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Postada em 04-18-2007. Acessado 445 vezes.
Título da Postagem:O caos iraquiano e a campanha para a presidência nos EUA
Titular:Manuel Cambeses Júnior
Nome de usuário:Cambeses
Última alteração em 04-18-2007 @ 03:00 pm
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Autor: * Cel Av RR Manuel Cambeses Júnior

Recentemente, em 23 de março próximo passado, deu a volta ao mundo uma imagem que, sem ser de sangue e destruição, como as que habitualmente costumam chegar do Iraque, refletiu claramente a caótica situação do país mesopotâmico, que está completando quatro anos de ocupação militar pelas tropas da coalizão lideradas pelos Estados Unidos. As câmaras captaram o exato  momento em que o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, e o primeiro-ministro iraquiano, Nuri Kamal al-Maliki, foram estremecidos  pelo estrondo de uma explosão que teve lugar próximo do salão onde ocorria uma entrevista, que, conseqüentemente, foi imediatamente abortada.

          Felizmente, ninguém sofreu ferimentos. Entretanto a explosão fez sentir aos presentes a realidade de uma guerra que, na opinião da maioria dos cidadãos iraquianos (segundo uma enquete patrocinada pela BBC, pela cadeia ABC e pelo diário USA Today), levou o país a uma situação pior da que vivia sob o domínio do sátrapa Saddam Hussein.

          Ao cruzar quatro anos da invasão, nada parece indicar que os Estados Unidos estejam a caminho de sair do caos gerado pela malfadada aventura empreendida pelo desastrado governo de George Bush, em março de 2003, para livrar o mundo do perigo das armas de destruição em massa que, segundo ele, existiam nos arsenais bélicos de Hussein.

          O balanço do quarto aniversário da guerra é desolador: mais de 65 mil civis iraquianos tombados, segundo a organização Iraq Body Count (cifra que outras organizações consideram conservadora); quatro milhões de civis refugiados; 3.320 mortos e 24.042 feridos nas filas estadunidenses; 257 mortos de outros países, a maioria britânicos e 351 bilhões de dólares em gastos até agora, sem contar os 181 milhões solicitados por Bush para sustentar, até 2008, as operações e o aumento de tropas, com o objetivo de tentar responder à situação extremamente crítica. A guerra sectária entre sunitas e xiitas recrudesceu assustadoramente e não se vislumbra perspectiva de amainar, preocupando sobremaneira a superpotência invasora.

          Tem tido tremendo impacto negativo para George Bush e seu partido, inclusive por setores das lides republicanas, como a Associação Nacional dos Evangélicos, que agrupa mais de 40 mil igrejas, as torturas sistematicamente perpetradas contra prisioneiros nas prisões de Guantánamo e Abu Ghraib, incompatíveis, segundo eles, com os princípios cristãos.

          Desde o retumbante triunfo democrata, em novembro de 2006, o Congresso americano está no centro do debate sobre o futuro da guerra e o eventual retiro das tropas estadunidenses. Porém, o Iraque tem sido o grande divisor de águas entre os democratas, preocupados com as eleições presidenciais de 2008. O pré-candidato Barak Obama recorda todos os dias que se opôs à guerra desde o princípio, diferentemente de sua rival, Hillary Clinton, que a apoiou com veemência no Senado.

          Quatro anos depois, o resultado da invasão é totalmente desalentador. E não somente no Iraque. O objetivo estratégico de acabar com a Al Qaeda e derrotar o terrorismo está longe de se cumprir. Faz-se mister destacar que, lamentavelmente, Bagdá se converteu em pólo centralizador do adestramento de “jihadistas” de todas as tendências. No Afeganistão, os talibãs regressaram com força total, concomitantemente com a expansão dos cultivos ilícitos, geradores de substâncias estupefacientes, e, no mundo muçulmano, de um modo geral, cresceu barbaramente o ódio contra os norte-americanos.

          Não deve surpreender aos analistas políticos o fato de que o Iraque se tenha convertido no tema central da campanha presidencial nos Estados Unidos. As pesquisas de opinião junto à sociedade estadunidense são bastante claras e não deixam margem a dúvidas: há quatro anos, 72% da população apoiava a guerra desencadeada pelo presidente Bush e, na atualidade, apenas 35% está de acordo.

 

* O autor é coronel-aviador da reserva da Força Aérea; conferencista especial da Escola Superior de Guerra, membro do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil e vice-diretor do INCAER.




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