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Denúncia

Publicado em 21 de Out. de 2011


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DENÚNCIA


 


A cultura brasileira foi fazendo, através dos tempos, com que determinadas atitudes ingressem numa categoria que, dependendo de quem seja por elas atingido e da sua capacidade de acesso à mídia, as tornem coisa pejorativa, do mal, revertendo em prejuízo para quem toma a atitude de exercê-las. Aviso, desde logo, que o tema é muito complexo.


Para ater-me apenas à palavra que dá título ao presente texto, permito-me tergiversar a respeito. A coisa vem de longa data, chegando mesmo aos tempos de Jesus Cristo, beijado por Judas Iscariotes que, com o gesto, denunciou que aquele era o homem procurado. Hitler usava jovens inocentes que se dispusessem a delatar os próprios pais, desde que estes fossem contra o ditador. Recebiam recompensa pela delação.


Mas vamos enveredar por outro caminho.


Não sabemos os reais motivos que levaram o soldado João Dias Ferreira, da Polícia Militar de Brasília, a falar sobre os obscuros acontecimentos que envolvem o Ministro dos Esportes. A coragem que aquele militar demonstrou ao trazer a público coisas erradas que estavam acontecendo deve ter sido baseada num motivo muito forte por parte do soldado. Não quero tratar da motivação dele, mas sim da certeza de que se assim não fosse, a “maracutaia” continuaria existindo e sabe-se lá quanto dinheiro mais escoaria por aquele ralo.


Justificando o que digo no primeiro parágrafo, não é muito difícil que João Dias venha a ser transformado no vilão da história. E, o que é pior, carregar consigo a alcunha de “dedo-duro” pelo resto da vida. Nossa cultura faz com que nos esqueçamos do principal – a denúncia de que algo muito grave estava acontecendo, para nos entregarmos às divagações a respeito dos motivos que fizeram com que ela viesse à tona. Talvez o soldado não estivesse sendo beneficiado com o dinheiro fruto das coisas obscuras, talvez o ministro estivesse querendo tirá-lo do “esquema”, talvez, talvez, talvez... E deixamos de lado o cerne da questão: o apoderamento do dinheiro público.  


Querem ver por quê o tema é complexo? Façamos uma pesquisa sobre quantas coisas erradas aconteceram diante dos nossos olhos e não tomamos qualquer mísera providência? Por quê agimos assim? Temíamos a possível pecha que viesse a abater-se sobre nós? Evitamos nos incomodar? Tivemos medo de ser tachados de intrometidos, de dedo-duros? Será que sentimos medo de sermos os únicos “de passo certo”? Para nós, naqueles momentos, apenas a nossa necessidade de estar bem era o que importava.


Essa inércia pode ter implicado, todavia, em futuro prejuízo para alguém. Se o agente da coisa erra tivesse sido interrompido por uma providência por nós tomada, existiria grande chance de ter parado de cometer seus erros e muito mal poderia ter sido evitado. Mas não, preferimos optar por ficar quietos, atuando apenas como observadores.


É muito complicado. Difícil, até mesmo de discutir-se o assunto.


Mas não podemos deixar de reconhecer que a interrupção de uma “carreira do mal” traz benefícios para a população. Estamos vendo, mundo afora, a queda de inúmeros ditadores que tanto mal causaram a humanidade. Kadhafi, Bin Laden, Sadam Hussein e outros “bad boys” só foram encontrados porque alguém “deu com a língua nos dentes”.


Numa escala menos sanguinária tivemos aqui os casos de Palloci x caseiro, Zé Dirceu x Roberto Jefferson e tantos outros. Não queiramos nos enganar a respeito do que deflagrou tais escândalos. Todos eles partiram de denúncias.


Sei que corremos o risco de, em sendo implantado o denuncismo, muita gente inocente será alvo de investigações. Corre-se o risco. Que poderia ser minimizado com uma justiça mais atuante e mais rápida. Caluniou? Pague-se o erro.


Mas é um assunto complexo e difícil esse. Se abordado com equilíbrio, entretanto, dá para falar muito sobre ele.


Abraços.  

2 comentários


rjraposa comentou. Clique aqui para ver seu perfil.

21 de Out. de 2011 às 13:58

rjraposa
Esse caso denuncia não vai a vante, 1-quem denunciou que não participa do auto clero social e politico, 2- o governo é o patrocinador de corrutos e corruptores 3- tem a mordaça imposta a imprensa. Diante desses fatos permanecerá a inercia e o bloqueio da voz do "pequeno", e o que se há de dizer,existe gente que quer tambem entrar na fatia do bolo, e com certeza não estava ganhando e é possivel que o denunciante , esteja a serviço de grupos que não eram favorecidos com o desvio do dinheiro publico, vamos ver que entra , e isso justificará ou não a denuncia feita.A Presidente disse que continuará com o PC do B a pasta , e eu digo já entedi tudo.


AutoIndustrial comentou. Clique aqui para ver seu perfil.

21 de Out. de 2011 às 14:29

AutoIndustrial
Prezado Petrocchi

Mais um excelente texto para análise e meditação. Concordo com você: realmente o tema é complexo e um denuncismo desenfreado, sem as devidas provas, pode derrubar carreiras brilhantes, no entanto, (eita ferro! O que vem depois do 'mas, todavia, no entanto, porém, etc et tal...' pode contrariar tudo que foi escrito antes!) qual ou quais são os políticos do nosso país que realmente são "puros e limpos"?

Abraços e boa sorte!

AutoIndustrial
"Adsumus!".

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