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São Diferentes são duas Categorias de Juízes

Publicado em 15 de Mai de 2017


1068 Visualizações


 

 

 

Duas categorias de juízes

Fonte: espacovital.com.br

http://espacovital.com.br/publicacao-34963-duas-categorias-de-juizes

 

 

Por Ludmila Lins Grilo, juíza do TJ-MG

Sempre que o STF profere alguma decisão bizarra, o povo logo se apressa para sentenciar: “A Justiça no Brasil é uma piada”.

Nem se passa pela cabeça da galera que os outros juízes – sim, os OUTROS – se contorcem de vergonha com certas decisões da Suprema Corte, e não se sentem nem um pouco representados por ela.

O que muitos juízes sentem é que existem duas Justiças no Brasil. E essas Justiças não se misturam uma com a outra. Uma é a dos juízes por indicação política. A outra é a dos juízes concursados.

A Justiça do STF e a Justiça de primeiro grau revelam a existência de duas categorias de juízes que não se misturam. São como água e azeite. São dois mundos completamente isolados um do outro. Um não tem contato nenhum com o outro e um não se assemelha em nada com o outro. Um, muitas vezes, parece atuar contra o outro. Faz declarações contra o outro. E o outro, por muitas vezes, morre de vergonha do um.

Geralmente, o outro prefere que os “juízes” do STF sejam mesmo chamados de ministros – para não confundir com os demais, os verdadeiros juízes.

A atual composição do STF revela que, dentre os 11 ministros (sim, M-I-N-I-S-T-R-O-S!), apenas dois são magistrados de carreira: Rosa Weber e Luiz Fux. Ou seja: nove deles não têm a mais vaga ideia do que é gerir uma unidade judiciária a quilômetros de distância de sua família, em cidades pequenas de interior, com falta de mão-de-obra e de infra-estrutura, com uma demanda acachapante e praticamente inadministrável.

Julgam grandes causas – as mais importantes do Brasil – sem terem nunca sequer julgado um inventariozinho da dona Maria que morreu. Nem uma pensão alimentícia simplória. Nem uma medida para um menor infrator, nem um remédio para um doente, nem uma internação para um idoso, nem uma autorização para menor em eventos e viagens, nem uma partilhazinha de bens, nem uma aposentadoriazinha rural. Nada. NADA.

Certamente não fazem a menor ideia de como é visitar a casa humilde da senhorinha acamada que não se mexe, para propiciar-lhe a interdição. Nem imaginam como é desgastante a visita periódica ao presídio – e o percorrer por entre as celas. Nem sonham com as correições nos cartórios extrajudiciais. Nem supõem o que seja passar um dia inteiro ouvindo testemunhas e interrogando réus. Nunca presidiram uma sessão do Tribunal do Júri. Não conhecem as agruras, as dificuldades do interior. Não conhecem nada do que é ser juiz de primeiro grau. Nada.

Do alto de seus carros com motoristas pagos com dinheiro público, não devem fazer a menor ideia de que ser juiz de verdade é não ter motorista nenhum. Ser juiz é andar com seu próprio carro – por sua conta e risco – nas estradas de terra do interior do Brasil. Talvez os ministros nem saibam o que é uma estrada de terra – ou nem se lembrem mais o que é isso.

Às vezes, nem a gasolina ganhamos, tirando muitas vezes do nosso próprio bolso para sustentar o Estado, sem saber se um dia seremos reembolsados - muitas vezes não somos. Será que os juízes, digo, ministros do STF sabem o que é passar por isso?

Por que será que os réus lutam tanto para serem julgados pelo STF (o famoso “foro privilegiado") – fugindo dos juízes de primeiro grau como o diabo foge da cruz?

Por que será que eles preferem ser julgados pelos “juízes” indicados politicamente, e não pelos juízes concursados?

É por essas e outras que, sem constrangimento algum, rogo-lhes: não me coloquem no mesmo balaio do STF. Faço parte da outra Justiça: a de VERDADE.

 

Comentário do Blogueiro:

Pois é Excelentíssima Senhora Doutora Juíza, seu artigo me faz lembrar do Presidente do Superior Tribunal Militar, quando em discurso para uma plateia de Ministros e Juízes de tribunais, declarou Não ter nenhuma experiência jurídica.

1 comentários


Amiel Ballistra

16 de Mai de 2017 às 7:21

Amiel Ballistra
O Juíz julga conforme a lei nacional. O Ministro, tem mais liberdade. Decide conforme as circunstâncias. Chega a ser ridículo. Pode lhe aplicar o remédio por via oral, venosa ou um "clister". Um destes "Ministros", para burlar a lei brasileira, foi buscar no direito norteamericano um tal de "merith system", e encerrou um processo. Moraes era advogado em SP, eficiente cabo eleitoral do PMDB escreveu uns dois livros, plagiando outros autores. O Presidente Temer o colocou como Ministro da Justiça e agora é Ministro do STF. Daí vem aquelas decisões: - Renan pode continuar Presidindo o Senado, mas não poderá assumir a Presidência da República///-a Constituição Federal pode sofrer "temperamentos"/// a coisa julgada poderá ser submetida a nova apreciação, caso o acórdão ou sentença cause "perplexidade". /// Quem decidirá sobre a "perplexidade"? Assim vemos que -isonomia, direito de ir e vir, direito adquirido, e outas garantias fundamentais, não estão 100% garantidas. Ficam na dependência do momento político, dos interessados , etc. Como disse o Descartes, "-bem viveu quem bem se escondeu".


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