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Ópio do povo.

Publicado em 14 de Jun de 2010

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Eu até que gosto de futebol. Não sou daqueles que discutem, que chegam a brigar por causa do nobre esporte bretão, entretanto. Tenho minha preferência clubística e só. Fico contente quando meu time é campeão e paro por aí.
Essa introdução ao texto de hoje é apenas para situar minha posição no meio da nossa gente. Não acredito que mais da metade da população brasileira esteja interessada em resultados de uma copa que está, no momento, acontecendo na África. A mídia vende essa idéia e o país todo vai, aos poucos, parando de funcionar. Pátria de chuteiras? Que nada! Se bem olharmos, um grupo de atletas mercenários, jogadores que são convocados para defender a Pátria e, de acordo com o que (ou quanto) lhes for oferecido, dentro de mais alguns dias estarão colhendo dólares e euros mundo afora. Será que estão realmente incensados das responsabilidades que é representar o Brasil? Não é que eu ache que estejam certos ou errados. Cada um está tratando de si, do seu futuro e da segurança financeira da sua família.
Mas temos que olhar o quê anda acontecendo à nossa volta enquanto as televisões passam mais de 12 horas por dia falando de futebol. Os pobres continuam ficando mais pobres, as pessoas continuam esperando em filas de hospitais, as instituições públicas ou privadas, perdem 3 horas da sua produtividade em dias de jogos da Seleção para acompanhar os nossos meninos. Parece que ficamos anestesiados enquanto a coisa segue.
Temos que nos ater à realidade, sim. As coisas da política continuam. Atos e fatos que vão influir nas nossas vidas nos próximos três anos e meio (até que chegue a outra copa), que vão tratar da condução do Brasil nesse período, estão acontecendo. A coisa funciona meio que como ópio, mesmo. Imaginem o turbilhão de dinheiro que significa o evento. Os que se acostumaram a faturar com isso continuam enchendo os bolsos. Vendendo a nós a ilusão de que tudo está às mil maravilhas aqui dentro. Não que eu morra de amores pela Argentina, por exemplo. Mas o que é que as propagandas estão fazendo? Mostram os argentinos como bobos, como menores, como incapazes. Se bem pensarmos, estas colocações estão passando dos limites como gozação. Como é que nos sentiríamos se fosse o inverso? Não sei se lá pela Argentina estão fazendo da mesma maneira, mas se o fazem também estão errados.
Que me perdoem os aficionados do futebol, mas o fato é que já estou meio que farto desse bombardeio televisivo. O produto vende, mas a concorrência entre as redes está ficando chata. Descem a detalhes exclusivos que nada tem a ver com o esporte. Quanto mais bizarro for o que estão mostrando mais o povo se entope com o que anda acontecendo no país da copa.
E podemos nos preparar... Vem por aí uma farra de gastos com o fito de sediar a copa de 2014. Nunca antes na história deste país (parece conhecida a frase, não?) tanto dinheiro irá para tão poucas mãos e bolsos escusos. Os que se locupletam vão se encher de grana, enquanto hospitais e escolas continuarão mendigando verbas. Passo, todos os dias, por famílias inteiras que ficam o dia todo em calçadas pedindo dinheiro e comida. A miséria está grande e, pelo que vejo, aumenta a cada dia. Não adianta quererem fechar os nossos olhos ou pintarem uma realidade diferente. O país está mal. Não adianta ficarem mostrando dados fictícios ou falando da popularidade do presidente (minúsculas) enquanto continuamos vendo nossos patrícios sofrendo e morrendo. Se você mora num bairro classe média, visite a periferia da sua cidade. Aquilo ali também é Brasil. Ali também se fica sabendo de resultados dos jogos. Ali, por alguns momentos e são só alguns momentos, as pessoas pensam que fazem parte de algo grande, de um país de primeiro mundo pelo menos no futebol.
Mas depois voltam a encarar a sua realidade, a ver seus filhos maltrapilhos, doentes e com muita fome. Sem direitos. Ou apenas com um direito: o de sonhar que, um dia, um par de chuteiras possa dar a eles uma realidade que lhes foi vendida. Um mundo que não existe nos pobres quintais de suas casas.
A eles e por eles, minha oração.

1 comentários


FRANPV comentou. Clique aqui para ver seu perfil.

14 de Jun de 2010 às

FRANPV
belo texto.

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