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Postada em 03-28-2008. Acessado 764 vezes.
Título da Postagem:44 anos da Revolução de 31 de Março de 1964
Titular:GTMelo
Nome de usuário:GrupoGuararapes
Última alteração em 03-28-2008 @ 10:35 am
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Estamos Vivos! Grupo Guararapes!

No próximo dia 31 o país estará comemorando o 44º aniversário da Revolução Democrática de 31 de março de 1964, movimento cívico militar liderado pelo cearense, Mal Humberto de Alencar Castello Branco, um dos mais ilustres oficiais generais do nosso Exército e que se revelou um estadista de larga visão quando exerceu a presidência da república.

            Nossa história registra vários episódios em que as Forças Armadas foram chamadas a intervir, sempre que a integridade do seu território ou sua soberania se sentiram ameaçadas, por potências estrangeiras ou por ação de maus brasileiros em conluio com defensores de ideologias espúrias, contrárias à índole e formação do povo brasileiro.

            Lembramos de Caxias, o Pacificador que muito contribuiu para a consolidação de nossa independência, bem como para a manutenção da unidade e integridade do território nacional. No mesmo século em que viveu, San Martim e Bolívar, libertadores das colônias hispânicas, que não souberam evitar o divisionismo nem adotaram medidas de salvaguarda para que seus generais não se transformassem em ditadores, as ações de Caxias, foram de fundamental importância para que o Brasil permanecesse indivisível. Podemos considerar em pé de igualdade, no tocante à preservação da independência de nosso país, o Marechal Castello Branco, que ao liderar este movimento evitou que o Brasil se tornasse um satélite da então poderosa União Soviética.

            Conhecendo, como tivemos oportunidade de fazê-lo pois fomos seu comandado, o espírito legalista e de obediência ao “livrinho”, como gostava de se referir à nossa Constituição o Mal Dutra, imaginamos o sacrifício que fez, ao derrogar uma ordem constitucional vigente, e assumir o comando das ações revolucionárias, para implantação de uma nova ordem, que nos livrou  do descaminho. 

            Sua percepção de que o momento era aquele, porquanto para onde pendesse o Brasil penderia o restante da América do Sul, não exitou, adotou a atitude intervencionista, providência que a história já começa a  mostrar haver sido a mais acertada, à medida que as paixões e o sectarismo ideológico estão sendo aplacados pela ação do tempo, malgrado a atuação revanchista de alguns setores.

            Uma análise da conjuntura mundial, àquela época, mostrava os estertores do regime comunista na União Soviética, exaurido o modelo utópico de proporcionar a felicidade de um povo pela adoção de um modelo de economia dirigida, sob um regime ditatorial.

             Para se salvar, necessitava a URSS, do domínio da América do Sul, região de pouco aculturamento, graves distorções sociais, mas que se dominada, lhe daria condições de confrontar os Estados Unidos, e prolongar, não se sabe por quanto tempo, o modelo falacioso e enganador, que só beneficiaria os títeres de plantão. A experiência com a inexpressiva, em termos

geopolíticos, Cuba, lhe foi onerosa e não lhe serviu nem mesmo como uma cabeça de ponte para o assalto ao continente sul americano.

            Qualquer analista, por mais inexperiente que seja, sabe o que se uma nação do porte do Brasil, localizada nos calcanhares ianques, houvesse se tornado um satélite soviético teria, pelo menos retardado por muito tempo a derrocada do império vermelho. Estamos esperando que algum cientista político, de reconhecida independência intelectual, venha a abordar e desenvolver este tema.

            Castello, sabia ser suficiente impor um regime forte, de pouca duração, necessário apenas a fazer as intervenções necessárias para dotar o país de instrumentos capazes de não permitir a proliferação de idéias e movimentos contrários à índole, ao desenvolvimento e ao bem estar da nação brasileira.

            Esta sua intenção não foi possível se concretizar dado o surgimento de movimentos comandados por setores ainda comprometidos com a ideologia marxista. Reconhecendo a necessidade de prolongar a intervenção, adotou as providências fundamentais para que esta transcorresse sem o risco de se tornar permanente, mediante a promulgação de uma constituição, com as salvaguardas necessárias. 

            Felizmente, os chefes militares que a ele se seguiram na Presidência da República não só obedeceram a Constituição, com a qual a Revolução se institucionalizou, mas prepararam a devolução, de modo organizado, do poder aos civis, com a derrogação dos poderes discricionários e promulgação da Lei de Anistia, visando à pacificação nacional. Se antes não o fizeram foi pelo surgimento de movimentos armados, adotados pelos vencidos, que se agrupavam para perseguir seus  objetivos. A guerrilha que se tentou instalar na Amazônia e em outros locais do território nacional, utilizando inclusive ações terroristas, foram debelados de maneira pronta e eficaz, com o menor sacrifício de vidas de ambos os lados, o que não aconteceu na vizinha Colômbia, que hoje se debate numa cruenta luta fratricida, que pode levar à divisão territorial àquela nação.

            Uma intervenção que se pretendia de curto prazo se estendeu por 21 anos, mas trouxe por sua vez vantagens ao desenvolvimento nacional como veremos a seguir.

            É interessante que analisemos, de modo sucinto, a Conjuntura do país ao término do chamado “Ciclo dos Militares”. Esta análise nos permitirá fazer comparações com o que ocorreu nos 23 anos que a ele se seguiram.

            No Plano Econômico vimos o Produto Interno Bruto saltar da 45ª para a 10ª posição no ranking mundial, no curto espaço de vinte anos, fruto principalmente do crescimento de suas exportações que passaram de 1,5 para 37 bilhões de dólares, e do aumento dos investimentos em infra-estrutura produtiva. O cenário em que isto se processou foi desenvolvido com uma inflação de 12% ao ano, substancialmente menor que a encontrada, que era de 100%.           

As ações governamentais, no período analisado, obedeceram a elaborados Planos Nacionais de Desenvolvimento, que visavam, não o “aparelhamento” do Estado para fins políticos, para manutenção do poder, mas tão somente assegurar um desenvolvimento com segurança.

                        Especial atenção foi dispensada aos setores vitais para o crescimento sustentável da economia, tais como: energia elétrica, sistema viário, portos e aeroportos, combustíveis, produção agrícola e de bens de capital para substituição de importações, apoio à tecnologia, etc. Assim é que foram construídas 4 grandes usinas hidrelétricas (Itaipu, Tucurui, Ilha Solteira e Jupiá, alem da ampliação do complexo de Paulo Afonso). Como suplementação necessária à segurança do fornecimento de energia elétrica, que não deve se apoiar exclusivamente na geração hídrica (não deve esta fonte passar de 80% do total da matriz elétrica) em face de imprevisíveis ocorrências de baixa pluviometria, foram construídas as usinas nucleares, Angra I e Angra II, que também serviram para aquisição de tecnologia neste importante ramo da geração elétrica. Para possibilitar este gerenciamento foram criadas a Eletrobrás e a Nuclebrás. A produção de petróleo se elevou de 75 mil para 750 mil barris dia, diminuindo grandemente a dependência externa desta fonte. Foram iniciadas as prospecções de petróleo em grandes profundidades na bacia de Campos e graças a este início hoje o Brasil dispõe da mais avançada tecnologia para exploração de petróleo em águas profundas, não dependendo de know how estrangeiro. A criação do Proalcool, implementado principalmente no governo Geisel, foi uma decisão de larga visão estratégica, para aproveitar as extensas áreas que possuímos, suficientes para implantação de um programa alternativo de suprimento energético por fontes renováveis, notadamente para o setor automotivo. Hoje as potências estrangeiras que reúnem condições (solo e clima) de produção, em escala, deste tipo de combustível, menos poluente, despertaram para sua utilização e o Brasil deve tirar proveito deste seu pioneirismo. A produção agrícola atingiu a marca de 70 milhões de toneladas de grãos, não só pela expansão da fronteira agrícola mas principalmente pelo esforço desenvolvido pela Embrapa, criada no período, e ao aumento do crédito ao produtor. O escoamento destes produtos e de outras comodites, requeria uma malha viária a altura. Nossa malha viária, então dispondo somente de 3 mil km asfaltados, ao final do ciclo já contava com 45 mil Km. A complementação do sistema viário necessitava da construção e melhoria dos portos. Construíram-se e remodelaram-se então 4 grandes portos, sendo de real destaque o de Itaqui, no Maranhão com a finalidade principal de escoar a produção do minério, transportado por ferrovia,construída no período, das jazidas de Carajás. Este porto, permite a atracação de graneleiros com capacidade superior a 350.000 toneladas líquidas. Hoje há uma rota regular do Maranhão para a Alemanha, utilizando grandes graneleiros, proporcionando divisas e desenvolvimento para esse Estado. A criação da Embraer possibilitou a implantação de uma hoje pujante indústria aeronáutica. A criação da Infraero possibilitou a construção e (ou) remodelação dos aeroportos do Galeão, Guarulhos, Brasília, Confins, Campinas, Vira Copos, Salvador e Manaus. Infelizmente nenhum outro investimento foi realizado, após o período analisado acarretando o apagão aéreo que recentemente assistimos. O adensamento populacional das grandes metrópoles requeria intervenções no transporte de massa, sendo então construídos os metrôs do Rio e São Paulo, bem como os de Belo Horizonte e Recife. Todos nós lembramos as dificuldades em fazer uma ligação telefônica entre os Estados, demandando na maioria das vezes mais de dez horas de espera. A criação da Embratel e Telebrás possibilitaram uma revolucionária transformação neste importante setor da economia. A criação do Banco Central permitiu a que se implantasse um dos mais complexos e eficientes sistemas bancários, nos moldes dos melhores dos paises desenvolvidos.

            No Campo Psico Social os progressos foram muito significativos. A criação do BNH permitiu que no período fossem financiados 4 milhões de moradias. A criação do Funrural, o maior programa de distribuição de renda mundial, veio resgatar uma dívida para com os velhos agricultores, principalmente os do Nordeste Brasileiro que não dispunham de nenhum amparo em sua velhice. Uma grande contribuição para criar na juventude o sentido de brasilidade, ao conhecer as potencialidades brasileiras foi o Projeto Rondon, infelizmente abandonado. Outro programa de fundamental importância para a segurança e estabilidade das relações trabalhistas foi a criação do FGTS, bem como a instituição do PIS e o PASEP. Ainda neste campo vale ressaltar a construção de modernos estádios de futebol nas principais cidades brasileiras bem como a construção de complexos aquáticos e desportivos em cidades e universidades do país.

            No campo militar as ações, debelados os movimentos de guerrilha, se voltaram primordialmente para a defesa do nosso território, principalmente nas fronteiras da Amazônia. Foi executado um bem elaborado programa de reestruturação das polícias estaduais, que durante o regime militar estiveram sob o comando das Forças Armadas, melhorando a formação profissional de seus quadros, a ponto de termos hoje uma polícia militar de elevada capacitação profissional.  A criação da Polícia Federal foi uma das grandes contribuições do regime militar, haja vista o excelente trabalho que vem realizando, no combate ao tráfico de drogas e à corrupção. Vale mencionar também o investimento efetuado na indústria de armamentos, condição essencial para reequipamento de nossas Forças Armadas, tornando-as menos dependente de fornecimentos estrangeiros.

            A interrupção de um processo democrático não é desejável. As circunstâncias que levaram a sua efetivação, em 64, no entanto pela clarividência de seus líderes trouxe grandes benefícios ao Povo Brasileiro.

 

 Paulo Accioly de Carvalho




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