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Postada em 05-24-2006. Acessado 752 vezes.
Título da Postagem:Os EUA e a prevalência do poder militar
Titular:Manuel Cambeses Júnior
Nome de usuário:Cambeses
Última alteração em 05-24-2006 @ 02:35 pm
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Autor: * Cel Av RR Manuel Cambeses Júnior

Durante quarenta anos Washington e Moscou estiveram envolvidos em uma acirrada competição pela superioridade militar. Que longínquos esses tempos da Guerra Fria! Se o orçamento militar para o ano de 2003, solicitado pelo presidente estadunidense George W. Bush, for aprovado, como tudo indica, os Estados Unidos disporá de um portentoso quantitativo de 380 bilhões de dólares destinados, exclusivamente, aos gastos militares. Isto representa, em realidade, quase o PIB da Rússia que hoje situa-se próximo aos 401 bilhões de dólares. De fato, apenas dezessete nações dispõem de um PIB superior ao orçamento anual destinado à defesa dos norte-americanos (The Economist: World in figures, 2002 Edition). Entre esses países, certamente não encontraremos: Suíça, Bélgica, Suécia ou Áustria, cuja riqueza doméstica apresenta-se muito abaixo do montante de dinheiro que estará à disposição do Pentágono, para a aquisição e manutenção de material militar. Somente o incremento em gastos de defesa, para o ano de 2003, é da ordem de 48 bilhões de dólares o que equivale, por exemplo, ao PIB da Hungria.

Colocado em outras palavras, os Estados Unidos disporá de mais de 1 bilhão de dólares, por dia, para gastar exclusivamente em defesa. Isto permitirá o desenvolvimento - repartido em vários exercícios orçamentários - e a aquisição de uma nova geração de aviões de caça como: os F-22,  F/A-18 e o chamado “JOINT STRIKE FIGHTER” (avião de ataque conjunto), cujo custo total girará em torno de 300 bilhões de dólares. A conclusão lógica é que, na atualidade,  o fosso existente entre o insólito desenvolvimento científico-tecnológico e a superabundância de equipamentos de uso militar, nos Estados Unidos, e o resto dos países do mundo, está crescendo em níveis exponenciais. De acordo com Lord Robertson, Secretário-Geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a Europa está no caminho de converter-se em um “pigmeu militar” em comparação com o seu prodigioso aliado transatlântico. Richard Perle, presidente do Comitê de Política de Defesa do Pentágono, foi ainda mais contundente ao afirmar que as forças armadas européias chegaram a um “ponto de virtual irrelevância”.

Segundo nos assinala instigante matéria publicada em The Economist, em sua edição de 16 de fevereiro do ano corrente, o incremento em gastos com defesa solicitado para o ano de 2003, representa o maior aumento dos últimos vinte anos. Por seu lado, a revista Le Monde (março 2002) enfatiza que “se esse ritmo financeiro se mantiver como demonstram estudos do Pentágono, o orçamento estadunidense destinado à defesa será 20% superior à média prevalecente durante a Guerra Fria”. Em outras palavras, os gastos em defesa dos norte-americanos serão consideravelmente superiores aos que prevaleceram nos tempos da grande rivalidade com a União Soviética. Faz-se mister ressaltar que já em 1997, o orçamento dos EUA era tão grande como o total das nações mais poderosas que lhe seguiam nessa lista, e duplicava o orçamento de defesa de todos seus possíveis adversários juntos (Harvard International Review, Winter 1997/1998).

Definitivamente, a preocupação evidente, de toda a humanidade, é que a referida superioridade da superpotência possa conduzir à sobrevalorização do unilateralismo e a conseqüente opção pelas ações militares, em detrimento das negociações diplomáticas, no tabuleiro do poder mundial.

·          Rio de Janeiro,  junho de 2002.




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