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Postada em 07-08-2008. Acessado 841 vezes.
Título da Postagem:Propaganda e história Jarbas Passarinho
Titular:Gustavo
Nome de usuário:X-men
Última alteração em 07-08-2008 @ 10:40 am
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Jarbas Passarinho

Propaganda e história Jarbas Passarinho

Foi ministro de Estado, governador e senador

 

A mentira na política é mais conhecida pela frase atribuída a Goebbels de que “repetida mil vezes vira verdade”. Na história nefanda do nazismo, decisivos foram os fatos concretos que tiveram origem nas versões adulteradas. O incêndio do Parlamento alemão, obra dos nazistas, mas divulgado como dos comunistas, serviu para ajudar a caminhada de Hitler para o poder. As SA, “camisas marrons”, constituíram um bando de desordeiros e assassinos, a tropa de choque e de proteção do Partido Nacional-Socialista, chefiada por Ernst Röhm.

Usadas para intimidação violenta, massacravam os comunistas nas manifestações públicas, mas quando Hitler assumiu o poder, essa tropa perdera sua razão de ser. Boatos comprometedores inventaram que preparavam uma sedição contra Hitler, já chanceler, mas ainda sem o poder absoluto na Alemanha, nem mesmo nas SA, em que milhares de militantes obedeciam cegamente a Röhm. Livrou-se delas, acusando-as de sediciosas, e numa ação sangrenta surpreendeu Röhm, de madrugada, numa chacina que ficou conhecida como “o golpe Röhm”.

Fuzilamento de mais de mil oficiais do Exército polonês, crime hediondo, apelidado de Operação Katyin, quando o Exército soviético empreendia a ofensiva fulminante na 2ª Guerra Mundial, a propaganda soviética fez o mundo acreditar que os poloneses tinham sido assassinados pelas tropas alemãs em retirada. Muitos anos se passaram depois do fim da Guerra Fria, para a verdade revelar que os mortos foram vítimas do Exército soviético. As intrigas, bem difundidas, meios solertes de conquista do poder, pela direita, e a propaganda enganosa feita pelo Agit-Pro (Agitação e Propaganda) dos partidos comunistas ajudaram a fraudar a história.

Fatos comprovados como esses, fizeram-me meditar sobre a versão de uma rádio suíça de que o resgate da ex-senadora Ingrid Betancourt e mais 14 reféns, confinados pela guerrilha comunista nas matas por ela ainda dominadas na Colômbia, custou US$ 25 milhões. O impacto da libertação, tendo como alvo principal a senhora Ingrid, foi mundial. Exagerados analistas o interpretaram como “o fim das Farc”. Era preciso mudar esse quadro de derrota da guerrilha, que já dura mais de 40 anos e chegou a sitiar Bogotá. A única maneira foi tentar desmoralizar a operação militar colombiana, o que foi feito quando as tropas legalistas bombardearam um destacamento das Farc, operando no Equador, a pouco mais de 1km da fronteira colombiana.

O golpe de mão coletou preciosas informações contidas nos computadores do chefe da célula guerrilheira, morto no bombardeio. De pronto, a operação militar vitoriosa foi objeto de indignada reação do presidente equatoriano. Seu argumento patriótico, de soberania nacional violada pelos comandados de Uribe, foi explorado ao máximo e mobilizou até a Organização dos Estados Americanos (OEA). Prontamente, o inefável Hugo Chávez também se deu por ofendido, ainda que o bombardeio se houvesse dado distante um milhar de quilômetros do território venezuelano. Deslocou tropas para a fronteira com a Colômbia.

O presidente do Equador, entretanto, não julgou merecer protesto a presença no território de seu país, contíguo à fronteira com a Colômbia, e a demorada manutenção nele, de um campo de operações internacionais das Farc, provido de equipamento de telecomunicações e de uma segurança que permitia, aos seus ocupantes, instalarem-se confortavelmente, chegando a dormir usando pijamas, como se estivessem num hotel. É preciso ser muito ingênuo, ou aliado das Farc, para não estranhar essa ocupação da vanguarda da guerrilha, mas a tese de neutralidade equatoriana empanou o brilho da operação colombiana.

Repete-se a mesma tática de desqualificar os vitoriosos quanto ao resgate espetacular dos reféns. A notícia de uma radiodifusora suíça (que já se adianta ter tradição de confiabilidade) espalha-se com extrema velocidade pela mídia internacional, criando a suspeição de que a operação nada teve de inteligência militar, mas de encenação negociada com as Farc, mascaramento de um resgate de US$ 25 milhões, um preço pouco abaixo do oferecido pelos Estados Unidos a quem der o paradeiro de Osama Bin Laden. A senhora Ingrid Betancourt, citando detalhes da ocorrência, nega a versão. O mesmo diz o comandante do Exército colombiano, empenhando sua palavra de honra, mas a versão já fez seu papel.

Se a operação foi de inteligência, baseada em militares infiltrados, naturalmente para invalidar a versão, seria preciso dar os nomes dos infiltrados, o que poria em risco a vida deles. Um vídeo devidamente incapaz de comprometê-los já foi publicado pelo Exército, mostrando na seqüência “um grupo de mais de 20 guerrilheiros” que a tudo viam indiferentes. Se encenação, eles seriam figurantes, mas seu chefe, o principal encarregado da vigilância dos reféns, além de manietado e jogado no chão do helicóptero, está preso em Bogotá. Aí já não se tratava de encenação, mas de peça bufa teatral. Antes, divulgavam que o presidente Uribe nada fazia por libertar a senhora Ingrid Betancourt, preferindo que não resistisse às vicissitudes, prisioneira das Farc, porque, se libertada, competiria com ele em eleições. Que mais inventarão agora? Ele tinha mais de 80% nas pesquisas de popularidade. Com ela viva e libertada, ultrapassou 90%. Só é pena que ela tenha dito apoiar um terceiro mandato para Uribe, o que é digno de Chávez, não da Colômbia, que tem respeitado o rodízio no poder, característica essencial da democracia.




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