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"Situação Salarial dos Militares é Crítica" diz Ministro

Publicado em 02 de Mar de 2018


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Do Estadão
 Primeiro integrante das Forças Armadas a comandar o Ministério da Defesa, o general do Exército Joaquim Silva e Luna, 68, afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que "militares não buscam protagonismo" ao assumir funções no governo.
Para ele, a maior participação na gestão do presidente Michel Temer é "circunstancial".
Em sua primeira entrevista após assumir o cargo interinamente, o que ocorreu nesta quinta-feira (1º), ele refutou a ideia de um possível uso eleitoral da intervenção no Rio por Temer e devolveu a pergunta com outras. "Existia causa mais urgente do que segurança pública? Principalmente no Rio de Janeiro?"
 
Confira os principais trechos da entrevista.
 
O Exército no governo
"Não se busca protagonismo. Entendemos (a maior participação de militares) como cumprimento de destinação constitucional. Quando um militar escolhe esta profissão é por vocação. Não se pode deixar de contribuir, com sua experiência, em área de gestão e administração, só porque se é militar. Aí parece que o militar não integra a sociedade. Seria falta de bom senso. E isso é circunstancial, não vemos isso como protagonismo. A colaboração de militares que foram convidados e aceitaram participar do desafio incomoda? Não incomoda porque é nossa missão. No momento o País precisa disso e estamos disponíveis."
 
Militares e uso eleitoral
 
 "Não vi essa percepção em canto nenhum. Posso falar pelas três Forças (Exército, Marinha e Aeronáutica). Não percebo dessa forma. O presidente é o comandante supremo das Forças Armadas e ele se comunica bem com as Forças. Ele busca esse contato. O que existe hoje é a necessidade de participação de todos os brasileiros na busca de solução dos problemas de segurança pública."
 
Intervenção como agenda positiva
 
 "Eu vejo a percepção do presidente igual ao da população. Existia causa mais urgente do que segurança pública? Principalmente no Rio de Janeiro? Não existe nada mais urgente do que isso aqui. É a história da prioridade e da urgência. Tem assunto que é prioritário. Tem outro que, além de ser prioritário, é urgente. E ele (Temer) foi atender a uma urgência que é a questão da segurança pública."
 
Violência
 
 "O nível de insegurança pública chegou a um ponto insuportável. Vimos uma senhora pedindo socorro e isso nos doeu e emocionou. Não existe uma solução mágica. Precisamos de integração, inteligência e legislação. Há um desalinhamento entre quem prende, quem libera e quem julga. Não há garantia de o preso ser punido pelo crime que cometeu. Maior vulnerabilidade é o desemprego, que torna o indivíduo vulnerável. Um garoto que vai pro crime ganha R$ 4 mil por semana."
 
Ministério da Segurança Pública
"É fundamental. Há uma convergência de preocupações, mas o grande clamor é por dinheiro para segurança pública. A Constituição de 1988 deu responsabilidades, mas não prevê os recursos."
 
Forças Armadas no combate à violência 
 
 "O emprego excessivo das Forças Armadas é uma preocupação, sim. Já existe a Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Nos países vizinhos, onde as Forças Armadas se envolveram no combate ao crime, houve contaminação como na Colômbia. Hoje 60% do pessoal das Forças é temporário. Dos 222 mil militares, 135 mil são temporários e 75 mil são recrutas. Esse pessoal, quando sai, depois de treinado,
pode ser cooptado pelo crime, daí a preocupação também."
 
Cooptação de militares no Rio
 
 "O prazo (da intervenção no Rio) é muito longo até dezembro. Há preocupação com a contaminação da tropa, mas não vimos outra solução."
 
Desarmamento
 
 "Tem países que armam a população como forma de aumentar a segurança, mas não vejo que um homem armado vá ajudar na segurança, sobretudo se for um homem despreparado. O que tem de acontecer é desarmar o bandido, porque senão vai desequilibrar esse jogo. Caso contrário, vai se cometer o erro de que, se não é possível desarmar o bandido, arma-se a população, o cidadão de bem. A solução não passa por aí, a solução é desarmar o bandido."
 
Regra de engajamento
 
 "Precisam ser muito claras e bem definidas para que o soldado saiba exatamente a hora que pode ou não atirar, se há intenção hostil. As Forças Armadas estão preparadas e hoje o combate se dá no meio do povo."
 
'Governos fracos apelam a militares'
 
 "Cada um tem a sua percepção a partir de suas convicções e experiências. A ideia de separar civis e militares é retrógrada, é olhar tão para trás. A defesa é questão de todos os brasileiros."
 
Salário dos militares
 
 "Está muito defasado, o salário do coronel, que é o ultimo posto da carreira militar, é menor do que o valor inicial de muitas outras carreiras de Estado. A situação salarial é crítica, principalmente para os praças."

2 comentários


Amiel Ballistra

02 de Mar de 2018 às 18:14

Amiel Ballistra
"Coronel é ó último posto da carreira militar", disse o General. Então ele é o que? General preocupado com os salários da tropa? Hummm.....sei.


Amiel Ballistra

05 de Mar de 2018 às 10:00

Amiel Ballistra
2018, 68 anos de idade, nasceu em 1950. Deveria ter sido 2º Tenente em 1972, Capitão em 82/84. Então deveria se lembrar da alteração no escalonamento vertical autorizado pelo Geisel em 77. Do arrocho salarial e do episódio de Tenentes pretendendo levar as famílias para montarem acampamentos (residência) dentro dos quartéis. Em certos lugares, em um certo tempo, vi mães embrulhando pedaços de rapadura em panos e colocando nas bocas das crianças que choravam com fome. "- Vai engambelando o zequinha, até eu dar um jeito no mingau". Agora encontro um General Ministro "engambelando" a tropa com manifestação de solidariedade.


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