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Exrcito

Ele se assumiu GAY quando vestia farda de SG EB

Publicado em 19 de Jul de 2016


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‘Me identifico com a dor de Tolentino’, diz sargento expulso do Exército depois de se assumir gay

Fonte: http://blogs.odia.ig.com.br/lgbt/2016/07/18/me-identifico-com-a-dor-de-tolentino-diz-sargento-expulso-do-exercito-depois-de-se-assumir-gay/

Ao lado do marido, ele luta contra a perseguição a homossexuais nas Forças Armadas e pelo fim da Justiça Militar

A última terça-feira representou um marco na teledramaturgia nacional. Pela primeira vez uma cena de se xo entre dois homens foi transmitida em uma novela. A dor e o medo de se reconhecer gay e a incontrolável entrega a esse natural desejo era na tela expressada pelo Capitão Tolentino, interpretado pelo ator Ricardo Pereira. Atuação que emocionou o ex-sargento do Exército Fernando Alcântara de Figueiredo, expulso da instituição depois de assumir sua orientação sexual. Ver a cena de amor entre o capitão e o fidalgo André em ‘Liberdade. Liberdade’, provocou no uma volta a um passado de sofrimento e luta.

Assim como o Tolentino, Fernando teve o primeiro contato sexual com outro homem quando já era um militar.”Vivi o mesmo conflito do personagem. Sentia uma dor muito grande em ter que admitir ser “diferente”, por amar de forma “diferente”. Minha formação foi católica, tradicional e nordestina. Já no Exército, durante o curso de formação, me vi apaixonado por um outro aluno no curso de formação (para sargentos). O sofrimento foi terrível”, lembrou o ex-militar. Por medo daquele desejo, ele fugiu do colega e do sentimento que sentia.

O primeiro e grande amor nasceu quando Fernando fôra selecionado para integrar o Batalhão da Guarda Presidencial. A unidade militar é a dona da maior responsabilidade das Forças Armadas brasileira. Como o nome diz, o batalhão protege o presidente da República e os palácios do governo. “Para mim foi duro admitir que estava tendo algo mais íntimo com outro homem e que, ao mesmo tempo, deveria manter absoluta discrição”.

Fernando foi expulso do Exército depois de se assumir gay. Foto: Reprodução/ Facebook

Fernando foi expulso do Exército depois de se assumir gay. Foto: Reprodução/ Facebook

Esse homem era o também sargento Laci Marinho de Araújo. Fernando estava apaixonado e encontrava no colega de farda a coragem para viver plenamente sua afetividade. A história de amor ocorria paralelamente a uma verdadeira trama de investigação criminal. Fernando conta que descobrira um esquema de fraudes dentro da instituição militar envolvendo a verba que deveria ser usada para custear cirurgias de alto custo. Os prejudicados com a revelação da falcatrua passaram a persegui-lo. “Eles tentaram achar alguma mancha na minha vida dentro do Exército e não conseguiram encontrar nada. Sempre respeitei a instituição, cumpri o meu dever. Eles descobriram o meu relacionamento com o Laci e passaram a me perseguir, a me atacar, usando como argumento a minha vida pessoal”, contou.

O argumento usado pelos que o perseguiam, Fernando lembra, foi o estranho artigo 235 do Código Penal Militar , vigente desde a Ditadura que trata do crime de pederastia. O texto pune quem “praticar, ou permitir o militar que com ele se pratique, ato libidinoso, homossexual ou não, em lugar sujeito à administração militar”. O relacionamento, segundo o casal, foi vivido apenas da porta do quartel para fora, mas foi o alegado motivo para a abertura de investigações com o objetivo de desmoralizá-lo.

Sentindo-se acuados, o casal decidiu tornar pública a retaliação no Exército. A vida de Fernando e Laci ganhou as páginas da revista Época em 2008. Fernando fazia revelações sobre as fraudes dentro do Exército. Laci contava que a força armada não reconhecia a disfunção neurológica que o afastava do trabalho. Ele chegara a ser preso por deserção. Laci e Fernando acusavam a força militar de perseguição pelo mesmo motivo: homofobia.

Na semana seguinte à publicação, o casal concedeu entrevista ao vivo no programa Superpop, da Rede TV, reafirmando as mesmas denúncias contadas à revista. A consequência foi imediata e idêntica ao destino que o fidalgo André viverá nos próximos capítulos da novela passada no séxulo XIX. Na vida real, a emissora foi cercada por militares para efetuar a prisão de Laci. O motivo alegado foi revelado pelo Exército somente dias depois. Uma banalidade compreendida dentro do Código Penal Militar. O casal concedeu entrevista com o uniforme do Exército em mau estado. Fernando também foi preso dias depois por ter viajado de Brasília para São Paulo sem autorização.

 Casal estampou capa de revista em 2008. Eles foram presos depois de participar de programa ao vivo. Foto: Reprodução / Época

Casal estampou capa de revista em 2008. Eles foram presos depois de participar de programa ao vivo. Foto: Reprodução / Época

“Por isso me identifico tanto com o personagem do Ricardo Pereira. Consigo fechar os olhos e me enxergar perfeitamente nos conflitos vividos e me identifico perfeitamente com a dor e o sofrimento vividos por ele”, disse Fernando.

Foram longos e intensos quatro anos até o Exército decidir sobre o destino do casal. Fernando acabou expulso e Laci foi reformado. Contudo, o casal afirma que as perseguições continuam. “Até hoje os proventos do Laci estão cortados. Ele só recebe um soldo simbólico. O Exército só reconheceu em parte seus direitos remuneratórios. Os proventos dele são insuficientes para custear o tratamento médico que ele faz jus e lutamos na justiça por isso”, contou.

O casal recorreu à Comissão de Direitos Humanos da ONU. Eles entregaram gravações em que oficiais ofendem e zombam do casal. O processo está em estágio de admissibilidade, aguardando julgamento. Fernando e Laci se tornaram ativistas na luta pelo fim da Justiça Militar em todos os estados do país. “A cultura em pleno vigor nas Forças Armadas ainda é exatamente a que forjou seu surgimento. Ainda subsiste o famigerado artigo 235 tornando crimes atos de ‘pederastia’, tratando com segregação os homossexuais. O ódio aos homossexuais está tão presente quanto no contexto histórico vivido por Tolentino a sua época”, disse Fernando. “Na ocasião, a punição era a forca; hoje, há uma ordem para a execração pública. O homem ou a mulher é declarado indigno e seus registros são banidos dos assentamentos militares. Nossa luta é pelo fim da Justiça Militar, única forma de começarmos a desconstituição secular do ódio aos homossexuais no Exército do Brasil”, concluiu.

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 Sou indiferente, entretanto quero que respeite a farda.

7 comentários


Avassalador comentou. Clique aqui para ver seu perfil.

19 de Jul de 2016 às 20:46

Avassalador
Também luto pelo fim da Justiça Militar, quanto a situação do ex militar em apreço, vejo que ele não deveria ter se assumido e se declarado gay enquanto militar usando farda, respeito a opção do referido ex militar, entretanto na relação com as FFAA vejo que infelizmente ele de fato abusou.


Paranoense

19 de Jul de 2016 às 21:05

Paranoense
Caro Avassalador; Gostaria de lhe agradecer por esta postagem de interesse e utilidade publica, aproveitando para declarar-me como Gay ( em fim sai do armário).Sou de Ponto Grossa, gosto de mulheres e homens (militares boçais, mais velhos), na relação sou apenas ATIVO. Ufa! custou mas declarei-me. Paranoense S2.


Amiel Ballistra

20 de Jul de 2016 às 1:42

Amiel Ballistra
Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso. Se eu sou padre e resolvo me casar, devo deixar a batina. Consta que a Guarda Real da Inglaterra não aceita negros em seu efetivo. Na Igreja Católica quem oficia missas são padres. No Judaísmo não encontrei "rabinas". Forças Armadas tem certas peculiaridades. Mesmo nos períodos de férias, o militar deve informar para onde vai, solicitar guia de viagem e se apresentar em uma Organização Militar que porventura exista naquela localidade. Quem não quiser ou não puder se submeter ao regulamento, deve procurar outra ocupação.

 

 
Avassalador comentou. Clique aqui para ver seu perfil.

20 de Jul de 2016 às 6:53

Avassalador
Gostei do seu comentrio, vejo que no houve respeito as diferenas, ou seja, o EX SG no respeitou a caserna militar, infelizmente.


Osman Do Rosario

20 de Jul de 2016 às 12:00

Osman Do Rosario
Qual a diferença entre o gay assumido e o enrustido, em todos os níveis da sociedade ha pessoas diferenciadas, para as FFAA o que deveria valer é o desempenho, retorno profissional e o cumprimento das obrigações impostas na carreira do militar, quem me garante que no front os machões não vão se borrar.


Ir.`. Ciclope

20 de Jul de 2016 às 12:04

Ir.`. Ciclope
Bom dia amigo Avassalador; Esta questão de homossexualidade nas FFAA a opinião que posso contribuir é a seguinte: Mais vale um gay assumido a que um "viado" enrustido. Voltamos no grande problema da nossa remuneração : a HIPOCRISIA. Se o militar é valente, robusto, bruto, rústico e em plena forma física, mesmo que seja um Gay declarado, é de grande valor nas FFAA, um ótimo combatente. Conheci uns "machos" na Caverna que parecia mais um Rei Momo, sem condições de combate, embora professasse o cristianismo, capitalismo, a boa moral e a honra. Sou a favor dos Gays nas FFAA, sim! Eis os motivos: 1) São alegres; 2) Tem bom gosto; 3) Nunca conformariam com soldo nefasto, que não dá nem para comprar uma fantasia para a parada gay. O grande problema das FFAA é que o ser humano não é valorizado, porque há de ser morto, aí meu amigo, se o militar é praça e gay, está ferrado. Finalizando, hoje é dia do amigo, então um Fraterno Abraço ao Avassalador do Ir.`. Ciclope, amigo da onça Juma ( in memoriam). PS: Não se preocupem com brioco alheio, pois o nosso Presidente 2018, já está tomando conta.


Bernardo Alves Dinamarco

20 de Jul de 2016 às 13:32

Bernardo Alves Dinamarco
Casos de caserna, contados por um militar que estava no.....da Aeronáutica em 1977. Cabo M., 1º Ten Inf M., Maj Méd P., Ten Cel Av L. Todos homossexuais, mas muito discretos. Apesar disto, alguém fez um comentário alusivo ao Cabo, despertando o riso de uma meia dúzia de militares. 3 dias depois cada um foi procurado pelo Cabo que lhes mostrou uma foto recente onde ele, na quadra esportiva do Clube Militar do Exército, num torneio de jogo de peteca, aparecia abraçado a duas autoridades, o Arcebispo Metropolitano de.......... e o General de Brigada Comandante da ....... Calma e educadamente dizia o Cabo:- " Por favor, não repita a brincadeira. Eu sou simplesmente o Cabo M. Se houver uma próxima vez pedirei a estes meus amigos providenciar, para cada um dos senhores, 30 dias de cadeia e transferência." Silêncio profundo. Cada um punha a viola no saco e saia. Quem fala o que quer, ouve o que não quer. O Cabo, sabiamente, não apelou para os seus, vamos dizer "correligionários" da Aeronáutica. Foi buscar apoio externo, e que apoio. Alguém pode não gostar de negros ou de mulheres gordas, mas isto não lhe dá permissão para demonstrar, publicamente e de maneira ostensiva, desprezo pelos negros e pelas gordas ou usar suas figuras para fazer piadas. Se o indivíduo não está causando problemas nem para mim nem para minha família, deixa pra lá. Quem ama o feio, bonito lhe parece.


Avassalador comentou. Clique aqui para ver seu perfil.

21 de Jul de 2016 às 11:26

Avassalador
O que é fato é que ambos, militar em questão e EB não souberam equacionar e lidar com as diferenças, daí veio o conflito que levou o jovem e desprotegido ex militar para as garras da Justiça Militar, preconceituosa e despreparada que deve ter humilhado o rapaz deixando marcas para toda vida.


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