte do estudante JOÃO NOGUEIRA JUCÁ, pelo fato ocorrido no incêndio do dia 04 de agosto de 1959, nas dependências da Maternidade Dr. César Cals, na Praça da Lagoinha, em Fortaleza, em que resultaram em inúmeras pessoas feridas e 04(quatro) mortas, e no destaque principal o heroísmo do jovem aluno do então Colégio São João, chegou-se ao seguinte resultado histórico:

            João Nogueira Jucá, nascido em Fortaleza, no dia 24 de novembro de 1941 na Casa de Saúde São Raimundo, filho do Desembargador José Jucá Filho e da Professora Maria Nogueira de Menezes Jucá.

            Seus primeiros 5(cinco) anos de vida, foram passados na antiga cidade de São Francisco, hoje Itapajé, no nosso Estado, onde seu pai exercia o cargo de Juiz Municipal e sua mãe o de Professora do Grupo Escolar. Sendo seu pai promovido a outra entrância profissional, teve que morar na cidade de Lavras da Mangabeira, no ano de 1946. Alfabetizado por sua mãe, iniciou o Curso primário na mesma cidade, onde ficou até 1948, quando veio definitivamente para Fortaleza.

            Na Capital, continuou os estudos, freqüentando sucessivamente, os Colégios Fênix Caxeiral e 7 de Setembro. O curso ginasial foi feito no Colégio Cearense, iniciando o científico no Colégio São João.

            Segundo depoimentos de seus familiares e amigos, João, na adolescência, tinha um complexo de inferioridade por ser excessivamente magro e alto desproporcionalmente, atingindo a altura de 1,83m. A custa de constantes e religiosos exercícios, prática de esporte, conseguiu quase que a perfeição corporal, tornando-se um atleta, com uma compleição física avantajada, de causar inveja e afastar de uma vez por todas com o complexo que tanto atormentava os jovens da época.

            Moço inteligente, aspecto superior e fidalguesco, tinha uma personalidade altiva e impressionante. Sua vocação, como sempre repetia quase que obsessivamente, era de ser Oficial da Marinha do Brasil. E para esse mister, não parava de se preparar com afinco.

            Como todos os Grandes Enviados, João também veio ao mundo com uma missão. Para tanto, na dimensão de seus sofrimentos, pois seu destino já havia sido traçado, Deus, na sua sublimidade, já o havia preparado física e moralmente, dando-lhe recursos necessários para suportar as provações que teria que passar.

            No fim do mês de julho de 1959, poucos dias antes de seu passamento, de volta das férias, num sítio em Messejana, de sua família, seu pai, homem austero, perguntou-lhe qual sua reação ao ver um empregado que havia sido soterrado dentro de uma cacimba, morrendo sem o pronto socorro, muito mais por sua falta: e ele respondeu, com voz tronitoante: "Pai, estou com raiva de mim mesmo porque não cheguei na hora, senão aquele homem não teria morrido!"

            Exímio nadador, tinha por hábito duas vezes por semana, nadar da praia de Jacarecanga até o Cais do Porto, dizendo que era para testar sua forma física, ou, numa eventualidade qualquer, que fosse necessário empregar sua destreza como nadador acostumado às grandes refregas.

            A Divindade, como pródiga que é, forçou o velho Desembargador José Jucá Filho, ir morar com seus 03(três) filhos, José Jucá Neto, Jovina Jucá e João, o mais moço, nas proximidades da Maternidade Dr. César Cals, ou mais precisamente, na Avenida do Imperador. E essa distância, geograficamente curta, fez com que, no dia 04 de agosto de 1959, o Jovem estudante, João Nogueira Jucá passasse pôr ali, naquela tarde, quando os relógios dos passantes registravam 14:20hs. Um ribombar pavoroso de repente eclodiu, assustando os freqüentadores da Praça da Lagoinha e pondo-os para longe de onde vinha a explosão. Num instante labaredas de fogo riscavam o ar já espalhando o terror nos assistentes, e ameaçando os internos da maternidade, que já em pânico procuravam salvar suas vidas.

            João, neste momento, lançou-se decidido dentro do hospital, sentindo que alguma coisa precisava ser feita urgentemente. Não se importou com as sucessivas explosões e as chamas que lhe ardiam no corpo, pois, segundo ele, não sentiu nem viu fogo algum. Não soube quantos recém-nascidos salvou apenas que foram muitos. Não contou quantas parturientes salvou, apenas lamenta que muitas ficaram feridas e outras morreram, Nem ao menos ouviu os gritos histéricos de advertência de que sua vida estava em perigo, se ouviu, contou ele para os seus irmãos e os seus pais, que desobedeceu. O que ele ouviu, já com o corpo em chamas, foi uma mulher gritar para ele de joelhos: "Por favor, meu filhinho ficou lá, salve-o pelo Amor de Deus!"E lançou-se às chamas novamente, trazendo o recém-nascido nos braços. Já desfalecido, mas insistente na luta, uma enfermeira, correu aos seus braços e impediu-o de que entrasse novamente, dizendo: "meu filho, você já retirou todo mundo das enfermarias, não tem mais ninguém", e ele sem parar, já deformado pelas queimaduras correu olhando para a moça dizendo:” ainda tem na indigência", voltou em seguida, trazendo mais outra pessoa nos braços carcomidos pelo fogo.

            Quando não mais existia ninguém dentro das enfermarias, desobedecendo sempre as advertências, até da Guarnição do Corpo de Bombeiros, João caiu, sendo levado às pressas para a Assistência Municipal. Seu estado, considerado gravíssimo constatado que fora consumido pelo fogo, 80%(oitenta por cento) do seu corpo, ficando, irreconhecível, portanto, sua pele, alva e fina, havia ficado totalmente preta. Na agonia de todo sofrimento, João às vezes, perdia a lucidez e proferia coisas dignas de serem registradas: "sou Oficial da Marinha! Vou salvá-los do naufrágio! Quando recuperava a consciência dizia, ao ser interrogado por seu pai, quando perguntava se não se arrependia do que tinha feito: "Não, pai, faria de novo, e me orgulho do que fiz! Acho que ainda fiz pouco. Já às portas da morte receberá a visita do então Governador Dr. Parsifal Barroso. Este, como homem humilde que era, estando João com todo corpo envolto em ataduras e supurando a pele tostada, falou com voz pausada e mansa: "João, você me conhece?" e ele respondeu: "quem não conhece o senhor, Dr. Parsifal, obrigado pela visita! Parsifal, então, comovido, retirou de seu braço a atadura úmida e beijou-lhe a mão. Em seguida, com os olhos em lágrimas, disse veementemente: "João o Povo do Ceará lhe agradece, venho em nome dele, e você não está só, caro amigo!"

            Em suave resignação, João foi aos poucos perdendo os sentidos e veio a falecer no dia 11 de agosto de 1959, sendo reverenciado pôr todos os Cearenses, tendo sempre ao seu lado seus pais e irmãos. Conscientes, eles dizem que João não morreu, tornou-se um herói e um mártir.

 

José Erivan do Nascimento - 2º TEN QOA BM

 

ESTADO DO CEARÁ

CORPO DE BOMBEIROS MILITAR

  

Dia do Estudante:  11 de Agosto

 

 

            Homenagem aos Heróis do Incêndio da Casa de Saúde César Cals - 04 de agosto de 1959.

 

 

            MENSAGEM DO COMANDANTE DO CORPO DE BOMBEIROS - CEL BM FERNANDO CÉSAR SALES FURLANI.

 

            Na tarde de 04 de agosto de 1959, Fortaleza, a "Loura desposada do Sol, dormitava à sombra dos Palmares", sentindo-se tranqüila, pois com 05(cinco) boas viaturas adquiridas há pouco, e mais 08(oito) regulares, o Corpo de Bombeiros velava por sua segurança. A Casa de Saúde César Cals, desenvolvia seus meritórios afazeres de rotina, quando irrompeu o incêndio.

            Mais de uma centena de doentes, parturientes e criancinhas, com a capacidade de locomoção prejudicada, foram postos em risco imediato de vida. Foi dado o alarme. Os Bombeiros foram chamados. Foi dada a ordem de evacuação. Muitos voluntários ajudaram, a maioria estudantes. O incêndio foi combatido com eficiência por homens bem equipados. Mas ao final foi a desolação. 04(Quatro) mortos, mais de 50(cinquenta) feridos, 20(vinte) hospitalizados com graves lesões, inclusive 02(dois) Bombeiros. Destruição de parte do prédio e material do hospital, com grandes prejuízos.

            A Cidade chorou!

            Porém em meio às lágrimas de dor e à desolação da destruição, a alma da população levantou-se orgulhosa e sobranceira. Ficou satisfeita com seus filhos bravos, com sua juventude impetuosa, generosa e heróica.

            A cidade alegrou-se!

            Todos se curvaram junto ao leito de João Nogueira Jucá, estudante de 18(dezoito) anos, gravemente ferido nos exaustivos trabalhos de evacuação das vítimas do incêndio. O estudante com símbolo da Juventude Cearense, encarnou o ideal grandioso de solidariedade humana. Passava pela Praça da Lagoinha, sentiu a aflição dos enfermos, e com muitos companheiros, trabalhou com afinco em arrancá-los das garras pavorosas do fogo. O Governador do Estado visitou-o no leito de morte, beijou-lhe a mão e disse: "João, o Povo do Ceará lhe agradece, venho em nome dele, e você não está só, caro amigo!"

            A cidade emocionou-se de gratidão.

            Que esta emoção não seja apenas contemplativa. Outros incêndios podem ocorrer a qualquer momento. Preparemo-nos: Cumpramos as medidas preventivas. Sejamos todos bombeiros voluntários. Equipemos o Corpo de Bombeiros, ou precisaremos muitos heróis e choraremos muitas vítimas.

            Mas João Nogueira Jucá, não morreu no dia do estudante, 11 de agosto. Entrou na imortalidade como um símbolo do estudante Cearense. Foi imortalizado no bronze e foi imortalizado nos nossos corações. O Corpo de Bombeiros que o viu incorporar-se voluntariamente à Guarnição de combate ao Incêndio do hospital, faz questão de contá-lo em suas fileiras.

            João você é Bombeiro; você é a letra viva do nosso hino: "Voluntário da morte na paz, é na guerra indomável leão". Você é uma ponte firme a unir o Estudante ao bombeiro. Que o seu exemplo fogoso de abnegação, incendeie o ideal do estudante, que o Bombeiro só fez atiçar.


Meados de janeiro de 1985

 

O Corpo de Bombeiros, um grande comando da Polícia Militar do Ceará, denominado legalmente como  Comando do corpo de bombeiros (CCB) é o responsável pela prevenção e combate a incêndio; salvamento aquático e terrestre. Dispunha de tres quartéis na capital. Um deles o 1 grupamento de incêndio localizado na rua oto de Alencar 215, Jacarecanga ao lado do colégio Liceu do Ceará era o maior Grupamento com quatro seções; a 1 seção de combate a incêndio ; a 2 seção de combate a incêndio ; a seção de comando e serviços e a seção de busca e salvamento. A seção de Busca e salvamento (SBS) é até os dias de hoje a  responsavel? Por atividades de risco!

- Veja, Gonçalves, na escala da SBS , vai ter um mergulhador de serviço!

-Eu acho até bom , mas se temos apenas dois com curso?

-Alencar, precisamos formar mais homens! - disse o 3 sargento (Sgt) Francisco das Chagas Fernandes Gonçalves ao seu amigo sgt Antônio Luciano Silva Alencar.

- É Gonçalves o corpo esta crescendo e vamos já chegar aos mil homens.

Francisco das Chagas Fernandes Gonçalves, o sargento Gonçalves é um Bombeiro que tem por habilidade dentre outras o mergulho em águas profundas e sombrias. Formado no Rio de Janeiro em 1982 na Escola      da Marinha do Brasil , em Mocanguê, Rio de Janeiro ; já resgatou mais de 210 cadáveres.

 

- Alencar vamos conversar com o tenente Duarte Frota e montar um curso nosso, já temos condições e o Lucivaldo chegou do Rio.

 

O Sargento Antônio Luciano Silva Alencar especialista em salvamento terrestre em alturas , estava ansioso para uma nova missão. E no momento em que os dois amigos estavam deslocando-se para o comando da SBS,  a campainha de alerta bradou tres vezes seguidas! Um brado; 1 socorro de incêndio; Dois brados, 2 socorro de incêndio; tres brados;  a guarnição pau para toda obra, a guarnição de salvamento.

- Gonçalves, vai só pois vou correr para esse ,TAZ! Naquela época utilizava-se o código ‘T’  nas comunicações por rádio e verbalmente. TAZ significa ; ocorrência.

Imediatamente o sgt Gonçalves observava a D20, cabine dupla seguir em direção ignorada com uma guarnição composta do cabo Brandão, soldados Brito e Pereira e o motorista sd Stan.

- Salvamento COBOM( Centro de operações do Corpo de Bombeiros), câmbio!- Falava o sgt Alencar.

- COBOM, copiando, câmbio.

- O endereço é Costa Barros 342 ou 343?

- 342, câmbio.

Pessoal o elevador está parado entre o 5 e 6 pavimento e tem uma senhora grávida, portanto o Brito fica no 5 andar e conversa com as pessoas presas mantendo a calma e evitando o pânico, principalmente a gestante. O Pereira sobe a casa de maquinas e libera com calma o freio do elevador e eu fico orientando até o elevador ficar na posição. Na chegada desligo a força elétrica do prédio para ninguém ser esmagado entre um andar e outro se a energia voltar. - disse o sgt Alencar.

 

Ao chegar n 5 andar o sd Brito descobriu que eram dois homens, um a senhora grávida e uma criança que chorava muito. Conversou com a criança e  a gestante deixando-as calmas , enquanto o sd Pereira equilibrava o elevador ao comando do Sgt Alencar. Após 15minutos as vítimas estavam salvas e liberadas !

O prédio estava ás escuras e a equipe do sgt Alencar procedeu como manda as normas atinentes ao resgate de vítimas presas em elevadores.

 

Ao deixarem o edifício , outra comunicação!

- COBOM, Salvamento câmbio!

- Prossiga COBOM , salvamento na escuta, câmbio!

- Sargento outro “TAZ”, é um cachorro doido nas imediações da rua da Paz 421, Volta da Jurema , próximo a igreja Nossa senhora da Saúde!

- Salvamento deslocando-se , câmbio!

 

- Brito,  a focinheira , a rede e o laço preparar ao chegar no local. - determinou o sgt Alencar.

 

Ao chegar na rua da Paz, a rua estava vazia e um cachorro vira-lata estava na proximidades da garagem do número 421 , babando muito.

- Brito , pela esquerda, Pereira pela direita, eu vou pelo meio e o Stan fica a viatura impedindo que ele corra. - Comandou sgt Alencar.

O infeliz do animal estava em péssimo estado. Babava muito e os sintomas da raiva estavam avançados. A guarnição estava mais uma vez em risco de vida. Mas , aquela equipe estava acostumada a riscos sem descuidar-se da segurança. Principalmente o Sgt Alencar que tinha como seu lema o mesmos dos tres mosqueteiros; Um por todos e todos por um.

Avançaram e o animal recuou para a garagem que estava aberta. Ao sentir-se encurralado o cão saltou sobre o sd pereira e incontinente o sd Brito lançou a rede em pleno ar e o animal foi puxado no deslocamento sem atingir seu companheiro. Aplicaram a focinheira e a coleira amarrando-o na traseira da viatura. Brito fez questão de ir junto  com o animal e seus olhos quase lacrimejando de pena. Ele sabia que o cão seria indubitavelmente sacrificado.  Escrever sobra a raiva e orientar quem tem cao e gato a vacina-los.

Deixaram o animal na ...........

 

- Bem , é uma hora e trinta , vamos pegar a Xepa - falou o sd Stan, motorista da guarnição.

- Vamos - concordou o Sgt Alencar!

Ao passarem pela escola de Aprendizes de Marinheiros , o COBOM, chamou.

- COBOM , salvamento , Câmbio!

- Na escuta, manda.

- Taz, na Caucaia , um jumento caiu numa cacimba e não conseguem resgata-lo.

- Salvamento deslocando-se câmbio!

- Stan pega logo a Francisco Sá , Barra e Caucaia.

E a viatura mais uma vez correu pelas vias de Fortaleza.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




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