As opiniões expressas neste artigo e seus comentários não representam a opinião do Portal Militar, das Forças Armadas e Auxiliares, ou de qualquer
outro órgão governamental, mas tão somente a opinião do usuário. Os comentários são moderados pelo usuário.
 
Denuncie | Colaboradores: Todos | Mais novos ] - [ Textos: Novas | Últimas ]

O autor decide se visitantes podem comentar.
 
Postada em 09-30-2007. Acessado 744 vezes.
Título da Postagem:América Latina - EUA: os sete capítulos de uma conturbada relação
Titular:Manuel Cambeses Júnior
Nome de usuário:Cambeses
Última alteração em 09-30-2007 @ 07:51 pm
[ Avise alguém sobre este texto ]
Curriculum 
Vitae

 

 

 

Autor: * Cel Av RR Manuel Cambeses Júnior

 

 

AMÉRICA LATINA- EUA: OS SETE CAPÍTULOS DE UMA CONTURBADA RELAÇÃO

 * Manuel Cambeses Júnior 

 

A História da relação entre os Estados Unidos e a América Latina possui sete capítulos bem definidos. O primeiro deles é a definição da esfera de influência em 1822, com a promulgação da Doutrina Monroe. Esta explicitava claramente que as nações hispano-americanas que emergiam à independência constituíam território vedado aos apetites imperiais europeus e, por extensão, passava a constituir espaço natural de influência norte-americana.

O segundo capítulo é o do Destino Manifesto. A guerra de 1848 contra o México, no tempo do presidente James K. Polk, objetivou anexar territórios mexicanos considerados como indispensáveis para a realização de seu destino como nação. A posse da Califórnia e Novo México consubstanciam, efetivamente, essa etapa.

O terceiro, é o do Império. Este toma corpo a partir de 1898 com a guerra contra a Espanha e a conquista de seus territórios coloniais remanescentes. Em adição à Filipinas, isto incluía Cuba e Porto Rico. O novo império estadunidense passou então a dispor de dois cenários. Um no Pacífico e outro na Bacia do Caribe. Em 1903, Washington propiciou a secessão do Panamá da Colômbia, para incorporá-lo como Protetorado. No curso das três décadas seguintes, os Estados Unidos invadiram trinta e quatro vezes nações da Bacia do Caribe para impor a elas a sua vontade. Isso incluiu a ocupação dos seguintes países: México, Honduras, Nicarágua, Guatemala, Costa Rica, Haiti, Cuba, Panamá e República Dominicana. Se bem que a Venezuela - país de importância estratégica devido à riqueza petrolífera -, não chegou a ser invadida, caiu dentro desse espaço geopolítico em virtude do chamado Corolário Roosevelt à Doutrina Monroe, que transformou o Mar do Caribe num Mare Nostrum das finanças e da esquadra americana, dando ordenamento jurídico às futuras intervenções. Mais ao Sul, os tentáculos de Washington enfrentaram a forte presença britânica em matéria comercial, financeira e de infra-estrutura, determinando limites à sua penetração imperial.

O quarto capítulo corresponde à Política da Boa Vizinhança, iniciada em 1933 com a chegada ao poder de Franklin Delano Roosevelt. De acordo com a mesma, Washington retira suas forças de ocupação do Caribe, derroga uma série de tratados que lhe concediam privilégios desmesurados e define uma política de não intervenção na América Latina. Esta fase é o resultado de três significativos fatores: a exigência de introspecção derivada de sua depressão econômica, a constatação dos limites de seu poder militar após uma longa e cansativa campanha contra Sandino, na Nicarágua, e o reconhecimento do forte movimento nacionalista latino-americano, simbolizado pela Revolução Mexicana.

O quinto capítulo é o da Guerra Fria. Terminada a Segunda Guerra Mundial e conformado um mundo bipolar, a América Latina se transformou em cenário primacial para a imposição de suas políticas. Novamente se definiu uma relação do tipo imperial, que passou a abarcar toda a região. A criação da CIA, em 1947, se adequou bem a esse propósito. Até a invasão do Panamá, em 1989, e, salvo pelo breve parênteses da administração Jimmy Carter, quase todos os países da América Latina experimentaram, em algum momento, a mão implacável do Governo estadunidense.

O sexto, é o do Consenso de Washington. Terminada a Guerra Fria, os Estados Unidos colocaram em segundo plano o seu domínio imperial que passa a ser substituído pelo exercício da hegemonia econômica. A partir daí, a região passou a ser o laboratório ideal para encetar as novas políticas. Com a chegada de George W Bush ao poder, e após os atentados de 11 de setembro, levados a efeito em Washington e Nova York, adentra-se no sétimo e último capítulo. Os falcões estadunidenses não se conformando com a simples adoção da hegemonia econômica passam a exigir o retorno de um poder coercitivo imperial assumido às escâncaras. Trata-se do denominado “imperialismo democrático”.

A recente invasão perpetrada ao Iraque, pelas tropas da coalizão anglo-estadunidense, ao arrepio do Conselho de Segurança das Nações Unidas, é um exemplo inconteste dessa afirmativa.

 

* O autor é Coronel-Aviador da Reserva da Força Aérea; Conferencista Especial da Escola Superior de Guerra; Membro Titular do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil e Vice-Diretor do INCAER.




Bookmark and Share
Outas colaborações de Cambeses
Veja Mais
Perfil de Cambeses
Perfil do Usuário
Junte-se a nós!
Junte-se a nós!