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Postada em 03-28-2008. Acessado 954 vezes.
Título da Postagem:Interior paulista se isenta da luta contra a ditadura
Titular:Gustavo
Nome de usuário:X-men
Última alteração em 03-28-2008 @ 09:52 am
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Autor:Eduardo Reis
Da Agência BOM DIA

Só cidades onde havia concentrações estudantis registravam protestos

O ano de 1968 foi marcado por grandes transformações políticas, sociais e culturais em todo o mundo. No entanto, apesar de ser um período conturbado no Brasil em razão da ditadura, a maior parte do interior paulista permaneceu isenta dos acontecimentos da época.

Há 40 anos, as movimentações políticas, principalmente por parte dos movimentos estudantis, intensificavam uma luta composta de sonhos de liberdade, protestos, mudanças comportamentais, prisões e mortes. Mas, essa efervecência ficou concentrada em grandes cidades do Estado.

Segundo a professora Maria Ribeiro do Valle, autora do livro “1968 – o Diálogo e a Violência – Movimento Estudantil e Ditadura Militar no Brasil”, o ano registrou quatro eventos principais: a morte do estudante Edson Luís Lima Souto, que hoje completa 40 anos, no Rio; a série de confrontos ocorrida também no Rio em junho, que ficou conhecida como Sexta-feira Sangrenta; a Guerra da Maria Antônia, no dia 2 de outubro em São Paulo; e o 30º Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes) em Ibiúna (SP), no dia 12 de outubro.

As manifestações no Interior só tiveram uma força mais representativa depois da prisão dos líderes estudantis José Dirceu, Luiz Travassos e Vladimir Palmeira, em companhia de cerca de 900 jovens, no Congresso de Ibiúna.

O AI-5 (Ato Institucional número 5), instaurado no dia 13 de dezembro daquele mesmo ano, acabaria com aquela agitação da juventude brasileira e levaria militantes ao início de uma luta armada.

“Os grandes centros estavam mergulhados numa enorme tensão. Porém, no Interior, ouvia-se falar em movimentações intensas apenas em cidades como Ribeirão Preto e Campinas, onde os jovens também estavam totalmente imersos naquele clima de contestação política. Não havia notícias de atos em outros locais.”

Militância
Líderes estudantis da época também apontam uma calmaria na maior parte do Estado, com exceção de fatos isolados ou das regiões onde havia grande concentração estudantil. Para o militante do PC do B e ex-deputado federal Jamil Murad boa parte da população do Interior não tinha uma consciência real do que acontecia no restante do país.

“Nós, que estávamos em atuação nos grandes centros, não tínhamos contato com militantes de regiões mais distantes do Estado. Sabíamos que existiam mais pessoas na luta contra a ditadura, mas era difícil identificá-las”, recorda.

Segundo Murad, os contatos entre as lideranças eram feitos de formas veladas. “Éramos postos dentro de carros, com vendas nos olhos e ficávamos rodando por horas. Conhecíamos as pessoas somente por nomes falsos. Depois ficávamos sabendo que um era da Capital, outro de Campinas e outro de Bauru. Tudo era feito dessa forma.”


População rotula aluno e professor
Em 1968, o professor Onozor Fonseca ministrava aulas em Institutos Isolados da USP no Interior. Natural de São Paulo, Onozor percebia que a população o observava com certo receio.

“Eu me fixei no oeste paulista para estudar e trabalhar, mas percebia que era taxado de comunista ou revolucionário pelos moradores da região”, diz.

Aquela visão estava embutida na maneira de pensar das pessoas do Interior, que não assumiam uma postura e apenas defendiam a ditadura sem compreender o que ela representava à população.

Os professores do Interior mantinham contato. “Conversamos com professores de Prudente, Bauru, Araraquara, Assis, Franca para saber se alguma frente havia se levantado. Algo que percebíamos é que, em razão da enorme ebulição entre a intelectualidade, onde havia concentrações de estudantes, havia um clima de contestação.”




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