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Postada em 05-23-2006. Acessado 483 vezes.
Título da Postagem:Os EUA e o Eixo do Mal
Titular:Manuel Cambeses Júnior
Nome de usuário:Cambeses
Última alteração em 05-23-2006 @ 09:06 pm
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Autor: * Cel Av RR Manuel Cambeses Júnior

O presidente estadunidense George W. Bush, em seu primeiro “Discurso da União”, cunhou a lapidar frase “Eixo do Mal”, para referir-se aos três Estados que, naquele momento, simbolizavam os grandes adversários dos Estados Unidos: Irã, Iraque e Coréia do Norte. Os mesmos, segundo Bush, constituem uma categoria superior dentro do que convencionou-se chamar de “Estados vilões”. Aí também se situariam Cuba e Líbia, entre outros. Do ponto de vista semântico, a palavra “eixo” não parece ser a mais adequada para referir-se a três Estados que pouco têm de comum entre si e que de modo algum constituem uma aliança. Não obstante, ao definir o inimigo, o presidente norte-americano pôs em movimento uma dinâmica política cujas implicações, cabalmente entrelaçadas, evidenciam-se as seguintes:

Em primeiro lugar, o abandono ao multilateralismo, com substancial perda de influência da política de alianças e das regras de conduta consensuadas no concerto das nações. A partir dos atentados perpetrados por terroristas talibãs do grupo al-Qaeda, às cidades de Nova York e Washington, em setembro de 2001, o presidente estadunidense tomou um caminho diemetralmente oposto ao traçado por seu pai, nos tempos da tão decantada Nova Ordem Mundial. Ou seja, o exercício efetivo de uma liderança norte-americana, sustentada por uma malha de alianças cuidadosamente costurada com os tradicionais aliados. Ao definir os novos adversários, sem consultar o Conselho de Segurança da ONU, e independentemente dos custos que isto possa representar, Bush demonstra ter retomado, enfaticamente, o caminho do unilateralismo.

Em segundo lugar, a erosão do consenso doméstico ditado pela opinião pública estadunidense, em política externa, e, junto a ela, o surgimento de uma “presidência imperial”. Isto decorre do fato de existirem períodos em que o povo norte-americano percebe que está sendo submetido a ameaças forâneas que exigem, como corolário, a existência de presidentes fortes, carismáticos e atuantes no campo externo. Entretanto, isto requer a criação de políticas com atitudes de convergência em nível de Congresso. Ao definir-se uma opção tão taxativa como a representada pelo “eixo do mal”, corta-se a possibilidade de uma política consensual o que, fatalmente, conduz ao surgimento de uma presidência não afeita ao diálogo e à conciliação.

Em terceiro lugar, evidencia-se um acentuado fortalecimento da ação militar com um debilitamento proporcional da opção diplomática, no campo das relações internacionais. O rápido e avassalador triunfo obtido pelas forças militares norte-americanas no Iraque, poderá tornar supérfluo, aos olhos do cidadão comum americano, o trabalho da diplomacia. Ao final de contas, se os Estados Unidos é um país suficientemente poderoso para prevalecer, no cenário mundial, como potência hegemônica, sem a ajuda de terceiros, para que então preocupar-se em costurar alianças? Como bem dizia, humoristicamente, Winston Churchill: “Ao trabalhar com aliados, as vezes ocorre que eles desenvolvem suas próprias opiniões”.

Estamos diante de um instigante e curioso cenário. Oxalá as perspectivas sejam promissoras e a superpotência possa dar ao mundo um exemplo de equilíbrio, moderação e maturidade política. Assim o desejamos, para o bem da Humanidade.


Autor:  Cel Av R/R Manuel Cambeses Júnior Coronel-Aviador R/R 

Conferencista Especial da Escola Superior de Guerra  para  Assuntos Internacionais

cambeses01@globo.com 


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