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Opinio Pessoal

Comissão da Verdade

Publicado em 04 de Mar de 2012


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Essa Comissão da “Verdade”


 


O governo brasileiro não se atém a uma coisa quando pretende instalar uma comissão com a finalidade de buscar a “verdade” a respeito dos acontecimentos pós-64. Se pensasse melhor, veria que está fornecendo uma pesada munição ao “inimigo”. Até mesmo convidando para a construção de um novo “golpe”. Senão, vejamos...


O principal motivo que apresentam para não convocar os integrantes do lado vencido naquele 31 de março de 1964 é o de eles fizeram o que foi feito por ideologia, por estarem buscando uma “democracia” metafórica para o Brasil. Os crimes por eles cometidos rece4beram o beneplácito da Lei da Anistia. Em nome de um idealismo (na cabeça deles) assaltaram, seqüestraram, mataram torturavam – eles também se utilizavam do “artifício” da tortura, explodiram bombas e toda a sorte de atrocidade também foi cometida por eles. Mas a Lei da Anistia colocou uma pedra sobre tudo isso. É como se estivessem atuando com uma autorização divina para fazê-lo. Todos os meios puderam ser empregados para a realização das suas vontades. Abrem o precedente da ausência de culpa, sobrepassando a verdadeira JUSTIÇA.


Venhamos para o presente.


De acordo com o método agora por eles empregado se, nos dias de hoje, uma porção da sociedade resolver que não concorda com o estado atual das coisas e resolver que vai mudar tudo, suas ações serão perdoadas? Terão liberdade para fazer o que vier na cabeça das pessoas? Manifesto pode? Seqüestrar o Embaixador do Irã ou de Cuba será coisa permitida? Assaltar bancos para “financiar o movimento” deverá ser motivo de admiração da mídia? Trazer apoio de um outro país para a consecução das ações receberá o aval do governo? Recrutar pessoas mais humildes e menos esclarecidas da população para formar massa de manobra será “legal”? Deixo de citar mais um monte de atividades que hoje está sendo ignorado na Comissão da Verdade. Mas tudo será ignorado no futuro numa outra comissão – parte 2...


No meu modo de ver, o que está acontecendo é apenas a vingançazinha dos que perderam o embate em 1964. Se a população realmente quisesse o que eles achavam que ela queria, o Regime Militar não teria durado muito. Se os propósitos deles fossem realmente a melhor coisa para o povo, o povo teria corrido atrás. Mas talvez estivesse, a população, achando que aquela realidade pós 64 era bem melhor do que estava acontecendo com os brasileiros na época (e que não é muito diferente da realidade atual neste país).


Se essa Comissão da Verdade quer mesmo passar o Brasil a limpo, que mais pessoas possam ajudar a indicar quem deve dela fazer parte. Eu, pessoalmente, sou a favor de que as coisas têm que ser mostradas. Mas do lado “A” e do lado “B”, com a presença de integrantes de vários setores da sociedade. Historiadores, imprensa, políticos, militares, estudantes, empresários, cientistas e mais um bom número de participantes que não permita o “segredo”. E que todas as reuniões sejam transmitidas INTEGRALMENTE pela mídia para que possamos saber o quê anda sendo revelado ali dentro. Não poderá existir “isso pode” e “isso não pode”.


Querem jogar limpo? A única maneira é esta. Onde começar a existir uma “filtragem” é sinal de que as coisas estarão erradas.


É bom que o governo atual reflita muito. Aliás, essa comissão não deveria partir do governo. No máximo, no máximo, deveria ser atribuição do judiciário, do legislativo, da sociedade como um todo. Do jeito que está, estão dando carta branca para que, a qualquer hora, surja um grupo de “idealistas” para começar tudo de novo. Com a certeza de que eles não serão objeto de investigação no futuro.

2 comentários


Zaryj comentou. Clique aqui para ver seu perfil.

04 de Mar de 2012 às 14:54

Zaryj
Meu caro Petrocchi, a entrevista do Ministro do SFT Gilmar Mendesm a seguir transcrita, ESCLARECE A QUESTÃO "COMISSÃO DA VERDADE".

FONTE: http://www.midianews.com.br/conteudo.php?sid=24&cid=109978

"Confira a íntegra da reportagem do Estadão, feita pelo repórter Felipe Recondo:

"O ministro sugere ainda não ser possível, depois da decisão do STF sobre a Lei de Anistia, discutir a punição a militares, mesmo que a Comissão da Verdade venha a identificar responsáveis por crime s cometidos durante a ditadura militar. A seguir, os principais trechos da entrevista."


Jenipapo comentou. Clique aqui para ver seu perfil.

04 de Mar de 2012 às 18:25

Jenipapo
Parabenizo-o pela excelente e esclarecedora exposição sobre a "meia verdade" que tal comissão que explorar.
Será ótimo que essa exposição seja publicada em jornal de grande circulação, que muito contribuirá para clarear o julgamento da população, que é bombardeada com sofismas de muitos políticos, jornalistas, ministros, dentre outros.

 

 
Ualali

05 de Mar de 2012 às 14:23

Ualali
Depoimentos sobre o movimento cvico - militar de 31 de maro de 1964

Est pgina foi aberta para depoimentos de todos os participantes, civis e militares, do movimento cvico-militar de 31 de maro de 1964, com o objetivo do resgate da verdade histrica. Participem!!!!!!!!

"POVO QUE NO RESPEITA SEU PASSADO E SUA HISTRIA NO DIGNO DE FUTURO"

Depoimento do ilustre jornalista Roberto Marinho Editorial do jornal "O Globo" edio de 07 de outubro de 1984 com o ttulo "Julgamento da Revoluo





"Participamos da Revoluo de 1964 identificados com os anseios nacionais de preservao das instituies democrticas, ameaadas pela radicalizao ideolgica, greves, desordem social e corrupo generalizada.

Quando a nossa redao foi invadida por tropas anti- revolucionrios, mantivemo-nos firmes em nossa posio. Prosseguimos apoiando o movimento vitorioso desde os primeiros momentos de correo de rumos at o atual processo de abertura, que se dever consolidar com a posse do novo presidente. Temos permanecido fiis aos seus objetivos, embora conflitando em vrias oportunidades com aqueles que pretenderam assumir o controle do processo revolucionrio, esquecendo-se de que os acontecimentos se iniciaram, como reconheceu o Marechal Costa e Silva, "por exigncia irrelutvel do povo brasileiro". Sem o povo no haveria a revoluo, mas apenas um "pronunciamento" ou "golpe" com o qual no estaramos solidrios.

O Globo, desde a Aliana Liberal, quando lutou contra os vcios polticos da Primeira Repblica, vem pugnado por uma autntica democracia e progresso econmico e social do pas. Em 1964, teria de unir-se aos companheiros jornalistas de jornadas anteriores, aos "tenentes e bacharis" que se mantinham coerentes com as tradies e os ideais de 1930, aos expedicionrios da FEB que ocupavam a Chefia das Foras Armadas, aos quais sob a presso de grandes marchas populares, mudando o curso de nossa histria.

Acompanhamos esse esforo de renovao em todas as suas fases. No perodo de ordenao de nossa economia, que se encerrou 1977. Nos meses dramticos de 1968 em que a identificao dos atos de terrorismo provocou a implantao do AI-5. Na expanso econmica de 1969 a 1972, quando o produto nacional bruto cresceu taxa mdia anual de 10%. Assinale-se que, naquele primeiro decnio revolucionrio, a inflao decrescera de 96% para 12% ao ano, elevando-se as exportaes anuais de 1 bilho e 300 mil dlares para mais de 12 bilhes de dlares. Na era do impacto da crise mundial do petrleo desencadeada em 1973 e repetida em 1979, a que se seguiram aumentos vertiginosos nas taxas de juros, impondo-nos uma sucesso de sacrifcios para superar a nossa dependncia externa de energia, a deteriorao dos preos dos nossos produtos de exportao e a desorganizao do sistema financeiro internacional.

Essa conjuno de fatores que violaram a administrao de nossas contas externas obrigou-nos a desvalorizaes cambiais de emergncia que teriam fatalmente de resultar na exacerbao do processo inflacionrio. Nas respostas que a sociedade e o governo brasileiro deram a esses desafios, conseguindo no segundo decnio revolucionrio que agora se completa, apesar das dificuldades, reduzir de 80% para menos de 40% a dependncia externa na importao de energia, elevando a produo de petrleo de 175 mil para 500 mil barris dirios e a de lcool de 680 milhes para 8 bilhes de litros, e simultaneamente aumentar a fabricao industrial em 85%, expandir a rea plantada para produo de alimentos com 20 milhes de hectares a mais, criar 13 milhes de novos empregos, assegurar a presena de mais 10 milhes de estudantes nos bancos escolares, ampliar a populao economicamente ativa de 29 milhes para 45 milhes, elevando as exportaes anuais de 12 bilhes para 22 bilhes de dlares.

Volvendo os olhos para as realizaes nacionais dos ltimos vinte anos, h que se reconhecer um avano impressionante: em 1964 ramos a quadragsima nona economia mundial, com uma populao de 80 milhes de pessoas e uma renda per capita de 900 dlares; somos hoje a oitava, com uma populao de 130 milhes de pessoas, e uma renda mdia per capita de 2.500 dlares.

O Presidente Castelo Branco, em seu discurso de posse, anunciou que a revoluo visava "a arrancada para o desenvolvimento econmico, pela elevao moral e poltica". Dessa maneira, acima do progresso material, delineava-se o objetivo supremo da preservao dos princpios ticos e do restabelecimento do estado de direito. Em 24 de junho de 1978, o presidente Geisel anunciou o fim dos atos de exceo, abrangendo o AI-5, o decreto-lei 477 e demais Atos Institucionais e com isso, restauravam- se as garantias da magistratura e o instituto do habeas-corpus. Cessava a competncia do Presidente para decretar o fechamento do Congresso e a interveno nos Estados, fora das determinaes constitucionais. Perdia o Executivo as atribuies de suspender direitos polticos, cassar mandatos, demitir funcionrios e reformar militares. Extinguiam-se as atividades da CGI (Comisso Geral de Inqurito) e o confisco sumrio de bens. Desapareciam da legislao o banimento, a pena de morte, a priso perptua e a inelegibilidade perene dos cassados. Findava-se o perodo discricionrio, significando que os anseios de liberalizao que Castelo Branco e Costa e Silva manifestaram em diversas ocasies e que Mdice vislumbrou em seu primeiro pronunciamento finalmente se concretizavam.

Enquanto vrios lderes oposicionistas pretenderam considerar aquelas medidas fundamentais como "mero paliativos", o ento Deputado Tancredo Neves, lder do MDB na Cmara Federal, reconheceu que a determinao governamental "foi alm do esperado". Ao assumir o Governo, o Presidente Figueiredo jurou dar continuidade ao processo de redemocratizao. A concesso da anistia ampla e irrestrita, as eleies diretas para governadores dos Estados, e colaborao federal com os novos governos oposicionistas na defesa dos interesses maiores da coletividade, so demonstraes de que o presidente no falou em vo. No h memria de que haja ocorrido aqui, ou em qualquer outro pas, que um regime de fora consolidado h mais de dez anos se tenha utilizado do seu prprio arbtrio para se autolimitar, extinguindo os poderes de exceo, anistiando adversrios, ensejando novos quadros partidrios, em plena liberdade de imprensa.

esse, indubitavelmente, o maior feito da revoluo de 1964. Neste momento em que se desenvolve o processo da sucesso presidencial, exige-se coerncia de todos os que tm a misso de preservar as conquistas econmicas e polticas dos ltimos decnios. O caminho para o aperfeioamento das instituies reto. No admite desvios aticos, nem afastamento do povo. Adotar outros rumos ou retroceder para atender a meras convenincias de faces ou assegurar a manuteno de privilgios seria trair a Revoluo no seu ato final".

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