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Postada em 10-26-2007. Acessado 726 vezes.
Título da Postagem:A Implementação do Socialismo Bolivariano
Titular:Manuel Cambeses Júnior
Nome de usuário:Cambeses
Última alteração em 10-26-2007 @ 12:05 pm
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Autor: * Cel Av RR Manuel Cambeses Júnior

   

 

          O presidente venezuelano Hugo Chávez Frias tem um estilo muito próprio e, por si só, contraditório que, em verdade, se torna eficaz para desconcertar e neutralizar seus adversários políticos. Em seus imensos e desordenados discursos profere ameaças, recita e lê parágrafos de livros, faz ambiciosas promessas e, não raro, se põe a cantar sem nenhum recato e parcimônia.

          Os ouvintes, via de regra, sentem-se incomodados, arrastados por um caudal de palavras e terminam com a impressão de que tudo não passa de um tremendo blefe, com a única intenção de engabelar o público. Hugo Chávez tem agredido verbalmente a todo o mundo, desde George W. Bush ao Papa, desde o secretário-geral da OEA aos presidentes do México e do Peru, sem omitir, evidentemente, a Igreja venezuelana e os opositores que deseja neutralizar. Porém, debaixo de toda essa retórica existe algo realmente tenebroso e frio, ou seja, um projeto concreto que vai pondo em execução, sem açodamento, mas sem intermitências. Chávez já conseguiu implantar uma ditadura de fato, completa e sem fissuras, e avança agora para uma forma de socialismo que irá cerrando, gradualmente, os poucos espaços de liberdade que restam aos venezuelanos.

          A nova Constituição que está sendo proposta pelo presidente inclui, desde logo, a reeleição indefinida de seu cargo, modelo legal que somente foi utilizado pelos déspotas mais inclementes da América Latina. Porém, além dessa disposição, previsível quando se trata de uma pessoa tão apegada às formas caudilhistas de governo, o novo texto constitucional inclui algumas pérolas que não se pode ignorar. Uma delas reza: “O povo é o depositário da soberania e a exerce diretamente através do Poder Popular. Este não nasce do sufrágio nem de eleição alguma, mas sim da condição dos grupos humanos organizados como base da população”. Também se  declara que a Venezuela terá uma “Economia Socialista” baseada em “unidades econômicas de propriedade social” e se impõe severas restrições à propriedade privada.

          Hugo Chávez, detentor de um incrível poder eleitoral submisso, e para consternação da maioria dos venezuelanos – segundo as últimas enquetes – espera aprovar sua nova Constituição em dezembro próximo. Este será um golpe moral muito sério para todos que pensavam que o regime “bolivariano” era uma simples forma, as vezes um tanto rude, de nossos mais conhecidos populismos. Já repousa no Parlamento, controlado totalmente pelo governo, uma bateria de leis que transformarão a Venezuela em uma nação tão oprimida como hoje é Cuba.

          Para exemplificar, algo que vem preocupando demais os cidadãos venezuelanos é a educação, que passará a ser totalmente controlada pelo governo. Provavelmente não se emitirão decretos ou leis que fechem as escolas privadas ou que tirem o direito de escolha dos pais, para não criar uma reação adversa demasiadamente forte. Isto irá se procedendo gradualmente, como tem ocorrido até agora: todas as escolas primárias se converterão em “bolivarianas”, com textos escolares produzidos pelo governo, em que se fará uma aberta propaganda do modelo socialista que se está implantando e um sistema de arregimentação onde se enquadrarão politicamente as crianças desde seus primeiros passos no sistema escolar. Professores e coordenadores serão freqüentemente  inspecionados para que permaneçam sujeitos, sem titubeios, à linha oficial, e não serão tolerados desvios da conduta oficial estabelecida pelos órgãos governamentais.

          Algo semelhante acontecerá com as clínicas médicas privadas e, pouco a pouco, com a economia em geral. Já existe um estrito e rigoroso controle de câmbio que impede os livres movimentos de divisas, ademais de uma efetiva fiscalização e controle de preços, que se estende a uma ampla gama de produtos. As leis laborais e impositivas já são amplamente usadas para afogar a empresa privada e mantê-la submetida ao controle mais absoluto. Pelo que se depreende, poucos ajustes serão necessários para poder implementar um socialismo totalitário nos moldes de Cuba.

          Faz-se mister destacar que tudo está sendo feito sem grande alarde e demasiado alvoroço, pelas “vias legais”, enquanto aplacam, com veemência, os raros protestos. O continente assiste atônito à criação de uma nova ditadura, por caminhos aparentemente democráticos. Esse parece ser o ardil que sorrateiramente empregam os construtores do chamado “Socialismo do Século XXI”.

 

* O autor é Coronel-Aviador da reserva da Força Aérea; conferencista especial da Escola Superior de Guerra, membro do Instituto Histórico de Geografia e História Militar do Brasil e vice-diretor do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica.

 




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Comentários

ALBERFIG em 15-10-2008 às 03:57 am

Prezado Coronel Cambeses. Antes de tudo. Alberto Figueiredo, civil, 58 anos, casado, pernambucano, pequeno comerciante. Ensino médio. Não acha que esta forma de manipular a massa implantando um sistema previamente determinado para ser usado em toda AL (claro que em cada país a seu modo obedecendo algumas leis para que os choques não sejam contundentes), esta em andamento em muitos países do continente, inclusive o nosso? E que é visível que para se tornar possível alcançar as metas estabelecidas o descrédito e sucateamento das FFAA é uma das primícias? Quando as FFAA aceitando certas regras para um jogo de cartas marcadas estão ajudando na consolidação desse objetivo? Creio que o Senhor como Coronel tenha uma visão (pelo menos numa área restrita ao seu conhecimento como aviador) do momento pelo qual passam a unidade nacional e os destinos da nação? Ser inaceitáveis as imposições e humilhações levadas a efeito por articulações aos militares? Que, aceitando a continuidade destes fatos as FFAA estarão fadadas a se tornarem uma milícia? Que nossa soberania está ameaçada? Que breve, por melhores que sejam as intenções e amor pátrio nada mais restará a fazer que aceitar o que esta sendo implantado por total falta de poder? Mesmo para um semi-analfabeto como eu, leigo quando o assunto é segurança nacional é fácil perceber onde pretendem chegar os que usam uma estrela para encobrir símbolos, idéias e ideais nossas conhecidas. Desculpe mais como brasileiro e patriota, tenho que saber das instituições (por meio dos que delas fazem parte) que durante anos considerei como defensoras dos direitos, instituições e segurança nacional, qual o destino da minha pátria.


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