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QUEM LUTOU PELA DEMOCRACIA NO BRASIL?

Publicado em 01 de Mar de 2011


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Email recebido, repassando.........

QUEM LUTOU PELA DEMOCRACIA NO BRASIL?


S PRA DEIXAR CLARO SOBRE QUEM LUTOU PELA DEMOCRACIA NO BRASIL, LEIA E TIRE SUAS CONCLUSES



Audincia Publica do dia 3/12/08, na Comisso Especial da Anistia na Cmara dos Deputados em Braslia-DF
Motivo da Audincia: Entrevista dada pelo Tenente Vargas a revista Isto em 12 de Novembro de 2008.
Expositor: Tenente Jos Vargas Jimnez (Chico Dlar) - Peitou os Deputados




- Deputado Federal do PC do B (BA)? Daniel Almeida / Presidente da Cmara Especial da Anistia
Sr. Jos Vargas Jimnez o senhor foi convidado por esta comisso especial de anistia para ver se tem informaes, documentos que estariam em poder de vossa Senhoria que a Comisso considerou, que estas informaes, que estes documentos podem ser teis no sentido da aplicao da Lei da Anistia.
Existem dvidas a respeito de pessoas, provas e fatos que ocorreram na conhecida guerrilha do Araguaia. Vossa senhoria foi convidado e gostaria que vossa senhoria pudesse fazer sua exposio, principalmente se possvel trazer elementos no sentido de criar condies para quitao da Lei de Anistia que objeto desta Comisso Especial que tem como objetivo acompanhar a aplicao da Legislao.
Vossa Senhoria esta com a palavra.
- Tenente Jos Vargas Jimnez:
Senhor Presidente, deputado Daniel Almeida, senhores deputados boa tarde! Eu fui convidado pela comisso de anistia da cmara dos deputados encima da hora pela entrevista que dei a Revista ISTO .
H um ano lancei um livro chamado BACABA ? Memrias de um Guerreiro de Selva da Guerrilha do Araguaia, onde relato todos os acontecimentos em que eu participei, desde a preparao at a minha evacuao. Neste documento, neste livro, muitas perguntas que os senhores faro, as respostas esto aqui no livro, com provas documentais.
O livro no fico, o livro uma realidade do perodo em que estive atuando na guerrilha. Eu era terceiro sargento e comandava 10 (dez) homens. Trabalhei com Curi e naquela poca morreram 32 guerrilheiros. Alguns camponeses que apoiavam a guerrilha tambm foram presos, no meu livro tem tudo isso a com fotos.
Iniciando, eu recebi o requerimento onde o Deputado Daniel Almeida do PC do B da Bahia, solicita a Cmara dos Deputados esta audincia pblica para me convidar, como expositor e vou me basear nesta ultima parte do requerimento que diz:
"Esta convocao se justifica em dois aspectos distintos:
- Primeiro: Pelos direitos que os familiares das vitimas tem de conhecerem o paradeiro dos seus entes queridos e para reunir provas com intuito de identificar formalmente os trabalhadores rurais vitimas dos arbtrios da ditadura e com isso, conceder aos seus familiares os direitos a que lhes confere.
- Segundo: Pela necessidade de reescrevermos a nossa histria e deixarmos s futuras geraes, um exemplo de compromisso com a verdade e com a liberdade, respaldados no valor Democracia. Sala das Sesses, em 18 de novembro de 2008.
Assinado: Deputado Daniel Almeida do PC do B/BA.
Bem senhores, o que eu tenho a dizer realmente esta no meu livro, no Plano de Busca e Apreenso e no Plano de Captura e Destruio. No Plano de Busca e Apreenso constam os nomes dos camponeses que foram feitos prisioneiros. Aqui tem alguns que eu posso afirmar e confirmar. Os povoados onde se encontravam os camponeses a serem presos e outros, esto assim relacionados:
- No povoado de Bom Jesus, Jos Salim (Salu), Leonel Severino, Oneide, Joo Mearim e Luiz, todos com prioridade um para sua captura. E Luizinho, Leonda e Salomo, com prioridade trs.
- Em Santa Rita : Manoel Ccero com prioridade trs.
- Em Itapemirim: Andr e Z de tal, com prioridade um.
- Em Brejo Grande : Bernardino, com prioridade um e Vicente com prioridade dois.
- Em Cristalndia: Joo Murada, com prioridade quatro
- Em Centro de Osorinho: Mulher e filho de 18 anos, com prioridade trs.
Esses so os que eu tenho escrito e com provas. No entanto quando estive l na primeira misso, eu, Curi e mais 2 grupos de combate, cada grupo era integrado por 10 homens, ramos 30 na primeira misso. No dia 03 de outubro de 1973, no povoado de Bom Jesus, ns chegamos e prendemos quase todos os camponeses, alm dos que esto relacionados e aqueles que tinham condies de ajudar na guerrilha e os seus filhos que poderiam ajudar os guerrilheiros.
Ento, o que aconteceu, s deixamos as esposas e as crianas e continuamos na selva. Prendemos Man das duas mulheres, um campons que era amigado com duas irms e assim fomos. Nesse primeiro dia nos prendemos uns 40 camponeses e mais 30 que constituam nossos grupos de combate, era difcil se deslocar na selva. Curi ento designou dois grupos de combate, comandados por 2 sargentos com curso em guerra na selva, igual ao que eu tenho, para que levassem os 40 camponeses para BACABA, ns no conhecamos a base ainda. Eu fiquei com Curi na selva fazendo emboscadas e capturando mais camponeses.
Em relao aos camponeses, isso eu posso afirmar, outros grupos de combate atuaram nas regies de So Domingos das Latas, Chega com Jeito, vrios lugares. E, na regio de Xambio os guerreiros pra-quedistas, tambm fizeram este trabalho. Agora, a relao deles, eu s tenho estes que eu falei aqui que constam no meu livro.
Se algum quiser fazer alguma pergunta sobre o primeiro tema aqui, por favor, pode fazer.
- Deputado Daniel Almeida:
No, vamos lhe dar todo o tempo previsto, depois passaremos a fazer perguntas sobre a exposio.
- Tenente Vargas;
Bem senhores, em relao a este primeiro item, para as famlias dos camponeses isto que eu posso falar.
Agora eu vou para o segundo item, pela necessidade de reescrevermos a nossa histria e deixarmos s futuras geraes, um exemplo de compromisso com a verdade e com a liberdade, respaldado no valor Democracia.
Hoje em dia a mdia fica falando, divulgando e as pessoas que esto no poder que, ns os militares na poca do regime militar, fomos os viles e que eles (os Comunistas) lutaram contra o regime militar, para ter esta Democracia que temos agora.
uma mentira enorme, uma grande mentira, eu tenho documentos aqui provando que um dos partidos de esquerda o PC do B queria impor o Comunismo no Brasil, atravs da luta armada, o documento : "O estudo do PC do B para implantao da Guerrilha Rural no Araguaia (1968-1972) ? A Guerra Popular no Araguaia".
Este documento esta comigo h 35 anos, ele foi pego no dia em que foram mortos os 8 guerrilheiros do comando da guerrilha. Entre eles Mauricio Grabois, comandante das Foras Guerrilheiras do Araguaia ? FOGUERA. Este documento estava com eles, esta aqui. Vou entregar ao Presidente da mesa. Onde eu provo o que eles queriam, o PC do B queria impor o Comunismo no Brasil. Fez o estudo, treinou muitos guerrilheiros do PC do B na China e em Cuba para lutarem contra ns. Se eles estavam lutando contra o regime militar para impor a Democracia, deveriam ter treinados seus homens em pases onde existia a Democracia e no nos pases Comunistas. Ento, eles estavam preparados e o documento est aqui. Vou ler algumas coisas que constam nele:
"Porque a regio foi escolhida? A escolha da regio no foi espontnea e nem realizada empiricamente. Resultou de um profundo trabalho de pesquisas e estudo minucioso, objetivando a determinar uma rea em que a luta armada pudesse ser iniciada e em que fosse assegurada a sobrevivncia dos ncleos combatentes.
A regio satisfaz plenamente as exigncias para o inicio e o desenvolvimento da guerra popular, particularmente da guerra de guerrilha.
Outros povos utilizam com sucesso a Selva, florestas, como palco de suas aes guerrilheiras, a exemplo do que aconteceram no Vietn, Malsia, Angola e outros pases.
Por outro lado apresenta certas vantagens para os ataques de surpresa ao longo de uma extensa rodovia localizada dentro da selva.
O grosso da populao constitudo de camponeses do Maranho, Piau, Cear, Bahia, Gois e de Estados do Nordeste.
Os habitantes da regio no tm outra sada para solucionar os seus problemas a no ser a Revoluo.
O objetivo das Foras Armadas Revolucionaria na regio, a FOGUERA - Foras Guerrilheiras do Araguaia do PC do B assegurar a sua sobrevivncia e garantir um crescimento constante para formar um Exercito regular.
Mesmo que o inimigo se coloque em muitos pontos fixos desta rea e realize o patrulhamento, no conseguiro impedir que os guerrilheiros ali vivam, combatam, organizem a massa e se fortaleam continuamente..
A luta de guerrilheiros tem possibilidade de crescer na regio devido ao fato da populao ser pobre e sofrida. Dependendo das circunstancias da luta, afluiro para a regio, revolucionrios de todas as partes do pas a fim de ingressar nas Foras Guerrilheiras do Araguaia (FOGUERA).
A guerrilha poder acumular forar, realizar intenso trabalho poltico, engrossar suas foras combatentes, mantendo-se com os recursos locais.
Para o inimigo a regio hostil e desconhecida. Suas tropas sero trazidas de fora. A selva, embora generosa com os guerrilheiros, adaptados a regio e que a conhecem bem, ser madrasta para os soldados da reao, acostumados com a placidez dos quartis, desconhecedor dos segredos da selva. A vida na selva apresenta dificuldades para enfrentar s doenas, os mosquitos e as intempries. necessria elevada conscincia e esprito de abnegao que somente os guerrilheiros do PC do B possuem.
As Foras Armadas ficaro isoladas e cercadas pelo dio do povo".
Este documento foi preparado pelo PC do B, durante quatro anos e realmente eu que estive l, tudo o que eles previram deu certo, na primeira fase da guerrilha, quando o Exrcito colocou militares despreparados, recrutas vindos de Gois e Braslia, como eles escreveram aqui no documento: Ento na primeira fase da guerrilha, os guerrilheiros ganharam a primeira batalha.
A o exercito retirou todo o efetivo e iniciou a operao Sucuri, colocou o pessoal do servio de inteligncia para fazer o levantamento da rea. Mas s descobriu os nomes, as bases e o efetivo dos guerrilheiros, porque na primeira fase, prendeu o deputado Genoino, cujo codinome era Geraldo. E, graas a ele se conseguiu fazer o levantamento de quantos guerrilheiros atuavam na rea, as armas e tudo. Foi Genoino que passou essas informaes para o Exrcito.
- Platia: Vaias "Porque foi torturado."
Ento, vou repetir na mdia, que as Foras Armadas lutavam contra o Comunismo e pela Democracia. Agora, os partidos de esquerda dizem que estavam lutando contra a ditadura militar para implantar a Democracia, o que uma grande mentira. Tanto que eu tenho o documento elaborado pelo PC do B provando isso.
Na guerrilha Rural, eu mesmo capturei dois guerrilheiros vivos. Eu capturei o guerrilheiro Piau, tenho prova, aqui no meu livro tem documentos provando que tambm capturei um campons chamado Zezinho. Hoje eles constam como desaparecidos.
S para os senhores saberem o que aconteceu na guerrilha urbana, nas cidades, onde os Partidos de esquerda tambm lutavam para impor a Ditadura Comunista no Brasil, aqui eu tenho os nomes de alguns terroristas que recorreram luta armada e envolveram-se em atentados, assaltos e assassinatos na tentativa de derrubar o governo militar.
Beneficiados pela lei da anistia de 79 se reintegraram na vida poltica, foram transformados de criminosos em heris e hoje esto nas altas esferas, onde militam pelas mesmas idias na esperana de colocar o Pas sob um regime idntico a aquele que malogrou o leste europeu.
Sabem qual o objetivo da luta armada dos que combateram o regime militar?
Quem responde a esta pergunta Daniel Aaro Reis, um ex-terrorista do MR-8, atualmente professor de histria contempornea na universidade federal fluminense, ele diz:
"As aes armadas da esquerda brasileira no deve ser mitigadas. Nem para um lado nem para outro. No compartilho a lenda de que, no fim dos anos 1960 e no inicio de 1970 (inclusive eu), fomos o brao armado de uma resistncia democrtica. Acho isso um mito sugerido durante a campanha da anistia. Ao longo do processo de radicalizao iniciado em 1961, o projeto das organizaes de esquerda que defendiam a luta armada era revolucionrio, ofensivo e ditatorial, pretendia-se implantar uma ditadura revolucionaria. No existe um s documento dessas organizaes em que elas se apresentam como instrumento da resistncia democrtica.
As esquerdas radicais se lanaram na luta contra a ditadura, no porque a gente queria uma democracia, mas para instaurar um socialismo no pas, por meio de uma ditadura revolucionaria como existia na China e em Cuba. Mas , evidentemente, elas falaram em resistncia, palavra muito mais simptica, mobilizadora e aglutinadora. Isso um ensinamento que vem dos clssicos sobre guerra".
Ento vejam que foi Daniel Aaro Reis, um ex-terrorista do MR-8 que disse.
Entre esses terroristas/comunistas que lutaram na poca dos anos 60 e 70 eu trouxe os dossis de alguns Ministros que esto a no poder:
- Ministro Tarso Genro, na clandestinidade usava os codinomes de "CARLOS" e "RUI", era um dos terroristas da poca, filiado ao PC do B; aqui tenho dossi de outro terrorista: Paulo Vannuchi foi militante da Ao Libertadora Nacional ? ALN, onde se familiarizou com aes terroristas, seqestros polticos, assaltos a bancos e quartis. Outro terrorista, Carlos Minc, era conhecido pelos codinomes "JAIR", "JOS" e "ORLANDO", da Vanguarda Armada Revolucionaria ? Palmares, tem tambm a terrorista que na clandestinidade usava os codinomes de "ESTELA", "LUIZA", "PATRICIA" e "VANDA", a ministra Dilma Rousseff, ela participou de vrios eventos terroristas, tenho tambm o de Jos Genoino, que foi preso e cujo codinome era GERALDO e de Jos Dirceu, cujo codinome era DANIEL, que filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), quando universitrio e acompanhou Carlo s Maringhella, lder do PCB, na "corrente revolucionaria", criada para promover a luta armada.
Eu no vou ler todos os dossis, mas vou entregar eles ao presidente da mesa, deputado Daniel Almeida, para que esta Comisso Especial de Anistia e o povo Brasileiro tomem conhecimento de quem eram estes Ministros que hoje esto no poder.
Ento senhores, so s alguns nomes, esses eu trouxe para mostrar a verdade, tendo em vista eu ser militar e arrisquei minha vida para ter esta Democracia, eu era terceiro sargento, no era politizado, mas eu defendi ptria, tanto que consta no meu livro, documento do Exrcito me elogiando por eu ter defendido ptria.
Platia: Vaias, UHHH...!
Hoje em dia sou politizado, sou bacharel em cincias jurdicas, trabalhei no servio de inteligncia do exercito, ento hoje eu vejo que ns temos que contar a histria verdadeira para o povo brasileiro. No essas falsas histrias que os comunistas e jornalistas esto contando que lutaram para impr a Democracia no Brasil queriam sim, era impor o Comunismo.
Aqui eu tenho o Jornal do Brasil, um depoimento do Curi, com quem trabalhei:
Ningum gostou o que eu coloquei no meu livro: "Onde esto os mortos e desaparecidos da guerrilha do Araguaia que foram exterminados, ningum gostou".
O exercito at abriu uma sindicncia e me chamou para depor por causa do livro que lancei, mas no me prendeu.
No seu depoimento ao Jornal do Brasil Curi diz: "tenho respeito pelos guerrilheiros que tombaram em confronto e no gosto da palavra extermnio com o qual o um de seus ex-subordinados, o tenente Jos Vargas Jimnez se refere ofensiva final das Foras Armadas".
A ele diz que no gosta, mas continuando a sua entrevista ao Jornal do Brasil ele diz: "Segundo ele, a ordem para que nenhum guerrilheiro sasse vivo a partir de 1973, partiu do ex-presidente Emlio Carrastazu Mdici".
Vejam o contraste, eu falo em extermnio e o Curi fala que houve ordem para matar. Matar e exterminar no so a mesma coisa?
Curi tambm diz: "Tem respeito pelos guerrilheiros que tombaram em confronto". Eu tambm tenho respeito, porque ns lutamos, era uma guerra, cada um lutava pelo seu ideal. Eles lutavam pelo ideal comunista e ns militares lutvamos pela democracia. Depois que os Comunistas foram derrotados os militares passaram o governo para o povo brasileiro.
- Deputado Arnaldo Faria de S do PTB/SP ? Relator da audincia.
Sr Presidente acho que o tempo do orador j terminou, j falou bobagens demais e ningum tomou parte em nada ainda.
- Presidente Daniel Almeida.
Deputado Arnaldo, realmente estamos a 20 minutos de exposio e, gostaria saber se o orador, nosso convidado tiver mais alguma coisa a complementar, que faa, para que ns faamos perguntas. Vamos retornar a palavra ao Tenente Jos Vargas.
- Tenente Jos Vargas:
Foi me dado 20 minutos, eu teria mais coisas para falar, mas melhor os senhores fazerem perguntas e dentro do possvel responderei. Muito obrigado!
- Presidente Daniel Almeida:
Passo a palavra ao relator, deputado Arnaldo Faria de S.
- Deputado Arnaldo Faria de S (relator):
Sr Presidente, demais autoridades, eu queria saber do Sr. Jos Vargas, qual o objetivo dele fazer essas denuncias?
- Tenente Jos Vargas:
Eu estou seguindo o que foi pedido no requerimento, so dois itens. Isso no denuncia.
- Deputado Arnaldo:
Na revista ISTO, qual foi o objetivo de fazer a denuncia?
- Tenente Vargas:
Falar a verdade, tanto que falei a verdade.
- Deputado Arnaldo:
O que disse no seu livro "Lei da Selva"?
- Tenente Vargas:
No meu livro. Tanto que nem cita meu nome nesse livro.
- Deputado Arnaldo:
Voc disse que a ordem que tinha era para exterminar? Confirma isso?
- Tenente Vargas:
Confirmo. Est no meu livro, com provas, no meu livro tem documentos provando.
- Deputado Arnaldo:
As provas esto no livro ou voc tem em apartado?
- Tenente Vargas:
Eu tirei cpias, tenho as originais.
- Deputado Arnaldo:
Sr Presidente, eu queria requerer que esses documentos originais existentes sejam apresentados Comisso Especial de Anistia.
- Tenente Vargas:
Eu no trouxe.
- Deputado Arnaldo:
O Sr tem cpias desses documentos que possa disponibilizar para esta comisso?
- Tenente Vargas:
Esse um caso que vou pensar.
- Platia: UUUUUUHHH!!! (Vaias)
- Deputado Arnaldo:
Voc disse que participou do grupo de 120 guerrilheiros de selva, vossa senhoria confirma isso?
- Tenente Vargas:
Sim, e tnhamos mais 100 pra-quedistas, ramos 220, eles atuavam em Xambio e ns em Bacaba..
- Deputado Arnaldo:
Alm desses 100 pra-quedistas, tinha mais 30 do grupo de informaes?
- Tenente Vargas:
Eu no sei. Sei que haviam do CIE, mas no sei quantos eram.
- Deputado Arnaldo:
Tem uma frase na revista ISTO, onde diz: "Recebemos ordem para matar todos e matamos. Se algum guerrilheiro sobreviveu terceira fase, foi porque colaborou com a gente e ganhou uma nova identidade".. Vossa Senhoria confirma isso?
- Tenente Vargas:
Confirmo pelo seguinte, eu no tinha conhecimento de que algum guerrilheiro saiu vivo, s soube quando o coronel Lcio Maciel (Dr. Asdrubal) entrou em contato comigo por e-mail. Eu o trouxe aqui e vou ler para os senhores. O Coronel Lcio Maciel diz assim: "Chico Dlar, voc entregou o prisioneiro Piau e no sabe mais o que lhe sucedeu. Ser que os 5 guerrilheiros arrependidos que o general Bandeira conseguiu empregar no servio publico, em Braslia, por intermdio do Ministro Jarbas Passarinho, o Piau no um deles? Foram declarados mortos para no serem justiados, vivem hoje sob nova identidade e ai deles se se revelam. Sero assassinados como Celso Daniel, as 8 testemunhas e mais o Toninho do PT. Infelizmente o atual desgoverno de bandidos, existe muita coisa acima de nosso conhecimento.
Muito tem sido inventado sobre as aes do Exrcito. Agora, eles tentam financiar empresrios sem escrpulos em filmes completamente fora da realidade, com objetivo nico de desmoralizar o nosso exrcito".
Estou entregando este documento (e-mail) ao presidente da mesa.
- Deputado Arnaldo:
Vossa senhoria tem a lista de todos os guerrilheiros que foram presos e exterminados?
- Tenente Vargas:
Sim, esto no meu livro. Estes documentos me foram entregues antes de eu entrar na selva para combater os terroristas/comunistas.
- Deputado Arnaldo:
Os prisioneiros eram colocados em p, descalos em cima de latas sendo torturados. verdade?
- Tenente Vargas:
Eu vi isso.
- Platia: Vaias ... UUUUUHHH!!!
- Tenente Vargas:
Esta comeando a ficar bagunado aqui. Eu vou embora.
- Deputado Arnaldo:
Vossa senhoria diz que prendeu mais de 30 camponeses e um deles colocou nu, num formigueiro. verdade?
- Tenente Vargas:
verdade.
- Deputado Fernando Ferro ? PT/PE:
Acho importante seu depoimento Sr. Jos Vargas, discordando de suas idias polticas e conceitos..
- Deputado Fernando:
Vossa senhoria prendeu 2 guerrilheiros, para onde foram levados?
- Tenente Vargas:
Escrevi no meu livro que o guerrilheiro Piau que capturei vivo, que era o chefe do grupo de Andr Grabois (Z Carlos), depois que ele foi morto, cuja prioridade para captura e destruio era "UM", tive oportunidade de mat-lo, porm resolvi prende-lo, entrei em combate "corpo a corpo" com ele por ver que ele estava fraco e desnutrido, eu sabia que tinha condies de prend-lo e assim fiz com ele e com outro guerrilheiro campons chamado Zezinho.
Ns ramos combatentes, nossa base era em Bacaba, o pessoal do servio de inteligncia ficava na Casa Azul em Marab-PA, ns entregamos os prisioneiros vivos a eles.
- Deputado Fernando:
O Sr viu outros serem capturados vivos?
- Tenente Vargas:
No, somente posso falar dos que eu capturei vivos, Piau e Zezinho.
- Deputado Fernando:
Dos 32 guerrilheiros que morreram quantos voc matou?
- Tenente Vargas:
Nenhum.
- Platia ? Vaias UUUUUHHH!
- Deputado Fernando:
Qual o paradeiro dos guerrilheiros Piau e Zezinho que o senhor capturou?
- Tenente Vargas:
No sei, consta que Piau desapareceu em maro de 1974, eu sai da guerrilha em 27 de fevereiro de 1974. Ele foi entregue Casa Azul, sede de nosso comando. Em Bacaba e Xambio s ficavam os combatentes.
- Deputado Fernando:
O senhor era subordinado de Curi?
- Tenente Vargas:
Sim.
- Deputado Fernando:
Qual o papel de Curi nessas operaes?
- Tenente Vargas:
Combatente. s vezes ele saia com meu grupo de combate para emboscar, combater e destruir bases dos guerrilheiros. Isso era nosso trabalho.
- Deputado Fernando:
Mas, era ele quem comandava todo o contingente?
- Tenente Vargas:
No. Ele comandava meu grupo e outros dois que comandou na primeira misso, o do Sargento Brito e Sargento Elizeu, ambos j mortos. Ns trs fizemos o curso de guerra na selva juntos, no Centro de Instrues de Guerra na Selva (CIGS). O Sargento Brito morreu na guerrilha e o Sargento Elizeu faleceu dia 28 de agosto de 2008 de ataque cardaco em Belm-PA. E Curi foi ferido a bala no brao pela guerrilheira Snia
- Deputado Fernando:
O Senhor disse que prendeu em Bom Jesus vrios camponeses. Quantos eram e para onde foram levados?
- Tenente Vargas:
Eram mais ou menos uns 40 e foram levados para Bacaba pelos grupos de combate do Sargento Brito e Elizeu. Os suspeitos de apoiar os guerrilheiros eram mandados para a Casa Azul, os outros ficaram alojados em Bacaba em barraces, onde todos os dias eram politizados com ensinamentos de Hino Nacional, Bandeira Nacional e o que era Democracia, Comunismo e Terrorismo.
- Deputado Fernando:
Pode informar se alguns camponeses foram mortos?
- Tenente Vargas:
Sim, na minha relao tem o Alfredo.
- Deputado Fernando:
Mas, os que o senhor prendeu?
- Tenente Vargas:
Acredito que todos foram soltos, pois eu sai de Bacaba antes da guerrilha acabar em 27 de fevereiro de 1974 e ela s terminou em janeiro de 1975.
- Deputado Fernando:
Como vocs foram preparados?
- Tenente Vargas:
Eu, o capito Azevedo, tambm j falecido e os sargentos Brito, Elizeu e Vilhena, preparamos 60 guerreiros (soldados), para combater os terroristas/comunistas. Nos temos o curso de guerra na selva feito no Centro de Instruo de Guerra na Selva (CIGS), o melhor curso que existe no mundo, pois se algum quiser tomar nossa Amaznia (Selva), todos os militares que tem este curso bem como os bravos soldados da regio Amaznica esto preparados para defende-la.
- Platia:
Foram preparados para torturar! (vaias) UUUHHH!
- Tenente Vargas:
Eu vou embora Senhor presidente, se continuar assim eu vou embora e no responderei mais nada. Que falta de respeito!
- Presidente da mesa Dep. Daniel Almeida:
Eu gostaria de solicitar aos convidados que no intervenham nos questionamentos feitos pelos deputados, se algum tiver algum questionamento/indagao, que seja dada ao deputado para ser encaminhado ao convidado, a fim de preservar o ambiente e que permita o debate.
- Deputado Fernando:
O senhor entende e compreende que as famlias dos desaparecidos tem direito de saber onde esto os corpos deles. O senhor poderia ajudar a encontr-los?
- Tenente Vargas:
S me levar at a regio junto com um dos mateiros que atuaram na rea, pode ser o Vanu, pois depois de 35 anos, no mais reconhecerei sozinho os locais, somente com a ajuda desse mateiro, se ele for comigo encontramos esses locais.
O mateiro Vanu foi mandado enterrar os trs primeiros guerrilheiros mortos ANDR GRABOIS (Z Carlos), chefe do grupo e filho de Mauricio Grabois, comandante Geral das Foras Guerrilheiras do Araguaia (FOGUEIRA), JOO GUALBERTO GALATRONI (Zebo) e ANTNIO ALFREDO DE LIMA (Alfredo), campons recrutado na rea, no entanto, ele no os enterrou, s jogou palha em cima dos corpos. Os animais da mata os comeram.
- Deputado Fernando:
O senhor tem conscincia que torturou e pode ser processado por esse crime, como tambm os outros?
- Tenente Vargas:
Com certeza. Se eu estou me acusando, no posso dizer que no vi outros sendo torturados. Agora se eu falasse que vi outros sendo torturados e eu no fiz, a seria algo desleal. Mas, guerra guerra. hipocrisia dizer que no tem tortura numa guerra. At hoje tem, a policia federal prende narcotraficantes e tortura, a milcia do Rio prendeu jornalistas e os torturou. hipocrisia dizer que no existe tortura absurdo.
Evidente que cada pessoa tem seu comportamento, formao social, religiosa e familiar o que no permite que se exceda.
- Deputado Fernando:
A tortura crime, e as pessoas que fizeram como seu caso, devem ser chamadas responsabilidade. O seu depoimento est ajudando esta comisso e gostaria de saber se o senhor tem conhecimento de outros militares que estariam dispostos a falar. Conhece algum mais de seu tempo que atuou junto com o senhor na guerrilha que tem possibilidade de trazer informaes referentes a esse perodo?
- Tenente Vargas:
O senhor acha que algum teria a coragem que eu tenho. No tem. No tem.
- Deputado Arnaldo Faria de S:
O que vocs fizeram com Osvaldo?
- Tenente Vargas:
Foi morto.
- Deputado Arnaldo:
Depois de morto.
- Tenente Vargas:
Foi levado num helicptero para Xambio, como seu cadver era grande, ele quase caiu do helicptero e ficou dependurado, sendo levado assim at a base dos pra-quedistas.
- Deputado Fernando:
Quais as reas onde o senhor atuou na guerrilha?
- Tenente Vargas:
Bom Jesus, Caador, Chega com Jeito, Peixinho, So Domingos das Latas, Brejo Grande, Metade, etc. As reas eram divididas, os pra-quedistas atuaram na rea de Xambio e ns os guerreiros de selva em Bacaba.
- Deputado Fernando:
Qual a recomendao a respeito dos corpos dos guerrilheiros?
- Tenente Vargas:
No havia recomendao. Aqueles que foram mortos ficaram na selva e foram comidos por animais selvagens. Ningum os enterrou, porm os nossos sim.
- Deputado Fernando:
Aqueles guerrilheiros que vocs no identificavam, eram cortadas suas cabeas e mos? E quem dava as ordens para isso?
- Tenente Vargas:
Sim, foram trs excees, por no terem sido identificados, se levava as mos para tirar as impresses digitais e as cabeas para identificao, pois no se pode carregar um corpo no meio da selva, muito difcil. As ordens vinham dos nossos superiores para esse procedimento.
- Deputado Fernando:
Quem fez isso e quem era responsvel por Bacaba e Xambio?
- Tenente Vargas:
Eu no sei.
- Platia: Vaias ..UUUUHH!
- Deputado Fernando:
Porque seu apelido de Chico Dlar?
- Tenente Vargas:
Meus comandados, dez homens foram os que me colocaram esse apelido. Ns no atuvamos fardados, atuvamos paisana, barbudos, cabeludos, descaracterizados, iguais aos guerrilheiros. Ningum sabia quem era sargento, tenente, capito, major e coronel. Todos tinham um codinome.
Por atuarmos descaracterizados as nossas baixas (mortos), no perodo em que atuei na guerrilha, foram feitos por "fogo amigo", ns atirvamos em ns mesmos, pois ns confundamos com guerrilheiros.
- Deputado Claudio Cajado (DEM/BA):
O senhor acha que estava fazendo uma coisa legal quando estava na guerrilha?
- Tenente Vargas:
Quando entrei no Exrcito fiz um juramento em defender a Ptria. Ento eu tive que defender a Ptria dos Comunistas. Eu fiz isso.
- Deputado Claudio:
Qual o seu grau de escolaridade na poca da guerrilha?
- Tenente Vargas:
Eu no tinha nem a 7 srie, hoje sou bacharel em direito.
- Deputado Claudio:
O senhor sabe que juridicamente uma ordem que no legal o senhor no tinha obrigao de cumpri-la. O senhor tem conhecimento disso, hoje em dia como bacharel em direito?
- Tenente Vargas:
L eu era Sargento e cumpria ordens. Hoje como advogado sei que existem leis que tem que ser cumpridas.
- Deputado Claudio:
Na poca, para matar, o senhor sabia que no se podia cumprir essa ordem?
- Tenente Vargas:
No, tanto que eu tenho minha formao familiar e religiosa e que eu poderia ter matado os guerrilheiros PIAUI e ZEZINHO. No o fiz, capturei-os vivos. A ordem era para matar: "Atira primeiro e pergunta depois". Mas, eu no fiz isso.
- Deputado Claudio:
Onde seu grupo atuou, houve mortos?
- Tenente Vargas:
No, s captura.
- Deputado Arnaldo Faria de S:
O senhor matou cumprindo as ordens "Atira primeiro e pergunta depois". O senhor cumpriu isso risca?
- Tenente Vargas:
Claro que no, se assim tivesse feito, no teria capturado vivo dois guerrilheiros. Os teria matado, cumprindo essas ordens teria matado PIAUI e ZEZINHO.
- Deputado Arnaldo:
O senhor no tem medo de ser justiado, assassinado?
- Tenente Vargas:
No, os senhores podem fazer o que quiserem comigo, esto no poder mesmo.
- Deputado Claudio Cajado:
Qual sua motivao para o senhor vir a publico contar tudo isso, sendo fotografado, filmado, gravado publicamente, relatando esses fatos?
- Tenente Vargas:
Inicialmente lancei meu livro para contar a verdadeira histria da guerrilha do Araguaia. Quando comecei a escrever o livro que foi feito em dois anos. Todos falavam assim: "Voc louco, maluco, o Exrcito vai te prender, voc vai ser morto pelos familiares dos guerrilheiros que foram mortos, etc., etc."
Depois que lancei o livro conversa mudou: "Voc heri. Voc valente, corajoso, etc." At a eu estava tranqilo.
A eu comecei a ouvir e ler na mdia comentrios que esses Ministros Comunistas querem acabar com a Lei a Anistia e os nossos representantes, As Foras Armadas, esto quietos, omissos, surdos. No fazem nenhuma nota contestando ou pelo menos explicando ao povo sobre esses assuntos. Lei da Anistia e distoro dos fatos sobre a verdadeira histria da guerrilha do Araguaia, onde eles, os comunistas dizem que lutaram contra o regime militar (Ditadura) para impor o regime Democrtico no Brasil, o que uma grande mentira. Isso me deixou irritado, eu sou militar, eu estive na guerrilha do Araguaia, eu combati esses terroristas comunistas, arrisquei a minha vida para ter esta democracia e no pedi nenhuma indenizao nem dinheiro para ningum. Tive problemas depois que sai da guerrilha, fiquei neurtico de guerra, pois quando voc sai de uma guerra, fica neur tico, at voc se readaptar novamente sociedade, quer dizer eu no pedi nenhuma indenizao. O que eu achei e acho que fizemos a coisa certa. Tanto que depois, que os grupos comunistas de esquerda foram derrotados. O governo militar entregou as rdeas da Nao populao brasileira onde houve eleies diretas. a Democracia. Tanto que hoje o regime Democrtico e os partidos polticos de esquerda esto oficialmente registrados na justia eleitoral, como o PCB, PC do B, PT, etc.
Eu lutei pra isso, eu arrisquei a minha vida pra isso. Ento, me deixam irritado quando dizem que ns do regime militar somos os bandidos, viles e nossos chefes militares no se pronunciam em nada. Como eu estou na mdia com credibilidade, estou aproveitando para fazer este desabafo e contestar essas mentiras: "Que os terroristas Comunistas lutaram para impor a democracia no Brasil".
- Deputado Arnaldo Faria de S:
Voc Heri?
- Tenente Vargas:
Por que no? Eu sou heri do Araguaia.
- Platia: Uh! Uh! Uh!
- Deputado Arnaldo:
Voc no tem medo de ser torturado?
- Tenente Vargas:
No, nem de ser morto.
-Deputado Claudio Cajado:
O senhor participou de tortura e morte?
- Tenente Vargas:
Eu no dei entrevista sobre isso e nem confirmei.
- Deputado Claudio:
E a motivao do livro? por dinheiro?
- Tenente Vargas:
Dinheiro! Todo mundo pensa nisso e me perguntam se eu cobrei a entrevista que dei a Revista Isto . No cobrei nem ganhei nada com o livro at agora, pois ningum me patrocinou. Eu fiz o livro sozinho.
- Deputado Claudio:
O senhor sabe de que tortura crime imprescritvel?
- Tenente Vargas:
Terrorismo tambm crime imprescritvel.
- Deputado Claudio:
Em que dia o senhor prendeu e enterrou os guerrilheiros Piau e Zezinho?
- Tenente Vargas:
No dia 24 de Janeiro de 1974, foram entregues em Bacaba e dal foram mandados para a Casa Azul em Marab.
- Deputado Cludio
O Sr reconhece ento que o Exrcito Brasileiro matou, assassinou, torturou e escondeu os corpos desses guerrilheiros?
- Tenente Vargas:
No sei. O senhor quem esta falando. Podem ser que alguns estejam vivos com nova identidade com medo de serem justiados pelos seus camaradas comunistas.
- Deputado Claudio:
O senhor aposentado?
- Tenente Vargas:
No, estou na reserva do exercito e posso ser convocado a qualquer momento.
- Deputado Fernando Ferro (PT/PE):
Vossa senhoria se sente abandonado pelas Foras Armadas e pelos seus comandantes da poca?
- Tenente Vargas:
No que eu me sinta abandonado, sinto sim que quando surgem boatos denegrindo as Foras Armadas, nossos chefes no se manifestam.. Ento, parecem que todas as mentiras que falam sobre as instituies Exrcito, Marinha e Aeronutica, so verdades, eles ficam calados e como um ditado diz: "Quem cala, consente". Mas, apesar de todo o esforo que os revanchistas fazem para denegrir as Foras Armadas, no conseguem, pois nas pesquisas feitas junto a populao brasileira a credibilidade das Foras Armadas est sempre em primeiro lugar, o que no acontece com a dos polticos.
- Deputado Fernando Ferro:
Essa afirmao sua, d a impresso de que as Foras Armadas so uma espcie de Deus, o que no . Elas como quaisquer outras instituies cometem erros. Esta comisso de anistia foi criada para corrigir erros e contribuir com a Democracia.
- Deputado Tarcisio Zimmermann (PT/RS):
Quem Jos Vargas hoje?
- Tenente Vargas:
Sou militar da reserva e recebo meu salrio como 1 tenente, que a minha nica fonte de renda.
- Deputado Tarciso:
O senhor poderia repassar esses documentos secretos para esta comisso?
- Tenente Vargas:
Vou pensar. - Platia: (vaias) Pe ele no pau de arara! UUUHHH!
- Deputado Tarciso:
A ministra Dilma Russef, o senhor acha que ela deveria ter sido assassinada como as demais?
- Tenente Vargas:
Se ela estivesse na guerrilha do Araguaia, no estaria viva.
- Deputado Tarciso:
Como o senhor pode estar tranqilo diante de tantas atrocidades. No est com medo?
- Tenente Vargas
Se estivesse com medo no estaria aqui.
- Deputado Tarcisio
Na revista Isto , o senhor diz que tortura numa guerra normal para obter informaes. O senhor confirma isso?
- Tenente Vargas:
Na poca era normal. Fiz o que fiz. Se coloque no meu lugar, se eu tivesse sido capturado pelos terroristas comunistas, eu estaria vivo aqui? Guerra guerra!
- Deputado Arnaldo Faria de S:
Com todo o respeito senhor presidente, eu estou enojado. Porque Genoino est vivo?
- Tenente Vargas:
Porque ele entregou seus companheiros.
- Platia: (Vaias) Porque foi torturado! UUUHHH!
- Tenente Vargas:
Senhor presidente, eu vou embora que falta de respeito da platia.
- Deputado Arnaldo Faria De S:
O senhor conhece algum que poderia passar mais informaes sobre a guerrilha?
- Tenente Vargas:
Qual o homem que teria a coragem de falar como eu. Eu estou aqui levando farpadas. Vejam como os senhores me trataram aqui, acham que outros iriam querer vir aqui para passar pelo que eu estou passando. Quem iria colaborar com os senhores. "Cego aquele que no quer ver". No sou leigo.
- Deputado Daniel Almeida:
O senhor Vargas pode dizer suas palavras finais.
- Tenente Vargas:
Senhor presidente, finalizando, quando desgravarem o que aconteceu nesta audincia, ouviro e vero de que o senhor foi o nico a falar decentemente comigo, os outros me destrataram e afrontaram.
J fiz meu desabafo e fui pressionado sem ningum me apoiando. Esse problema que querem acabar com a lei da anistia e nossos chefes das Foras Armadas no falam nada, eles deveriam se pronunciar a respeito. Sou militar que defendeu a Ptria contra o regime comunista, tanto que deixei um documento provando que o PC do B queria impor o regime comunista no Brasil. Fui para a guerra. Guerra guerra, afeta dois lados, tanto a parte vencida como a dos vencedores.. Sei que tem muita gente sofrendo at hoje, de nosso lado tambm tem gente sofrendo.
J pedi perdo a Deus, mas eu estava numa guerra e tinha que cumprir ordens. Eu estava defendendo a Ptria, o regime militar, um ideal democrtico contra um ideal comunista. Eram ideais de cada lado, cada combatente guerrilheiro pelo seu livre arbtrio defendia o que achavam certo. Mas, com certeza agora os senhores tem um relato verdadeiro, de quem realmente esteve l dentro da guerrilha do Araguaia combatendo os teroristas/comunistas.
Antes de encerrar, vou fazer uma pergunta Comisso Especial de Anistia, que a quem libera grandes verbas de indenizaes aos comunistas derrotados e suas famlias. Se eu posso entrar tambm com um pedido de indenizao por ter combatido os comunistas na guerrilha do Araguaia para ter esta Democracia que temos hoje no Brasil?.
- Platia: Vaias, gritos de revolta! UUUHHH!
- Deputado Tarciso:
O senhor no lutava pela democracia, lutavam pela ditadura militar, o senhor no merecedor de anistia e nem de indenizao. O senhor no tem direito, nenhum torturador tem direito a anistia nem indenizao. O senhor cometeu atos de ilegabilidade
- Deputado Arnaldo Faria de S: Obs:Chantagem e ameaa do Deputado
Senhor Presidente, eu queria dizer ao depoente da minha parte o seguinte: "se vossa senhoria entregar esses documentos secretos a esta Comisso Especial de Anistia, eu abro mo, como relator de entrar com uma representao no Ministrio Publico Federal, para que o senhor seja processado e preso por crime de tortura na Guerrilha doAraguaia."
- Tenente Vargas
Eu no vou entregar..
- Platia: Vaias UUUHHH!
-Deputado Daniel Almeida:
O senhor Jos Vargas no foi tratado de forma grosseira no ouve qualquer tipo de presso, foi um debate civilizado.
Todos ns consideramos fundamental o papel das Foras Armadas, aquilo que est previsto na lei.
Sou do PCdoB, considero que tudo o que fizemos foi para resgatar a Democracia e a sociedade Brasileira alcanou esse objetivo.
No me considero nem mais nem menos patriota por qualquer outro segmento da Sociedade Brasileira, porm os integrantes e guerrilheiros do PC do B so patriotas.
Agora, defender a Ptria no impor suas convices e no suprimir a Democracia.
Est encerrada a audincia.
OBSERVAO:
Ao trmino da audincia, os jornalistas vieram para me entrevistar e junto com eles veio uma senhora que disse ser filha de um dos comunistas que morreram no regime militar. Ela chegou perto de mim e apontando-me o dedo no meu rosto disse:
"Se eu no fosse uma pessoa educada lhe dava um tapa na cara, porm se eu tivesse seu endereo mandaria mat-lo"
O segurana da Cmara dos Deputados a retirou do local e tambm me retirou pelos fundos da sala da audincia, pois as famlias dos Terroristas/Comunistas estavam me esperando na porta da entrada.
TENHO TODA A AUDINCIA PBLICA GRAVADA, NA NTRGRA, SE EU NO TIVESSE FEITO ISSO, VALERIAM SOMENTE AS VERDADES DELES, J A REMET PARA O SERVIO DE INTELIGNCIA DO EXRCITO E AGORA ESTOU REMTENDO AOS SENHORES UM RESSUMO DELA.
POR FAVOR, DIVULGUM.
Respeitosamente.
Tenente Vargas. SELVA!
"BRASIL ACIMA DE TUDO e tambm TUDO PELA AMAZNIA

Para adquirir o livro Bacaba, solicitar por estes e-mail:
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chico.dolar@hotmail.com ou Tel (67) 3365- 6844
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Prezados amigos/companheiros/clientes, civis e militares, bom dia!
Tenho enviado informaes sobre a repercuso do meu livro Bacaba - Memrias de um Guerreiro de Selva da Guerrilha do Araguaia e sobre a Audincia Pblica no Congresso Nacional em Braslia-DF, onde fui expositor e peitei os Deputados Federais da Comisso Especial de Anistia, os quais acharam que iram me usar e so os que liberam verbas para as famlias dos guerilheros que lutaram contra ns militares para impr o Comunismo no Brasil.
Alguns dos senhores no tomaram conhecimento destas reportagens e me solicitaram, por isso lhes estou enviando.
Grande abrao.
Respeitosamente
Tenente Vargas - SELVA!
"A SELVA NOS UNE, A AMAZNIA NS PERTENCE!!
"QUE NO OUSEM INVADIR NOSSA AMAZNIA!"
"BRASIL ACIMA DE TUDO"
"NASCER NO BRASIL QUALQUER IDIOTA NASCE, MAS SER BRASILEIRO OUTRA COISA!"
"BRASIL - AME-O OU DEIXE-O!"
OBS: Quem quizer adquirir o meu livro, solicitar por estes email:
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ou pelo Telefone: (67) 3365-6844 - Cel (67) 9958-5043 - Resido em Campo Grande-MS

"REPORTAGENS DA REVISTA ISTO "
Exclusivo
| N Edio: 2036 | 12.Nov - 10:00 | Atualizado em 26.Jul.10 - 21:26
A tropa do extermnio
Documentos e depoimento de oficial revelam como o Exrcito cercou, torturou camponeses e aniquilou os guerrilheiros do PCdoB no Araguaia
Alan Rodrigues
Brasil
Exclusivo
A tropa do extermnio
Documentos e depoimento de oficial revelam como o Exrcito cercou, torturou camponeses e aniquilou os guerrilheiros do PCdoB no Araguaia
Alan Rodrigues, de Campo Grande (MS)

Quando as formigas comearam a subir pelo corpo, o campons contou tudo o que sabia sobre os comunistas", revela Vargas.Na Base de Bacaba, segundo o militar, os guerrilheiros eram identificados atravs de fotografias expostas nas paredes. Quando eram abatidos, colocava- se um "X" sobre a foto. "Os detidos eram marcados com um quadrado", diz Vargas. A base possua um campo de futebol que servia para o pouso dos helicpteros. "Num terreno prximo ao campo, eu vi sendo enterrados alguns guerrilheiros, mas na Operao Limpeza, em 1975, esses corpos foram levados para um lugar que s Curi sabe."
DOCUMENTO REVELA A ESTRATGIA DO EXRCITO
Os papis agora revelados pelo tenente da reserva Jos Vargas Jimnez mostram como os militares montaram a Operao Marajoara para destruir totalmente os guerrilheiros do PCdoB no Araguaia. Primeiro, eles prenderam e torturaram os camponeses que moravam nas diversas localidades relacionadas no documento. Com isso, reuniram informaes e "ganharam" apoio da populao na luta contra os insurgentes. A seguir, os militares entraram na mata sem uniforme para caar e exterminar os comunistas. Cada patrulha militar, formada por dez homens, carregava uma lista com os nomes dos guerrilheiros instalados em reas j identificadas (leia fac-smile abaixo) a partir das informaes prestadas pelos camponeses. Estavam relacionados por ordem de prioridade. Primeiro foram mortos os comandantes da guerrilha.
Em 14 de outubro de 1973, os militares deram incio ao que Vargas chama de "fase do extermnio". No documento que o ento sargento carregava, agora revelado por ISTO, est detalhado quem era quem no esquema insurgente. "Tnhamos um lbum de fotos, nomes e rea (regio) onde atuavam, alm de seus destacamentos", lembra o militar. Chamado de "Plano de Captura e Destruio", o relatrio, na primeira pgina, identificava os grupos de guerrilheiros que deveriam ser abatidos, por prioridade. A chamada comisso militar da guerrilha deveria ser dizimada em primeiro lugar. "Eles eram prioridade 1", diz Vargas. Com a relao nas mos, os militares se embrenharam na floresta e a matana comeou. "Numa caminhada pela regio de Caador, encontrei trs corpos de guerrilheiros abandonados na mata. Um deles era o Andr Grabois, filho de um dos lderes dos comunistas. Um outro, um mateiro, um de meus soldados decepou-lhe o dedo, tirou a carne, e colocou o osso num colar", afirma o tenente da reserva. Vargas tambm se recorda que em 24 de novembro, depois de um tiroteio, outros corpos foram abandonados. "Como no conseguimos identificar um deles, recebemos ordens pelo rdio para decapitar e cortar as mos do inimigo, para identificao. Os outros corpos foram abandonados por l. claro que os animais os comeram. Ns no tnhamos obrigao de carregar corpo de guerrilheiro e nem de enterr- los", diz. Segundo Vargas, quando as fotos no eram suficientes para identificar os abatidos, suas cabeas e mos eram cortadas para posterior reconhecimento na Base de Marab.

No dia de Natal de 1973, um combate exterminou oito integrantes da comisso militar do PCdoB. "Depois disso no houve mais combates, apenas mortes e prises", lembra o tenente da reserva. "Para cada um que matvamos, fazamos um risco no fuzil." Um ms depois, em So Domingos das Latas, Vargas capturou "Piau", como era conhecido o estudante de medicina Antnio de Pdua Costa. Piau havia assumido o comando do principal destacamento dos guerrilheiros depois do massacre do Natal. "Esse eu peguei na mo, depois de uma luta", conta o militar. "Eu o entreguei vivo ao CIEx. Mas ele consta na lista de desaparecidos polticos", afirma.
Depois de passar quase duas dcadas no Servio de Informao do Exrcito, Vargas associou sua prpria experincia coleta de relatrios secretos. Aos 59 anos, ele narrou ISTO os motivos sobre o silncio em torno da Operao Marajoara. Ela tinha que ser sigilosa porque era uma operao quase clandestina das Foras Armadas. "Alm da descaracterizao, no ramos obrigados a produzir nenhum documento policial-militar sobre as mortes, nem as do nosso lado", diz. Agora, o militar est empenhado em escrever um livro para publicar no comeo de 2009.
FOTOS: ALAN RODRIGUES/AG. ISTO; ARQUIVO PESSOAL

Pela primeira vez surge um documento do Exrcito brasileiro comprovando que os militares enfrentaram os militantes do PCdoB no Araguaia (1972/1975) com ordem para matar. Chamado de "Normas Gerais de Ao - Plano de Captura e Destruio", o documento, de 5 de setembro de 1973, elaborado pelo Centro de Informao do Exrcito (CIEx), ao qual ISTO teve acesso, relaciona os "terroristas traidores da nao" que deveriam ser "destrudos". Em outubro de 1973, este documento estava na mochila do ento 3 sargento Jos Vargas Jimnez, quando desembarcou de um avio militar P A TROPA DO EXTERMNIO Hrcules C-130, na base militar de Marab (PA), e subiu em um caminho do Exrcito rumo ao quilmetro 68 da Rodovia Transamaznica para combater na Operao Marajoara - a terceira e derradeira fase da Guerrilha do Araguaia. O verbo "destruir" redigido no documento, segundo Vargas, hoje 1 tenente da reserva, um eufemismo para matar. "A ordem era exterminar", afirmou Vargas ISTO.

O documento foi expedido e entregue a Vargas pela 2 Seo do Comando Militar da Amaznia. Naquele momento, o combate guerrilha contava com um efetivo de 120 guerreiros de selva, integrantes do Batalho de Brasil EXCLUSIVO Infantaria da Selva, 100 pra-quedistas e 30 agentes do CIEx, todos comandados pelo ento major Sebastio Curi. Alm do documento, Vargas recebeu fotos plastificadas de cada um dos guerrilheiros e um estudo do PCdoB, de 1972, contendo as estratgias dos comunistas. "Fomos para matar. E matamos. Se algum sobreviveu foi porque colaborou com a gente e hoje vive com outra identidade", afirma o militar. Segundo o PCdoB, 75 corpos tombaram no Araguaia - 58 guerrilheiros e 17 camponeses.
H 35 anos, Vargas guarda os documentos agora revelados, contrariando uma ordem dos generais, que em 1985 mandaram queimar todo o material referente ao perodo. Os papis carregam o carimbo de secreto e indicam que o Exrcito tem caminhos para elucidar sua real participao nessa histria, em vez de apenas dizer que os arquivos oficiais foram destrudos. O depoimento de Vargas prova que as Foras Armadas nunca quiseram prender ningum. "A ordem era entrar na selva para matar", lembra o oficial da reserva. Em novembro de 1991, Vargas foi agraciado como heri de guerra com a Medalha do Pacifi- cador, a mais alta comenda do Exrcito. Para tanto, sua atuao foi analisada durante dois anos por uma sindicncia coordenada pelo atual chefe da Comunicao Social do Comando Militar do Sul, coronel Aurlio da Silva Bolze. Os documentos guardados por Vargas tambm esto anexados nessa sindicncia.
A caada final aos comunistas comeou em 1 de outubro de 1973. O comando do Exrcito determinou que fossem buscados, em Clevelndia do Norte (AP), os guerreiros da selva, uma tropa de elite das Foras Armadas. O grupo de 19 combatentes se uniu a outro de 41 vindos de Belm (PA), tambm treinados para guerrear na mata, e formaram o batalho de caa aos rebeldes. A tropa era formada por um capito - Pedro de Azevedo Carioca, j morto -, 20 sargentos, um cabo, 36 soldados e trs recrutas. Esse grupo se embrenhou na floresta e durante duas semanas treinou com munio real. Nenhum militar do grupo podia cortar os cabelos, aparar as barbas ou usar farda. "A idia era confundir a populao que apoiava os comunistas", lembra Vargas.Completava as ordens a escolha de um codinome. O sargento escolheu lutar como "Chico Dlar". Operao simultnea acontecia em Manaus (AM) com 60 militares da 12 RM, outra tropa especial.
Ao desembarcar em Marab, os 120 homens foram levados para a "Casa Azul", como era conhecida a sede do centro militar. L, foi revelada a estratgia de ataque. As operaes comearam com o mapeamento da rede de apoio que os guerrilheiros tinham entre os camponeses, as bases dos insurgentes e o poderio de fogo dos inimigos. Para isso, os militares cooptaram camponeses e formaram um Grupo de Autodefesa (GAD). "Eles eram muito bem remunerados por ns. Tinha uma escala de pagamentos que variava entre informao e priso", conta Vargas. Com os dados em mos, os militares elaboraram a "tabela n 01", que se chamava "busca e apreenso". "Recebemos uma lista com o nome de quase 400 moradores que contribuam com os comunistas", recorda Vargas.
Na madrugada de 3 de outubro, os grupos dos guerreiros da selva e dos pra-quedistas se separaram. A tropa de Vargas embarcou rumo a Bacaba, uma das duas bases militares na regio, situada ao norte da rea de combate, as margens da Transamaznica. A outra base militar era a de Xambio, ao sul, prximo ao atual Estado do Tocantins. Partindo das duas bases, fizeram um cerco aos moradores e guerrilheiros (leia mapa acima). Entrando de casa em casa, os militares colecionaram prises de camponeses. "Em cada cabana que entrvamos prendamos o chefe da famlia e, se este tivesse filho homem na idade de lutar, tambm ia preso", recorda Vargas. "Deixamos s as mulheres e crianas para trs." Nas bases militares, os camponeses eram submetidos a todo tipo de tortura. "Eles eram colocados descalos em p em cima de latas, s se apoiando com um dedo na parede, tomavam 'telefones' - tapas nos ouvidos - e choques eltricos", conta o militar. "Prendi mais de 30", contabiliza. "Um deles eu coloquei nu em um pau-dearara, com o corpo lambuzado de acar, em cima de um formigueiro.
A "ORDEM ERA ATIRAR PRIMEIRO"







O 1 tenente Jos Vargas Jimnez, hoje na reserva, participou da terceira fase da operao militar que aniquilou a Guerrilha do Araguaia. A seguir, os prin cipais trechos de sua entrevista ISTO:
ISTO - Que ordens o sr. recebeu ao chegar ao Araguaia?
Jos Vargas - Desembarquei na fase do extermnio dos guerrilheiros. A ordem era atirar primeiro, perguntar depois.

ISTO - Como assim, extermnio?
Vargas - Recebemos ordem para matar todos. E matamos. Se algum guerrilheiro sobreviveu terceira fase, foi porque colaborou com a gente e ganhou uma nova identidade.
ISTO - Como foi a ao?
Vargas - Os guerrilheiros jamais esperaram um exrcito descaracterizado, com ordem para exterminar. No era uma guerra regular. Primeiro, prendemos todos os homens da regio. Criamos um Grupo de Autodefesa (GAD), formado por moradores bem remunerados, que nos ajudavam entregando os comunistas. Depois que matamos os comandantes da guerrilha, os outros ficaram perambulando famintos pela selva. Numa ttica de desmoralizao, quando eles eram capturados, eles eram amarrados pelo pescoo e expostos pelas ruas dos vilarejos.
ISTO - Isso foi feito com algum lder da guerrilha?
Vargas - Era para humilhar. Desfilamos com o corpo de Oswaldo, o lder mximo deles, dependurado num helicptero. Foi o fim do mito.
ISTO - Houve ordens para decapitar os guerrilheiros?
Vargas - Foram trs os decapitados. Mas foram excees. No tnhamos fotos desses guerrilheiros e no dava para carregar os corpos deles pela selva. Para identific-los depois, cortaram-se a cabea e as mos.
ISTO - Quem reconhecia?
Vargas - Entregvamos vivo ou morto para o servio de inteligncia. Alguns ficaram na mata.
ISTO - Onde esto os corpos dos guerrilheiros?
Vargas - Vrios ficaram na selva e foram comidos pelos bichos. Mas, se algum sabe onde esto, esse algum o Curi, que ficou encarregado da Operao Limpeza.
ISTO - O que foi a Operao Limpeza?
Vargas - Era uma ao que retirou as ossadas dos guerrilheiros da selva. Dessa operao, eu s ouvi falar. O que dizem que em 1975 o Curi retirou todos os corpos e os levou para a Serra das Andorinhas. Quando o Curi falar, chega-se verdade final.
ISTO - O que os militares tm a esconder?
Vargas - Eu, por exemplo, capturei dois guerrilheiros e os entreguei vivos ao comando. Eles constam na lista de mortos e desaparecidos polticos.
ISTO - Quem so eles?
Vargas - O Piau e o Zezinho.
ISTO - E o combate guerrilha urbana?
Vargas - Se as foras do Estado tivessem sido radicais nas cidades, no teramos ministros comunistas fazendo o que querem. Os militares que atuaram nas cidades foram muito tolerantes.
ISTO - O sr. acha, ento, que os grupos de esquerda nas cidades tambm deveriam ter sido exterminados?
Vargas - Claro. Se o pessoal que est sendo processado, como o Ustra (coronel Brilhante Ustra), tivesse feito o que fizemos no Araguaia, no teramos esses a no poder. Em vez de os ministros do governo Lula ficarem quietos e agradecerem por estar vivos, ficam com revanchismo.
ISTO - O sr. admite a tortura?
Vargas - Torturar normal numa guerra. Para obter informaes, voc tem que apelar, fazer uma tortura, seno o cara no conta.
ISTO - Tortura crime.
Vargas - No existe lei numa guerra. Voc mata ou morre. A tortura nunca vai acabar. assim que funciona.
ISTO - O sr. torturou e matou?
Vargas - Vi muito guerrilheiro sendo torturado na base de Bacaba, mas eu s apertei um campons que no queria falar. Coloquei ele nu em um pau-dearara, com o corpo lambuzado de acar, em cima de um formigueiro. Quando as formigas comearam a subir pelo corpo dele, o campons contou tudo. Mas ele ficou vivo.
ISTO - Como eram as torturas?
Vargas - As tcnicas eram coloc-los em p o dia inteiro em cima de latinhas, apoiando apenas um dedo na parede. Tinha o "telefone" - tapas nos ouvidos - e socos em pontos vitais, alm de choques eltricos.
ISTO - Por que o sr. resolveu fazer essas revelaes?
Vargas - Tenho esses documentos guardados h muitos anos. Depois que voltei a estudar, me politizei. Achei que a histria do Brasil deveria ser contada como de fato aconteceu.
ISTO - E a ordem para destruir os documentos?
Vargas - Veio em 1985, quando eu estava no Servio de Inteligncia do Exrcito.
ISTO - Existe um arquivo sobre a Guerrilha do Araguaia?
Vargas - Eu acredito que o CIE deve ter arquivo

1 comentários


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01 de Mar de 2011 às 14:07

Otelo

Foi ótimo trazer essa matéria. Relato de pessoas que participaram diretamente das lutas. O Maj Curió tb já falou, e deu sua versão profissional de sua missão, e o Cel Lucio tb...
Na minha opinião, a esquerda radical, hj enfraquecida e moribunda, quer e se pegar no último recurso que lhes resta, vender uma imagem de salvadores da Pátria. A quem interessa isso ? A aqueles que ainda se sentem marginalizados politicamente, aqueles que queriam, e querem, o poder. Por ex, o Sr José Dirceu..
Conheço vários pessoas que foram presas durante o período de execessão, uns lutaram com armas, outros não. Vários ex-esilados, etc..etc.. Quase todos hj tocam as suas vidas de maneira normal, e tem consciência do que fizeram.
Não há melhor fermento pra uma revolução social do que : as Injustiças, a Miséria, a Falta de Oportunidades, a Ausencia de Democracia,a Corrupção do Estado, ... e isso existe no Brasil, desde o seu descobrimento. Aliás, não só no Brasil, mas em 2/3 da Terra.
Marx e Engels teorizaram um mundo perfeito. Lenin, Trotski, Fidel, e outros tentaram criar esse mundo pelo uso das armas, e com o sacrificio daqueles que se puseram em seu caminho.
Pq não se ver falar de apurar o que houve nos campos da Sibéria ? O que fizeram com as oposições da Russia ? Ou o custo da ocupação da Thecoslovaquia pelos comunistas ? E os paredons em que milhares de opositores de Fidel foram mortos ? Pq não se fala dos presos politicos em Cuba ?
Os verdadeiramente socialistas deveriam é trabalhar pra resolvermos os problemas sociais do Brasil, que são imensos. O Sistema de Saúde é precário, a Educação deixa a desejar, precisamos modernizar e desenvolver nossas industrias, precisamos melhorar a infra-estrutura ( estradas, usinas, comunicação, etc ), precisamos avançar no campo da democracia, etc..etc..
Sou otimista com o Governo da Presidenta Dilma, acho que ela tem toda a capacidade, intelectual, politica e administrativa de tornar o Brasil melhor. Mas ela deve se afastar dos radicais...pq o povo já os ignora.
Vejam bem, o PT, falo pq é o maior partido de esquerda do Brasil, precisa mudar sua estratégia se seguir se manter unido, e como alternativa politica. Se não mudar, racha !
O povo tá alimentado, ou deveria estar, então agora o povo quer casa, lazer, segurança... Isso é da natureza.
Então ? Então o Governo tem de ser capaz de fazer com que esse nosso País, deixe de crescer 4,5 ..5% .. pra crescer 9%.. 10 %... e permitir que o povo tenha emprego, educação... etc..etc... Isso NÃO SE FAZ COM DEMAGOGIA, nem basta o presidente ser corintiano, tem de ter capacidade, liderança, visão estratégica, e sobretudo não criar problemas pra si mesma.

Fraternal abraço,













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