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Brasil

Discurso proferido nas comemorações dos 50 anos de 31 de Mar

Publicado em 08 de Abr de 2014


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Discurso proferido nas comemorações dos 50 anos de 31 de Mar 1964 em Fortaleza pelo Dr Pedro Jorge Medeiros

Sempre fui inquieto, principalmente diante das questões sociais e esta inquietude se exacerbava quando ouvia falar que os militares tomaram de assalto o poder em março de 1964, que se tornaram cruéis ditadores, que mataram, que torturaram milhares de pessoas. Não consigo absorver, esse pensamento restritivo e dual na análise de fatos histórico, que coloca um lado formado apenas por heróis e o outro lado formado por implacáveis vilões.

Lembro então que Descarte inaugurou a modernidade com uma perspectiva dual do pensamento humano colocando sempre um conceito positivo em contrapartida a um conceito negativo, quando anunciou "penso logo existo" colocou a humanidade na dicotomia social, criando assim a impossibilidade da análise histórica considerando que o herói tem muito de vilão e o vilão tem muito de herói.

Começo então esta exposição sobre o movimento de 64, reproduzindo as palavras do jornalista Alexandre Garcia, que ao se reportar a análise deste período da história brasileira diz: "nenhuma pessoa dotada de mediano senso crítico vai negar que houve excessos por parte do Governo Militar. Nesta seara, os fatos falam por si e por mais que se tente vislumbrar certos aspectos sob um prisma eufemístico, tortura e morte são realidades que emergem de maneira inegável. Ocorre que é preciso contextualizar as coisas. Porque analisar fatos extirpados do substrato histórico-cultural em meio ao qual eles foram forjados é um equívoco dialético (para os ignorantes) e uma desonestidade intelectual (para os que conhecem os ditames do raciocínio lógico)".

O ano de 1964 começava com muitos problemas e preocupações na área econômica, o país estava em crise, a inflação batia recordes jamais vistos, as greves estouravam a todo instante, os sindicatos comandavam o governo, os escândalos de corrupção eram manchetes diárias, para piorar a situação, em 17 de janeiro do mesmo ano, o líder comunista Luiz Carlos Prestes esteve em Moscou, em companhia de Mikhail Suslov, e ambos se encontraram com Nikita Krusschev. Nesse famoso encontro Prestes afirmou, categoricamente: "Se a reação levantar a cabeça, nós a cortaremos de imediato".

A sociedade civil estava em polvorosa, preocupada com Brizola, que em seus muitos discursos, defendia ações radicais, inclusive excitando a população a aderir à luta armada, através do grupo dos 11, onde seriam formados vários pequenos exércitos de guerrilheiros, com a intenção de instalar no Brasil uma ditadura comunista. De acordo com vários documentos, foi inclusive, descoberta uma cartilha que orientava as pessoas a reunir armas "de espingardas de carga dos camponeses, até revólveres, pistolas e metralhadoras"; pedia também para usar mulheres e crianças como escudos humanos, e mandava executar os reféns sem compaixão.

Volto então as palavras do jornalista Alexandre Garcia, para continuar esta análise histórico-reflexiva, onde o mesmo afirma: "as ações tomadas em um contexto de guerra não obedecem à ética do dia-a-dia. Elas obedecem a uma lógica excepcional; do estado de necessidade, da missão acima do indivíduo, do evitar o mal maior" porque "numa guerra não há heróis, menos ainda quando ela é travada entre irmãos".

Continuando a compreensão e análise do período histórico retornaremos para o dia 13 de março de 1964, quando o Presidente João Goulart, faz um comício, na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, pregando a necessidade das reformas de base, e anuncia que havia assinado um decreto que encampava todas as refinarias de petróleo particulares e desapropriava terras à margem de rodovias para a reforma agrária. Falou também, que o povo estava acima da constituição e que a mesma deveria ser reformada, imediatamente. No mesmo local, Brizola e Miguel Arrais sugeriram, como "solução pacífica", o fechamento do congresso e a criação de uma Assembléia Constituinte formada por "camponeses, operários e sargentos".

A situação se complicava, parlamentares de oposição buscavam apoio nas Forças Armadas, inclusive propondo mudar o Congresso Nacional para Belo Horizonte, Rio de Janeiro ou São Paulo, caso a esquerda radical viesse a dar um golpe e fechá-lo. Castello Branco afirmou que a única forma de salvar as Casas Legislativas seria sua manutenção em Brasília.

A oposição se mobilizava, a Igreja Católica organizou uma passeata contra Jango, no dia 19 de Março, no centro de São Paulo, onde estiveram presentes cerca de quinhentas mil pessoas. Foi a famosa: "Marcha da Família com Deus, pela Liberdade". A classe média estava apavorada com o avanço das esquerdas.

Em 23 de Março, cerca de mil marinheiros e suboficiais se reuniram na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, no Rio de Janeiro, para comemorar o aniversário da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais, considerada ilegal pela Marinha. O Ministro Sílvio Mota ordenou que um destacamento de fuzileiros esvaziasse o local e prendesse os organizadores, mas muitos fuzileiros acabaram aderindo à rebelião. A mesma foi controlada, entretanto.

O Almirante Sílvio Mota foi demitido no dia 25 de março e o novo Ministro, o Almirante Paulo Mário, que tinha sido escolhido em uma lista tríplice oferecida pela CGT, mandou soltar os revoltosos, todos foram anistiados, ninguém seria punido. Estes atos caíram como uma bomba no colo da oficialidade. O Princípio da disciplina, o mais importante da hierarquia militar, tinha sido atingido quase que mortalmente.

Na segunda-feira, dia 30 de março, Jango discursou para cerca de dois mil sargentos, no Automóvel Clube do Rio de Janeiro, não em um tom de conciliação, como sua assessoria havia previsto, discursou de improviso e, inflamado com a presença dos suboficiais, falou novamente nas famosas reformas de base. No mesmo instante em Minas Gerais, o General Olímpio de Mourão Filho já iniciava sua marcha para a Guanabara.

O Jornal Correio da Manhã, que apoiava Jango, publicou no seu editorial de 31 de Março, "BASTA!!!! FORA!!! O Brasil já sofreu demais com o governo atual. Agora, basta!"

Uma guerra civil estava se organizando, se delineando em seus lados, a esquerda estava se armando através de guerrilheiros treinados em Cuba e a direita bem mais estruturada, comanda por líderes civis, como Ademar de Barros, em São Paulo, Carlos Lacerda na Guanabara e Magalhães Pinto em Minas Gerais; armava suas polícias militares.

Os líderes militares, durante o movimento que derrubou João Goulart e que durou 55 horas, conseguiram então a proeza de evitar uma guerra civil, na realidade, os militares desmontaram a máquina comunista e colocaram limites no grupo da direita, criando a Inspetoria Geral das Polícias Militares, submetendo-a ao comando do exército. Vivíamos, na época, uma nervosa guerra fria, onde duas grandes potências mundiais, os Estado Unidos e a União Soviética lutavam para aumentar sua área de atuação.

Só para fazermos um exercício de raciocínio, imaginemos uma guerra civil no Brasil, em plena guerra fria, onde se expandiria um festival de "bondades", com americanos e soviéticos armando direitistas e comunistas a um custo de milhões de vidas. O famoso guerrilheiro Carlos Marighella, falou em uma entrevista que "o Brasil seria um novo Vietnã".

Podemos nomear o momento analisado como uma grande ferida na história do Brasil, os diversos atos de violência impetrados pelos dois lados, os quais condenamos veementemente, os mais de cem assaltos a bancos realizados por organizações terroristas, os sequestros, as explosões, as mortes em nome de um ideal. Então mais uma vez me uno ao questionamento do jornalista Alexandre Garcia: "os crimes deles (esquerda) são menos importantes que os praticados pelos militares? O sangue dos soldados que tombaram é menos vermelho do que dos guerrilheiros? As ações equivocadas de um lado desnaturam o caráter nebuloso das ações praticadas pelo outro?"

Coloco então aqui minha posição e respondo afirmando que hoje 50 anos, após momentos cruciais da nossa história, precisamos compreender que condenar os militares, dando-os atualmente de forma imprudente o rótulo único de vilões e ditadores cruéis é assumir uma cegueira social que nos encaminhará para um lugar onde perderemos a grandeza das Forças Armadas que ainda hoje continua a lutar para defender nossa soberania ante qualquer tipo de ameaça, pois como ressalta Alexandre Garcia: "se um dia for necessário sacrificar a vida para defender nosso território e nossas instituições, você só verá um desses lados ter a honradez para fazê-los".

 

2 comentários


Sidinei

08 de Abr de 2014 às 17:25

Sidinei
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Paulor

08 de Abr de 2014 às 21:46

Paulor
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