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Dilma muda jogo no xadrez internacional

Publicado em 03 de Abr de 2011


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Dilma muda jogo no xadrez internacional

Sun, 03 Apr 2011 07:23:11 -0300


Presidente altera política externa e dá ênfase aos direitos humanos; Brasil se reaproxima dos Estados Unidos
Eliane Oliveira e Evandro Éboli

BRASÍLIA. A presidente Dilma Rousseff imprimiu personalidade própria à sua política externa nos primeiros três meses de governo. A diferença entre a forma como Dilma joga no xadrez internacional e a de seu antecessor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é que ela acrescentou um ingrediente numa área que era motivo de críticas ao governo passado: a maior ênfase aos direitos humanos, evidenciada com a mudança da posição do Brasil em relação ao Irã. Já ficou também claro que ganha força a relação do Brasil com os Estados Unidos - além dessa questão sobre o Irã, a parceria comercial pode ter novos parâmetros.
Mas foi a relação com o Irã que mais chamou a atenção na política externa de Dilma. Há duas semanas, a delegação brasileira votou a favor de uma resolução que prevê o envio de um relator da ONU para apurar denúncias relacionadas ao aumento de execuções de opositores ao regime islâmico fundamentalista e abusos em geral.
Antes mesmo de tomar posse, em novembro de 2010, Dilma já havia sinalizado, em entrevista ao jornal americano "Washington Post", que faria alguns ajustes nessa área, ao declarar ser contra o apedrejamento de mulheres no Irã, duas semanas depois de o Brasil ter votado pela abstenção ante o tema. Em meados do mês passado, em um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ela não respondeu, quando ele pediu seu apoio para que as Nações Unidas enviassem um relator ao Irã. Poucos dias depois, surpreendeu positivamente os EUA.
Para o cientista político e professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Antônio Celso Alves Pereira, não houve mudança nos princípios da política externa brasileira. Ele avalia que ocorre, atualmente, correção de rumo e estilo.
- Dilma Rousseff está deixando uma marca própria em cem dias - disse o acadêmico.
Após o encontro com Obama, em Brasília, Dilma se prepara para outro grande teste, em uma visita à China, a partir do dia 12. No governo evita-se falar sobre qual será a postura da presidente em relação à questão dos direitos humanos na China. Cada coisa no seu tempo, dizem auxiliares da presidente.
Quando voltar da China, a presidente vai se concentrar no estreitamento das relações com os sul-americanos. Com atenção especial também para os Estados Unidos, país que deverá visitar ainda no primeiro semestre.
- Ela deseja renovar os elos com os vizinhos - disse um embaixador, lembrando que o primeiro país a ser visitado por Dilma como presidente foi a Argentina.

Prioridade para a cooperação regional
A presidente delegou ao chanceler Antonio Patriota a missão de comunicar aos líderes da América do Sul a mensagem de que a integração regional, sob os pontos político e econômico, continua sendo a grande prioridade do Brasil.
No Itamaraty, a presidente também tem agradado bastante. Pessoas próximas a Dilma afirmam que ela é extremamente bem informada sobre tudo o que acontece no mundo. Lê revistas, jornais e agências de notícias internacionais. Também são elogiadas como características marcantes a objetividade e o respeito impecável ao protocolo. Dilma foge de improvisos, ao contrário de Lula, está atuando em várias frentes ao mesmo tempo e nem precisa ser "brifada" antes.
O tema direitos humanos, que ganhou projeção na política externa, também esteve em alta internamente nesse início de governo, a começar pela criação da Comissão da Verdade. O projeto, prioridade da presidente, era desprezado por Lula, que puxou o debate e a polêmica nessa área. A discussão trouxe à tona a necessidade de revisão do período da ditadura, apuração de circunstâncias e locais onde se deram torturas, mortes e casos de desaparecimentos políticos, além de apontar culpados por esses crimes.
A ministra Maria do Rosário, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, afirma que a instalação da Comissão da Verdade vai além de um desejo de Dilma. É uma necessidade da sociedade.
- O governo acredita que a Comissão da Verdade contribui para o amadurecimento da democracia. Não que se trate do ponto de vista pessoal da presidente. Nosso país é maduro para enfrentar suas dores. E essa busca da verdade não é só de familiares, mas de toda sociedade. Por que não podemos ter o direito de saber? - disse Maria do Rosário, em entrevista ao GLOBO na sexta-feira.
Na semana que vem, o governo realiza um seminário internacional sobre a Comissão da Verdade. O objetivo da conferência é promover o intercâmbio de informações e das experiências alemã e sul-africana na instalação de comissões da verdade, além de debater perspectivas e expectativas de sua equivalente no Brasil.
Outras violações de direitos humanos no Brasil preocupam a presidente. Recentemente, em uma reunião do Conselho Político de seu governo, Dilma falou sobre as deficiências nessa área, lembrando que são muitas as situações - prisões superlotadas e exploração de menores, por exemplo - em que os direitos humanos não são respeitados.
- Não tapamos o sol com a peneira. Sabemos que há problemas, como prisão de adolescentes, situação das cadeias, ações de grupos de extermínio, novas questões de imigrações de trabalhadores, como haitianos e bolivianos, o trabalho sexual e infantil. Enfim, não negamos esses problemas e estamos atentos a eles - afirma Maria do Rosário.
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